{"id":224,"date":"2006-09-07T05:36:32","date_gmt":"2006-09-07T07:36:32","guid":{"rendered":"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/2006\/09\/07\/cinco-shows-em-uma-semana\/"},"modified":"2026-02-11T20:18:17","modified_gmt":"2026-02-11T23:18:17","slug":"cinco-shows-em-uma-semana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/09\/07\/cinco-shows-em-uma-semana\/","title":{"rendered":"Cinco shows em uma semana em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #000000;\"> por Marcelo Costa<\/span><\/strong><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Shows, shows e mais shows. Come\u00e7ou a badalada temporada de shows que promete agitar o segundo semestre no Pa\u00eds. Como nem s\u00f3 de rock vive quem ama realmente a m\u00fasica, o passeio semanal flagrou Wado entortando o samba no Studio SP, Chico Buarque jogando p\u00e9rolas aos porcos no Tom Brasil, Tortoise destruindo tudo no Sesc Santana, Cardigans causando bocejos no Via Funchal, e o Gang of Four dando um show de t\u00e9cnica e presen\u00e7a de palco. Saiba mais sobre cada um dos shows abaixo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-34940\" title=\"wado_studiosp\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/wado_studiosp.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>31\/08\/2006 &#8211; Wado e Realismo Fant\u00e1stico, Studio SP<\/strong><br \/>\nEm entrevista ao Scream &amp; Yell, o cantor e compositor catarinense &#8211; radicado em Macei\u00f3 &#8211; havia prometido um show de &#8220;m\u00fasica terceiro-mundista sem ran\u00e7os nem v\u00edcios&#8221;. Ele s\u00f3 n\u00e3o falou que um dos melhores repert\u00f3rios da nova m\u00fasica brasileira viria encorpado de batidas fortes, aproximando seu samba torto da m\u00fasica eletr\u00f4nica. Dono de uma bel\u00edssima carreira de tr\u00eas discos, em que se destacam o hit &#8220;Tarja Preta&#8221; e o excelente \u00e1lbum &#8220;A Farsa do Samba Nublado&#8221;, Wado &#8211; acompanhado da excelente banda Realismo Fant\u00e1stico &#8211; fez um show impec\u00e1vel, em que al\u00e9m de recriar com genialidade \u00f3timas can\u00e7\u00f5es como &#8220;Tormenta&#8221;, &#8220;Ontem Eu Sambei&#8221; e a pr\u00f3pria &#8220;Tarja Preta&#8221;, abriu espa\u00e7o para in\u00e9ditas como &#8220;Pedra&#8221; (que est\u00e1 sendo gravada por Maria Alcina), &#8220;Melhor&#8221; e &#8220;Teta&#8221;, al\u00e9m da bonita vers\u00e3o de &#8220;Hortel\u00e3&#8221;, do Fino Coletivo (do qual participam Wado e o violonista mestre no wah-wah Alvinho). O acr\u00e9scimo da guitarra de Caetano deu mais liberdade para Alvinho conduzir &#8211; e entortar &#8211; as can\u00e7\u00f5es. &#8220;Terceiro Mundo Festivo&#8221;, t\u00edtulo provis\u00f3rio do novo disco do cantor, promete.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-34941\" title=\"chicobuarque_canivello_divulgacao\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/chicobuarque_canivello_divulgacao.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/chicobuarque_canivello_divulgacao.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/chicobuarque_canivello_divulgacao-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>01\/09\/2006 &#8211; Chico Buarque, Tom Brasil<\/strong><br \/>\nUma menina, meio alterada pela bebida, comenta com um amigo: &#8220;Eu gosto de m\u00fasica carioca&#8221;. Ela segue num cambalear falat\u00f3rio b\u00eabado que, por vezes, encobre a voz de Chico, que est\u00e1 apresentando um repert\u00f3rio de novas can\u00e7\u00f5es ap\u00f3s sete anos de afastamento dos palcos. O p\u00fablico parece n\u00e3o se preocupar. Uma menina grita: &#8220;lindo&#8221;. Outra, minutos depois, segue o exemplo. At\u00e9 que uma voz &#8211; masculina &#8211; exalta a beleza de um dos maiores brasileiros vivos: &#8220;lindoooooo&#8221;. Penso com meus bot\u00f5es: Chico est\u00e1 jogando p\u00e9rolas aos porcos. Quantos ali perceberam a beleza de futuros cl\u00e1ssicos como &#8220;Outros Sonhos&#8221; (do bonito verso &#8220;Eu sei que o sonho era bom \/ Porque ela sorria \/ At\u00e9 quando chovia&#8221;) ou &#8220;Ela Faz Cinema&#8221; (da quase discreta frase &#8220;Eu n\u00e3o sei \/ Se ela sabe o que fez \/ Quando fez o meu peito \/ Cantar outra vez&#8221;)? Acompanhado de um afinado septeto, Chico s\u00f3 se dirigiu ao p\u00fablico uma vez, para apresentar uma m\u00fasica em parceria do baixista Jorge Helder. Mais seria imposs\u00edvel. A unanimidade (burra, sempre lembra Nelson Rodrigues) e a beleza f\u00edsica de Chico s\u00e3o &#8211; hoje &#8211; mais importantes do que a m\u00fasica que ele comp\u00f5e e canta. Ele n\u00e3o tem culpa, nem a menina que gosta de &#8220;m\u00fasica carioca&#8221;, nem o rapaz que gritou &#8220;lindo&#8221;. Ningu\u00e9m tem culpa. N\u00e3o temos culpa de sermos jovens demais para termos visto Chico ao vivo em 1960 e pouco, quando ele n\u00e3o era essa unanimidade toda, e o p\u00fablico se preocupava mais com a m\u00fasica do que com sua beleza f\u00edsica. No entanto, quer saber: &#8220;Jo\u00e3o e Maria&#8221; emocionou, mesmo com todo o coro dos contentes acompanhando uma m\u00fasica super-hiper-maxi-conhecida (algo raro &#8211; gra\u00e7as &#8211; no show novo).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-34942\" title=\"tortoise\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/tortoise.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/tortoise.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/tortoise-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>05\/09\/2006 &#8211; Tortoise, Sesc Santana<\/strong><br \/>\n\u00c9 preciso confessar: o Tortoise mete medo. Medo, medo mesmo. Pavor. N\u00e3o pelo som da banda, mas porque todas as defini\u00e7\u00f5es que fizeram deles nos \u00faltimos anos pintavam uma cacofonia dos infernos. \u00c9 tipo aquela hist\u00f3ria do &#8220;nunca comi, mas n\u00e3o gosto&#8221;, entende. Esse equivoco, no entanto, foi atropelado pelas duas baterias dissonantes do grupo na apresenta\u00e7\u00e3o matadora que o quinteto realizou no Teatro do Sesc Santana. H\u00e1 uma din\u00e2mica no som do Tortoise que interessa muito. Uma paix\u00e3o pelos riffs fortes de guitarra tanto quanto pelas batidas suaves dos vibrafones que se faz urgente no palco. As imagens no tel\u00e3o apenas completam o pacote. John McEntire, o chef\u00e3o, posa de psicopata. A banda diverte, e assusta. Em algumas passagens lembra Mogwai. Em outras, m\u00fasica brasileira. Em &#8220;It&#8217;s All Around You&#8221;, preferida do show, o som tristonho da guitarra paga tributo para o tango argentino. Ap\u00f3s pouco mais de uma hora e vinte minutos, e tr\u00eas retornos para o bis, o Tortoise conquistou com uma grande apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-34943\" title=\"cardigans\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cardigans.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cardigans.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cardigans-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>06\/09\/2006 &#8211; Cardigans, Via Funchall<\/strong><br \/>\nNina Persson \u00e9 pequenina e bastante simp\u00e1tica, mas tem um vozeir\u00e3o de gente grande. No entanto, n\u00e3o bastam voz e simpatia para se fazer um grande show. \u00c9 preciso algo mais. N\u00e3o que a banda toque mal ou algo assim. \u00c9 tudo certinho no show do Cardigans. At\u00e9 demais. Na verdade, o problema \u00e9 que duas bandas se chocam ao vivo: a do come\u00e7o de carreira (mais dan\u00e7ante e desencanada) com a mais recente (cerebral e roqueira). O resultado deste embate \u00e9 um show morno, que parece que vai pegar fogo a qualquer momento, mas nunca chega a incendiar, mesmo em hits do quilate de &#8220;Lovefool&#8221; (com belo vocal de Nina, principalmente no refr\u00e3o), e na acelerada vers\u00e3o de &#8220;My Favourite Game&#8221;, que fechou o show. Can\u00e7\u00f5es novas como &#8220;Godspell&#8221; e &#8220;I Need Some Fine Wine and You, You Need to Be Nicer&#8221; (ambas do excelente &#8220;Super Extra Gravity&#8221;) soaram fortes, mas n\u00e3o salvaram o show de ser tedioso em v\u00e1rios momentos. E j\u00e1 que as meninas (e os meninos) podem gritar que o Chico \u00e9 lindo, deixo aqui meu coment\u00e1rio extram\u00fasica: a Nina Persson de cabelos pretos do \u00e1lbum &#8220;Lone Gone Before Daylight&#8221; \u00e9 muito mais bonita que esta que passou por S\u00e3o Paulo nesta noite. Gosto pessoal, gosto pessoal&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-34944\" title=\"gangoffour\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/gangoffour.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>06\/09\/2006 &#8211; Gang of Four, Via Funchall<\/strong><br \/>\nQuando o Gang of Four pisou no palco do Via Funchall, j\u00e1 a 1h da manh\u00e3 do dia 07 de setembro, o rock nacional anos 80 deve ter tremido nas bases. Edgard Scandurra e Dado Villa-Lobos estavam presentes para reverenciar um dos maiores guitarristas de todos os tempos, Andy Gill, que influenciou meio rock nacional com seu jeito de tocar guitarra. S\u00e9rgio Brito (dos Tit\u00e3s) n\u00e3o deu as caras, talvez intimidado. Nos anos 80, Brito roubou uma estrofe inteira do cl\u00e1ssico &#8220;Damaged Gods&#8221;, traduziu e colocou na sua &#8220;Cora\u00e7\u00f5es e Mentes&#8221;, sem creditar o Gang of Four. Ficou legal, mas foi descoberto. No entanto, o respeito, a influ\u00eancia e a baba\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 algo s\u00f3 nosso. Metade do Novo Rock vai na cola do Gang of Four. De Rapture a Bloc Party, passando por Art Brut, Franz Ferdinand e Radio 4 (esse, at\u00e9 no nome), uma das poucas coisas \u00fateis que o Novo Rock realizou at\u00e9 o momento foi trazer o devido reconhecimento ao senhor Andy Gill. Mas, n\u00e3o \u00e9 tarde demais? N\u00e3o, caro amigo, n\u00e3o. O que se viu no Via Funchall foi um acerto de contas com a hist\u00f3ria do rock num show ca\u00f3tico no perfeito conceito destas duas palavras. Gill deu uma aula de como tocar guitarra, indo das disson\u00e2ncias mais barulhentas at\u00e9 o sil\u00eancio mais delicado, mostrando ainda que h\u00e1 espa\u00e7o para o groove no rock. Se o guitarrista foi um show a parte, o vocalista Jon King n\u00e3o ficou atr\u00e1s. Seja cantando ferozmente, pulando no palco como um macaco, rolando pelo ch\u00e3o, convocando o p\u00fablico a cantar ou fazendo a marca\u00e7\u00e3o da m\u00fasica malhando um taco de beisebol sobre um forno microondas, Jon King deu espet\u00e1culo. Andy Gill tamb\u00e9m. A abertura do show, com cl\u00e1ssicos do cl\u00e1ssico \u00e1lbum &#8220;Entertaiment&#8221; (1979) sendo executados em seq\u00fc\u00eancia (&#8220;Return the Gift&#8221;, &#8220;Not Great Men&#8221;, &#8220;Ether&#8221;, &#8220;At Home He&#8217;s a Tourist&#8221;) e o bis com &#8220;I Love Men in Uniform&#8221; e &#8220;I Found that Essence Rare&#8221; foram de emocionar. Obrigat\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<br \/>\nPs1: E eu ainda perdi o show do Slayer. Os amigos jornalistas Carlos Augusto Gomes, do iG Pop, e Sergio Martins, da Veja, foram s\u00f3 elogios&#8230; Agora \u00e9 se preparar para ver Franz Ferdinand, na semana que vem&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ps2: Gosto de Cardigans, ok. O show foi frouxo, amigos disseram que se a banda tivesse nascido aqui ter\u00edamos dois Kid Abelha nas paradas, mas n\u00e3o \u00e9 por esse lado tamb\u00e9m. Talvez seja o fato de que existem bandas que funcionem ao vivo, e outras n\u00e3o. O Cardigans \u00e9 do segundo grupo. Mas mesmo assim descubra o excelente &#8220;Super Extra Gravity&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nNum dia, Wado e Realismo Fant\u00e1stico, no outro Chico Buarque. Depois Tortoise. 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