{"id":23718,"date":"2014-02-20T01:10:53","date_gmt":"2014-02-20T04:10:53","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=23718"},"modified":"2024-02-20T12:39:22","modified_gmt":"2024-02-20T15:39:22","slug":"a-estreia-dos-smiths-completa-30-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/02\/20\/a-estreia-dos-smiths-completa-30-anos\/","title":{"rendered":"Disco de estreia dos Smiths, lan\u00e7ado em 1984, \u00e9 o mais urgente da banda"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-23719\" title=\"smiths1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/smiths1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/silva.leonel.900\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Leonel<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo costumava ser um lugar diferente no come\u00e7o dos anos 80. Pra come\u00e7o de conversa, n\u00e3o havia milhares de redes compartilhando informa\u00e7\u00e3o como hoje. M\u00fasica n\u00e3o era algo t\u00e3o acess\u00edvel e dispon\u00edvel por a\u00ed. Para conhecer novas bandas \u2013 al\u00e9m de passar fitinhas k-7 para os amigos \u2013, as pessoas dependiam de publica\u00e7\u00f5es como tabloides e revistas especializadas, que, al\u00e9m de n\u00e3o chegarem com facilidade no Brasil (coloque uns dois meses de atraso, no m\u00ednimo), muitas vezes s\u00f3 jogavam seus holofotes sob um grupo restrito de nomes que, n\u00e3o raro, tinham espa\u00e7o somente por estarem associados \u00e0s grandes gravadoras e toda uma \u201cm\u00e1fia\u201d que gerava demanda em torno deles mesmos (naquela \u00e9poca era assim, hoje isso n\u00e3o acontece mais sabe? \u2013 ironia, ironia). Ser banda independente ent\u00e3o, era tarefa para poucos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Inglaterra n\u00e3o era diferente. Em meio a um cen\u00e1rio t\u00e3o plural quanto concorrido, que ao mesmo tempo acomodava destro\u00e7os do punk, excessos da New Wave e o glamour dos New Romantics, algo novo precisava acontecer. E aconteceu. O t\u00e9dio e o marasmo p\u00f3s-anos 70, pouco a pouco, come\u00e7aram a empurrar as coisas para outro lado. Pequenos selos (entre eles, Factory e Rough Trade) pareciam timidamente voltar sua aten\u00e7\u00e3o para novos artistas e um novo circuito de clubes e bares abria as portas para bandas emergentes e pouco conhecidas. Contrariando v\u00e1rias tend\u00eancias da \u00e9poca, um jovem quarteto dos sub\u00farbios de Manchester come\u00e7ava a chamar aten\u00e7\u00e3o. Pouca produ\u00e7\u00e3o visual, princ\u00edpios de abstin\u00eancia, avers\u00e3o aos grandes clich\u00eas do rock e uma sensibilidade mel\u00f3dica de rara beleza eram alguns de seus trunfos. Na contram\u00e3o do hedonismo da disco music e do peso de chumbo da nova onda do heavy metal brit\u00e2nico, surgiram os Smiths.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Smiths - Hand in glove (legendado em portugu\u00eas)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XzG6jk1lwCo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando n\u00e3o se tem muita expectativa de algo, talvez seja mais f\u00e1cil surpreender, e foi o que ocorreu. Sem grandes alardes, a banda acabou cravando na hist\u00f3ria um respeit\u00e1vel disco de estreia \u2013 ainda que seu devido reconhecimento demorasse alguns anos para acontecer. Antecipado pelos singles &#8220;Hand In Glove&#8221; (05\/1983), &#8220;This Charming Man&#8221; (11\/1983) e &#8220;What Difference Does It Make?&#8221; (01\/1984), o \u00e1lbum \u201cThe Smiths\u201d foi lan\u00e7ado em 20 de fevereiro de 1984 e \u00e9 o disco mais urgente da banda. Nele podemos conferir um momento especial de um grupo ainda em franca ascens\u00e3o (embora a aparente inseguran\u00e7a do quarteto, em alguns momentos, deixe lacunas no registro). Nem de longe \u00e9 o melhor trabalho dos Smiths, mas \u00e9 not\u00f3rio pela espontaneidade e por marcar o come\u00e7o de uma nova fase na produ\u00e7\u00e3o musical dos anos 80, com menos excentricidades e mais preocupa\u00e7\u00f5es quanto ao conte\u00fado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Musicalmente, \u201cThe Smiths\u201d une refer\u00eancias do folk e do rockabilly dos anos 50 \u00e0 uma roupagem mais l\u00edrica e introspectiva, pr\u00f3xima do p\u00f3s-punk, com baixo e bateria destacados. As chaves para se entender o som est\u00e3o nos arpejos de Johnny Marr, que deveria sonhar ter integrado o Byrds ou acompanhado Eddie Cochran nos anos 50. Com apenas 20 anos, Marr j\u00e1 chamava aten\u00e7\u00e3o como um dos m\u00fasicos mais inventivos de sua gera\u00e7\u00e3o usando pouca distor\u00e7\u00e3o, quase nenhum solo e riffs extremamente mel\u00f3dicos e envolventes, um fundo musical ideal para a voz de Steven Patrick Morrissey, um jovem fortemente inspirado pelo escritor Oscar Wilde, e que escrevia letras com vis\u00f5es bastante pessimistas sobre o amor e as rela\u00e7\u00f5es humanas. Surgia mais uma voz que deixava de lado os vencedores, campe\u00f5es e her\u00f3is para cantar sobre perdedores, desiludidos e abandonados, personagens comuns do dia-a-dia, mas desta vez de uma forma bastante peculiar.<\/p>\n<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=dpi6G9oUcTQ<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grava\u00e7\u00e3o do disco foi um processo tumultuoso e bastante dif\u00edcil. Foram registradas 14 faixas com o produtor Troy Tate (da banda Teardrop Explodes), que, de in\u00edcio, deixaram a banda satisfeita. O chef\u00e3o do selo Rough Trade, Geoff Travis, n\u00e3o gostou do resultado e mostrou algumas fitas das grava\u00e7\u00f5es ao produtor John Porter (que a banda conheceu durante uma sess\u00e3o para a BBC). Travis tinha esperan\u00e7a que o material pudesse ser remasterizado por Porter, mas este achou o registro sujo e fora de tempo. No entanto, se ofereceu para gravar novamente o disco com a banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo tendo elogiado o trabalho de Tate apenas algumas semanas antes, a banda acabou reconsiderando e abandonou o disco inteiro, abortando seu lan\u00e7amento (essas vers\u00f5es se tornaram lend\u00e1rias e circularam \u2013 e ainda hoje circulam \u2013 em vers\u00f5es piratas; algumas delas at\u00e9 figuraram em lan\u00e7amentos oficiais como \u201cPretty Girls Make Graves\u201d, \u201cJeane\u201d e \u201cReel Around the Fountain\u201d &#8211; a \u00faltima pode ser ouvida acima e comparada com a vers\u00e3o final lan\u00e7ada abaixo). Embora tenham alegado que o motivo era unicamente profissional, o antigo produtor n\u00e3o aceitou bem a ideia e rompeu totalmente rela\u00e7\u00f5es com o quarteto. Os Smiths resolveram gravar o \u00e1lbum novamente, desta vez sobre o comando de John Porter, o que resultaria em uma sonoridade mais cristalina e suave em confronto \u00e0s grava\u00e7\u00f5es abandonadas de Troy, com arranjos mais pastosos e repletos de ru\u00eddos. Interessante pensar em como teria sido a hist\u00f3ria do grupo se o \u00e1lbum descartado tivesse sido o oficialmente lan\u00e7ado.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Smiths - This Charming Man (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cJRP3LRcUFg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Martelo batido com Porter, o trabalho foi novamente gravado em quatro est\u00fadios diferentes situados em Londres e Manchester durante o inverno de 1983. As sess\u00f5es, no enanto, n\u00e3o foram nada tranquilas. Morrissey e Marr discutiam com o produtor sobre a sonoridade o tempo todo. Apesar da relut\u00e2ncia da banda em aceitar m\u00fasicos contratados nas grava\u00e7\u00f5es, o produtor conseguiu convence-los a aceitar contribui\u00e7\u00f5es do tecladista Paul Carrack e da cantora Annalisa Jablonska cantando em faixas como &#8220;Suffer Little Children&#8221; \u2013 uma das primeiras can\u00e7\u00f5es compostas pela banda. A letra foi inspirada na saga dos \u201cMoors Murders\u201d, um casal de psicopatas que sequestrou e matou v\u00e1rias crian\u00e7as na regi\u00e3o de Manchester durante os anos 60. As grava\u00e7\u00f5es foram completadas em cerca de tr\u00eas meses e, mesmo com o novo produtor, Morrissey continuou descontente com o produto final, n\u00e3o tendo achado-o bom o suficiente. No entanto, devido \u00e0 despesa final de mais de 6 mil libras com a produ\u00e7\u00e3o, n\u00e3o houve volta, e a gravadora afirmou que o mesmo seria lan\u00e7ado (Sr. Moz, desde sempre dif\u00edcil de agradar). Em fevereiro de 1984, o disco chegava \u00e0s lojas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A melanc\u00f3lica \u201cReel Around the Fountain\u201d abre o disco com sonoridade assumidamente inspirada em Joy Division. O primeiro verso do disco \u2013 \u201cIt&#8217;s time to tale a told&#8230;\u201d \u2013 manifesta o quanto a banda talvez soubesse que come\u00e7ava ali uma grande hist\u00f3ria, ainda que de forma sutil. N\u00e3o muito longa, de fato, mas que seria lembrada por muitos anos. Uma inusitada batida acelerada (quase um hardcore tocado pelo baterista Mike Joyce) misturada \u00e0 vocais em falsete marca a can\u00e7\u00e3o \u201cMiserable Lie\u201d. Faixa exc\u00eantrica, dif\u00edcil at\u00e9, mas que mostra grande personalidade de uma banda disposta a experimentar. A letra, com refer\u00eancias a Whalley Range, bairro de Manchester not\u00f3rio pelo n\u00famero de hot\u00e9is e alojamentos, frequentemente ocupados por pessoas solit\u00e1rias e rec\u00e9m-separados, \u00e9 a mais \u00e1cida do disco, versando sobre um rompimento do eu-l\u00edrico com algu\u00e9m: \u201cCorrompeu minha mente inocente\u201d e \u201cArruinou minha vida \u2013 duas vezes\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pretty Girls Make Graves (2011 Remaster)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/r_Ql8HglIDE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Clima f\u00fanebre e uma estrutura elaborada aparecem na bela \u201cPretty Girl Makes Graves\u201d, cuja letra subverte pap\u00e9is colocando o homem como algu\u00e9m passivo perante os impulsos vorazes de uma mulher (a segunda voz que se ouve entre os versos \u00e9 da cantora contratada Annalisa). O envolvente \u201coutro\u201d da m\u00fasica \u00e9 um dos grandes momentos do disco. No trecho final, Morrissey ainda encaixa um verso da letra de \u201cHand in Glove\u201d, o primeiro e injusti\u00e7ado single do grupo \u2013 vendeu bem, mas a banda esperava que ele realmente tivesse sido um enorme hit, o que nunca ocorreu (chegou &#8220;apenas&#8221; ao n\u00famero 6 da parada brit\u00e2nica).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cThe Hand That Rocks That Cradle\u201d \u00e9 arrastada e com guitarra repetitiva. Na letra, uma cita\u00e7\u00e3o de \u201cSonny Boy\u201d, famosa na voz do cantor norte-americano Al Jolson. A politizada \u201cStill Ill\u201d, uma das mais urgentes can\u00e7\u00f5es do disco, exibe um bom desempenho do baixista Andy Rourke e uma frase marcante de Morrissey: \u201cO corpo que domina a mente ou a mente que domina o corpo? Eu n\u00e3o sei\u201d. A m\u00fasica sempre funcionou bem ao vivo (h\u00e1 uma vers\u00e3o bastante pesada presente no disco \u201cRank\u201d assim como outra, mais suave e conduzida por gaita, no \u00e1lbum \u201cHatful of Hollow\u201d), n\u00e3o por acaso \u00e9 uma das poucas faixas do in\u00edcio da banda que continuou sendo tocada durante toda a carreira.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Smiths - Still Ill live on the Tube 1984\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/n4eYmtPFyvM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cWhat Difference Does it Make?\u201d, \u00fanico single oficial do \u00e1lbum, exibe riff truncado em uma das introdu\u00e7\u00f5es mais conhecidas dos Smiths. Johnny Marr certa vez disse que a melodia \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o pessoal inspirada em guitarristas do punk do fim dos anos 70. A dolorida \u201cI Don&#8217;t Owe You Anything\u201d destaca guitarra dedilhada e baixo mel\u00f3dico em conjunto com um \u00f3rg\u00e3o (tocado por Paul Carrack) no arranjo. A letra, trist\u00edssima, retrata um momento de decep\u00e7\u00e3o com uma suposta pessoa amada. Os vocais soam quase como um lamento embora transmitam certo conforto, quase como um grande abra\u00e7o que sa\u00ed dos alto-falantes. O baterista Mike Joyce costumava dizer que era uma das faixas mais fortes que Morrissey j\u00e1 havia escrito. A vers\u00e3o norte-americana ainda inclui a cl\u00e1ssica \u201cThis Charming Man\u201d \u2013 segundo single da banda, lan\u00e7ado em outubro de 1983 e que n\u00e3o apareceu no disco original.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cThe Smiths\u201d bateu no n\u00famero 2 da parada brit\u00e2nica e recebeu muitos elogios pela personalidade e sonoridade que trazia. Quase tudo nele parece contr\u00e1rio aos maneirismos da \u00e9poca, desde o pessimismo das letras e a falta de refr\u00f5es de arena at\u00e9 a foto da capa, o \u00edcone gay Joe Dalessandro (tirado do filme \u201cFlesh\u201d, de 1968, de Paul Morrissey). Embora ainda se tratasse de uma banda inexperiente, o \u00e1lbum \u00e9 hoje lembrado como um marco para a produ\u00e7\u00e3o musical da d\u00e9cada e que, junto a trabalhos de grupos como o R.E.M. e o Violent Femmes, trilhou verdadeiras clareiras para o caminho de centenas de bandas independentes que apareceriam nos anos seguintes. D\u00e1 at\u00e9 pra pensar que o disco (junto a outros importantes) ajudou a preparar terreno para o estouro do rock alternativo dos anos 90.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Smiths - What Difference Does It Make? (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XbOx8TyvUmI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo n\u00e3o sendo o disco mais bem produzido da banda (\u201cMeat is Murder\u201d e, principalmente, \u201dStrangeways Here it Comes\u201d s\u00e3o bem mais merecedores do t\u00edtulo), \u201cThe Smiths\u201d brilha por, talvez, sua sinceridade, em um contexto onde a produ\u00e7\u00e3o das grandes gravadoras soava meio artificial e pl\u00e1stica. O prest\u00edgio do disco, no entanto, melhorou com os anos, e frequentemente ele aparece citado em listas de melhores discos dos anos 80 e at\u00e9 em posi\u00e7\u00f5es modestas em listas do tipo \u201cMelhores \u00c1lbuns de Todos os Tempos\u201d (como em uma vota\u00e7\u00e3o do Guardian, em 1997, quando o disco ficou na posi\u00e7\u00e3o de n\u00famero 73).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo costumava ser um lugar diferente no come\u00e7o dos anos 80, mas isso n\u00e3o impediu que aquele disco lan\u00e7ado h\u00e1 35 anos continuasse sendo descoberto por v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es, e continuasse sendo ouvido mesmo depois do fim da banda. \u00c9 quase como se as can\u00e7\u00f5es tivessem vida pr\u00f3pria. Um sintoma disso \u00e9 o n\u00famero de mem\u00f3rias e lembran\u00e7as que essas m\u00fasicas ainda s\u00e3o capazes de ativar em pessoas mais velhas, mesmo depois de tanto tempo. Ap\u00f3s 2002 (ano de comemora\u00e7\u00e3o de 20 anos da forma\u00e7\u00e3o da banda), uma s\u00e9rie de filmes e livros relembrando a historia do quarteto parece ter reacendido o interesse pelo grupo. Destaque para o excelente \u201cSongs That Saved Your Life\u201d, do escritor Simon Goddard (autor tamb\u00e9m da \u201cMozipedia\u201d), guia caprichado que tem coment\u00e1rios extensos de praticamente todas as faixas de est\u00fadio da banda \u2013 o t\u00edtulo do livro \u00e9 tirado da letra de \u201cRubber Ring\u201d, can\u00e7\u00e3o bastante emotiva, tida como um desabafo de Morrissey, sobre uma \u00e9poca derradeira do grupo em que come\u00e7aram a sentir que sua hist\u00f3ria n\u00e3o demoraria muito para se encerrar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"I Don&#039;t Owe You Anything (2011 Remaster)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-QOLb9d-kkc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2005, um simp\u00f3sio na cidade de Manchester reuniu diversos intelectuais para discutir o impacto que a m\u00fasica do grupo representava para a cultura popular. Na \u00e9poca chegaram a dizer que o conjunto da obra dos Smiths era quase t\u00e3o importante quanto a obra de grandes escritores e intelectuais. &#8220;A m\u00fasica dos Smiths tinha uma profundidade emocional que chegava \u00e0s pessoas de uma forma que at\u00e9 ent\u00e3o nenhuma banda tinha conseguido&#8221;, afirmou Justin O`Connor, especialista na m\u00fasica e cultura de Manchester na \u00e9poca do simp\u00f3sio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o debute, o quarteto seguiu um processo de evolu\u00e7\u00e3o not\u00e1vel e trouxe ao p\u00fablico cl\u00e1ssicos como \u201cThe Queen is Dead\u201d, um registro muito superior ao \u00e1lbum de estreia, destacando sonoridades mais ecl\u00e9ticas e produ\u00e7\u00e3o de primeira (cortesia do produtor Stephen Street). Por\u00e9m, a inoc\u00eancia e o esp\u00edrito de urg\u00eancia que \u201cThe Smiths\u201d exala s\u00e3o elementos gravados em um momento \u00fanico e nunca atingidos com a mesma intensidade nos \u00e1lbuns seguintes. O fim repentino da banda em 1987 ocorreu em uma \u00e9poca na qual o futuro da banda estava prejudicado por interesses pessoais, ci\u00fames, brigas e mesquinharia dos integrantes. O conjunto da obra continuar\u00e1 tocando pelos lugares e quartos de adolescentes ainda por muitos e muitos anos, e enquanto as pessoas ainda derem valor \u00e0s coisas que realmente importam, eles ser\u00e3o lembrados n\u00e3o s\u00f3 em dias especiais como hoje, mas em tardes cinzentas, noites vazias e dias solit\u00e1rios. &#8220;You&#8217;ve Got Everything Now&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Smiths - You&#039;ve Got Everything Now | Live At Rockpalast\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WOTz7C4PUh8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/silva.leonel.900\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Leonel<\/a> \u00e9 jornalista e j\u00e1 entrevistou <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/12\/19\/entrevista-marcia-castro\/\">M\u00e1rcia Castro<\/a> e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/29\/entrevista-siba\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Siba <\/a>para o Scream &amp; Yell<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; &#8220;Rank&#8221;, Smiths: um mil\u00e9simo de segundo antes do decl\u00ednio, por JAL (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/rank.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: todos os discos de Morrissey, por Mac (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/21\/discografia-comentada-morrissey\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cThe Sound of Smiths\u201d: a mais extensa colet\u00e2nea dos Smiths, por Mac (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/02\/the-cure-the-clash-e-the-smiths\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Morrissey ao vivo em Benicassim, na Espanha, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/07\/21\/fib-2008-domingo\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cMozipedia\u201d: enciclop\u00e9dia sobre Morrissey e os Smiths, por Marco Antonio Bart (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/12\/11\/livros-mozipedia-de-simon-goddard\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cRingleader Of The Tormentors\u201d, de Morrissey: um Deus da m\u00fasica pop adulta (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/morrissey_tormentors.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Morrissey e o Brasil da Copa de 82, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/03\/06\/morrissey-e-a-selecao-brasileira-de-1982\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cYou Are The Quarry &#8211; Special Edition\u201d, Morrissey, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/morrisseyquarry.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Mat\u00e9rias Antol\u00f3gicas: \u201cMorrissey, o maior ingl\u00eas vivo\u201d, The Guardian (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/morrisseyantologico.html\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Bruno Leonel\nMesmo n\u00e3o sendo o disco mais bem produzido da banda, \u201cThe Smiths\u201d brilha por sua sinceridade e suas grandes can\u00e7\u00f5es\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/02\/20\/a-estreia-dos-smiths-completa-30-anos\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":13,"featured_media":50518,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[313,732,312],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23718"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23718"}],"version-history":[{"count":18,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23718\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":79505,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23718\/revisions\/79505"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/50518"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23718"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23718"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23718"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}