{"id":2355,"date":"2009-10-27T19:55:14","date_gmt":"2009-10-27T21:55:14","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=2355"},"modified":"2023-03-29T00:28:44","modified_gmt":"2023-03-29T03:28:44","slug":"entrevista-ludov","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/10\/27\/entrevista-ludov\/","title":{"rendered":"Entrevista: Ludov"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2356\" title=\"Ludov\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/ludov_1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Por Murilo Basso<br \/>\nFotos: Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 complicado determinar quando um artista atingiu sua maturidade, afinal s\u00e3o anos de refer\u00eancias sendo acumuladas e moldadas de acordo com seu estilo. Isso quando falamos de um artista solo. Imagine uma banda de quatro integrantes dividindo desejos musicais e lidando ainda com as necessidades do mercado e as exig\u00eancias dos f\u00e3s cada vez mais numerosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro desse cen\u00e1rio de poucas certezas e muitas apostas, o Ludov prova com &#8220;Caligrafia&#8221; que, se ainda n\u00e3o atingiu seu ponto mais alto, est\u00e1 no caminho certo. O terceiro \u00e1lbum da carreira dos paulistanos conta com can\u00e7\u00f5es que flertam com estilos que v\u00e3o desde o pop \u00e0 MPB em arranjos singelos e letras diretas que sempre buscam valorizar o vocal marcante de Vanessa. \u00c9 o disco mais direto do grupo e, por conseq\u00fc\u00eancia, seu trabalho mais autoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conversa com o Scream &amp; Yell, o guitarrista \/ baixista Habacuque Lima, comenta como foi o processo de concep\u00e7\u00e3o de \u201cCaligrafia\u201d (que est\u00e1 dispon\u00edvel para download no site oficial do Ludov: <a href=\"http:\/\/www.ludov.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.ludov.com.br<\/a>) repensa as mudan\u00e7as que ocorreram no decorrer da carreira da banda e conta os planos do grupo para 2010. Tudo isso e mais um pouco abaixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi gravar &#8220;Caligrafia&#8221;?<\/strong><br \/>\nFoi um processo bem interessante, principalmente porque n\u00e3o foi apenas gravar. J\u00e1 t\u00ednhamos definido que ir\u00edamos experimentar um esquema de compor as m\u00fasicas e sair gravando meio que ao mesmo tempo, em um per\u00edodo espec\u00edfico e separamos o m\u00eas de mar\u00e7o para isso. Eu e Mauro (Motoki) somos s\u00f3cios do Fabio Pinczowski em um est\u00fadio chamado \u201c12 D\u00f3lares\u201d. A produ\u00e7\u00e3o desse disco ficou sob nossa responsabilidade, ent\u00e3o resolvemos fazer as grava\u00e7\u00f5es em um s\u00edtio a 40 km da capital, que usamos vez ou outra como segunda op\u00e7\u00e3o de est\u00fadio. O fato \u00e9 que esse s\u00edtio seria um local de isolamento para que as m\u00fasicas fossem compostas, arranjadas e gravadas, tudo em um m\u00eas. Levamos todo o equipamento para l\u00e1 e assim aconteceu. Chegamos com pouqu\u00edssimas m\u00fasicas, algumas id\u00e9ias e muita vontade de compor. Foi um per\u00edodo musical bastante intenso que acabou resultando em 19 m\u00fasicas, que vieram todas pra S\u00e3o Paulo para serem mixadas e masterizadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Toda a situa\u00e7\u00e3o do isolamento proporcionado pela ch\u00e1cara permitiu experimentar bastante as m\u00fasicas, certo? De que forma isso ocorreu?<\/strong><br \/>\nSim, sim. N\u00f3s j\u00e1 t\u00ednhamos produzidos algumas coisas no s\u00edtio antes. Discos de outros artistas e discos do Liga Leve (projeto meu, do Mauro e do F\u00e1bio). Sab\u00edamos que o s\u00edtio n\u00e3o tem telefone, televis\u00e3o nem internet. Que o celular n\u00e3o pega 100%, que a comida tem que ser feita todo dia&#8230; Ent\u00e3o fomos preparados para entrar de cabe\u00e7a mesmo na produ\u00e7\u00e3o, a come\u00e7ar pela composi\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas. Acho que esse foi o maior experimento. Ir gravar um disco sem ter as m\u00fasicas pode ser bastante angustiante para alguns, mas para n\u00f3s, naquele momento, foi uma del\u00edcia poder se meter no meio do mato com um viol\u00e3o e compor. Enquanto alguns estavam compondo, outros j\u00e1 estavam gravando, testando sons, preparando o almo\u00e7o ou tirando um cochilo na rede. O fato \u00e9 que, em nenhum momento sa\u00edamos do disco. Em tudo o que faz\u00edamos o disco estava l\u00e1, sendo inventado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o processo de sele\u00e7\u00e3o das 12 can\u00e7\u00f5es que comp\u00f5e o formato f\u00edsico, como ocorreu? Voc\u00eas gostaram do resultado? Soa exatamente como voc\u00eas queriam?<\/strong><br \/>\nFoi bem diferente do \u201cDisco Paralelo\u201d. Nele combinamos que s\u00f3 iriam entrar as m\u00fasicas que todos da banda escolhessem &#8211; sele\u00e7\u00e3o por unanimidade. Nesse fizemos uma vota\u00e7\u00e3o direta, at\u00e9 por conta da quantidade de m\u00fasicas produzidas (19 no total). As 12 mais votadas entraram no disco. N\u00e3o \u00e9 a sele\u00e7\u00e3o de m\u00fasicas que eu queria, mas acho que n\u00e3o \u00e9 a sele\u00e7\u00e3o de nenhum dos quatro. \u00c9 o resultado do que parecia melhor para a banda. A ordem dessas m\u00fasicas no disco foi escolhida de maneira semelhante. Ainda assim acabamos lan\u00e7ando as 19 m\u00fasicas na internet, para download. Acho que elas todas representam melhor a caligrafia dos integrantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"600\" height=\"355\" class=\"size-full wp-image-2357 aligncenter\" title=\"Ludov\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/ludov_2.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/ludov_2.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/ludov_2-300x177.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se eu precisasse definir \u201cCaligrafia\u201d em uma palavra escolheria maturidade&#8230;<\/strong><br \/>\nPois \u00e9, quando lan\u00e7amos o \u201cDisco Paralelo\u201d (2005) a palavra a que todos ligavam o disco tamb\u00e9m era maturidade. Acho que os discos, as m\u00fasicas, refletem as pessoas que somos. Isso faz com que seja natural uma evolu\u00e7\u00e3o musical; ao menos na concep\u00e7\u00e3o. Aceito muito bem a maturidade, desde que ela n\u00e3o designe um est\u00e1gio final e estancado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tamb\u00e9m senti uma aproxima\u00e7\u00e3o maior com m\u00fasica brasileira. N\u00e3o que isso n\u00e3o ocorra nos trabalhos anteriores, mas em \u201cCaligrafia\u201d essa sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 bem mais clara. Esse \u00e9 um caminho a ser seguido?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o acho que \u00e9 um caminho a ser seguido, mas \u00e9 um caminho que eu particularmente venho perseguindo h\u00e1 um bom tempo. Nesse disco nos demos muito mais liberdade de criar arranjos diferentes do que seria o normal em uma banda. O comum \u00e9 que todo mundo toque um pouco o seu instrumento pra chegar ao arranjo final. Fizemos m\u00fasica com viol\u00e3o e percuss\u00e3o, com um monte de vozes, com cello. Nem sempre tinha bateria, nem sempre tinha guitarra. Acho que isso, aliado \u00e0s can\u00e7\u00f5es, permitiu que o &#8220;lado brasileiro&#8221; ficasse mais evidente em algumas m\u00fasicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falar sobre influ\u00eancias sempre me pareceu extremamente complicado, j\u00e1 que \u00e9 algo extremamente pessoal e voc\u00ea pode optar por escancar\u00e1-las ou trabalhar de maneira mais contida, portanto, taxar uma banda como influenciada por artista ou g\u00eanero \u201cx\u201d soa meio contradit\u00f3rio. De qualquer forma, para voc\u00ea, o que influenciou \u201cCaligrafia\u201d?<\/strong><br \/>\nA estada no s\u00edtio influenciou muito. O per\u00edodo da vida em que estava\/estou tamb\u00e9m. Tenho encontrado bastante equil\u00edbrio, conseguido lidar com sentimentos e frustra\u00e7\u00f5es que antes me abatiam muito mais. Isso tudo me ajudou a compor essas m\u00fasicas. Outra grande influ\u00eancia foram os livros que levei para ler. Levei &#8220;A Filosofia da Caixa Preta&#8221;, do (Vil\u00e9m) Flusser, de cujo pref\u00e1cio tirei a frase &#8220;n\u00e3o me poupe&#8221;. Li &#8220;O Pintor de Batalhas&#8221;, de Arturo P\u00e9rez-Reverte, e tamb\u00e9m &#8220;O \u00daltimo Round&#8221;, do (J\u00falio) Cort\u00e1zar. Foram livros que continham v\u00e1rias id\u00e9ias que est\u00e3o presentes nas partes que escrevi do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, fui muito influenciado por conversas que tive com o Pedro Ishikawa. Ele foi respons\u00e1vel pela parte gr\u00e1fica do disco e desde o come\u00e7o combinamos que ele nos visitaria no s\u00edtio com freq\u00fc\u00eancia, para participar do processo, o que seria fundamental para a concep\u00e7\u00e3o visual daquilo tudo. O que aconteceu \u00e9 que ele vinha com perguntas intrigantes, comentava as m\u00fasicas, vinculava com o passado da banda, de maneira que eu conseguia depois das conversas vislumbrar algum futuro. E qualquer futuro j\u00e1 \u00e9 o bastante para compor; assim como qualquer passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como est\u00e1 sendo a repercuss\u00e3o do trabalho?<\/strong><br \/>\nAcredito que o nosso p\u00fablico gostou bastante. Fizemos um disco com uma variedade musical e de sentimentos que acredito ter se encaixado bem com os anseios dos que gostam de m\u00fasica. Por outro lado, a cr\u00edtica parece que n\u00e3o se envolveu muito. Pelo menos aqui (SP) n\u00e3o houve muita not\u00edcia sobre o lan\u00e7amento e alguns jornalistas acharam que faltou direcionamento art\u00edstico. \u00c9 claro que discordo. Esse \u00e9 o nosso melhor disco j\u00e1 lan\u00e7ado. De certa forma, \u00e9 bom ler essas cr\u00edticas, quer dizer que estamos presentes nas vidas das pessoas, mesmo que seja incomodando-os ao ponto de terem que escrever algo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>D\u00e1 para dizer que o p\u00fablico do Ludov mudou consideravelmente desde &#8220;Dois a Rodar&#8221;?<\/strong><br \/>\nEu acredito que mudou naturalmente. Como era de se esperar. O &#8220;Dois a Rodar&#8221; foi lan\u00e7ado em 2003, seis anos atr\u00e1s. Algu\u00e9m que tinha 18 anos ent\u00e3o hoje tem 24 para 25. \u00c9 uma mudan\u00e7a muito grande na percep\u00e7\u00e3o de mundo de cada um. Por outro lado, acho que o p\u00fablico de 18 anos que nos ouve hoje n\u00e3o \u00e9 realmente o mesmo grupinho que nos ouvia seis anos atr\u00e1s. Fica claro isso? De qualquer maneira, acho isso muito natural. Afinal n\u00f3s somos diferentes e estamos fazendo m\u00fasicas diferentes das que faz\u00edamos l\u00e1. Algumas pessoas nos acompanharam, muitas at\u00e9, outras foram surgindo durante o processo, outras deixando de gostar. O importante \u00e9 ser uma l\u00edngua viva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quanto aos shows, como eles est\u00e3o? E o que podemos esperar para o pr\u00f3ximo ano?<\/strong><br \/>\nOs shows est\u00e3o indo super bem. Desde janeiro eu tamb\u00e9m toco com o Pullovers. Desse encontro tivemos a felicidade de conhecer o Bruno Serroni (baixista do Pullovers) que agora nos acompanha nos shows (do Ludov). O novo show do Ludov \u00e9 bem mais complexo tecnicamente. Nem todo lugar tem estrutura para viol\u00e3o de a\u00e7o, viol\u00e3o de nylon, violoncelo, teclado, quatro vozes&#8230; Coisas que estamos usando nos shows. Ainda estamos nos adaptando a uma casa ou outra, mas no geral tem dado muito certo apresentar essas novas m\u00fasicas ao vivo. Lan\u00e7amos um clipe h\u00e1 um m\u00eas e devemos em breve come\u00e7ar a produ\u00e7\u00e3o de um novo. Mas a vontade mesmo \u00e9 de fechar uma turn\u00ea maior pelo Brasil e viajar bastante, tocando em todas as cidades. Vamos ver se pra 2010 conseguimos isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cCaligrafia\u201d, o melhor disco do Ludov, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/08\/19\/leis-do-avesso-rocknova-e-ludov\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Ludov ao vivo no Sesc Pomp\u00e9ia, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/09\/21\/ludov-ao-vivo-no-sesc-pompeia\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"600\" height=\"907\" class=\"size-full wp-image-2358 aligncenter\" title=\"Ludov\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/ludov_3.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/ludov_3.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/ludov_3-198x300.jpg 198w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Murilo Basso\nConversamos com o guitarrista Habacuque sobre o novo e melhor disco do Ludov, Caligrafia, maturidade , influ\u00eancias e futuro&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/10\/27\/entrevista-ludov\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":121,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1008],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2355"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/121"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2355"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2355\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58652,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2355\/revisions\/58652"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2355"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2355"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2355"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}