{"id":22689,"date":"2004-11-11T10:35:07","date_gmt":"2004-11-11T13:35:07","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=22689"},"modified":"2025-10-21T14:57:31","modified_gmt":"2025-10-21T17:57:31","slug":"acustico-mtv-engenheiros-do-hawaii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2004\/11\/11\/acustico-mtv-engenheiros-do-hawaii\/","title":{"rendered":"Ac\u00fastico MTV, Engenheiros do Hawaii"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/humbertao.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"323\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Das dez bandas brasileiras que mais venderam discos no estouro do rock nacional p\u00f3s 85, apenas tr\u00eas ainda n\u00e3o haviam aderido \u00e0 etiqueta MTV: Engenheiros do Hawaii, Camisa de V\u00eanus e Ultraje a Rigor. Das outras sete, algumas j\u00e1 se aventuraram pelos ac\u00fasticos (Legi\u00e3o, Capital, Tit\u00e3s, Paralamas) e outras pelo el\u00e9trico (RPM, Bar\u00e3o Vermelho). O Ira! j\u00e1 fez os dois. Para todos aqueles que sempre desdenharam o engenheiro Humberto Gessinger, n\u00e3o h\u00e1 como criticar sua investida no som dos viol\u00f5es sob o foco das c\u00e2meras da MTV em um cen\u00e1rio inspirado em um dos melhores ac\u00fasticos de todos os tempos, o do Nirvana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Engenheiros do Hawaii passaram praticamente seus 10 primeiros anos achincalhados pela cr\u00edtica e amados pelo p\u00fablico, em um antagonismo que fala mais sobre a incapacidade dos jornalistas brasileiros da \u00e9poca em reconhecer as virtudes do grupo do que sobre a falta que Humberto Gessinger devia fazer no &#8220;ch\u00e1 das cinco&#8221; com os roqueiros do per\u00edodo. Ser estranho ter\u00e1 sempre o seu pre\u00e7o, e, clich\u00ea, o pre\u00e7o que se paga \u00e0s vezes \u00e9 alto demais, mas Humberto n\u00e3o deve lamentar a ranhetice dos escribas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e1 pelo fim dos anos 90, com o jornalismo cultural no Pa\u00eds em crise, os Engenheiros acabaram ficando \u00e0 margem (como grande parte da m\u00fasica brasileira, vitimada pelos excessos de uma ind\u00fastria incompetente), esquecidos at\u00e9 por seus detratores, mas com um p\u00fablico fiel na estrada, o que possibilitou ao engenheiro-mor reformular o grupo, e lan\u00e7ar dois bons \u00e1lbuns de est\u00fadio (&#8220;Surfando Karmas &amp; DNA&#8221; em 2001 e &#8220;Dan\u00e7ando no Campo Minado&#8221; em 2003). O &#8220;Ac\u00fastico MTv Engenheiros do Hawaii&#8221;, gravado nos dias 18 e 19 de agosto nos est\u00fadios Locall, em S\u00e3o Paulo, promete colocar o grupo novamente na m\u00eddia (o disquinho j\u00e1 sai com 100 mil c\u00f3pias da f\u00e1brica) e trazer a banda novamente ao territ\u00f3rio do &#8220;ame ou odeie&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de tudo \u00e9 bom lembrar que a banda j\u00e1 havia gravado um grande \u00e1lbum ac\u00fastico, em 1993. Com sua forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica (Augusto Licks na gaita e guitarras, Carlos Maltz na bateria e Humberto no viol\u00e3o e gaita), a banda ga\u00facha gravou em &#8220;Filmes de Guerra, Can\u00e7\u00f5es de Amor&#8221; vers\u00f5es lindas para can\u00e7\u00f5es como &#8220;Alivio Imediato&#8221;, &#8220;Muros e Grades&#8221;, &#8220;Ando S\u00f3&#8221; e &#8220;Ex\u00e9rcito de Um Homem S\u00f3&#8221;, al\u00e9m de mostrar excelentes faixas in\u00e9ditas como &#8220;Quanto Vale a Vida?&#8221;, &#8220;Mapas do Acaso&#8221; e &#8220;Realidade Virtual&#8221; e recuperar preciosidades como &#8220;Cr\u00f4nica&#8221;, &#8220;Al\u00e9m dos Outdoors&#8221; e &#8220;Pra Entender&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O &#8220;Ac\u00fastico MTv Engenheiros do Hawaii&#8221;, por\u00e9m, tem outro foco. Sob a etiqueta da rede de televis\u00e3o, Humberto exp\u00f5e seu lado mais pop e acess\u00edvel, rearranjando e reconstruindo sucessos inesquec\u00edveis do cancioneiro roqueiro nacional. Assim, &#8220;O Papa \u00e9 Pop&#8221; abre o disco com uma boa levada folk enquanto a &#8220;Infinita Highway&#8221; fica mais curta, e mais sedutora com bonitos dedilhados de viol\u00e3o. A maioria das can\u00e7\u00f5es surge irreconhec\u00edvel nos primeiros acordes, caso das lindas vers\u00f5es para &#8220;Refr\u00e3o de Bolero&#8221; e &#8220;Terra de Gigantes&#8221;, amparadas por dedilhados de piano. Entre os cl\u00e1ssicos, ainda marcam presen\u00e7a &#8220;Somos Quem Podemos Ser&#8221; e &#8220;A Revolta dos D\u00e2ndis&#8221;, ambas em vers\u00f5es que nada devem as originais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maioria do repert\u00f3rio, no entanto, \u00e9 de can\u00e7\u00f5es mais novas, do meio dos 90 para c\u00e1. O primeiro single do disco \u00e9 &#8220;Vida Real&#8221;, anunciada pela emissora como uma faixa in\u00e9dita (mas s\u00f3 um tolo pode querer diferenciar o Humberto Gessinger Trio dos Engenheiros do Hawaii), mas gravada no primeiro disco do projeto solo de Gessinger. Outra do mesmo disco marca presen\u00e7a, a boa &#8220;O Pre\u00e7o&#8221;. As faixas que mais surpreendem s\u00e3o as recentes. &#8220;At\u00e9 o Fim&#8221; (de &#8220;Dan\u00e7ando no Campo Minado&#8221;) virou folk com gaita, a letra matadora de &#8220;Dom Quixote&#8221; ganhou arranjo de piano e cordas (tamb\u00e9m de &#8220;Dan\u00e7ando no Campo Minado&#8221;), enquanto a roqueira &#8220;Surfando Karmas &amp; DNA&#8221; virou uma balada\u00e7a e &#8220;Terceira do Plural&#8221; ficou deliciosamente pop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como em todo \u00e1lbum ao vivo dos Engenheiros (e esse \u00e9 o quarto), boas can\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas marcam presen\u00e7a. &#8220;Armas Qu\u00edmicas e Poemas&#8221; e &#8220;Outras Freq\u00fc\u00eancias&#8221; levam a assinatura de Humberto Gessinger, que na primeira pergunta &#8220;onde estavam as armas qu\u00edmicas? Qual a l\u00f3gica do sistema?&#8221;, em clara alus\u00e3o a invas\u00e3o do Iraque, enquanto a segunda parece ser um mea culpa pelo formato ac\u00fastico ao abrir dizendo &#8220;seria mais f\u00e1cil fazer como todo mundo faz \/ o caminho mais curto, produto que rende mais&#8221;. A terceira in\u00e9dita, &#8220;Depois de N\u00f3s&#8221;, traz o ex-Engenheiros Carlos Maltz cantando e assinando a m\u00fasica, em uma aproxima\u00e7\u00e3o que vem sendo feita desde &#8220;Surfando Karmas &amp; DNA&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dispens\u00e1vel mesmo apenas a vers\u00e3o de &#8220;Pose&#8221;, com Humberto chamando ao palco sua filha Clara para um dueto em uma das m\u00fasicas mais bonitas do \u00e1lbum &#8220;Gessinger, Licks e Maltz&#8221; (1992) e, mama mia, &#8220;Era Um Garoto Que Como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones&#8221;. Engordam a vers\u00e3o em DVD mais duas can\u00e7\u00f5es: a boa &#8220;Eu Que N\u00e3o Amo Voc\u00ea&#8221; e a bonita &#8220;De F\u00e9&#8221;. Humberto Gessinger (voz e viol\u00e3o), Paulinho Galv\u00e3o (viol\u00e3o), Fernando Aranha (viol\u00e3o e dobro), Bernardo Fonseca (baixo), Gl\u00e1ucio Ayala (bateria e vocais) e Humberto Barros (\u00f3rg\u00e3o e piano) n\u00e3o fizeram feio em um disco tendenciosamente pop, feito muito mais para o povo do que para a elite. Est\u00e1 longe, mas muito longe dos melhores discos dos Engenheiros do Hawaii, mas quem sabe anime Humberto Gessinger para o pr\u00f3ximo \u00e1lbum de est\u00fadio da banda. Como a grande maioria dos ac\u00fasticos MTV, deve vender muito. Tem potencial. Agora, fica a d\u00favida: ser\u00e1 que a MTV um dia seduzir\u00e1 o Camisa de V\u00eanus e o Ultraje a Rigor?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Engenheiros do Hawaii -  O papa \u00e9 pop ( Acustico MTV)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uVCwGxb_FDs?list=PLD074CA487C1CE7A2\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa Das dez bandas brasileiras que mais venderam discos no estouro do rock nacional p\u00f3s 85, apenas tr\u00eas ainda n\u00e3o haviam \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2004\/11\/11\/acustico-mtv-engenheiros-do-hawaii\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[322],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22689"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22689"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22689\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":92093,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22689\/revisions\/92093"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22689"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22689"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22689"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}