{"id":23757,"date":"2002-12-01T09:03:44","date_gmt":"2002-12-01T11:03:44","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=23757"},"modified":"2026-04-06T00:21:26","modified_gmt":"2026-04-06T03:21:26","slug":"musica-sea-change-beck","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/12\/01\/musica-sea-change-beck\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: Sea Change, Beck"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-23758\" title=\"beck21\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/beck21.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por J\u00falio Costelo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Beck Hansem \u00e9 incensado pela cr\u00edtica desde o lan\u00e7amento de &#8220;Mellow Gold&#8221; e o sucesso do single &#8220;Loser&#8221;. \u00c9 tamb\u00e9m considerado uma esp\u00e9cie de camale\u00e3o, um David Bowie dos anos 90. Medindo as verdadeiras propor\u00e7\u00f5es, tal afirma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de toda absurda, se considerarmos que ele se reinventa a cada disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1996 o nome de Beck ilustrava as principais publica\u00e7\u00f5es e constava nos primeiros lugares das listas de melhores do ano, afinal &#8220;Odelay&#8221; superava em muito as expectativas geradas pelo sucesso de &#8220;Mellow Gold&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois viria &#8220;Mutations&#8221; (1998), que seria lan\u00e7ado pela K Records, gravadora de Calvin Johnson, do Beat Happening \u2013 que j\u00e1 havia lan\u00e7ado &#8220;One Foot In The Grave&#8221; (1994) \u2013 mas a Geffen, percebendo o seu potencial, resolveu comprar os direitos de edi\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum, (afinal o contrato permitia que Beck gravasse por outros selos). A psicodelia e o excesso de baladas n\u00e3o tiraram o brilho do cantor e &#8220;Tropic\u00e1lia&#8221;, destaque do disco, era um tributo torto, com direito a cu\u00edca mal tocada, aos tropicalistas. A cr\u00edtica brasileira n\u00e3o gostou nem um pouco da cita\u00e7\u00e3o tropicalista e malhou o artista, acostumada a recha\u00e7ar m\u00fasicos estrangeiros que citam a m\u00fasica brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com &#8220;Mutations&#8221;, por\u00e9m, Beck subvertia sua carreira e gerava desconfian\u00e7as at\u00e9 que &#8220;Midnite Vultures&#8221; (1999) devolvesse, mas n\u00e3o por completo, o seu prest\u00edgio. O disco era um verdadeiro tratado de m\u00fasica dan\u00e7ante em que ele emulava um Prince cantando m\u00fasicas do James Brown.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consciente de um novo abalo em sua carreira, Beck arrisca de novo na simplicidade. Se j\u00e1 o fez em &#8220;One Foot In The Grave&#8221; e &#8220;Mutations&#8221;, no novo \u00e1lbum ele radicaliza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Sea Change&#8221; tem prop\u00f3sitos mais honestos do que qualquer outro \u00e1lbum do artista. Aqui o mote \u00e9 a simplicidade unida a arranjos de corda (elaborados por Al Campbell, pai de Hansem), ambienta\u00e7\u00e3o melanc\u00f3lica e intimista, inclinando-se mais ao formato folk do que para o psicod\u00e9lico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os temas abordados nas letras s\u00e3o extremamente pessoais e monocrom\u00e1ticos &#8211; desde feridas abertas: &#8220;Baby, eu sou uma causa perdida (&#8230;) Estou cansado de lutar por uma causa perdida&#8221; (&#8220;Lost Cause&#8221;), an\u00e1lises comportamentais (&#8220;All In Your Mind&#8221;) e vis\u00f5es desoladoras: &#8220;O sol n\u00e3o brilha at\u00e9 quando \u00e9 dia&#8221; (&#8220;The Golden Age&#8221;) culminadas em um surto de autocomisera\u00e7\u00e3o (&#8220;Guess I\u2019m Doing Fine&#8221; e &#8220;Round The Bend&#8221;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O t\u00edtulo &#8220;Sea Change&#8221; define bem a proposta do \u00e1lbum: mudan\u00e7a, tanto exteriormente, em sua carreira, quanto interiormente, j\u00e1 que as letras revelam lirismo taciturno, perfeito, unido aos arranjos e produ\u00e7\u00e3o cuidadosa. H\u00e1 quem vai execr\u00e1-lo pela &#8220;exagerada&#8221; exposi\u00e7\u00e3o sentimental. S\u00e3o pessoas acostumadas a um Beck gen\u00e9rico, enciclopedista pop e &#8220;arauto&#8221; da revolu\u00e7\u00e3o alternativa dos anos 90.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As influ\u00eancias imediatas de Beck para este disco incluem Dylan na concep\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e Neil Young nas melodias. O fantasma de Nick Drake se apossa do m\u00fasico em &#8220;Round The Bend&#8221; \u2013 can\u00e7\u00e3o que se encaixaria perfeitamente em &#8220;Five Leaves Las&#8221;t.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nigel Godrich, que teve o m\u00e9rito de ter produzido importantes discos na d\u00e9cada de 90 (Travis, Radiohead, Pavement) e j\u00e1 havia trabalhado em &#8220;Mutations&#8221;, ratifica seu talento de transformar can\u00e7\u00f5es em cristais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Saldo final: Grodrich e Hansem souberam utilizar a simplicidade para a confec\u00e7\u00e3o de um dos discos mais tristonhos e instigantes de 2002.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sea Change\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_kfT9JyHrarCayBl3nO1QFqTbnvngrqgs0\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Julio Costelo\nGrodrich e Hansem souberam utilizar a simplicidade para a confec\u00e7\u00e3o de um dos discos mais tristonhos de 2002\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/12\/01\/musica-sea-change-beck\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23757"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23757"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23757\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":95036,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23757\/revisions\/95036"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23757"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23757"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23757"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}