{"id":2406,"date":"2009-11-03T07:43:13","date_gmt":"2009-11-03T10:43:13","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=2406"},"modified":"2018-08-03T17:44:55","modified_gmt":"2018-08-03T20:44:55","slug":"entrevista-wado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/11\/03\/entrevista-wado\/","title":{"rendered":"Entrevista: Wado (2009)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/sets\/72157622445840131\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"600\" height=\"450\" class=\"alignnone size-full wp-image-2407\" title=\"Wado \/ Foto: Marcelo Costa\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/wado3.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/wado3.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/wado3-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Entrevista e fotos por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conceito, Wado \u00e9 um dos artistas mais roqueiros da atualidade no Brasil, por\u00e9m esque\u00e7a guitarras afiadas e sotaque emo. Wado est\u00e1 na contram\u00e3o da ind\u00fastria rock, e do pr\u00f3prio bom gosto pseudo-intelectual. N\u00e3o \u00e9 cool gostar de ax\u00e9? &#8220;Atl\u00e2ntico Negro&#8221;, seu quinto disco solo, traz v\u00e1rias can\u00e7\u00f5es que poderiam ser cantadas por Ivete Sangalo ou Claudia Leitte. O discurso \u00e9 outro, claro, mas a raiz emanando informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de ter muitos afox\u00e9s, &#8220;Atl\u00e2ntico Negro&#8221; n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. &#8220;Tem muito de samba. E tem os funks do final do disco. \u00c9 m\u00fasica brasileira mesmo&#8221;, diz o compositor sem citar as bel\u00edssimas &#8220;Pav\u00e3o Macaco&#8221; (do verso provocante: &#8220;Vem morar comigo neste apartamento, estamos um sobre os outros, temos satisfa\u00e7\u00e3o&#8221;) e &#8220;Fr\u00e1gil&#8221; (em que o interlocutor convida: &#8220;Nesses dias ordin\u00e1rios, vamos nos conhecer, quero voc\u00ea comigo&#8221;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Atl\u00e2ntico Negro&#8221; foi premiado pelo Projeto Pixinguinha, o que permitiu ao\u00a0m\u00fasico investir na qualidade do \u00e1lbum, gravando boa parte do disco em est\u00fadio. &#8220;Atl\u00e2ntico Negro&#8221; cita o pensador ingl\u00eas Paul Gilroy\u00a0 e assim como seu predecessor, &#8220;Terceiro Mundo Festivo&#8221;, est\u00e1 dispon\u00edvel gratuitamente para download\u00a0em seu\u00a0site oficial (<a href=\"http:\/\/wado.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/wado.com.br\/<\/a>), mas tamb\u00e9m chega \u00e0s lojas via Pimba, o novo selo independente de Ronaldo Bastos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma noite nublada em S\u00e3o Paulo, Wado e Pedro Ivo (produtor do disco) desceram a rua Bela Cintra para tomarem Hoegaarden, Leffe e Bamberg na casa deste jornalista em um bate papo honesto e bastante descontra\u00eddo que visava refletir sobre passado, presente e futuro. Apesar de estar lan\u00e7ando disco novo, Wado j\u00e1 come\u00e7a a idealizar um disco de sambas tristes, planeja voltar a morar na capital paulista e sente certa animosidade contra sua carreira, mas garante: &#8220;Me realiza trabalhar com m\u00fasica&#8221;. Com voc\u00eas, Wado.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fyMNekcjl6s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cAtl\u00e2ntico Negro\u201d \u00e9 um nome bem forte. Nos shows voc\u00ea fala de uma teoria&#8230;<\/strong><br \/>\nO disco j\u00e1 era isso (\u201cAtl\u00e2ntico Negro\u201d) n\u00e3o tendo esse nome, porque j\u00e1 venho mexendo com esses ritmos, essa coisa de samba, de afox\u00e9, de funk carioca, e quando eu estava pesquisando para me inscrever no Projeto Pixinguinha, pelas tags que eu colocava sempre vinha esse neg\u00f3cio. E&#8230; bonito nome, n\u00e9. Ent\u00e3o fui ler um pouquinho e percebi que cabia pra caramba (no que eu estava fazendo). Achei um texto de refer\u00eancia do Hermano Vianna, um cara que foi importante nas coisas que fiz, acho que foi um dos meus \u201cpadrinhos\u201d, e era um texto dele falando do antrop\u00f3logo ingl\u00eas Paul Gilroy. O livro foi publicado em 94, alguma coisa assim, e eu decidi pegar esse mote, e como era um livro, e eu ia fazer um disco, eu traduzi e mantive o mesmo nome. E esse di\u00e1logo entre \u00c1fricas e Am\u00e9ricas bate muito com aquilo que eu vinha fazendo. Deu para vestir a camiseta sem problema&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem a hist\u00f3ria da ramifica\u00e7\u00e3o&#8230;<\/strong><br \/>\nO Paul Gilroy n\u00e3o trabalha com o conceito de raiz original, que eu acho que \u00e9 muito legal porque muitas vezes ca\u00edmos em guetos. Tem uma coisa bacana da prote\u00e7\u00e3o, mas tem essa coisa muito chata do puritanismo. Ent\u00e3o voc\u00ea tem o reduto do samba, e quem faz samba est\u00e1 dentro de uma grade, algo assim. E uma boa parte do que eu fa\u00e7o \u00e9 samba, mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 samba. O Paul Gilroy trabalha com o conceito de rizoma, e a met\u00e1fora que ele usa \u00e9 como se (a cultura) fosse uma grama com um monte de matinhos verdes emanando informa\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo. Ent\u00e3o, a partir do primeiro navio negreiro voc\u00ea n\u00e3o tem mais uma raiz original. A cultura brasileira nunca mais foi a mesma e nem a africana, com a volta de escravos. Da\u00ed a capoeira brasileira retorna para Angola e j\u00e1 \u00e9 outra capoeira. \u00c9 quase a mesma coisa que aconteceu com o Miami Bass e o funk carioca. Agora a gente v\u00ea o mundo inteiro bebendo dessa fonte. \u201cBoom Boom Pow\u201d (do Black Eyed Peas) \u00e9 isso&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Timbaland fazendo isso no disco da Britney&#8230;<\/strong><br \/>\nOs caras devem estar escutando alguma coisa do funk carioca. Tem coisa (de funk carioca) no som deles. Foi um radicalismo aqui que gerou um subproduto que n\u00e3o \u00e9 mais original. \u00c9 outra coisa. Acho interessante esse conceito de n\u00e3o trabalhar com raiz, cabe no que a gente faz, que \u00e9 muito hibrido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o o disco j\u00e1 estava caminhando para essa coisa bem brasileira, Nordeste&#8230;<\/strong><br \/>\nEngra\u00e7ado que pra quem mora em Alagoas ele n\u00e3o pega como Nordeste porque pra gente l\u00e1 o samba \u00e9 muito carioca. E (o disco) tem muito de samba. \u00c9 m\u00fasica brasileira mesmo. E tem os funks do final do disco que j\u00e1 eram coisas que a gente sempre trabalhou. Pra mim ainda \u00e9 um disco muito brasileiro&#8230; e muito baiano. Ao mesmo tempo tem um folclore das baianas de Alagoas, que necessariamente n\u00e3o \u00e9 Bahia. \u00c9 um folguedo que se chama Baianas, mas que \u00e9 especifico de Alagoas. Elas se vestem como baianas assim com as alas de uma escola de samba, mas aquilo ali j\u00e1 tem uma batida pr\u00f3pria, o som delas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 incorporou o pr\u00f3prio local&#8230;<\/strong><br \/>\nNa m\u00fasica (\u201cBoa Tarde Povo\u201d) tem sampler das velhinhas cantando e as batidas delas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi gravar o disco?<\/strong><br \/>\nA gente captou 100% em Alagoas sendo que o que precisava ser feito em est\u00fadio bom, a gente fez em est\u00fadio bom e as demais coisas em casa. Uns 30% foi feito em est\u00fadio&#8230; e a finaliza\u00e7\u00e3o foi feita em S\u00e3o Paulo e no Rio. As coisas chegaram muito bem gravadas editadas e o Kassin pirou, e tudo foi feito l\u00e1 em Macei\u00f3. \u00c9 o segundo disco que a gente faz l\u00e1. O \u201cTerceiro Mundo Festivo\u201d foi a mesma coisa com bem menos dinheiro&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por causa do Projeto Pixinguinha, n\u00e9. <\/strong><br \/>\n\u00c9, a gente teve uma infra boa. Foram R$ 90 mil para fazer o disco e realizar tr\u00eas shows no Estado. E deu para pagar todo mundo legal. Inclusive, essa vinda (para S\u00e3o Paulo) \u00e9 uma rebarbinha que a gente conseguiu economizar no projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas chegaram a fazer tr\u00eas shows l\u00e1?<\/strong><br \/>\nForam quatro&#8230; a gente colocou um a mais&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como se tocar fosse ruim, n\u00e9.<\/strong><br \/>\n\u00c9 (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco foi pensado para o Projeto Pixinguinha, puxando esse lado mais brasileiro? Ou foi uma coisa natural?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 era o que estava acontecendo de ensaio. A gente tinha feito o \u201cTerceiro Mundo Festivo\u201d com uma sonoridade muito eletr\u00f4nica, e a gente ficou bastante feliz. \u00c9 um disco bem certeiro. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito claras, \u00e9 tudo bem n\u00edtido. Esse agora n\u00e3o. Ele \u00e9 bem mais org\u00e2nico. Ele \u00e9 palat\u00e1vel nessa coisa de ter uma sonoridade mais org\u00e2nica. Tem muita sala, muita ambi\u00eancia de bateria, muito viol\u00e3o de nylon, viol\u00e3o de a\u00e7o, guitarra, e o \u201cTerceiro Mundo Festivo\u201d quase n\u00e3o tem guitarra. \u00c9 um disco mais piano, baixo, batera. Mais eletr\u00f4nico. Engra\u00e7ado, eu acho esse disco (\u201cAtl\u00e2ntico Negro\u201d) dif\u00edcil de pegar de cara aqui no Sudeste porque ele mexe com algumas coisas que n\u00e3o est\u00e3o no circuito, n\u00e3o est\u00e3o valendo agora. Ao mesmo tempo acho que ele pode reverberar legal justamente por isso. A gente vem com afox\u00e9, com algumas coisas que s\u00e3o meio ax\u00e9, a primeira parte \u00e9 meio ax\u00e9 mesmo. O Zeca Baleiro at\u00e9 me falou que eu devia usar um marketing com essa coisa do ax\u00e9. E tem essa coisa do rock estar muito em voga no Sudeste, de ser um momento roqueiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As gravadoras se fecharam no rock, ou no emo, que eles acham que \u00e9 rock, e fora disso pouca coisa passa. Ent\u00e3o de repente a gente tem R\u00f4mulo Fr\u00f3es e Curumin, que s\u00e3o caras que est\u00e3o fazendo coisas legais, mas n\u00e3o tem espa\u00e7o. Por outro lado, as micaretas levam 20 mil pessoas f\u00e1cil&#8230;<\/strong><br \/>\nEst\u00e1 tudo muito segmentado. Desses \u00faltimos tr\u00eas anos que eu voltei a morar em Macei\u00f3&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como est\u00e3o as coisas l\u00e1?<\/strong><br \/>\nA gente tem tocado bastante, mas todo mundo tem outras bandas, ou trabalha com outras coisas. Tem uma renova\u00e7\u00e3o de cena. Acho que vem ai uma nova safra de discos de Alagoas bem boa. O Mopho est\u00e1 gravando com uma qualidade bem legal, com a banda quase no formato original. Tem a Cris Braun que est\u00e1 terminando o disco e est\u00e1 massa. O Xique Baratinho tamb\u00e9m est\u00e1 gravando disco. Tem o Vitor Piralho (baixe o disco dele <a href=\"http:\/\/vitorpi.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>), que tamb\u00e9m foi premiado com o Projeto Pixinguinha. Acho que ele \u00e9 um dos principais da nova safra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea chegou a fazer show na Fran\u00e7a com apoio do Projeto Pixinguinha, certo?<\/strong><br \/>\nFoi em 2004 ou 2005. Foi bem legal, bem caloroso, mas cru, pois s\u00f3 fui eu e o Alvinho \u2013 na \u00e9poca a gente ainda tocava junto. A gente fez (um show) na Alemanha, em Berlim, e foi com banda e ai foi loucura. A galera curtiu mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para eles deve ser uma coisa totalmente nova&#8230;<\/strong><br \/>\nO Brasil est\u00e1 muito hypado l\u00e1 fora. Quando a gente tocava os sambas e os funks, a galera dan\u00e7ava pra valer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea v\u00ea o ato de lan\u00e7ar um disco nesse cen\u00e1rio atual da m\u00fasica? Colocar para download \u00e9 mesmo o caminho?<\/strong><br \/>\nAgora aconteceu uma coisa interessante. O meu primeiro disco saiu por um selo do Ronaldo Bastos, a Dubas. E o Ronaldo est\u00e1 lan\u00e7ando um selo novo, o Pimba, e o \u201cAtl\u00e2ntico Negro\u201d vai sair como um dos primeiros discos desse selo, que \u00e9 alternativo. Porque a Dubas est\u00e1 na Universal, a gente j\u00e1 lan\u00e7ou disco l\u00e1 e fica caro. N\u00e3o funciona. O Ronaldo est\u00e1 fazendo uma tentativa agora com o selo Pimba dentro da Tratore. Vai ser legal porque \u00e9 mais uma pessoa pra ajudar. Ele permitiu, informalmente, que eu possa deixar o disco no site \u2013 n\u00e3o est\u00e1 redigido em contrato, mas est\u00e1 acordado verbalmente. E isso pra mim \u00e9 muito interessante, porque a gente vende muito show (pelo site). E a galera baixa mesmo. Voc\u00ea v\u00ea (o show que fizemos em) S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos com 200 pessoas l\u00e1 e gente cantando todas as m\u00fasicas. \u00c9 muito legal. Se n\u00e3o tivesse na internet seria bem mais dif\u00edcil de ter essa quantidade de gente&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O National, no show que fez no Tim Festival, agradeceu a internet, que possibilitou eles tocarem no Brasil. Eles n\u00e3o t\u00eam nenhum disco lan\u00e7ado aqui, mas muita gente cantava todas as m\u00fasicas. E por outro lado, por mais que o seu disco esteja para baixar, no outro show (no Sesc Vila Mariana) voc\u00ea trouxe para vender, e acabou rapidinho&#8230;<\/strong><br \/>\nNo show de lan\u00e7amento em Macei\u00f3 a gente vendeu 700 discos numa noite. A gente quase esgotou uma tiragem de 1000 discos. Eu tenho aprendido a ser um pouquinho pr\u00e1tico e vi\u00e1vel. O que a gente tem feito em Macei\u00f3, e voc\u00ea tem que entender a l\u00f3gica da cidade, foi um crescente de p\u00fablico. N\u00f3s temos feito shows no m\u00e1ximo de dois em dois meses. N\u00e3o mais do que isso para n\u00e3o perder p\u00fablico, e ele veio num crescente. H\u00e1 tr\u00eas anos quando come\u00e7amos a gente colocava 300 pessoas num show, depois pulou pra 400. E ai fica oscilando entre 450 e 600. E num show de lan\u00e7amento d\u00e1 800 com os convidados. Pra gente \u00e9 uma vit\u00f3ria. A gente \u00e9 o maior p\u00fablico de banda alternativa, autoral, em Macei\u00f3. E fazendo l\u00e1 eu sei qual \u00e9 o problema nas outras cidades. Se voc\u00ea seguir uma l\u00f3gica de produ\u00e7\u00e3o voc\u00ea consegue fazer e colocar uma galera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como est\u00e1 a resposta do disco? <\/strong><br \/>\nEm Macei\u00f3, no lan\u00e7amento, j\u00e1 estava todo mundo cantando. Como o disco era patrocinado pelo projeto, a gente colocou tr\u00eas outdoors na cidade em pontos estrat\u00e9gicos com endere\u00e7o para o cara baixar. E quando chegou no show o cara j\u00e1 estava cantando. O que \u00e9 impressionante. Voc\u00ea olha a quantidade de gente que tem no lugar e impressiona. Aqui em S\u00e3o Paulo, por sua vez, deu pouqu\u00edssima gente&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muita gente repassou por e-mail, twitter&#8230;<\/strong><br \/>\nEu tenho percebido algumas falhas, que tenho que ver como contornar. Dos tr\u00eas anos que voltei a morar em Macei\u00f3, eu toquei bastante em S\u00e3o Paulo, mas em institui\u00e7\u00e3o. E o nosso car\u00e1ter de show \u00e9 festa. \u00c9 cervejinha, \u00e9 paquera, dan\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 muito espet\u00e1culo. Ele \u00e9 mais balan\u00e7o. E a gente ficou com esse hiato de tr\u00eas anos sem tocar na noite. Ent\u00e3o precisamos fazer um trabalho mais met\u00f3dico, de tocar em lugares como o Studio SP&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que \u00e9 mais ou menos o que o Momboj\u00f3 fez aqui, o Cidad\u00e3o Instigado, o Instituto&#8230;<\/strong><br \/>\nA cena pernambucana \u00e9 muito fortalecida. \u00c9 um Estado maior, orgulhoso de si, o que \u00e9 bacana. E tem muita gente de Pernambuco pelo pa\u00eds. Eu acho que&#8230; eu deveria passar uma temporada aqui de novo ap\u00f3s esse momento de recolhida, mas n\u00e3o sei tamb\u00e9m se a cidade est\u00e1 no momento de absorver isso (que a gente est\u00e1 fazendo). S\u00f3 vindo pra c\u00e1, e vindo pra c\u00e1 a cidade tamb\u00e9m vai nos afetar&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A variedade de nichos em S\u00e3o Paulo acaba permitindo que exista p\u00fablico pra tudo. Complica porque existem poucos espa\u00e7os, mas nada que abrir uma porta aqui, outra ali, n\u00e3o resolva. O grande problema, por\u00e9m, \u00e9 que falta espa\u00e7o na m\u00eddia em S\u00e3o Paulo. <\/strong><br \/>\nPra gente que \u00e9 independente, acumula muita fun\u00e7\u00e3o. Com o passar dos anos, a gente acaba aprendendo a lidar com as coisas todas, ent\u00e3o de certa forma voc\u00ea fica macaco velho, mas estar no lugar \u00e9 importante. Se for pra vir para uma cidade grande como S\u00e3o Paulo, tem que ser pra ficar tocando, fazer temporada, nem que seja num lugar pequeno. Ao mesmo tempo a gente tem rodado bastante o Brasil. Fizemos Belo Horizonte e vamos fazer Rio de Janeiro, Bras\u00edlia e Recife. N\u00e3o \u00e9 ainda o lance de viver disso, mas o fim de semana a gente est\u00e1 viajando, trabalhando. O trabalho est\u00e1 fluindo. N\u00e3o \u00e9 uma coisa de viver dele, mas&#8230; tem uma coisa&#8230; eu nem sou mais novidade e nem sou estabelecido. \u00c9 l\u00f3gico que existe certo n\u00edvel de estabelecimento e de ser bem sucedido no que voc\u00ea considera ser bem sucedido. Sinceramente, eu acho que cheguei mais longe do que eu imaginava que fosse chegar trabalhando com m\u00fasica. Eu fico impressionado com as coisas que a gente j\u00e1 fez, com as pessoas que disseram que gostam da m\u00fasica. Mas ao mesmo tempo eu nem sou a novidade e n\u00e3o estou estabelecido. E estou num momento em que sinto uma certa animosidade, uma certa agressividade por eu estar persistindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00e9rio?<\/strong><br \/>\nSim. N\u00e3o sei se \u00e9 a internet&#8230; porque a gente \u00e9 muito bem falado. Somos quase uma unanimidade, s\u00f3 que os ataques se tornaram mais freq\u00fcentes e mais cru\u00e9is. \u201cQuem \u00e9 Wado? Essa voz de marreco ai?\u201d (risos). Estamos lan\u00e7ando o quinto disco e \u00e9 uma carreira an\u00f4nima. Funciona. A gente fez BH e a casa estava cheia. A gente vai pra Bel\u00e9m, 3 mil quil\u00f4metros de Macei\u00f3, e \u00e9 foda. Eu s\u00f3 sou popstar em Macei\u00f3 e Bel\u00e9m (risos). Em Bel\u00e9m todo mundo cantava tudo. A gente come\u00e7ava as m\u00fasicas do \u201cTerceiro Mundo Festivo\u201d e n\u00e3o precisava nem cantar&#8230; a galera cantava. Me realiza muito trabalhar com m\u00fasica.<br \/>\n<strong><br \/>\nLembro-me de voc\u00ea no FMI Macei\u00f3, e a gente conversou antes, e voc\u00ea estava indeciso, o \u201cTerceiro Mundo Festivo\u201d ainda n\u00e3o tinha sa\u00eddo e voc\u00ea n\u00e3o sabia o que iria fazer do futuro, mas assim que voc\u00ea entrou no palco teve uma resposta intensa do p\u00fablico&#8230;<\/strong><br \/>\nA internet \u00e9 muito respons\u00e1vel por isso. A gente vai (tocar) nos lugares e nego fica impressionado mesmo. Acho que todo lugar tem as suas 300, 400 pessoas que s\u00e3o pesquisadoras, que j\u00e1 baixaram e comentaram com os outros. E o que fazemos \u00e9 um pouquinho mais amplo do que toca em r\u00e1dios. Ficamos no saco que vai o Curumin, o Cidad\u00e3o Instigado, o R\u00f4mulo Fr\u00f3es. Acho at\u00e9 que a minha veia pop \u00e9 um pouquinho maior do que a destes caras, embora eu n\u00e3o tenha a voz pop e tenha algumas abordagens menos experimentais, ao menos nos dois \u00faltimos discos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cFarsa do Samba Nublado\u201d \u00e9 bem experimental&#8230;<\/strong><br \/>\nEle tem a can\u00e7\u00e3o bonita, mas ele tem a coisa experimental. J\u00e1 esses dois \u00faltimos t\u00eam um pouco do que n\u00e3o \u00e9 convencional, mas eles s\u00e3o muito can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual m\u00fasica sua foi parar na novela?<\/strong><br \/>\n\u201cUma Raiz, Uma Flor\u201d, mas na vers\u00e3o do Fino Coletivo&#8230; comigo cantando. Tem a m\u00fasica do disco do Zeca Baleiro, no segundo volume do \u201cCora\u00e7\u00e3o do Homem Bomba\u201d (a parceria \u201cEra\u201d). O Marcos Valle gravou umas coisas com o Fino Coletivo, que eram umas parcerias minhas com eles. A Maria Alcina gravou outra (\u201cN\u00e3o P\u00e1ra\u201d). A gente j\u00e1 est\u00e1 come\u00e7ando a pensar no disco novo, mas sem pressa nenhuma&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essas m\u00fasicas do \u201cAtl\u00e2ntico Negro\u201d s\u00e3o todas novas? Claro, tirando \u201cFeto\/Sotaque\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\nA \u201cFeto\/Sotaque\u201d \u00e9 do primeiro disco. Regravamos em outro arranjo. Gravamos \u201cCavaleiro de Aruanda\u201d. Fomos ao programa do Ronnie Von, que tinha gravado ela. Foi o m\u00e1ximo. Ele ficou todo emocionado. \u201cVoc\u00eas desenterraram esse neg\u00f3cio\u201d. Ele foi um dos caras que estourou a m\u00fasica. Eu falei com o Tony Osanah (autor de \u201cCavaleiro de Aruanda\u201d), que era o guitarrista do Caetano naquela banda argentina que o acompanha (Beat Boys), e ele est\u00e1 morando na Alemanha. \u201cBoa Tarde, Povo\u201d e \u201cRap Guerra do Iraque\u201d a gente j\u00e1 vem tocando faz uns dois anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cRap Guerra do Iraque\u201d voc\u00ea pegou numa daquelas colet\u00e2neas de funk carioca \u201cProibid\u00e3o\u201d. E a \u201cBoa Tarde, Povo\u201d? <\/strong><br \/>\nEu conheci a m\u00fasica na colet\u00e2nea \u201cM\u00fasica do Brasil\u201d, do Hermano Vianna. A autora \u00e9 de Santa Luzia do Norte (AL).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea sempre procura gravar uma coisa assim, extra&#8230;<\/strong><br \/>\nSempre tem uma coisinha, uma refer\u00eancia a Alagoas, mas n\u00e3o \u00e9 muito pensado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o como voc\u00ea pensa no disco? As can\u00e7\u00f5es v\u00e3o saindo e voc\u00ea vai direcionando para algum lugar&#8230;<\/strong><br \/>\nEu vou compondo, compondo, e geralmente componho mais do que entra no disco. A \u201cFr\u00e1gil\u201d, por exemplo, a gente chegou a gravar uma guia para o \u201cTerceiro Mundo Festivo\u201d, mas n\u00e3o entrou porque ela n\u00e3o tinha a pegada daquele disco. \u00c9 uma m\u00fasica com mais viol\u00e3o. Agora j\u00e1 estamos pensando em um disco de samba, mas estamos na d\u00favida de que est\u00e9tica usar. Tem um caminho mais org\u00e2nico, mais eletr\u00f4nico&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www2.uol.com.br\/wado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-2410 aligncenter\" title=\"Atl\u00e2ntico Negro, Wado\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/atlantico.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/atlantico.jpg 350w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/atlantico-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/atlantico-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cAtl\u00e2ntico Negro\u201d voc\u00ea me disse que era uma coisa Ivete Sangalo&#8230;<\/strong><br \/>\nMas \u00e9 mesmo. Eu escutei muito Ivete Sangalo. Eu gosto da parte das percuss\u00f5es. \u00c9 muito bem resolvida. Quando a gente \u00e9 moleque, a atitude \u00e9 muito importante, mas quando voc\u00ea vai ficando mais velho&#8230; voc\u00ea come\u00e7a a prestar mais aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 muito bem tocado e muito mais inteligente que a maioria das bandas de rock. E ela grava os compositores de morro de Salvador. \u00c9 uma informa\u00e7\u00e3o muito legal. O instrumental \u00e9 muito rico. Estou sendo respeitoso quando falo que \u00e9 uma coisa Ivete Sangalo. N\u00e3o \u00e9 jocoso. Para o pr\u00f3ximo disco estamos pensando em fazer samba 808, usando a bateria do Miami Bass e do funk carioca, que o Kanye West tem usado. O (DJ) Marlboro fala muito dessa 808. A \u201cBoom Boom Pow\u201d fala tamb\u00e9m. Seria a m\u00e1quina, o tambor que deu origem a tudo isso que veio do Afrika Bambaataa. Ent\u00e3o pensamos que poder\u00edamos fazer um samba 808, que agora seria um disco de sambas tristes, melanc\u00f3licos, meio pr\u00f3ximo da \u201cFarsa\u201d. S\u00f3 que a gente ainda n\u00e3o sabe se ele vai ser puritano no eletr\u00f4nico, se vai ser radical de deixar s\u00f3 no 808 ou se vai colocar um cavaquinho&#8230; A d\u00favida n\u00e3o est\u00e1 nem nas can\u00e7\u00f5es e sim na est\u00e9tica do que a gente faria. Ao mesmo tempo a gente n\u00e3o tem pressa porque o \u201cAtl\u00e2ntico Negro\u201d acabou de sair, mas metade do ensaio a gente j\u00e1 est\u00e1 gastando fazendo outra coisa nova. E a gente nem sabe se vai ser isso mesmo. Agora \u00e9 isso. Porque quando voc\u00ea come\u00e7a o caminho pode te levar para outro lado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como surgiu a id\u00e9ia do samba 808?<\/strong><br \/>\nEu gosto muito de samba e tenho composto (atualmente) melodias tristes. Quando fui ver, eu tinha uma quantidade de sambas melanc\u00f3licos. Se voc\u00ea pegar o meu show, tem um repert\u00f3rio variado, e um bloco de samba, que geralmente fechava. E era mais forte. Agora voc\u00ea tem o bloco de funk carioca junto com o de samba, que fecham o show. S\u00e3o as coisas que mais funcionam para o p\u00fablico. E eu nunca tinha me voltado pra isso. De repente agora seja a hora de um disco de samba tradicionalista, at\u00e9 porque eu moro em Macei\u00f3. O samba existe no Rio. A id\u00e9ia do 808 seria legal esteticamente porque voc\u00ea vai para outra linguagem de outra m\u00fasica negra fodona no Brasil, que \u00e9 o funk. A gente usaria \u2013 na verdade a gente n\u00e3o sabe se vai fazer isso \u2013 a timbragem dos anos 80 para c\u00e1, que \u00e9 o que est\u00e1 reverberando do Brasil para o mundo. A Bossa Nova bateu forte, mas a nossa onda nunca foi Bossa Nova. Sempre foi favela mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O caminho do \u201cAtl\u00e2ntico Negro\u201d foi uma coisa natural?<\/strong><br \/>\nEsse disco a gente n\u00e3o teve esfor\u00e7o nenhum. A gente vinha ensaiar e j\u00e1 aparecia uma m\u00fasica. O nosso batera j\u00e1 tocou em trio el\u00e9trico e conhece a linguagem do ax\u00e9, do afox\u00e9. Ent\u00e3o a gente come\u00e7ou a fazer \u201cEstrada\u201d, e ele dizia: \u201cA batera pode ser isso aqui, ou isso aqui, ou isso outro\u201d (risos). O cara j\u00e1 fez tr\u00eas horas tocando em trio el\u00e9trico, conhece. Pode fazer aqui uma coisa meio Ivete, ali uma coisa Asa de \u00c1guia, ou Margareth Menezes (risos). E a gente ficava escutando e pensando: \u201cmelhor ir devagar\u201d (risos). No \u201cAtl\u00e2ntico Negro\u201d a gente foi buscar o Caetano antes do rock, antes destes dois discos roqueiros dele. O \u201cNoites do Norte Ao Vivo\u201d \u00e9 o DVD do Caetano que faz mais sucesso no Nordeste. Tem em todas as barraquinhas de camelo. E \u00e9 um puta DVD. Tem o Pedro S\u00e1 fazendo guitarra e baixo, o Cesinha na batera, o Davi (Moraes) na guitarra, quatro caras botando pra quebrar na percuss\u00e3o e o Jacques Morelenbaum. Voc\u00ea n\u00e3o encontra o DVD de nenhum dos discos roqueiros em barraquinhas, mas esse \u201cNoites do Norte\u201d tem em toda banquinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os discos roqueiros do Caetano s\u00e3o muito Rio de Janeiro. L\u00f3gico, tem a coisa toda do p\u00e9 na bunda que ele levou, e usou o rock para exorcizar isso&#8230;<\/strong><br \/>\nExistem dois movimentos muito interessantes acontecendo. Fora essa cena rock e essa vontade de periferia do mundo, que existe na m\u00fasica brasileira e da qual eu n\u00e3o me enquadro muito, existem duas coisas muito interessantes acontecendo que s\u00e3o boas para a m\u00fasica brasileira. Uma \u00e9 a aproxima\u00e7\u00e3o do Caetano com o rock, que borra o rock de MPB, e outra \u00e9 o Marcelo Camelo saindo do rock pra MPB, e borra a MPB com o rock. Isso movimenta um monte de gente que n\u00e3o estaria atenta a essas informa\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<strong><br \/>\nE o Caetano ainda tem o lance de refletir em todo aquele pessoal que toca com ele, que acaba desembocando no Do Amor, na Orquestra Imperial, no Kassin +2, no Jonas S\u00e1, na Nina Becker, que canta no disco do R\u00f4mulo Fr\u00f3es, que tem o Curumin, que toca com o Catatau. \u00c9 uma troca de informa\u00e7\u00e3o muito grande, uma cena muito boa que ainda n\u00e3o chegou \u00e0 grande m\u00eddia.<\/strong><br \/>\nAs coisas est\u00e3o vi\u00e1veis. Eu talvez precise me aproximar mais disso. A gente fica muito ilhado em Macei\u00f3, por mais que a gente tenha uma agenda de shows pelo pa\u00eds. A gente tem um tamanho que vai encolhendo ficando l\u00e1 porque voc\u00ea deixa de ter uma reverbera\u00e7\u00e3o nacional para ter uma reverbera\u00e7\u00e3o local. Nisso, o selo do Ronaldo Bastos pode ajudar. Est\u00e1 nos meus planos vir pra S\u00e3o Paulo. Est\u00e1 ficando cada vez mais urgente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu vi o seu show do Tim Festival, no Rio de Janeiro, e tenho a impress\u00e3o que deva ser dif\u00edcil armar coisas l\u00e1&#8230;<\/strong><br \/>\nO Rio de Janeiro \u00e9 muito cruel. Tem pouca grana, pouco dinheiro circulando pra isso. E a praia desvirtua mais ainda esse neg\u00f3cio. Aqui (em S\u00e3o Paulo) as pessoas t\u00eam o h\u00e1bito de ir aos lugares, e l\u00e1 \u00e9 mais dif\u00edcil. L\u00e1 as pessoas tamb\u00e9m v\u00e3o, mas para o circuito independente o neg\u00f3cio \u00e9 meio encrencado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aquele show do Tim Festival meio que sedimentou o p\u00fablico que viria a ser do Fino Coletivo. Voc\u00ea tem conversado com eles? <\/strong><br \/>\nN\u00e3o muito. Eu tenho uma rela\u00e7\u00e3o amistosa com todos eles. Na verdade, fiquei meio chateado com o Fino Coletivo&#8230; num momento ali em que a gente tinha uma rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima e a vida me levou a ir pro Nordeste, morar l\u00e1, e acho que foi natural eles me tirarem do neg\u00f3cio. Desejo sorte pra eles, mas n\u00e3o tenho muito contato. Ficou aquela coisa de separa\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O M\u00f3veis Coloniais de Acaj\u00fa lota tudo quanto \u00e9 show sem tocar em r\u00e1dio. O Ludov tem um p\u00fablico fiel, de 300, 400 pessoas onde quer que a banda v\u00e1. \u00c9 um p\u00fablico que vai aos shows, compra os CDs. Mas as coisas n\u00e3o ultrapassam esse gueto. Como voc\u00ea v\u00ea isso? Como fazer para quebrar essa barreira?<\/strong><br \/>\nDepois que eu li o livro do Andr\u00e9 Midani (\u201cM\u00fasica, \u00eddolos e poder: Do Vinil ao Download\u201d), um livra\u00e7o, o cara \u00e9 meio que um Forrest Gump da m\u00fasica, eu pensei em dois cen\u00e1rios. Agora est\u00e1 mais segmentado. Aquela coisa massiva que a gente tinha antes, at\u00e9 o come\u00e7o dos anos 90, n\u00e3o vai existir mais. Ao mesmo tempo, aquela coisa massiva ainda predomina nas r\u00e1dios. O que a gente tem de novidade? Os emos, COM 22, NX Zero, Fresno&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que \u00e9 uma cena imposta&#8230; <\/strong><br \/>\n\u00c9. E do lado da m\u00fasica brasileira voc\u00ea tem Vanessa da Matta, Seu Jorge&#8230; Fora isso ainda houve a explos\u00e3o dos quatro compositores: Chico C\u00e9sar, Lenine, Zeca Baleiro e Paulinho Moska. Foram eles que chegaram para o Brasil. Pra quem \u00e9 segmento \u00e9 meio secreto. Essa \u00e9 a minha vis\u00e3o. A cena pernambucana \u00e9 unida e se beneficia muito de seu car\u00e1ter ufanista e, claro, do boom do manguebeat. E o Fred 04 vem agora e diz que sente falta das majors&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tremenda bola fora&#8230;<\/strong><br \/>\n\u00c9 legal tamb\u00e9m que tenha algu\u00e9m que venha dizer outra coisa at\u00e9 para dar um paradoxo, mas ele coloca um neg\u00f3cio meio complicado ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem uma hist\u00f3ria engra\u00e7ada. Escrevi um texto ano passado em que eu citava o cara do Jesus and Mary Chain, que reclamava de que ele ia e gravava o disco e todo mundo baixava de gra\u00e7a. E o Zez\u00e9 di Camargo na Folha dizendo que internet \u00e9 isso ai, os caras baixam o disco e a gente vai e lota o show&#8230;<\/strong><br \/>\nE alguma coisa vem ai. Geralmente quando os caras come\u00e7am a lan\u00e7ar caixa de Beatles \u00e9 porque vai acabar. Quando sa\u00edram as edi\u00e7\u00f5es especiais de LP veio o CD. Agora que est\u00e3o lan\u00e7ando as especiais de CD alguma coisa vem. Eles est\u00e3o ganhando o \u00faltimo dinheiro. Acho que vai melhorar um pouquinho, mas o Brasil \u00e9 muito selvagem. No Nordeste ningu\u00e9m compra nada. Compra tudo no camelo. N\u00f3s estamos nas beiradas, e est\u00e3o surgindo umas brechas. Mais do que antes at\u00e9. Por estar na crise, no caos. \u00c9 l\u00f3gico que h\u00e1 o formato. Voc\u00ea quer \u201cconstruir\u201d uma banda, e quer que o neg\u00f3cio de certo, ent\u00e3o fecha um acordo: vai tocar sete vezes por dia na r\u00e1dio durante dois meses para testar. Fecha-se um contrato. Pode ser bom ou ruim, ter carisma ou n\u00e3o, e vai dar um resultado que \u00e9 imprevis\u00edvel. Mas se tem um maluco que vai ali pagar o jab\u00e1, \u00e9 assim que se faz um artista. No Brasil a gente sabe que sempre foi assim, e continua sendo. \u00c9 um trabalho met\u00f3dico. Tocar no r\u00e1dio eu j\u00e1 toquei, mas toca uma vez hoje outra no fim de semana daqui 15 dias. N\u00e3o tem como a pessoa ouvir no r\u00e1dio uma vez e guardar. Tem que ter um dinheiro envolvido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E tem a TV ainda, e a gente cai no epis\u00f3dio Beirut. Como foi parar na novela? De repente o cara gostou da m\u00fasica&#8230;<\/strong><br \/>\nAinda existe isso&#8230;<br \/>\n<strong><br \/>\n&#8230;e colocou l\u00e1. Eu recebi um e-mail de uma leitora pedindo para eu identificar o nome de uma m\u00fasica em uma reportagem do Globo Esporte. E era Beirut&#8230; e o show aqui em S\u00e3o Paulo foi uma coisa ensandecida&#8230;<\/strong><br \/>\n\u00c9 porque o Beirut \u00e9 emocional demais assim como as m\u00fasicas rom\u00e2nticas da fase mais pop do Radiohead. Voc\u00ea ouve aquela melodia cortante&#8230; \u00e9 como\u00e7\u00e3o. Beirut \u00e9 muito Los Hermanos, can\u00e7\u00e3o em acorde menor, metaleira. Eu n\u00e3o sei o que \u00e9 (que fez eles fazerem sucesso). Se soubesse (risos)&#8230; e nem acho que seja o caso de se soubesse estava fazendo. A gente faz o que pode.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/sets\/72157622445840131\/\" target=\"_self\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2408 aligncenter\" title=\"Wado \/ Foto: Marcelo Costa\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/wado4.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; &#8220;Atl\u00e2ntico Negro&#8221;, o disco faixa a faixa, por Wado (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/08\/05\/atlantico-negro-de-wado-para-download\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Wado lan\u00e7a &#8220;Atl\u00e2ntico Negro&#8221; no Studio SP, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/10\/12\/ao-vivo-wado-e-cidadao-instigado\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; O Atl\u00e2ntico Negro, o livro, por Hermano Vianna na Folha Online (<a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fol\/brasil500\/dc_7_3.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Wado, Cidad\u00e3o Instigado e Tom Z\u00e9 no FMI Macei\u00f3 2006, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/fmimaceio.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Fred ZeroQuatro, a internet e o fim da ind\u00fastria, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/09\/29\/fred-zeroquatro-a-internet-e-o-fim-da-industria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; A como\u00e7\u00e3o do Beirut ao vivo em S\u00e3o Paulo, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/09\/14\/beirut-ao-vivo-em-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nWado em um bate papo honesto sobre seu quinto disco, &#8220;Atl\u00e2ntico Negro&#8221;, ind\u00fastria da m\u00fasica e ainda passado, presente e futuro. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/11\/03\/entrevista-wado\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[58],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2406"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2406"}],"version-history":[{"count":17,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2406\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48335,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2406\/revisions\/48335"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2406"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2406"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2406"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}