{"id":24527,"date":"2014-04-13T11:05:08","date_gmt":"2014-04-13T14:05:08","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=24527"},"modified":"2016-09-09T17:59:46","modified_gmt":"2016-09-09T20:59:46","slug":"todo-aquele-jazz-de-geoff-dyer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/04\/13\/todo-aquele-jazz-de-geoff-dyer\/","title":{"rendered":"Todo Aquele Jazz, de Geoff Dyer"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-24528\" title=\"jazz1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/jazz1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/coisapop\" target=\"_blank\">Adriano Costa<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA m\u00fasica jazz \u00e9 uma inquieta\u00e7\u00e3o acelerada\u201d, assim definiu a falecida escritora francesa Fran\u00e7oise Sagan, de \u201cBom Dia Tristeza\u201d (Bonjour Tristesse, 1954). Essa inquietude \u00e9 presente n\u00e3o somente na formata\u00e7\u00e3o dos improvisos feitos em cima de cada frase de um instrumento ou na constru\u00e7\u00e3o de arranjos sofisticados e \u00fanicos, como tamb\u00e9m pode ser transferida para a vida da maioria dos m\u00fasicos que criaram e consolidaram o g\u00eanero em suas vertentes mais ricas e poderosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O romancista, jornalista e ensa\u00edsta ingl\u00eas Geoff Dyer \u00e9 um dos muitos amantes do estilo e em 1991 lan\u00e7ou um livro sobre o tema chamado \u201cBut Beatiful: A Book About Jazz\u201d, obra que ganhou reimpress\u00e3o em terras nacionais em 2013 como \u201cTodo Aquele Jazz\u201d, via Companhia das Letras, com 240 p\u00e1ginas e tradu\u00e7\u00e3o de Donald M. Garschagen. O autor, que tem livros sobre diversas outras \u00e1reas como fotografia e viagens, exibe aqui amplo conhecimento e uma paix\u00e3o expressiva sobre o tema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTodo Aquele Jazz\u201d \u00e9 um livro de fic\u00e7\u00e3o que toma como embasamento de cria\u00e7\u00e3o de sua trama alguns fatos reais da vida dos m\u00fasicos retratados, utilizando como mat\u00e9ria-prima inicial fotografias antigas que o autor teve acesso ou j\u00e1 conhecia, e a partir disso imaginando aspectos mais extensos. \u00cdcones do jazz s\u00e3o retratados em cada cap\u00edtulo \u2013 Thelonious Monk, Charles Mingus, Chet Baker, Lester Young, Bud Powell, Art Pepper e Ben Webster, al\u00e9m do extraordin\u00e1rio Duke Ellington \u2013 permeando o livro em passagens curtas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As hist\u00f3rias que Geoff Dyer fabrica s\u00e3o permeadas por dores, decep\u00e7\u00f5es, passividade e uma melancolia diretamente vinculada aos tempos \u00e1ureos em que o brilhantismo e a energia ainda eram a moeda corrente dessas vidas. N\u00e3o obstante, esse reflexo espelhado que ele exibe na trama vem justamente depois da absor\u00e7\u00e3o das inova\u00e7\u00f5es do ritmo, assim como tudo aquilo que circundou o jazz em sua fase \u00e1urea \u2013 o \u00e1lcool, as drogas e as mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A viagem de Dyer invade os anos 20 e alcan\u00e7a, de modo sucinto, o per\u00edodo em que alguns dos baluartes do estilo mantiveram sua exist\u00eancia se apegando ou ao momento de decl\u00ednio f\u00edsico, mental e criativo, ou ao ostracismo em algum pa\u00eds longe da Am\u00e9rica. Essa viagem, mesmo sendo pesarosa e triste em determinadas situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o deixa de ser id\u00edlica e po\u00e9tica em diversas outras passagens, devido principalmente ao conhecimento do autor e a maneira como escreve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De todos os cap\u00edtulos de \u201cTodo Aquele Jazz\u201d, aqueles que focam em Thelonious Monk, Charles Mingus e Art Pepper s\u00e3o os mais exuberantes. Magia, loucura e incompreens\u00e3o andam de m\u00e3os dadas nesses pequenos contos. Para envolver ainda mais o leitor, as fotos comentadas pelo autor poderiam estar presentes e seriam um belo acr\u00e9scimo ao todo. Por\u00e9m, isso \u00e9 mero detalhe e \u201cTodo Aquele Jazz\u201d ainda encerra com um ensaio formid\u00e1vel justamente sobre o estilo de vida que os m\u00fasicos levavam (por op\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria ou n\u00e3o) e sua contraposi\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o de pequenos cl\u00e1ssicos, al\u00e9m de uma estupenda discografia selecionada para correr atr\u00e1s depois. Uma aula.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Clique na imagem para ler as 25 primeiras p\u00e1ginas do livro<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/trechos\/13245.pdf\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-24529\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"jazz2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/jazz2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"775\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Adriano Mello Costa (siga <a href=\"http:\/\/twitter.com\/coisapop\" target=\"_blank\">@coisapop<\/a> no Twitter) e assina o blog de cultura <a href=\"http:\/\/coisapop.blogspot.com\/\" target=\"_blank\">Coisa Pop<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"De todos os cap\u00edtulos do livro, aqueles que focam em Thelonious Monk, Charles Mingus e Art Pepper s\u00e3o os mais exuberantes\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/04\/13\/todo-aquele-jazz-de-geoff-dyer\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[1209],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24527"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24527"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24527\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40188,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24527\/revisions\/40188"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24527"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24527"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24527"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}