{"id":242,"date":"2006-11-09T14:39:12","date_gmt":"2006-11-09T16:39:12","guid":{"rendered":"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/2006\/11\/09\/bizz-x-rolling-stone\/"},"modified":"2015-01-13T13:08:25","modified_gmt":"2015-01-13T16:08:25","slug":"bizz-x-rolling-stone","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/11\/09\/bizz-x-rolling-stone\/","title":{"rendered":"Bizz x Rolling Stone"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/files\/2006\/11\/bizz.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A chegada da edi\u00e7\u00e3o brasileira da Rolling Stone (que vinha namorando o mercado brasileiro fazia uns bons dez anos) \u00e0s bancas trouxe consigo uma s\u00e9rie de quest\u00f5es que rendem uma an\u00e1lise bastante interessante. Num primeiro momento, a revista chega ao Brasil no exato instante em que o modelo &#8220;gravadoras&#8221; est\u00e1 beirando a fal\u00eancia, e as lojas on-line come\u00e7am a virar obriga\u00e7\u00e3o em todo grande portal. O iG j\u00e1 anunciou a sua loja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, com a populariza\u00e7\u00e3o da web j\u00e1 \u00e9 muito mais f\u00e1cil ouvir uma r\u00e1dio gringa de qualidade no lugar de uma nacional movimentada por uma programa\u00e7\u00e3o ditada por jab\u00e1. O grande p\u00fablico ainda \u00e9 ref\u00e9m das AMs e FMs, mas ser\u00e1 que o grande p\u00fablico compra revistas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas bancas, apenas a revista Bizz tem uma circula\u00e7\u00e3o regular, mensal, e sugere uma concorr\u00eancia com a Rolling Stone brazuca, mas ser\u00e1 que o mercado brasileiro consegue comportar duas revistas no mesmo segmento? Ser\u00e1 que a Rolling Stone brasileira bate de frente com a Bizz, ou ser\u00e1 a Trip e a Vip suas grandes &#8220;advers\u00e1rias&#8221;? Ou s\u00e3o as tr\u00eas? O que muda com a chegada da Rolling Stone ao Brasil? Essa e outras perguntas, a Revoluttion opina, abaixo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">01) H\u00e1 espa\u00e7o no mercado para duas publica\u00e7\u00f5es de m\u00fasica no Brasil?<br \/>\nPrimeiro ponto: n\u00e3o existe mercado de m\u00fasica no Brasil hoje em dia. O que existe \u00e9 apenas um rascunho do que o mercado brasileiro foi um dia. Dito isso, \u00e9 bom saber que mesmo assim se consome &#8211; muita &#8211; m\u00fasica nesse pa\u00eds (e o crescente n\u00famero de shows internacionais que andam baixando por aqui \u00e9 apenas um sintoma da valoriza\u00e7\u00e3o da m\u00fasica por estes lados). No entanto, para que duas publica\u00e7\u00f5es existam neste pa\u00eds que n\u00e3o l\u00ea, elas precisam ter um foco definido, boas pautas e qualidade editorial. N\u00e3o podem bater de frente. A Rolling Stone traz uma diferen\u00e7a da Bizz, no sentido de ter um maior leque de temas para cobrir, o que acaba sendo uma vantagem para as duas publica\u00e7\u00f5es: a Rolling Stone poder\u00e1 usar esse leque de temas como diferencial, e a Bizz seu foco em m\u00fasica como especialidade. No mais, se a Argentina tem al\u00e9m da boa Mono, as franquias da francesa Los Inrockuptibles e da pr\u00f3pria Rolling Stone convivendo bem nas bancas, o que nos impediria de ter?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">02) O pre\u00e7o<br \/>\nEsse \u00e9 o primeiro grande diferencial da Bizz e da Rolling Stone. A franquia norte-americana chega ao Brasil com 50 p\u00e1ginas a mais do que a Bizz, e custando R$ 1,05 a menos. Sem contar que o formato da RS \u00e9 maior do que o da Bizz. Alguns f\u00e3s da Bizz dizem que o que mais gostam na revista \u00e9 sua leitura \u00e1gil. Bobagem. Ningu\u00e9m pode querer uma revista que se l\u00ea em dois dias a uma outra cuja leitura demora mais tempo. Pode? As longas entrevistas\/reportagens s\u00e3o um ponto a favor da RS, que a Bizz ter\u00e1 que saber contornar. Mas, de cara, a rela\u00e7\u00e3o &#8220;custo x benef\u00edcio&#8221; aponta a RS como melhor op\u00e7\u00e3o. E se o comprador puder comprar apenas uma revista por m\u00eas, pre\u00e7o e quantidade s\u00e3o fatores que podem pesar na sua decis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">03) Quantidade \u00e9 qualidade?<br \/>\nPor\u00e9m, quantidade nunca significa qualidade. E nisso as duas revistas v\u00e3o ter que suar para surpreender o p\u00fablico. Na verdade, espera-se o m\u00ednimo de ambas: boas reportagens. A RS chegou \u00e0s bancas em um momento que a Bizz trazia em sua capa uma reportagem sobre Renato Russo. O artif\u00edcio de colocar um morto famoso na capa s\u00f3 seria v\u00e1lido se o material justificasse. N\u00e3o justificava. A pauta era bisonha e n\u00e3o trazia nenhuma novidade, nada que valesse um box inferior no final da revista. A RS se saiu bem ao escolher a capa: Gisele B\u00fcndchen. A chamada de capa era provocativa e inteligente: &#8220;A maior popstar brasileira&#8221;. Mas o texto \u00e9 fraco, fraco, fraquinho. Havia l\u00f3gica na pauta, mas o autor buscou ser sutil, tentando mostrar que a agenda superlotada da modelo e o tanto de pessoas que ela movimenta para um sess\u00e3o de fotos exemplificam o quanto Gisele \u00e9 famosa. Desculpe, mas n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para sutilezas no jornalismo pop. E era t\u00e3o simples validar Gisele na capa. Bastava tra\u00e7ar seu perfil, falar nos milh\u00f5es de d\u00f3lares que ela ganha por m\u00eas e dizer que ela tem mais falas no filme hit da temporada (&#8220;O Diabo Veste Prada&#8221;) do que Rodrigo Santoro teve em toda sua carreira internacional (contando os primeiros epis\u00f3dios da 3\u00aa temporada da s\u00e9rie Lost). Gisele \u00e9 quase t\u00e3o famosa quanto Pel\u00e9 (se n\u00e3o for mais), mas a reportagem n\u00e3o discute isso. Uma pena. Jogaram uma bela capa no lixo. No entanto, o assunto qualidade \u00e9 muito mais extenso, e segue abaixo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">04) Mat\u00e9rias gringas, resenhas e dossi\u00eas&#8230;<br \/>\nUm dos fatores interessantes que a RS dever\u00e1 imprimir no jornalismo nacional \u00e9 a boa rela\u00e7\u00e3o &#8220;jornalista\/artista&#8221;. No Brasil, a grande maioria dos artistas se acha g\u00eanio, e o jornalista \u00e9 s\u00f3 algu\u00e9m tentando desmistificar sua genialidade. Bobagem, claro. N\u00e3o que os artistas sejam idiotas e os jornalistas g\u00eanios, menos, por favor. A rela\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas de entrevistado e entrevistador. Quantas vezes no Brasil poder\u00edamos pegar um artista mainstream e passear com ele pela cidade, como fez a reportagem gringa com o Killers? (que, ali\u00e1s, bateu no segundo posto da Billboard com &#8220;Sam&#8217;s Town&#8221;, duas semanas atr\u00e1s &#8211; e que a Bizz s\u00f3 deu uma nota na edi\u00e7\u00e3o anterior). Esse \u00e9 um ponto forte da RS, que dever\u00e1 trazer bons frutos para o jornalismo nacional. No entanto, a RS vai precisar trabalhar muito para chegar ao n\u00edvel editorial da Bizz na quest\u00e3o resenhas. A diferen\u00e7a \u00e9 gritante, e n\u00e3o s\u00f3 em texto. Na RS, fotos de artistas em uma p\u00e1gina, resenhas em outra, e textos que nada falam sobre o disco (o do Rakes, por exemplo, \u00e9 uma bobagem, j\u00e1 que a banda ainda aparece entrevistada na edi\u00e7\u00e3o &#8211; s\u00f3 perde para a resenha do Raconteurs, cuja resenhista parece desconhecer os integrantes da banda, que n\u00e3o s\u00e3o moleques e muito menos novatos. Ao menos, a RS deu um espa\u00e7o um pouco maior para Lily Allen). A RS ainda trope\u00e7a nas tradu\u00e7\u00f5es das reportagens (a do Bob Dylan traz ao menos um erro grosseiro). Ponto positivo desta primeira edi\u00e7\u00e3o \u00e9 a excelente reportagem de Andr\u00e9 Vieira, Projacre. Pesando na balan\u00e7a, a qualidade editorial da Bizz \u00e9 bem maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">05) Rolling Stone x Bizz<br \/>\nElas s\u00e3o concorrentes? Sim. Esse papo de que a RS pode ocupar o lugar da Vip ou da Trip \u00e9 balela. A Vip \u00e9 totalmente particular, desde o tom textual ao foco (n\u00e3o imagino a RS colocando gostosas na capa &#8211; sem que elas sejam cantoras). J\u00e1 a Trip tem quase nada de m\u00fasica, um dos pilares da RS. Desta forma, a Rolling Stone brasileira pode colocar na capa algum artista que a Bizz planejasse colocar. E essa briga pela melhor pauta deve dar um n\u00f3 na cabe\u00e7a das duas reda\u00e7\u00f5es, e maior qualidade jornal\u00edstica para os leitores. Elas s\u00e3o concorrentes, mas podem &#8211; e devem &#8211; caminhar juntas no mercado. A Bizz precisar\u00e1 de um melhor direcionamento editorial, mas \u00e9 &#8211; de longe &#8211; uma revista muito melhor acabada do que a RS. A RS, por sua vez, precisar\u00e1 encontrar a melhor forma de edi\u00e7\u00e3o &#8211; e isso ir\u00e1 acontecer com o tempo. No momento, as duas publica\u00e7\u00f5es t\u00eam muito a melhorar, e seria de bom grado que o p\u00fablico acompanhasse essa evolu\u00e7\u00e3o. Antes de qualquer coisa, ambas merecem votos de confian\u00e7a. E cr\u00edticas, claro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ps1: A comunidade da Bizz no Orkut \u00e9 uma das comunidades mais agitadas (e legais) do mundo azul. Muitas dessas id\u00e9ias acima foram discutidas l\u00e1. <a href=\"http:\/\/www.orkut.com\/Community.aspx?cmm=39814\" target=\"_blank\"><span style=\"text-decoration: underline;\">Confira aqui<\/span><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ps2: O site da Bizz \u00e9 outro ponto a favor da revista sobre a da RS. Enquanto o da segunda ainda nem estreou (e em tempos de Internet, deveria ter entrado no ar &#8211; no m\u00ednimo &#8211; junto com a revista), o da Bizz sempre traz podcasts gravados pela turma da reda\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m novidades da revista. <a href=\"http:\/\/bizz.abril.ig.com.br\" target=\"_blank\"><span style=\"text-decoration: underline;\">Olha l\u00e1<\/span><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ps3: As edi\u00e7\u00f5es argentinas da Los Inrockuptibles e da Rolling Stone s\u00e3o beeem mais baratas que as duas revistas brasileiras&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ps4: Uma capa interessante de m\u00fasica do m\u00eas \u00e9 a da Bravo, que colocou Paulinho da Viola cabe\u00e7a a cabe\u00e7a com Arnaldo Antunes. Na verdade, a pauta que fala que agora \u00e9 &#8220;A Hora do Samba&#8221; pode ser bem interessante se o autor lembrar de nomes como Curumin, Wado e R\u00f4mulo Froes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ps5: A Bizz nova que est\u00e1 chegando \u00e1s bancas preparou um dossi\u00ea sobre m\u00fasica digital. Mesmo atrasada, \u00e9 uma pauta bem legal, que deve render nas m\u00e3os de Alexandre Matias e Marcelo Ferla. A capa j\u00e1 \u00e9 a melhor da revista nos \u00faltimos meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ps6: Fiquei aqui matutando uma coisa: em que lugar voc\u00ea se informa sobre m\u00fasica, leitor? Voc\u00ea compra revistas? Quais? Ainda ouve r\u00e1dios? E sites? Diz ai, que vou tentar arrumar algum brinde bem bacana pra semana que vem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ps7: zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A chegada da edi\u00e7\u00e3o brasileira da Rolling Stone (que vinha namorando o mercado brasileiro fazia uns bons dez anos) \u00e0s bancas trouxe consigo \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/11\/09\/bizz-x-rolling-stone\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/242"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=242"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/242\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28118,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/242\/revisions\/28118"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=242"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=242"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=242"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}