{"id":23413,"date":"2014-01-25T10:49:00","date_gmt":"2014-01-25T13:49:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=23413"},"modified":"2018-12-18T09:37:57","modified_gmt":"2018-12-18T11:37:57","slug":"entrevista-valle-de-munecas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/01\/25\/entrevista-valle-de-munecas\/","title":{"rendered":"Entrevista: Valle de Mu\u00f1ecas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-23414\" title=\"valle1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/valle1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/valle1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/valle1-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\">Leonardo Vinhas <\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Profissionalmente, Mariano Esain est\u00e1 envolvido com a m\u00fasica h\u00e1 mais de 20 anos \u2013 23, para ser exato, j\u00e1 que entrou para a banda Martes Menta em 1991. Mas a m\u00fasica est\u00e1 em sua vida desde sempre. Seu pai era baterista de jazz e educou os filhos com discos de Jelly Roll Morton, Louis Armstrong e cantores dos anos 1920. Por\u00e9m, o punk, o pop e o rockabilly \u201cse infiltraram\u201d na forma\u00e7\u00e3o musical dos garotos, e Mariano e seu irm\u00e3o Luciano, tamb\u00e9m baterista, fizeram seu pr\u00f3prio caminho, o qual os levou a montar a banda Valle de Mu\u00f1ecas em 2003, juntamente com o guitarrista Leandro de Cousandier e o baixista Fernando Astone (que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o mais na banda: seus postos agora s\u00e3o ocupados por Fernando Blanco e Mariano L\u00f3pez Gringaus, respectivamente).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Valle de Mu\u00f1ecas \u00e9 um dos nomes mais celebrados do rock independente argentino, mas nunca transcendeu a fronteira do underground. Apesar de tr\u00eas LPs e cinco singles, nenhuma can\u00e7\u00e3o atingiu o \u00eaxito pop que se insinua na audi\u00e7\u00e3o das melhores composi\u00e7\u00f5es da banda. Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que parece existir uma dist\u00e2ncia entre o som que a banda deseja fazer e o que ela realmente entrega. Manza \u2013 como Mariano \u00e9 conhecido \u2013 tem inten\u00e7\u00f5es ambiciosas quando comp\u00f5e. Nas ocasi\u00f5es em que consegue entrega p\u00e9rolas como \u201cLa Soledad No Es Una Herida\u201d, \u201cDejadez\u201d, \u201cMil Formas de Estrellarme\u201d e \u201cMapas\u201d, entre outras. Em outros momentos, acaba soando um tanto quanto derivativo de suas fontes de inspira\u00e7\u00e3o \u2013 Wilco, Teenage Fanclub e Pavement, para citar algumas. J\u00e1 como letrista, ele raramente decepciona, contando hist\u00f3rias breves e comovedoras e legando achados po\u00e9ticos como \u201ca autopista corre do oceano at\u00e9 o amanhecer\u201d, ou \u201cela devolveu minhas cartas \/ meu orgulho, minha estupidez \/ ela se esqueceu das minhas promessas no dia seguinte \/ talvez por sorte, talvez\u201d. Isso para ficar em dois exemplos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja como for, n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o perceber a evolu\u00e7\u00e3o da banda, deixando o bom rock de guitarras mais urgente e inspirado nos anos 1990 que dominava o debute \u201cD\u00edas de Suerte\u201d (2005), para chegar a um som mais detalhista e clim\u00e1tico, presente em \u201cLa Autopista Corre del Oc\u00e9ano hasta el Amanecer\u201d (2011) \u2013 com o excessivamente pl\u00e1cido e (auto)reverente \u201cFolk\u201d (2007) ficando como uma transi\u00e7\u00e3o entre os dois lados. Ao observar esse aprendizado, fica a sensa\u00e7\u00e3o de que o pr\u00f3ximo disco trar\u00e1, enfim, um resultado a altura de suas melhores pretens\u00f5es. Por ora, mostram-se \u201capenas\u201d como uma boa banda que, em algumas ocasi\u00f5es, chega a ser \u00f3tima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 tamb\u00e9m verdade que Mariano acaba sendo lembrado mais frequentemente por sua participa\u00e7\u00e3o no projeto Flopa Manza Minimal, que formou com Ariel Minimal (Pez, Los Fabulosos Cadillacs e diversas outras bandas) e Florencia \u201cFlopa\u201d Lestano. O trio lan\u00e7ou um \u00fanico disco, hom\u00f4nimo, em 2003 (no qual tamb\u00e9m tocou Luciano), que \u00e9 considerado por cr\u00edticos e muitos f\u00e3s como um dos melhores discos do rock argentino. E ainda h\u00e1 muitos f\u00e3s que se recordam do Martes Menta, banda na qual come\u00e7ou a carreira (tamb\u00e9m ao lado de Ariel Minimal) e que foi tida como uma das mais promissoras da chamada \u201cmovida s\u00f3nica\u201d, cena que englobava bandas influenciadas pelos shoegazers de Manchester e pelo grunge, que tinha nos Babas\u00f3nicos seu maior destaque. Para n\u00e3o falar dos \u201c\u00f3rf\u00e3os\u201d do Menos que Cero, forma\u00e7\u00e3o que existiu entre o fim do Martes Menta e o come\u00e7o do Valle de Mu\u00f1ecas, que tamb\u00e9m contava com Fernando Astone.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ainda h\u00e1 as produ\u00e7\u00f5es: Manza j\u00e1 assumiu discos de Coiffeur, Nikita Nipone e v\u00e1rios outros artistas, muitos dos quais foram recebidos com entusiasmo. Um artista em busca constante, cuja cria\u00e7\u00e3o se divide entre reverenciar suas fontes de inspira\u00e7\u00e3o e buscar estabelecer seu pr\u00f3prio estilo. Certamente algu\u00e9m com algo a falar. E como em 2013 sua banda esteve duas vezes nos palcos brasileiros \u2013 nos festivais Para\u00edso do Rock, em Maring\u00e1 (PR), e El Mapa de Todos, em Porto Alegre (RS) \u2013 come\u00e7amos nossa \u201ccharla\u201d falando sobre&#8230; bem, sobre n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/GvGRuqvkZUE\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/GvGRuqvkZUE\"><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que tal o p\u00fablico brasileiro?<\/strong><br \/>\n\u00c9 diferente do p\u00fablico argentino, pois parece um p\u00fablico mais entregue \u00e0 curti\u00e7\u00e3o. Aqui na Argentina h\u00e1 um p\u00fablico de rock que se p\u00f5e a curtir, mas a maioria \u00e9 mais fria e racional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Engra\u00e7ado, muitos m\u00fasicos brasileiros dizem exatamente o contr\u00e1rio ao comparar o p\u00fablico daqui com o da\u00ed.<\/strong><br \/>\n(risos) A verdade \u00e9 que voc\u00ea sempre destaca o que n\u00e3o conhece e aproveita mais quando vai a um lugar onde \u00e9 menos conhecido. E isso se torna uma experi\u00eancia que a banda guarda como um momento raro, uma viv\u00eancia especial compartilhada por todos os integrantes. E me parece que isso acontece em um mont\u00e3o de lugares. Quando vamos tocar em algumas cidades do interior da Argentina, \u00e9 quase o mesmo esquema. O p\u00fablico portenho j\u00e1 nos conhece e sabe o que esperar, mas quando vamos para outros lugares, o p\u00fablico nos surpreende.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E sendo voc\u00ea \u201cde fora\u201d, tem alguma banda daqui que te chame a aten\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o conhe\u00e7o muito da cena brasileira. O pouco que conhece foi pelo Pablo (Hierro) e pela Sylvie (Piccoloto), da Scatter Records. Conheci Superguidis quando eles ainda estavam por a\u00ed, e quando era garoto ouvia Legi\u00e3o Urbana, Ultraje A Rigor e esse tipo de coisa, mas n\u00e3o sei o que aconteceu com elas. N\u00e3o escutei bandas brasileiras que fazem um som como n\u00f3s fazemos agora, a n\u00e3o ser pelos Superguidis mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu tenho a impress\u00e3o, na verdade, que a sua forma\u00e7\u00e3o musical passa pouco pelo rock da Am\u00e9rica Latina. Me parece muito mais que passa pelo pop dos EUA e da Inglaterra dos anos 1960, pelo punk e coisas assim. Confere?<\/strong><br \/>\nNa verdade, gosto do rock latino-americano. N\u00e3o tanto de m\u00fasica com ra\u00edzes folcl\u00f3ricas ou coisas mais ancestrais. Mas sempre me interessei pelas coisas do rock argentino que est\u00e3o ligadas \u00e0 heran\u00e7a da cultura roqueira. O que sei \u00e9 que sempre quis fazer rock em espanhol, era uma parte muito importante da identidade de minha m\u00fasica e est\u00e1 em cada projeto de que participei, e parece que isso \u00e9 uma influ\u00eancia do rock argentino, de certa maneira. Creio que se a influ\u00eancia de bandas inglesas ou norte-americanas fossem t\u00e3o fortes, eu estaria cantando em ingl\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Realmente, existe algo, n\u00e3o sei se na l\u00edrica ou na est\u00e9tica, que parece ser inerentemente argentino ao que o Valle de Mu\u00f1ecas faz, apesar da quest\u00e3o musical sobre a qual acabei de perguntar. Algo dif\u00edcil de definir, mas que aparece mais destacado em \u201cLa Autopista Corre del Oc\u00e9ano Hasta el Amanecer\u201d. Voc\u00ea se sente parte do rock argentino, sente essa identidade?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o acho que seja algo buscado t\u00e3o conscientemente. Aqui na Argentina se fala muito em \u201crock nacional\u201d, que \u00e9 uma etiqueta da qual n\u00e3o gosto muito, porque est\u00e1 ligado a certa tradi\u00e7\u00e3o do nosso rock da qual n\u00e3o sou f\u00e3, mas certamente toda a hist\u00f3ria do rock argentino acabou me influenciando. Mas concordo contigo nisso de que o Valle de Mu\u00f1ecas soa n\u00e3o s\u00f3 como uma banda argentina, mas principalmente uma banda de Buenos Aires. E tenho orgulho disso, exatamente porque n\u00e3o \u00e9 algo exatamente buscado! Escuto m\u00fasicas de todos os lados do mundo, que \u00e9 de onde vem minha maior influ\u00eancia, e mesmo assim a identidade e o lugar onde perten\u00e7o se infiltra em minha m\u00fasica, e eu n\u00e3o luto contra isso. N\u00e3o \u00e9 algo que me pare\u00e7a ser ruim.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/5q8_hHq7g2s\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/5q8_hHq7g2s\"><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 definiram a m\u00fasica de voc\u00eas tamb\u00e9m como \u201cuma ponte entre os anos 1970 e os 1990\u201d. Isso tamb\u00e9m vale?<\/strong><br \/>\nSim, acho que sim. Apesar de a minha forma\u00e7\u00e3o ter a ver com o punk e o rock dos anos 1960 \u2013 um pouco dos 1970 tamb\u00e9m \u2013 acredito que as bandas que venho escutando nos \u00faltimos 15 ou 20 anos tem a ver quase todas com o indie rock norte-americano e ingl\u00eas, em quest\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, de \u00e1udio e principalmente de composi\u00e7\u00e3o. Coisas como Smiths, Pavement, R.E.M. e Wilco, por a\u00ed. Obviamente escuto outros tipos de m\u00fasicas e de outras \u00e9pocas, mas me parece que quando falamos de uma busca sonora e de um padr\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o (que \u00e9 algo no qual estou muito envolvido), \u00e9 esse o som que tenho em minha cabe\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando especificamente dos discos: \u201cD\u00edas de Suerte\u201d era um disco alto, guitarreiro, mais explosivo. Em \u201cLa Autopista&#8230;\u201d percebem-se muitos detalhes, mais altern\u00e2ncias de climas, mais introspec\u00e7\u00e3o. Por onde ir\u00e1 o pr\u00f3ximo disco?<\/strong><br \/>\nAcredito que vai ter mais a ver com o \u00faltimo, \u201cLa Autopista&#8230;\u201d. Por outro lado, estamos fazendo umas coisas mais ao vivo no est\u00fadio, que \u00e9 o que j\u00e1 fizemos nos singles que colocamos na nossa p\u00e1gina do Bandcamp, e que acabam sendo mais pr\u00f3ximas da sonoridade do \u201cD\u00edas de Suerte\u201d, ent\u00e3o acho que algumas can\u00e7\u00f5es podem ser uma esp\u00e9cie de m\u00e9dia entre as duas coisas. E tem umas can\u00e7\u00f5es mais ac\u00fasticas que podem se aproximar do estilo de \u201cFolk\u201d. N\u00e3o temos muito claro ainda, vamos gravar no ver\u00e3o. Ainda temos algumas can\u00e7\u00f5es que est\u00e3o dando voltas, mas creio que em termos de produ\u00e7\u00e3o e busca de texturas, vai estar mais pr\u00f3ximo do \u00faltimo disco mesmo. Mas acredito que uma banda ao vivo tem uma personalidade, que no nosso caso \u00e9 pr\u00f3xima da registrada em \u201cD\u00edas de Suerte\u201d, mas \u00e9 muito dif\u00edcil que um disco iguale-se \u00e0 pot\u00eancia e a for\u00e7a que ocorrem ao vivo, por isso me parece justo que no disco existam coisas que n\u00e3o podem ser reproduzidas ao vivo, como a quantidade de detalhes e texturas, que ao vivo n\u00e3o existem e t\u00eam sua aus\u00eancia compensada com pot\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Levando em considera\u00e7\u00e3o essa sua coloca\u00e7\u00e3o, que sonoridade voc\u00ea buscaria como produtor para um registro do show de uma banda em um disco? Seja essa banda a sua ou outra que te convide para a tarefa.<\/strong><br \/>\nEu procuraria capturar o melhor poss\u00edvel do que acontece ao vivo. A maior parte dos discos ao vivo que escuto me parecem limpos demais, excessivamente trabalhados, como se fossem uma grava\u00e7\u00e3o de est\u00fadio. N\u00e3o escuto o rebote das paredes, n\u00e3o escuto a energia das pessoas. \u00c9 dif\u00edcil, eu sei: ao vivo, s\u00e3o 110 decib\u00e9is de volume, o som de tr\u00e1s e dos lados, uma coisa desbordante, e no disco n\u00e3o fica isso, s\u00f3 sobra o som, e com muito menos volume. Temos algo que gravamos h\u00e1 uns sete anos no La Trastienda (Buenos Aires) e provavelmente editemos isso como singles virtuais, porque \u00e9 uma grava\u00e7\u00e3o que n\u00e3o gostamos muito, mas tamb\u00e9m \u00e9 um lado da banda que n\u00e3o est\u00e1 documentado de maneira alguma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como produtor, voc\u00ea trabalha com artistas de diferentes linguagens, inclusive algumas com as quais voc\u00ea pode n\u00e3o se identificar tanto, e a\u00ed voc\u00ea tem que achar uma sonoridade que seja boa tanto para voc\u00ea como para o artista, al\u00e9m de ter que entrar num universo que n\u00e3o \u00e9 o seu. Nesse sentido, qual foi o disco mais dif\u00edcil que voc\u00ea produziu?<\/strong><br \/>\nNa verdade, produzo um mont\u00e3o de discos que n\u00e3o t\u00eam a ver com o que fa\u00e7o com o Valle de Mu\u00f1ecas. A experi\u00eancia de produzir outro artista \u00e9 sempre um interc\u00e2mbio musical, aprendemos mutuamente maneiras de trabalhar e pensar a m\u00fasica, \u00e9 sempre um aprendizado. Tenho muito orgulho dos discos que fiz com o Coiffeur (\u201cNo Es\u201d, de 2006, e \u201cEl Tonel de las Danaides\u201d, de 2007), acho que \u201cNo Es\u201d \u00e9 o mais bonito que fiz. Por outro lado, produzo h\u00e1 muitos anos uma banda chamada Blues Motel, que tem mais a ver com Stones, Faces, rock\u2019n\u2019roll, e gosto muito dos discos que fizemos [Mariano est\u00e1 nos oito discos da banda, seja na mixagem, produ\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 como instrumentista convidado]. Tem outro artista, Pablo Krantz, que faz discos muito relacionados com a chanson fra\u00e7aise e tamb\u00e9m foi bem interessante fazer um \u00e1lbum (\u201cD\u00e9monos cita en una autopista (para volvernos a estrelar)\u201d, 2011) com ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E tem alguns dos seus discos favoritos que voc\u00ea gostaria de ter produzido? Algum que te faz pensar: \u201cah, se eu estivesse nessa mesa!\u201d<\/strong><br \/>\n(risos) Bom, os discos que me provocam isso s\u00e3o discos dos quais n\u00e3o gosto tanto, porque os meus favoritos, escuto e penso que est\u00e3o fant\u00e1sticos (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quais seriam esses discos perfeitos?<\/strong><br \/>\n(longa pausa) N\u00e3o sei&#8230; \u201cNevermind the Bollocks\u201d, dos Sex Pistols; \u201cSgt. Pepper\u2019s\u2026\u201d, obviamente. (outra pausa) \u201cYour Arsenal\u201d, do Morrissey; \u201cDifferent Class\u201d, do Pulp\u2026 Tem discos mais novos, como \u201cSuck It and See\u201d, dos Arctic Monkeys, ou \u201cBrother\u201d, dos Black Keys. \u201cYankee Hotel Foxtrot\u201d, do Wilco.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/qExGhlNqgys\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/qExGhlNqgys\"><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos falar um pouco de \u201cFlopa Manza Minimal\u201d, seguramente um dos discos mais celebrados do rock argentino. Uma coisa que me surpreende \u00e9 que muito comum vermos f\u00e3s, e at\u00e9 jornalistas, se referindo ao disco como um grande marco ac\u00fastico, mas apenas duas faixas dele t\u00eam viol\u00f5es (\u201cSonajeros\u201d e \u201cLa Dejadez\u201d, registrada pelo trio antes de ter a vers\u00e3o do Valle de Mu\u00f1ecas). Parece-me que as pessoas n\u00e3o entenderam o disco&#8230;<\/strong><br \/>\n\u00c9 verdade. Acredito que seja porque aqui na Argentina muita gente tem a lembran\u00e7a dos shows, que foram basicamente ac\u00fasticos. De fato, fizemos s\u00f3 dois shows em formato band, os demais foram como trio ac\u00fastico, e passamos \u00e0 hist\u00f3ria dessa forma. Mas o disco \u00e9 outra coisa. Foi um processo muito desfrut\u00e1vel fazer o disco: muito intuitivo, fazendo tudo sem muito planejamento, e isso parece ter contribu\u00eddo para ter dado ao disco esse frescor que ele tem e que faz com que tantas pessoas os tenham entre seus discos favoritos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que aconteceu que voc\u00ea n\u00e3o esteve presente em \u201cReducci\u00f3n de Da\u00f1os\u201d, o EP que foi gravado apenas por Ariel e Florencia em 2011?<\/strong><br \/>\nEm 2010, nos tr\u00eas voltamos a tocar juntos, depois de uns seis anos sem fazer isso. Fizemos um monte de shows, uns 20 em meio ano, em v\u00e1rios pa\u00edses. A\u00ed surgiu a ideia de fazer um disco novo, e justamente neste momento \u201cLa Autopista&#8230;\u201d estava a ponto de sair, e pedi a eles (Ariel e Florencia) se me apoiariam, porque eu queria aproveitar o lan\u00e7amento do \u00e1lbum do Valle de Mu\u00f1ecas, e se eles quisessem, far\u00edamos um \u00e1lbum depois. E aconteceu que eles queriam fazer um disco naquele momento, e fizeram assim mesmo (risos). Est\u00e1vamos (Valle de Mu\u00f1ecas) sem lan\u00e7ar nada h\u00e1 uns anos, e me parecia que lan\u00e7ar os dois discos ao mesmo tempo roubaria espa\u00e7o de \u201cLa Autopista&#8230;\u201d, n\u00e3o lhe faria justi\u00e7a. Olhando agora em perspectiva, talvez eu teria gostado de lan\u00e7ar um disco com os dois, mas n\u00e3o me arrependo, me parece que o disco do Valle de Mu\u00f1ecas teve o lugar que merecia por causa dessa dire\u00e7\u00e3o [que eu tomei].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Chega a ser um problema para os demais integrantes do Valle de Mu\u00f1ecas que, em tantas entrevistas (como essa, inclusive), lhe perguntem ainda sobre Flopa Manza Minimal?<\/strong><br \/>\nEspero que n\u00e3o (risos). \u00c9 inc\u00f4modo se acontece como j\u00e1 aconteceu: a mat\u00e9ria supostamente ser sobre Valle de Mu\u00f1ecas, mas falar 60 ou 70 por cento de Flopa Manza Minimal. Mas n\u00e3o me incomoda, e creio que a eles tamb\u00e9m n\u00e3o. Meu irm\u00e3o Luciano foi baterista de Flopa Manza Minimal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 declarou v\u00e1rias vezes que, com o Valle de Mu\u00f1ecas, gostaria de falar para mais pessoas que voc\u00eas efetivamente falam. Que a posi\u00e7\u00e3o de \u201cartista de culto\u201d n\u00e3o \u00e9 confort\u00e1vel para voc\u00ea. Ent\u00e3o cabe a pergunta: o que falta \u00e0 banda para que isso aconte\u00e7a, para que n\u00e3o seja apenas uma cult band?<\/strong><br \/>\n(pausa) N\u00e3o tenho ideia (risos). N\u00e3o sei. (risos) Acho que n\u00f3s n\u00e3o nos preocupamos muito com a maneira de difundir o que n\u00f3s fazemos, por muitos anos. Nos preocupamos em fazer bons shows e bons discos. Faltou a n\u00f3s gente que desse uma m\u00e3o nesses aspectos (comerciais)&#8230; Pelo menos agora que estamos trabalhando com a Scatter (Records, selo da banda) sentimos que h\u00e1 mais pessoas que s\u00e3o parte de nossa equipe. Isso n\u00e3o acontecia antes. Na verdade, penso muito na m\u00fasica e nos discos, e pouco na maneira de mostra-los. Porque n\u00e3o \u00e9 algo que me venha naturalmente. Se tivesse algu\u00e9m ao meu lado que pensasse isso por mim, seria \u00f3timo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mesmo n\u00e3o tendo esse sucesso comercial, \u00e9 sua banda que mais durou. S\u00e3o dez anos j\u00e1. Acredita que a \u201cautopista\u201d ainda tem muitos quil\u00f4metros a percorrer \u2013 ou, pelo menos, mais uns dez anos de viagem?<\/strong><br \/>\n(risos) N\u00e3o sei. Espero que sim. Estamos contentes agora. Estamos pensando em um disco novo, o que sempre \u00e9 um momento de prazer para uma banda como entidade coletiva. Este vai ser um disco, como foi o \u201cD\u00edas de Suerte\u201d, no qual estamos chegando com as can\u00e7\u00f5es muito ensaiadas, tendo inclusive tocado-as ao vivo. Mas cada um de n\u00f3s tem sua vida pessoal, e o rock n\u00e3o p\u00f5e comida na mesa para os quatro, ent\u00e3o \u00e0s vezes os projetos da banda caminham paralelamente aos projetos pessoais de cada um. \u00c9 preciso manter um equil\u00edbrio em toda a coisa para que tudo continue funcionando. No momento, estamos pensando em fazer um disco novo, que \u00e9 a coisa mais saud\u00e1vel que pode passar a uma banda. Esperamos que depois continuemos fazendo mais um monte de shows, e que a banda dure muito tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/xkGmAbZhrmc\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/xkGmAbZhrmc\"><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/sK3wDuQ0F0Q\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/sK3wDuQ0F0Q\"><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/gOwuZZoFpBY\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/gOwuZZoFpBY\"><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>&#8211; <\/span><span>Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a><span>) no Scream &amp; Yel<\/span><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Fito Paez: &#8220;Importante \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o constru\u00edda com as pessoas&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/12\/10\/conexao-latina-fito-paez\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Jo\u00e3o Barone: \u201cCharly Garc\u00eda e Fito P\u00e1ez influenciaram Herbert mais que qualquer artista (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/11\/entrevista-joao-barone-fala-dos-paralamas\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; El Cuarteto de Nos: \u201cO Uruguai \u00e9 um mercado muito pequeno para poder subsistir\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/06\/18\/entrevista-el-cuarteto-de-nos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; La Vela Puerca: \u201cNunca uma banda uruguaia havia ido \u00e0 Europa em turn\u00ea\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/04\/conexao-latina-la-vela-puerca\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Los Mentas: \u201cChegamos aos 15 anos justamente por n\u00e3o nos levarmos muito a s\u00e9rio\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/04\/entrevista-los-mentas\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Ariel Minimal: \u201cO p\u00fablico sabe que n\u00e3o pode exigir nada de n\u00f3s\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/11\/10\/conexao-latina-pez\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Exemplo de qualidade e perseveran\u00e7a, El Mapa de Todos chega ao \u00e1pice em 2012 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/11\/11\/festival-el-mapa-de-todos-2012\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; El Mapa de Todos 2013 crava v\u00e1rios shows na mem\u00f3ria cultural e afetiva do p\u00fablico (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/12\/03\/especial-sim-finlandia\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Leonardo Vinhas\nUm dos nomes mais celebrados do rock independente argentino ainda n\u00e3o transcendeu a fronteira do underground\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/01\/25\/entrevista-valle-de-munecas\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[309,45,308],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23413"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23413"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23413\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49540,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23413\/revisions\/49540"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23413"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23413"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23413"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}