{"id":23874,"date":"2014-02-28T09:09:27","date_gmt":"2014-02-28T12:09:27","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=23874"},"modified":"2019-04-06T18:08:03","modified_gmt":"2019-04-06T21:08:03","slug":"tres-perguntas-wahgee","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/02\/28\/tres-perguntas-wahgee\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas perguntas: WAHGEE"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-23875\" title=\"will1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/will1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"367\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Bruno Capelas <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante boa parte dos anos 00, Will Prestes era um dos principais band-leaders do cen\u00e1rio independente brasileiro, comandando a Wonkavision com riffs de guitarra chicletudos e letras espert\u00edssimas.  Um bom tempo fora do ar ap\u00f3s o lan\u00e7amento, em 2008, de \u201cOutravision\u201d, segundo disco do quarteto ga\u00facho, Will volta \u00e0 ativa com o WAHGEE (uma abreviatura para Will and His Good Enough English), um projeto de \u201cbanda de um homem s\u00f3\u201d que ainda carrega consigo os refr\u00f5es poderosos do pop da Wonkavision, mas j\u00e1 envolvidos no atual namoro que o m\u00fasico tem hoje com o folk e o country.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os ouvintes de \u201cNanana\u201d e \u201cQuando 16\u201d podem se surpreender, mas segundo ele, os ritmos ac\u00fasticos s\u00e3o uma paix\u00e3o antiga. \u201cEntre os anos 80 e 90, ouvi muito os escoceses do The Proclaimers e o Violent Femmes, do Gordon Gano, com suas letras cheias de ang\u00fastia adolescente e o som cru do viol\u00e3o e baixo ac\u00fastico do primeiro disco\u201d, rememora, contando ainda que hoje v\u00ea boas hist\u00f3rias sendo contadas no country americano por gente como Kacey Musgraves, \u201ca vers\u00e3o trailer trash da Taylor Swift\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTown and Country\u201d, primeiro EP do projeto, foi lan\u00e7ado no come\u00e7o de janeiro, e conta com belas can\u00e7\u00f5es como a carta de (des)amor \u201cDear Rose\u201d ou a empolgante \u201cEar Candy Treat\u201d. Na entrevista a seguir, ele comenta as dificuldades que existiam em transportar uma banda cheia de equipamentos \u201cem um pa\u00eds onde dirigir pelas estradas \u00e9 uma roleta russa e a gasolina n\u00e3o \u00e9 barata\u201d e conta que quer tocar em \u201ccasas e apartamentos, ou pequenos bares que pare\u00e7am casas ou apartamentos de pessoas\u201d. Abre a porta e deixa o mo\u00e7o entrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea passou alguns anos parado entre o fim da Wonkavision e o lan\u00e7amento desse novo projeto, Will and His Good Enough English (o nome cheira a piada interna). O que voc\u00ea fez nesse meio-tempo, e o que te motivou a voltar a gravar e mostrar para o mundo as tuas can\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nNa verdade, o conceito para o WAHGEE come\u00e7ou h\u00e1 bastante tempo. Tempo o suficiente para dizer que n\u00e3o houve exatamente um hiato entre os projetos. Desde 2008 que comecei a esbo\u00e7ar can\u00e7\u00f5es para um viol\u00e3o e duas vozes. Neste meio tempo at\u00e9 tentei alguns formatos de dupla: primeiro com o Tiago Pedalino, do Ramirez (que entre alguns nomes, poderia ter se chamado The Dangerines), depois com a Patr\u00edcia Spier (Tea For Two) \u2013 inclusive temos algumas can\u00e7\u00f5es gravadas nos nossos HDs. Mas apesar dessas iniciativas terem sido super bacanas, percebi que precisa fazer algo sozinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em algumas entrevistas por a\u00ed, voc\u00ea comentou que todos os instrumentos do disco foram gravados por voc\u00ea mesmo no est\u00fadio. Por que voc\u00ea escolheu esse caminho, e quais foram as tuas limita\u00e7\u00f5es nesse processo? Al\u00e9m disso, imagino que o projeto n\u00e3o deva ficar s\u00f3 restrito ao disco, mas tamb\u00e9m a algumas apresenta\u00e7\u00f5es por a\u00ed, e, nesse sentido, voc\u00ea j\u00e1 pensou como funcionaria a execu\u00e7\u00e3o ao vivo?<\/strong><br \/>\nEste foi o desafio no momento que escolhi virar um ato solo. Parte desta decis\u00e3o foi art\u00edstica, mas grande parte foi relacionada a viabiliza\u00e7\u00e3o de um artista independente no Brasil. Na \u00e9poca da Wonkavision deixamos de fazer muitos shows porque nossas estrutura era custosa. \u00c9ramos quatro pessoas na banda e t\u00ednhamos muito equipamento pesado. Num pa\u00eds desse tamanho, onde dirigir pelas estradas \u00e9 uma roleta russa, comprar um \u00f4nibus velho e sair por a\u00ed n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o vi\u00e1vel como \u00e9 para os artistas gringos, que contam com boas estradas e gasolina barata. O WAHGEE nasceu m\u00f3vel e completo. Tenho um PA port\u00e1til, cen\u00e1rio e luzes. Tudo f\u00e1cil de transportar, cabendo no meu carro, ou sendo despach\u00e1vel por avi\u00e3o como bagagem normal. Por\u00e9m, esta mobilidade traz outros desafios, como arranjar as m\u00fasicas de forma a ficarem preenchidas com os instrumentos que eu consigo tocar simultaneamente sem parecer um homem-banda, e desenvolver minhas habilidades de performance (basicamente coordena\u00e7\u00e3o motora) para poder executar os arranjos ao vivo. O plano para shows do WAHGEE \u00e9 simples. Quero tocar em casas ou apartamentos de pessoas, ou pequenos bares que pare\u00e7am casas ou apartamentos de pessoas. A ideia \u00e9 come\u00e7ar com uma audi\u00e7\u00e3o para amigos, aqui em casa. O plano era ser em fevereiro, mas acabei saindo de f\u00e9rias e vai ficar pra mar\u00e7o. O repert\u00f3rio vai bem al\u00e9m do EP, j\u00e1 com m\u00fasicas para um \u00e1lbum completo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para quem acompanhou o teu trabalho na Wonkavision, com guitarras e os sintetizadores da Manu, chega a ser surpreendente a tua incurs\u00e3o pelos viol\u00f5es ac\u00fasticos, pelo folk e pelo country. Explica pra gente de onde vem essa influ\u00eancia, e por que voc\u00ea escolheu dar vaz\u00e3o a esse lado agora.<\/strong><br \/>\nSe tu prestar bem aten\u00e7\u00e3o vai notar que no segundo disco da Wonkavision j\u00e1 tinha um tra\u00e7o country na m\u00fasica &#8220;Not For Me&#8221;. S\u00f3 que, pelo estilo da banda, resolvi simular um banjo com um som de moog. Mas confesso que sempre gostei de m\u00fasica folk e m\u00fasica country. Entre os meus her\u00f3is nos anos 80, estava o Violent Femmes, do Gordon Gano, com suas letras cheias de ang\u00fastia adolescente e o som cru do viol\u00e3o e baixo ac\u00fastico do primeiro disco. Nos anos 90 ouvi muito os g\u00eameos escoceses The Proclaimers, com harmonias de voz sensacionais. Mas o country mesmo rolou num processo meio reverso. Comecei a escutar com mais frequ\u00eancia porque queria estudar mais sobre o estilo e principalmente aprender alguns licks de guitarra. Acabei ouvindo tanto que hoje tenho um iPod s\u00f3 de m\u00fasica country. Hoje, o que mais me prende s\u00e3o as letras. O country cl\u00e1ssico tem um artesanato muito particular em como as palavras s\u00e3o esculpidas. Cont\u00e9m muita analogia sagaz, muito whiskey, amor e camionetes. Mas vejo tamb\u00e9m um novo country surgindo, com gente nova cantando sobre coisas mais obscuras e ao mesmo tempo estreitando a linha com o pop. Ouve a Kacey Musgraves, por exemplo. A vers\u00e3o trailer trash da Taylor Swift. Ela escreve muito sobre um confronto com as tradi\u00e7\u00f5es conservadoras do sul dos Estados Unidos. N\u00e3o \u00e9 algo da nossa cultura, mas \u00e9 uma hist\u00f3ria bacana de se observar como est\u00e1 sendo contada, porque \u00e9 inteligente. Gosto desse contraste, da mesma forma que o pop e o conte\u00fado das letras da Wonkavision se chocavam. Por enquanto o WAHGEE \u00e9 ainda mais singelo do que sarc\u00e1stico. Mais questionador do que ir\u00f4nico. Sei l\u00e1, deve ser a idade. \ud83d\ude09<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-23879  aligncenter\" title=\"rown\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/rown.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/rown.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/rown-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/rown-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; <span>Bruno Capelas (<\/span><a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@noacapelas<\/a><span>) \u00e9 jornalista e assina o blog <\/span><a href=\"http:\/\/pergunteaopop.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pergunte ao Pop<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Tr\u00eas perguntas para:<\/strong><br \/>\n&#8211; Jair Naves: \u201cDessa vez quero tentar algo diferente? (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/02\/26\/tres-perguntas-jair-naves\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Giallos: \u201cN\u00e3o precisa baixar as cal\u00e7as pra fazer um disco\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/02\/02\/tres-perguntas-giallos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Gustavo Kaly: \u201cFalamos das coisas que est\u00e3o ao nosso redor, naturalmente\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/02\/25\/tres-perguntas-gustavo-kaly\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Rosablanca: \u201cSomos um namoro sem crises entre os anos 80 e 90? (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/07\/22\/tres-perguntas-rosablanca\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; The Baggios: \u201cSe voc\u00ea ouvir nossas musicas ir\u00e1 notar Alceu, Raul Seixas\u2026\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/12\/22\/tres-perguntas-the-baggios\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Shotgun Wives: \u201cGostamos de colocar um timbre inesperado nas can\u00e7\u00f5es\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/12\/18\/tres-perguntas-shotgun-wives\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Constantina: \u201cM\u00fasica Instrumental esteve por muito tempo marginalizada\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/19\/tres-perguntas-constantina\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Guri: \u201c\u00c9 hippie, mas parece que a m\u00fasica ajudou a fechar alguns buracos\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/12\/03\/especial-sim-sao-paulo-guri\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Stela Campos: \u201cSou uma colecionadora de discos \u00e0 moda antiga\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/28\/tres-perguntas-stela-campos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Garotas Suecas: \u201cN\u00e3o vamos cantar em ingl\u00eas para \u2018conquistar os gringos\u2019.\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/10\/tres-perguntas-garotas-suecas\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Bruno Capelas\nWill Prestes, ex-Wonkavision, estreia novo projeto solo, uma banda de um s\u00f3 que namora o folk e o country. 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