{"id":232,"date":"2006-10-05T08:41:00","date_gmt":"2006-10-05T10:41:00","guid":{"rendered":"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/2006\/10\/05\/nevermind-e-ainda-hoje-um-disco-atual-e-sensacional\/"},"modified":"2016-09-24T21:15:54","modified_gmt":"2016-09-25T00:15:54","slug":"nevermind-e-ainda-hoje-um-disco-atual-e-sensacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/10\/05\/nevermind-e-ainda-hoje-um-disco-atual-e-sensacional\/","title":{"rendered":"Nevermind \u00e9, ainda hoje, um disco sensacional"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A minha primeira vez foi assim: em mar\u00e7o de 1991 eu havia deixado o quartel, ap\u00f3s 400 dias de servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio (um ano, um m\u00eas e quatro dias). No segundo semestre de 91 eu j\u00e1 estava no mercado de trabalho, batalhando no nov\u00edssimo Taubat\u00e9 Shopping Center. Era um trabalho sossegado e bem remunerado cujo expediente ditava que eu deveria ficar andando pelos corredores do shopping visando coordenar uma equipe de auditores de lojas. Aconteceu numa destas caminhadas. Um amigo &#8211; que trabalhava em uma loja de discos &#8211; identificou o riff seco e a bateria galopante pelas caixinhas de som ambiente do shopping, e disse: &#8220;Essa \u00e9 a banda nova que eu tinha comentado com voc\u00ea: Nirvana&#8221;. Ap\u00f3s alguns segundos de tentativa de entender o que saia pelos min\u00fasculos e quase inaud\u00edveis alto-falantes, minha deixa foi a seguinte: &#8220;Putz, mais uma banda saqueando o t\u00famulo punk&#8221;. Amigos (as), essa foi a primeira vez que ouvi &#8220;Smells Like a Teen Spirit&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio acima explica muito da minha personalidade na \u00e9poca (e que ainda mantenho um pouco hoje), um cara que detestava Queen (e hoje n\u00e3o detesta mais), bandas farofa e todos aqueles que saqueavam o passado em busca de alguns trocados. No entanto, o Nirvana era diferente, mas n\u00e3o tinha como descobrir isso com alguns segundos de &#8220;Smells Like a Teen Spirit&#8221; na r\u00e1dio Metropolitana, certo? Naquela \u00e9poca n\u00e3o havia Internet em larga escala como existe hoje, os lan\u00e7amentos ainda eram priorizados em vinil com uma pequena tiragem em CD e s\u00f3 quem tinha boa mem\u00f3ria poderia lembrar das resenhas curtas e bem sacadas de &#8220;Bleach&#8221; e &#8220;Nevermind&#8221; na se\u00e7\u00e3o Zona Franca, da revista Bizz, uma p\u00e1gina ap\u00f3s os lan\u00e7amentos que tentava destacar material importado que raramente chegava \u00e0s prateleiras brasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de &#8220;Bleach&#8221; ser de 1989, o Nirvana era uma tremenda novidade em 1991. Todo mundo aguardava o disco novo do Faith No More, que ap\u00f3s o sensacional &#8220;The Real Thing&#8221;, saiu em turn\u00ea, entrou em colapso, lan\u00e7ou um disco ao vivo no Brixton Academy e deu um tempo da m\u00eddia. Na virada da d\u00e9cada todo mundo apitava: o Faith No More \u00e9 o som dos anos 90. Mas Mike Patton perdeu o bonde, ou melhor, foi atropelado por &#8220;Nevermind&#8221; (e, zuzu bem, por &#8220;Blood Sugar Sex Magik&#8221;, do Red Hot Chili Peppers, que foi lan\u00e7ado no mesmo dia de &#8220;Nevermind&#8221;, e tinha um saborzinho Faith No More no som).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Nevermind&#8221; foi lan\u00e7ado no dia 24 de setembro de 1991, ou seja, quinze anos atr\u00e1s. N\u00e3o parece tanto tempo, sabe. Ainda me lembro de Andr\u00e9 Barcinski retratando o fen\u00f4meno em seu livro Barulho, que teve trechos publicados em tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es da revista Bizz na \u00e9poca. <em>&#8220;Cheguei nos Estados Unidos no dia 24 de setembro, dia do lan\u00e7amento de Nevermind. O LP come\u00e7ou a vender como \u00e1gua. A cada dia que passava, o Nirvana ficava 35 mil discos mais famoso. Um m\u00eas depois (&#8230;) eles tinham se tornado pop stars, prestes a tirar Michael Jackson do topo da parada da Billboard&#8221;<\/em>. Em sua resenha na Bizz, Andr\u00e9 Forastieri respondia a quest\u00e3o se valia a pena investir uma grana no \u00e1lbum. <em>&#8220;Vale, vale, vale. Compre tr\u00eas, d\u00ea um para o seu amor e outro para o seu melhor amigo&#8221;.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo que aconteceu ap\u00f3s &#8220;Nevermind&#8221; estourar virou patrim\u00f4nio p\u00fablico. Kurt Cobain pirou com a fama, manchou um dos tetos de sua casa com seus miolos e o rock perdeu um de seus \u00faltimos m\u00e1rtires. Livros dissecaram a hist\u00f3ria da banda. Filmes contaram a trajet\u00f3ria do trio. Na esteira, Eddie Vedder jogou o Pearl Jam de lado visando desviar a banda do trono de herdeiros do grunge, e a coroa de capital da m\u00fasica pop saiu de Seattle para voltar a Londres, com Blur e Oasis se estapeando no topo das paradas e no caderno de fofocas das revistas de m\u00fasica. Dave Grohl trocou as baquetas pelas palhetas e formou o Foo Fighters. O trem da m\u00fasica seguiu seu rumo, mas quem pensa que &#8220;Nevermind&#8221; ficou para tr\u00e1s est\u00e1 muito enganado. &#8220;Nevermind&#8221; \u00e9, ainda hoje, um disco atual e sensacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do riff seco do hino &#8220;Smells Like a Teen Spirit&#8221; (que mesmo tendo tocado muito ainda arrepia), passando pela bronca pop guitarreira de &#8220;In Bloom&#8221; (cuja letra escancarava: &#8220;Ele \u00e9 o cara que canta todas as nossas m\u00fasicas \/ E ele gosta de cantar junto \/ Mas ele n\u00e3o sabe o que significa&#8221;), da mentirosa &#8220;Come As You Are&#8221; (sim, ele tinha uma arma), da sensacional &#8220;Breed&#8221;, da tensa e densa &#8220;Lithium&#8221;, da pervertida &#8220;Polly&#8221;, da demolidora &#8220;Territorial Pissings&#8221;, da rom\u00e2ntica (e preferida pessoal) &#8220;Drain You&#8221;, at\u00e9 chegar ao trio final de patadas formado por &#8220;Lounge Act&#8221;, &#8220;Stay Away&#8221; e &#8220;On a Plain&#8221; (outra das preferidas da casa). Para baixar os panos, uma can\u00e7\u00e3o quase sussurada (e bastante l\u00edrica): &#8220;Something In The Way&#8221;. Na virada dos 90 para o 00 questionei amigos zineiros, jornalistas famosos e alguns m\u00fasicos sobre qual seria o melhor disco da d\u00e9cada de 90. A resposta foi quase un\u00e2nime, com &#8220;Nevermind&#8221; vencendo a vota\u00e7\u00e3o com 163 pontos (&#8220;Ok Computer&#8221;, do Radiohead, ficou em segundo, com 105,5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ok, ent\u00e3o voc\u00ea vira e me pergunta: &#8220;Mas Mac, voc\u00ea est\u00e1 querendo dizer o que com tudo isso? Que &#8216;Nevermind&#8217; \u00e9 um disco sensacional? P\u00f4, eu j\u00e1 sabia&#8221;. Perae, perae, perae: sabia mesmo? Comecei a matutar a id\u00e9ia de escrever sobre o Nirvana uns dois meses atr\u00e1s, quando uma amiga &#8211; ap\u00f3s conferir via <a href=\"http:\/\/www.last.fm\/user\/Maccosta\" target=\"_blank\"><span style=\"text-decoration: underline;\">Last.FM<\/span><\/a> o que eu andava ouvindo no meu computador &#8211; comentou com ironia: &#8220;Puxa, eu n\u00e3o sabia que voc\u00ea gostava de Nirvana. Foi mal a\u00ea&#8221;. At\u00e9 ent\u00e3o, eu achava que Nirvana era quase uma unanimidade na hist\u00f3ria da m\u00fasica pop. Que desde os velhinhos (como eu) que odiaram o show deles no Hollywood Rock, mas receberam como uma tijolada o an\u00fancio da morte de Kurt, passando pela molecada que veste camisetas do Nirvana (&#8230;e gosta de cantar junto \/ mas n\u00e3o sabe o que significa&#8230;), por personagens de livros de Nick Hornby e por todo mundo que adora rock sujo, tosco e barulhento, eu achava que todos entendiam, gostavam e valorizavam a import\u00e2ncia do Nirvana. N\u00e3o \u00e9 bem assim, e essa coluna se fez necess\u00e1ria. &#8220;Nevermind&#8221;, 15 anos. Parece que foi ontem&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<br \/>\n<strong>Promo\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nF\u00e1bio Shiraga e Affonso Uchoa s\u00e3o os donos dos kits sorteados na semana passada. Ou seja, eles v\u00e3o receber em casa o clipe independente de 2006 segundo o VMB, &#8220;Doce Ilus\u00e3o&#8221;, do Banz\u00e9, em uma vers\u00e3o single que ainda traz a faixa &#8220;Eu Sou Melhor Que Voc\u00ea&#8221; com participa\u00e7\u00e3o especial do Nasi. O Affonso ainda fica com o EP &#8220;Before Vallegrand&#8221; do Vanguart e o F\u00e1bio ganha um exemplar da Rock Life n\u00famero 8.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<br \/>\n<strong>Ps1<\/strong>: O especial Melhores Discos dos Anos 90 contou com votos dos m\u00fasicos Wander Wildner e Fernanda Takai (Pato Fu), dos jornalistas L\u00facio Ribeiro, Jos\u00e9 Fl\u00e1vio J\u00fanior, Thales de Menezes, Marcelo Orozco e Carlos Eduardo Lima, do escritor Andr\u00e9 Takeda, do produtor Carlos Eduardo Miranda e muitos outros amigos. Se o Nirvana ganhou em disco internacional, qual o melhor disco nacional da d\u00e9cada de 90? <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/comorobfleming.html\" target=\"_blank\"><span style=\"text-decoration: underline;\">Confere tudo aqui.<\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ps2<\/strong>: Ecoa por estes lados &#8220;Objeto Direto&#8221;, primeiro disco do Triss\u00f4nicos. Formado em Goi\u00e2nia, o trio n\u00e3o inventa: faz rock simples, pesado e&#8230; po\u00e9tico. Lan\u00e7ado pela Monstro Discos, o \u00e1lbum traz uma bel\u00edssimo trabalho gr\u00e1fico, e vale a visita no site oficial, cujo convite n\u00e3o deve ser recusado: &#8220;Por que n\u00e3o divulgar o que \u00e9 nosso? Baixe &#8216;Objeto Direto&#8217; completo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ps3<\/strong>: &#8220;As Flechas&#8221;, faixa t\u00edtulo do single dos sergipanos da Rockassetes, grudou por aqui. Lan\u00e7ado selo virtual Senhor F, a m\u00fasica peca apenas por ultrapassar um tiquinho o limite de tempo do bom pop. Mesmo assim, \u00e9 uma bela amostra do som do trio, que faz um rock retr\u00f4 que transpira inoc\u00eancia (a faixa t\u00edtulo) e inconformismo juvenil (na divertida &#8220;Sogra Boa \u00e9 Aquela Com a Boca de Aranha&#8221;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ps4<\/strong>: &#8220;The Information&#8221;, novo do Beck, surpreendeu. Disca\u00e7o. N\u00e3o traz nada de novo, muito pelo contr\u00e1rio, algumas m\u00fasicas at\u00e9 me lembraram melodias antigas. Mas gostei, viu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ps5<\/strong>: Mexendo nas minhas coisas percebi que tenho dois vinis &#8220;Nevermind&#8221;. Algu\u00e9m quer um? \u00c9 uma das capas mais bonitas do rock.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ps6<\/strong>: <em>&#8220;Marcelo Costa \u00e9 uma lenda entre blogueiros e zineiros. Editor do site Scream &amp; Yell, um dos fen\u00f4menos da hist\u00f3ria dos zines no Brasil, ele concedeu uma divertida entrevista a Revista Bula. Com respostas telegr\u00e1ficas e certeiras, falou sobre m\u00fasica, cinema e internet com uma auto-estima que parece ser inquebrant\u00e1vel&#8221;<\/em>. :o) <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2013\/11\/13\/entrevista-para-a-revista-bula\/\" target=\"_blank\"><span style=\"text-decoration: underline;\">Leia a entrevista.<\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Palinha<br \/>\nBula: Pagode pode ser considerado uma distribui\u00e7\u00e3o de renda, como o futebol?<br \/>\nMac: Claro, assim como o senado e a c\u00e2mara federal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bula: Artesanato \u00e9 arte?<br \/>\nMac: Qualquer coisa hoje em dia \u00e9 arte, menos Woody Allen.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bula: Funk Quebra Barraco \u00e9 m\u00fasica?<br \/>\nMac: Nem funk quebra barraco nem rol\u00ea de bonde. S\u00e3o a mesma coisa: nada. Mas o mundo precisa do nada para ocupar o tempo na falta de algo melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ps7<\/strong>:Hoje em dia eu gosto de Queen. E acho os discos do Foo Fighters fraquinhos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Putz, mais uma banda saqueando o t\u00famulo punk&#8221;. Amigos (as), essa foi a primeira vez que ouvi &#8220;Smells Like a Teen Spirit&#8221;.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/10\/05\/nevermind-e-ainda-hoje-um-disco-atual-e-sensacional\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":40403,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/232"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=232"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/232\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40404,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/232\/revisions\/40404"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40403"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=232"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=232"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=232"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}