{"id":24586,"date":"2006-04-10T16:51:07","date_gmt":"2006-04-10T19:51:07","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=24586"},"modified":"2019-11-28T11:48:39","modified_gmt":"2019-11-28T14:48:39","slug":"discos-meds-placebo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/04\/10\/discos-meds-placebo\/","title":{"rendered":"Discos: Meds, Placebo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-24588\" title=\"placebomeds\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/placebomeds.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Jorge Wagner<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Placebo mudou. Quantos de n\u00f3s somos os mesmos que \u00e9ramos h\u00e1 10 anos? Mudamos nossas roupas, nosso corte de cabelo, nossas amizades, nosso gosto musical, nossas cren\u00e7as, nossa posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Se evolu\u00edmos ou n\u00e3o, creio que n\u00e3o cabe discutir. Mudamos. J\u00e1 n\u00e3o somos os mesmos, e apenas isso. E merecem pr\u00eamios todos aqueles que o fizeram sem a inten\u00e7\u00e3o de acompanhar tend\u00eancias e modismos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a colet\u00e2nea &#8220;Once More Feeling \u2013 Singles 1996-2004&#8221;, Brian Molko, Stefan Osdal e Steve Hewitt fecharam o que pode ser chamado de &#8220;a primeira fase&#8221; do Placebo. N\u00e3o que o hom\u00f4nimo disco de estreia (de 1996), &#8220;Without You I\u2019m Nothing&#8221; (1998), &#8220;Black Market Music&#8221; (2000) e &#8220;Sleeping With Ghosts&#8221; (2004) sejam uma coisa s\u00f3. \u00c9 que foi-se o &#8220;nervosismo&#8221; inicial de faixas como &#8220;36 Degrees&#8221; e &#8220;Nancy Boy&#8221; dando lugar \u00e0 m\u00fasicas mais f\u00e1ceis de digerir, explicitando influ\u00eancias p\u00f3s-punk (caso de &#8216;Every You Every Me&#8221; e &#8220;You Don\u2019t Care About Us&#8221;) &#8211; bons anos antes da louva\u00e7\u00e3o infantilizada aos anos 80 que entraria em voga no in\u00edcio do novo mil\u00eanio -, e baladas tristes \u00e0 moda Placebo, que come\u00e7am com &#8220;Without You I\u2019m Nothing&#8221; (que na colet\u00e2nea traz Molko em dueto com David Bowie), passam por &#8220;Black-Eyed&#8221; e des\u00e1guam em &#8220;Special Needs&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Once More Feeling&#8221; \u00e9 um retrato de uma banda que muda, mas muda para continuar sendo ela mesma, por mais contradit\u00f3rio que pare\u00e7a. A banda que criou verdadeiro &#8216;frisson&#8217; ao passar por esses lados do Atl\u00e2ntico em abril do ano passado (chegando nesta \u00e9poca a at\u00e9 mesmo figurar entre as mais pedidas de uma das r\u00e1dios &#8211; hoje extinta &#8211; com o p\u00fablico de gosto mais duvidoso do pa\u00eds). A banda fez no Rio de Janeiro um show cansado, antes de entrar em f\u00e9rias, mas tamb\u00e9m fez a promessa de que 2006 os traria de volta, com um \u00e1lbum novo no curr\u00edculo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista ao programa Metr\u00f3pole, da TV Cultura, concedida durante o tempo em que a banda esteve no pa\u00eds, Brian Molko declarou, entre outras coisas, que n\u00e3o ouvia mais bandas de rock, e que o que o interessava mesmo era o universo da m\u00fasica eletr\u00f4nica (o que quase \u2013 ironia \u2013 n\u00e3o d\u00e1 pra perceber em &#8220;I Do&#8221;, lan\u00e7ada apenas na colet\u00e2nea), do hip-hop (tsc!) e do trip-hop (ufa!). O que esperar do pr\u00f3ximo \u00e1lbum, portanto? Uma continua\u00e7\u00e3o de &#8220;Sleeping With Ghosts&#8221;? V\u00e1rias medianas como &#8220;I Do&#8221; ou v\u00e1rias excelentes como &#8220;Twenty Years&#8221;? Imposs\u00edvel saber.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Meds&#8221;, lan\u00e7ado oficialmente no \u00faltimo dia 21 de mar\u00e7o (apesar de j\u00e1 estar circulando pela rede h\u00e1 praticamente tr\u00eas meses), teve como precursor o single &#8220;Because I Want You&#8221;. Com menos de 50 minutos de dura\u00e7\u00e3o, 13 faixas, participa\u00e7\u00f5es de VV (The Kills), e Michael Stipe (R.E.M.), &#8220;Meds&#8221;, \u00e9 primeira p\u00e1gina de um novo cap\u00edtulo do livro chamado Placebo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A faixa-t\u00edtulo \u00e9 tamb\u00e9m a faixa de abertura. Conta com a participa\u00e7\u00e3o da &#8220;assassina&#8221; Alison Mosshart, a &#8220;VV&#8221;, do The Kills. Ap\u00f3s 50 segundos de apenas voz e viol\u00e3o, com a entrada de bateria e baixo, j\u00e1 n\u00e3o resta d\u00favidas: apesar de algo soar diferente, e &#8220;novo&#8221;, ainda \u00e9 a mesma banda que gravou hits como &#8220;Every You Every Me&#8221; e &#8220;Special K&#8221;, e a mais b-side (por\u00e9m sem menor qualidade) &#8220;Days Before You Came&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acalmem-se todos aqueles que temiam a afeta\u00e7\u00e3o techno: o Placebo pode n\u00e3o ouvir mais bandas de rock, mas, ainda assim, continua sendo uma banda de rock. N\u00e3o que tenham aberto m\u00e3o de recursos eletr\u00f4nicos, mas sabem a medida certa, a hora e forma de us\u00e1-los, como comprovam as faixas &#8220;Infra-Red&#8221;, a hipn\u00f3tica &#8220;Space Monkey&#8221;, al\u00e9m de &#8220;Blind&#8221; (dessas que crescem, at\u00e9 um refr\u00e3o forte, do tipo que far\u00e1 muita gente cantar junto nos shows) e &#8220;Pierrot The Clown&#8221; \u2013 essas duas \u00faltimas, com sutis flertes com o trip-hop. &#8220;Pierrot The Clown&#8221;, em especial, remete ainda a outra boa m\u00fasica da banda: &#8220;Burger Queen&#8221;, de &#8220;Without You I&#8217;m Nothing&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Salta aos ouvidos o fato de que &#8220;Because I Want You&#8221; n\u00e3o foi, em termos de qualidade, a melhor escolha para ser o primeiro single do disco. N\u00e3o que seja ruim, como insistem em dizer alguns f\u00e3s puristas da banda (que, n\u00e3o resta d\u00favida, se fossem mais velhos, com certeza teriam esganado o camale\u00e3o David Bowie \u2013 um forte ponto de refer\u00eancia para Molko e sua turma &#8211; em uma de suas muitas &#8220;trocas de pele pop&#8221;), mas n\u00e3o passa nem perto de ser \u00e9 a melhor &#8211; t\u00edtulo disputado pelas excelentes &#8220;Post Blue&#8221; e &#8220;Broken Promise&#8221; \u2013 outra com refr\u00e3o marcante, dos versos &#8220;I&#8217;ll wait my turn, \/ To tear inside you, \/ Watch you burn&#8230; \/ And I&#8217;ll wait my turn, \/ To terrorize you, \/ Watch you burn&#8230; \/ And I&#8217;ll wait my turn, \/ I&#8217;ll wait my turn.&#8221;, e que traz Michael Stipe dividindo o vocal com Brian &#8211; e &#8220;Song To Say Goodbye&#8221;, que fecha o disco de forma certeira (&#8220;Uma voz que me faz chorar&#8230; \/ Essa \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o pra dizer adeus.&#8221;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A crueza do primeiro \u00e1lbum, as influ\u00eancias explicitadas no segundo, o clima soturno no terceiro e a ousadia eletr\u00f4nica do quarto serviram como trilha para uma banda que, com dez anos de carreira, demonstra saber bem onde est\u00e1 pisando, ter plena consci\u00eancia do que podem e querem fazer, n\u00e3o importa o que digam. Molko ainda \u00e9 o rapaz de olhos negros que nasceu para perder, mas est\u00e1 maduro, e sabe que n\u00e3o precisa ficar berrando isso aos quatro cantos, apesar do medo de ficar s\u00f3 que ainda diz (canta) sentir. Ele mudou. O Placebo mudou. Mas, afinal, quantos de n\u00f3s ainda somos os mesmos que \u00e9ramos h\u00e1 10 anos? Merecem pr\u00eamios todos aqueles que o fizeram sem a inten\u00e7\u00e3o de acompanhar tend\u00eancias e modismos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/zGxinPqnVFI\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/zGxinPqnVFI\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/4S7Sp7zqzw0\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/4S7Sp7zqzw0\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/geig9DCpucI\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/geig9DCpucI\"><\/embed><\/object><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Jorge Wagner O Placebo mudou. 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