{"id":238,"date":"2006-10-26T08:33:57","date_gmt":"2006-10-26T10:33:57","guid":{"rendered":"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/2006\/10\/26\/leonard-cohen-em-sao-paulo\/"},"modified":"2025-02-27T17:55:12","modified_gmt":"2025-02-27T20:55:12","slug":"leonard-cohen-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/10\/26\/leonard-cohen-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Cinema: &#8220;Leonard Cohen &#8211; I\u2019m Your Man&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/files\/2006\/10\/cohen.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-36234\" title=\"cohen1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/cohen1.jpg\" alt=\"\"><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">por Marcelo Costa<\/span><\/strong><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o, caro leitor, Leonard Cohen n\u00e3o est\u00e1 em carne e osso em S\u00e3o Paulo. Seria um milagre grande demais mesmo para os deuses da m\u00fasica pop. Cohen chega a S\u00e3o Paulo atrav\u00e9s do document\u00e1rio &#8220;Leonard Cohen &#8211; I&#8217;m Your Man&#8221;, dirigido por Lian Lunson e lan\u00e7ado no mercado estrangeiro em 2005. \u00c9 um dos destaques da 30\u00aa Mostra Internacional de Cinema de S\u00e3o Paulo na categoria &#8216;m\u00fasica&#8217;, e \u00e9 pouco prov\u00e1vel que entre em circuito comercial. Por isso, as tr\u00eas exibi\u00e7\u00f5es do longa na capital paulista, nos pr\u00f3ximos dias, devem ser tomadas como obrigat\u00f3rias para f\u00e3s da m\u00fasica pop que realmente vale a pena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que um document\u00e1rio, &#8220;Leonard Cohen &#8211; I&#8217;m Your Man&#8221; \u00e9 um documento hist\u00f3rico que lan\u00e7a luz sobre um dos artistas mais influentes da m\u00fasica contempor\u00e2nea. Em 98 minutos de proje\u00e7\u00e3o, o diretor Lian Lunson divide a obra em dois prismas: uma longa, divertida e inspirada entrevista com o pr\u00f3prio Cohen (hoje, com 72 anos) e um show tributo a ele realizado em Sidney, que reuniu nomes como Nick Cave, Jarvis Cocker (Pulp), Beth Orton, Rufus Wainwright e Antony (sem, os Johnsons).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A edi\u00e7\u00e3o junta com intelig\u00eancia as duas fontes, muito embora a primeira seja superior a segunda na grande maioria das cenas. Cohen conta como foi o come\u00e7o de sua jornada po\u00e9tica no Canad\u00e1, ilumina a mudan\u00e7a de ares que o levou at\u00e9 Nova York, declama trechos de letras de can\u00e7\u00f5es, fala da inspira\u00e7\u00e3o de algumas delas, sobre sua vida em um mosteiro, sobre a \u00e1rdua tarefa de ser escritor, e nega o confete f\u00e1cil. Quando algum dos entrevistados diz que sua voz \u00e9 magnifica, ele despista: &#8220;Eu canto sempre no mesmo tom&#8221;. Sua fala conduz o document\u00e1rio, e \u00e9 o ponto alto do longa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Foi a irm\u00e3 de um amigo que me mostrou um disco dele. Era aquele &#8216;Songs Of Love &amp; Hate&#8217;, e foi um choque. Eu era jovem, e aquele disco, saber da exist\u00eancia dele, me fez me sentir diferente. Me fez sentir algo&#8230; me fez sentir especial. Mudou tudo. Eu n\u00e3o era como os babacas detest\u00e1veis da minha cidade&#8221;, conta Nick Cave, que fez quest\u00e3o de abrir seu primeiro registro solo (acompanhado pelos Bad Seeds) em 1984 com uma can\u00e7\u00e3o de Cohen, &#8220;Avalanche&#8221;. No show especial, Cave homenageia Cohen com uma interpreta\u00e7\u00e3o magnifica da faixa t\u00edtulo, e ainda acompanha Perla Batalla e Julie Christensen em uma bonita vers\u00e3o de &#8220;Suzanne&#8221;, primeiro sucesso do poeta, de 1967.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os bons momentos do show est\u00e3o a \u00f3tima interpreta\u00e7\u00e3o de Jarvis Cocker para a \u00f3tima &#8220;I Can&#8217;t Forget&#8221;, que j\u00e1 havia sido coverizada pelo Pixies, no tributo mais famoso registrado ao bardo canadense, &#8220;I&#8217;m Your Fan&#8221;, que reunia gente como R.E.M., Ian McCulloch (Echo &amp; The Bunnymen), John Cale (Velvet Underground), e Lloyd Cole. Por\u00e9m, enquanto a &#8220;I Can&#8217;t Forget&#8221; de Franck Blanck e cia acelerava e perdia o encanto do \u00f3timo refr\u00e3o, Cocker cadencia a letra e o arranjo permite at\u00e9 maneirismos do cantor. Excelente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O compositor Rufus Wainwright quase escorrega no exagero de afeta\u00e7\u00e3o, mas acaba convencendo tanto por suas interpreta\u00e7\u00f5es quanto por seu depoimento. &#8220;Eu era amigo da filha de Leonard. E um dia ela me convidou para ir a casa deles. Fiquei nervoso, mas fui. Chegando l\u00e1, dei de cara com Leonard fazendo ovos mexidos na cozinha, de roup\u00e3o. Conversamos um pouco, e foi normal. Ele saiu da cozinha, e quando voltou estava em um daqueles ternos Armani impec\u00e1veis. Ent\u00e3o caiu a ficha: &#8216;Meu deus, estou frente a frente com Leonard Cohen&#8217;. Foi emocionante&#8221;, relembra o cantor no filme. No show, Rufus canta duas boas vers\u00f5es para &#8220;Everybody Knows&#8221; e &#8220;Chelsea Hotel N\u00ba 2&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cohen diverte o p\u00fablico ao contar que nunca se sentiu bem de jeans e camiseta, preferindo desde jovem o terno. \u00c9 famosa a hist\u00f3ria &#8211; que n\u00e3o est\u00e1 no filme &#8211; de que o poeta teria ficado magoado por ter sido preterido pelos beats, que n\u00e3o o convidaram para fazer parte da turma. Cohen acredita que a culpa foi de seu terno bem cortado e de seu visual alinhado, totalmente diferente do visual desleixado dos beats. Em outro momento, o bardo relembra as conturbadas grava\u00e7\u00f5es de &#8220;Death of a Ladie&#8217;s Man&#8221;, produzido pelo g\u00eanio genioso Phil Spector, e que conta com Bob Dylan fazendo backing vocal em uma m\u00fasica, &#8220;Don&#8217;t Go Home With Your Hard-On&#8221;. Diz Cohen: &#8220;Eu n\u00e3o estava satisfeito com o resultado das can\u00e7\u00f5es. Eu estava numa fase em que n\u00e3o me via como cantor. Mas o disco saiu e acabou fazendo sucesso, agradando ao pessoal do movimento da \u00e9poca&#8230; como \u00e9 mesmo o nome&#8230; s\u00e3o tantos movimentos&#8230; ahhh, punk. Eles gostaram e o disco fez sucesso&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cohen ainda fala sobre sua fama de conquistador (&#8220;Ela me ajudou a manter a cabe\u00e7a no lugar em todas as milhares de noites que dormi sozinho&#8221;), sobre budismo (&#8220;Fiquei cinco meses em um mosteiro, estava muito frio, e ent\u00e3o fugi com uma mulher. Deixei um recado para o mestre explicando a situa\u00e7\u00e3o&#8221;, conta ele, mostrando o hil\u00e1rio recado) e sobre voltar, um dia, a fazer shows. Com nove livros lan\u00e7ados (sete de poesia e dois romances) e onze \u00e1lbuns (o mais recente, &#8220;Dear Heather&#8221;, foi lan\u00e7ado em 2004), Leonard Cohen est\u00e1 entre os artistas mais influentes do mundo devido a for\u00e7a com que sua m\u00fasica bateu em gente como Michael Stipe (R.E.M.), Nick Cave, Morrissey, Ian McCulloch (Echo &amp; The Bunnymen), Renato Russo (que gravou uma vers\u00e3o de &#8220;Hey, That&#8217;s No Way To Say Goodbye&#8221;, registrada no CD p\u00f3stumo &#8220;O \u00daltimo Solo&#8221;), Jeff Buckley (que gravou &#8220;Hallelujah&#8221; em &#8220;Grace&#8221;, o \u00e1lbum que definiu a m\u00fasica pop para o novo mil\u00eanio) e&#8230; The Edge e Bono, do U2, que protagonizam o \u00fanico deslize do document\u00e1rio, interpretando uma constrangedora vers\u00e3o de &#8220;Tower of Song&#8221;, \u00fanico momento em que Cohen aparece cantando no filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da escorrega no final, a grandiosidade de Leonard Cohen torna imprescind\u00edvel para um f\u00e3 de m\u00fasica pop assistir &#8220;Leonard Cohen &#8211; I&#8217;m Your Man&#8221;, e rivaliza em import\u00e2ncia com a presen\u00e7a de Patti Smith (esta, em carne e osso) no Brasil, para shows no Tim Festival. Se pud\u00e9ssemos resumir a m\u00fasica pop em cinco letristas\/poetas, Leonard Cohen e Patti Smith teriam lugares dourados com placas com seus nomes em seus assentos (escolha, voc\u00ea, os outros tr\u00eas). N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 por isso, claro, que &#8220;Leonard Cohen &#8211; I&#8217;m Your Man&#8221; \u00e9 obrigat\u00f3rio, mas voc\u00ea precisa descobrir o resto com seus olhos e ouvidos. A m\u00fasica pop nunca mais ser\u00e1 a mesma depois deste olhar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Trailer of Leonard Cohen : I&#039;m Your Man\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JyVHhcCnuEk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\n&#8220;Leonard Cohen &#8211; I&#8217;m Your Man&#8221; \u00e9 obrigat\u00f3rio, mas voc\u00ea precisa descobrir o resto com seus olhos e ouvidos. 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