{"id":22233,"date":"2013-12-10T08:45:41","date_gmt":"2013-12-10T10:45:41","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=22233"},"modified":"2023-04-04T05:37:16","modified_gmt":"2023-04-04T08:37:16","slug":"conexao-latina-fito-paez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/12\/10\/conexao-latina-fito-paez\/","title":{"rendered":"Entrevista &#8211; Fito Paez: &#8220;Se a m\u00fasica foi hit no Brasil ou no M\u00e9xico, n\u00e3o \u00e9 importante. Importante \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o constru\u00edda com as pessoas&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Leonardo Vinhas<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 primeira pergunta feita em espanhol pelo rep\u00f3rter, Fito Paez respondeu em um \u00f3timo portugu\u00eas \u2013 uma entre as muitas evid\u00eancias da excelente rela\u00e7\u00e3o que ele mant\u00e9m com nosso pa\u00eds, mesmo que ele nunca tenha atingido sucesso comercial por aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tentativas, ali\u00e1s, n\u00e3o faltaram: h\u00e1 anos, Fito tem a maioria de seus discos editados por aqui, e toca em v\u00e1rias capitais, tendo at\u00e9 participado do pouco veross\u00edmil festival M2000 Summer Concerts em 1994, em Florian\u00f3polis, cujo line-up conseguiu colocar o argentino entre a cantora teen Deborah Blando e o rock pesad\u00e3o do Helmet (e voc\u00ea que achava que s\u00f3 o Rock In Rio tinha escala\u00e7\u00f5es aleat\u00f3rias). Isso sem contar que um dos maiores hits dos Paralamas, \u201cTrac Trac\u201d, \u00e9 vers\u00e3o de uma can\u00e7\u00e3o sua. Os Paralamas ainda verteram \u201cElAmor Despu\u00e9s del Amor\u201d para o portugu\u00eas no disco \u201cBrasil Afora\u201d, e os Tit\u00e3s chamaram o rosarino para acompanh\u00e1-los na recria\u00e7\u00e3o de \u201cGo Back\u201d em seu estourado \u201cAc\u00fastico MTV\u201d. Por essas e por outras, Fito Paez ainda \u00e9 sin\u00f4nimo de rock argentino nas terras de Anitta e Lulu Santos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, \u00e9 muito dif\u00edcil encontrar um brasileiro que conhe\u00e7a a obra de Fito, ou mesmo se lembre de uma can\u00e7\u00e3o dele. Em 2012, ele trouxe a S\u00e3o Paulo a turn\u00ea que celebrava os vinte anos do \u00e1lbum \u201cEl Amor Despu\u00e9s del Amor\u201d, o disco mais vendido de toda a hist\u00f3ria do rock argentino, e o p\u00fablico foi pequeno. Procurar algum de seus 18 discos de est\u00fadio (muitos lan\u00e7ados pela Sony Music Brasil) em lojas f\u00edsicas n\u00e3o costuma render frutos. E por a\u00ed vai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, tal paradoxo foi o primeiro assunto abordado na conversa que o Scream &amp; Yell teve, por telefone, com o cantor, compositor e (not\u00e1vel) pianista. Hospedado no Rio de Janeiro para divulgar seu mais recente trabalho, \u201cYo Te Amo\u201d, rec\u00e9m-lan\u00e7ado no Brasil e <a href=\"http:\/\/www.deezer.com\/album\/7081695\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dispon\u00edvel na Deezer<\/a>, Fito n\u00e3o reagiu com a prima-donnice que poderia ser esperada de um dos maiores vendedores de discos do mercado latino. Convenhamos: s\u00e3o poucos os artistas que reagiriam com um riso espont\u00e2neo \u00e0 uma pergunta como: \u201cpor que as pessoas n\u00e3o te conhecem?\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Fito Paez - Yo Te Amo (Lyric video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rxM9c6e1pv0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 deve ter falado bastante sobre o disco novo&#8230;<\/strong><br \/>\n(risos) Nem tanto&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8230;ent\u00e3o vamos come\u00e7ar nossa entrevista por outro assunto: quando se fala de \u201crock argentino\u201d aqui no Brasil, talvez pela rela\u00e7\u00e3o com os Paralamas, \u00e9 o seu nome que costuma ser o primeiro \u2013 e \u00e0s vezes \u00fanico \u2013 referente para a maioria das pessoas.<\/strong><br \/>\n(gargalhada) Que vergonha! N\u00e3o pelos Paralamas, claro, mas por ser eu a imagem que as pessoas t\u00eam. Que vergonha&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bem, \u00e9 assim que as coisas s\u00e3o (risos). Como voc\u00ea se sente com isso?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um tanto incomodo para mim, porque a musica argentina tem uma grande vis\u00e3o, ent\u00e3o que eu seja mais conhecido que os demais [m\u00fasicos argentinos] me d\u00e1 um certo&#8230; pudor. Existe essa palavra em portugu\u00eas? Ent\u00e3o, me d\u00e1 esse pudor. Mas tamb\u00e9m \u00e9 uma oportunidade. Me d\u00e1 a chance de contar minha hist\u00f3ria, que faz parte de uma grande tradi\u00e7\u00e3o da m\u00fasica popular argentina, atravessada por um g\u00eanero que foi o rock em espanhol, e que foi muito importante para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E mesmo com esse reconhecimento, as pessoas n\u00e3o conhecem muito sua m\u00fasica. N\u00e3o conhecem a m\u00fasica dos pa\u00edses vizinhos em geral, na verdade. Mas a sua, que tem essas oportunidades, passa batido. Al\u00e9m da barreira do idioma, o que voc\u00ea acha que impede o p\u00fablico em geral de dar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sua m\u00fasica e \u00e0 que vem do resto da Am\u00e9rica do Sul?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um tema muito complexo, porque primeiro ter\u00edamos que pensar na situa\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica. O Brasil \u00e9 ao mesmo tempo uma fortaleza e uma ilha. Bem, j\u00e1 foi uma ilha, isso agora vem mudando, felizmente. Estou h\u00e1 dois dias no Rio, e \u00e9 impressionante a quantidade de pessoas falando espanhol, ou ao menos portunhol (risos). Dez anos atr\u00e1s isso seria impens\u00e1vel, imposs\u00edvel! Eu n\u00e3o sou soci\u00f3logo, ent\u00e3o n\u00e3o posso dar um diagnostico, mas me parece que as coisas est\u00e3o mais relaxadas entre o Brasil e o resto da Am\u00e9rica do Sul. Isso \u00e9 muito importante, porque o Brasil \u00e9 um poderio fort\u00edssimo e muito necess\u00e1rio para a manuten\u00e7\u00e3o da inven\u00e7\u00e3o americana, do ponto de vista art\u00edstico [nota: Fito usa e usar\u00e1 muitas vezes a palavra \u201cinven\u00e7\u00e3o\u201d no sentido de \u201ccria\u00e7\u00e3o\u201d]. E para manter o dialogo mais relaxado, basta que o Brasil busque mais essa conversa. Isso far\u00e1 com que todo o continente mude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cTodo o continente\u201d n\u00e3o \u00e9 um exagero?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. O Brasil, fazendo essa conversa, vai mudar tudo, realmente. Porque \u00e9 um pais muito importante culturalmente.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Fito Paez - El Amor Despu\u00e9s Del Amor (En Vivo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PgEYmNmMFEQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu n\u00e3o sei se voc\u00ea sabe, mas h\u00e1 um circuito de festivais independentes, principalmente no Brasil, no Uruguai e na Argentina, que est\u00e3o aproximando algumas bandas e seus p\u00fablicos. Claro, \u00e9 tudo menor, com artistas fora do mainstream, mas j\u00e1 \u00e9 um circuito com uma hist\u00f3ria. Agora mesmo em novembro <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/12\/03\/festival-el-mapa-de-todos-2013\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tivemos em Porto Alegre o El Mapa de Todos<\/a>, que juntou os uruguaios do La Vela Puerca e os argentinos do Valle de Mu\u00f1ecas a outros m\u00fasicos da Col\u00f4mbia, Brasil, Venezuela e outros pa\u00edses. E teremos agora a SIM S\u00e3o Paulo (Semana Internacional de M\u00fasica), com artistas de pa\u00edses vizinhos e tamb\u00e9m da Europa.<\/strong><br \/>\nEra disso que eu falava contigo. Nem tudo o que acontece no mundo \u00e9 o que acontece no mainstream. H\u00e1 muitas outras coisas que s\u00e3o mais importantes e talvez sejam menores agora. Mas eu acho que s\u00e3o essas coisas menores que v\u00e3o fazer uma grande mudan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como f\u00e3 de m\u00fasica, qual \u00e9 sua vis\u00e3o do que vem sendo produzido, seja mainstream ou independente, na Argentina atualmente?<\/strong><br \/>\nA Argentina \u00e9 igual ao Brasil, \u00e9 um grande produtor de novidades. Continua sendo um grande territ\u00f3rio de inven\u00e7\u00e3o art\u00edstica. A Argentina tem artistas jovens \u00f3timos, que ainda n\u00e3o s\u00e3o conhecidos, mas essa inven\u00e7\u00e3o [do pa\u00eds] tem uma for\u00e7a que vai atravessando o tempo, e que gera mais coisas boas. E lugares como Chile, Col\u00f4mbia e Peru t\u00eam isso tamb\u00e9m. Tomara que essas coisas nunca se convertam em mainstream! Porque o mainstream nunca aponta uma mudan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas ser\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 vantagens em ser mainstream? Do ponto de vista financeiro, por exemplo, h\u00e1 coisas que n\u00e3o se podem fazer de forma independente.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Artisticamente, n\u00e3o acho isso. Artisticamente voc\u00ea tem que ser sempre quem voc\u00ea \u00e9. (Pausa). N\u00e3o acho que o mainstream d\u00ea mais possibilidades de fazer coisas que o independente. (Nova pausa) \u00c9 um tema muito complexo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o vamos para outro tema, que \u00e9 seu disco novo&#8230;<\/strong><br \/>\n(empolgado) Mas esse assunto \u00e9 \u00f3timo! \u00c9 a conversa do futuro!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Fito P\u00e0ez- Track Track- Pepsi Music- 2008\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1qPpTpzlIsI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bom, eu tive uma conversa semelhante com o Jo\u00e3o Barone, dos Paralamas, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/11\/entrevista-joao-barone-fala-dos-paralamas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">numa entrevista que foi feita para nosso site<\/a>. Ele dizia que o mainstream brasileiro nunca esteve t\u00e3o popularesco quanto agora. E fica aquela d\u00favida: \u00e9 popularesco porque \u00e9 disso que o p\u00fablico gosta, ou \u00e9 porque as coisas fora desse esquema n\u00e3o chegam de forma adequada ao p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nAs pessoas s\u00e3o as pessoas. Os artistas s\u00e3o os artistas. Voc\u00ea, como artista, n\u00e3o pode depender da chegada da sua obra, de como ela \u00e9 recebida. Voc\u00ea tem que fazer coisas porque tem a necessidade f\u00edsica e espiritual de faz\u00ea-las. E se as suas coisas n\u00e3o chegarem ao p\u00fablico, voc\u00ea n\u00e3o pode se ressentir disso. A produ\u00e7\u00e3o do artista deve acontecer na intimidade de um quarto, com um papel, uma caneta e uma guitarra ou um piano. E a for\u00e7a que vai ter isso no mundo \u00e9 outra quest\u00e3o. N\u00e3o sei se voc\u00ea entende o que estou querendo dizer, mas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Entendo e concordo. Mas consigo pensar em muitos artistas que n\u00e3o concordariam. Aqui no Brasil, por exemplo, j\u00e1 tivemos o Lob\u00e3o se ressentindo dos seus \u00faltimos discos autorais n\u00e3o terem vendido, e simplesmente parando de lan\u00e7ar discos novos.<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 tive discos que venderam pouco. Eu gostaria sempre que [a cria\u00e7\u00e3o] fosse uma coisa compartilhada, que chegasse \u00e0s pessoas, mas chegar a isso n\u00e3o deve ser o \u00fanico direcional. Porque o sujeito faz coisas para poder compartilhar [com o p\u00fablico], claro, mas se aquilo que voc\u00ea faz n\u00e3o \u00e9 compartilhado por muita gente&#8230; isso n\u00e3o pode ser um drama. O artista n\u00e3o pode fazer sua inven\u00e7\u00e3o pensando em como ela vai ser recebida. Se fosse assim, estar\u00edamos mais parecidos com os pol\u00edticos, que ficam tentando cooptar votos. N\u00e3o \u00e9 assim que as coisas s\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bem, j\u00e1 que estamos falando de criar, me diga: como foi voltar a compor para humanos? (nota: o \u00faltimo disco de in\u00e9ditas de Fito Paez havia sido \u201c<a href=\"http:\/\/www.deezer.com\/album\/1339854\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Canciones para Aliens<\/a>\u201d, em que gravou vers\u00f5es orquestradas de m\u00fasicas que considera perfeitas. O disco foi transmitido por ondas de r\u00e1dio ao espa\u00e7o, na esperan\u00e7a de que outros seres vivos as ouvissem).<\/strong><br \/>\n(risos) Foi muito melhor, porque n\u00e3o tinha a responsabilidade de ser t\u00e3o genial. Porque para mandar para o espa\u00e7o, tinha que ser genial, tinha de ser o que havia de mais lindo. Foi bem dif\u00edcil gravar aquelas can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Fito Paez - Construccion (Canciones para aliens)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8WiSTzNUaCc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu gostei muito de \u201cConstrucci\u00f3n\u201d (vers\u00e3o para \u201cConstru\u00e7\u00e3o\u201d, de Chico Buarque, presente no disco \u201cextraterrestre\u201d).<\/strong><br \/>\nAh, obrigado! Essa ficou linda! Mas n\u00e3o foi f\u00e1cil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas foi, como tantas outras covers do cancioneiro brasileiro, convertida para o espanhol. Voc\u00ea nunca gravou nada diretamente em portugu\u00eas?<\/strong><br \/>\nGravei algumas coisas em portugu\u00eas&#8230; (hesita) Fiz muitas musicas em portugu\u00eas ao vivo, mas acho que n\u00e3o gravei&#8230; Teve Tom Jobim, Chico, muitas coisas. S\u00e3o parte do meu repert\u00f3rio permanente. Mas acho que n\u00e3o gravei, n\u00e3o&#8230; (nota do editor: a vers\u00e3o brasileira do \u00e1lbum &#8220;Circo Beat&#8221;, de 1994, traz um CD b\u00f4nus com tr\u00eas can\u00e7\u00f5es cantadas em portugu\u00eas por Fito: &#8220;Mariposa Tecknicolor&#8221;, em dueto com Caetano; &#8220;She&#8217;s Mine&#8221;, em dueto com Djavan; e &#8220;Nas Luzes de Rosario&#8221;, em dueto com Herbert Vianna).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando \u00e0s composi\u00e7\u00f5es \u201cpara humanos\u201d de \u201cYo Te Amo\u201d: o disco parece bem leve, solto. Tem um pouco da leveza de \u201cConfi\u00e1\u201d (2010), mas sem aquela cara de estrada para o litoral, meio carioca, que tinha o disco (que teve faixas gravadas no Rio de Janeiro, no est\u00fadio Nas Nuvens). Ele tem um ar mais portenho \u2013 indissociavelmente portenho, eu diria.<\/strong><br \/>\nClaro, claro! Imagina o Chico tentando deixar de ser carioca! \u00c9 do mesmo jeito. Eu n\u00e3o posso deixar de ser rosarino, nem de ter a influ\u00eancia de Buenos Aires, nem de ser argentino. Alguma coisa disso tudo sempre vai ter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Me chamou aten\u00e7\u00e3o o tom confessional da maioria das can\u00e7\u00f5es. N\u00e3o que isso seja algo raro nas suas letras, mas \u201cYo Te Amo\u201d abre bastante sua intimidade. N\u00e3o te preocupa que as pessoas possam te avaliar a partir dessas letras, ou mesmo se sentirem \u00edntimas de voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nSempre penso que a historia de uma can\u00e7\u00e3o passa pela express\u00e3o do artista, mas n\u00e3o atravessa sua intimidade. Quando se est\u00e1 feliz, esse \u00e9 o norte. Se \u00e9 isso que sai, ent\u00e3o est\u00e1 valendo. Eu n\u00e3o estou pensando se o que estou falando \u00e9 pessoal ou n\u00e3o \u2013 me interessa que o que estou dizendo seja uma coisa nobre. \u00c9 isso que busco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea acredita ter sucesso nessa busca?<\/strong><br \/>\nAcho que sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco tamb\u00e9m tem um clima de alto astral, como se as sess\u00f5es tivessem sido descontra\u00eddas.<\/strong><br \/>\nFoi alt\u00edssimo astral no est\u00fadio! Mas mesmo assim, especialmente para este \u00e1lbum, eu e o coprodutor nos colocamos alguns limites: n\u00e3o ter tantas mudan\u00e7as de harmonia, ter melodias \u00e0s quais gostar\u00edamos de voltar muitas vezes, ideias que sejam sempre claras nos textos&#8230; Esses foram limites que h\u00e1 muito tempo n\u00e3o me colocava. E assim, foi um per\u00edodo de fazer muitas can\u00e7\u00f5es, e tamb\u00e9m de eliminar outras tantas. Mais eliminar que fazer, ali\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como nosso tempo est\u00e1 se encerrando, quero fazer uma \u00faltima pergunta um pouco mais \u00edntima. A admira\u00e7\u00e3o do Herbert Vianna por seu trabalho \u00e9 expl\u00edcita. No livro \u201cLetra, M\u00fasica e Outras Conversas\u201d (em que o m\u00fasico Leoni entrevista v\u00e1rias compositores brasileiros, como Lob\u00e3o, Nando Reis e Renato Russo), ele declarou que voc\u00ea \u00e9 uma influ\u00eancia t\u00e3o grande para ele quanto Jimi Hendrix. E n\u00e3o s\u00e3o poucos os que dizem que os Paralamas s\u00e3o a \u201cmais argentina das bandas brasileiras\u201d. Olhando tamanha influ\u00eancia, e pensando no seu objetivo h\u00e1 pouco declarado se sempre fazer coisas nobres, gostaria de saber como voc\u00ea se sente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 t\u00e3o grande demonstra\u00e7\u00e3o de apre\u00e7o. Te d\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de miss\u00e3o cumprida, ou algo do tipo?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o acho que a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 essa. Acho que o primeiro de tudo \u00e9 a grande amizade que tenho com Herbert. Eu tive a sorte de que ele transmitiu uma musica minha (\u201cTrac Trac\u201d) que foi muito popular, mas isso n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante como a amizade que constru\u00edmos, entende? Depois, a responsabilidade que se tem como artista \u00e9 uma coisa que tem a ver com fazer seu melhor. Se voc\u00ea vende mais ou menos, ou se a m\u00fasica foi hit no Brasil ou no M\u00e9xico, n\u00e3o \u00e9 importante. Importante \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o constru\u00edda com as pessoas, e como voc\u00ea fica com rela\u00e7\u00e3o ao seu trabalho. E dessa forma, eu durmo bem \u00e0 noite, sabe? Isso \u00e9 o que me importa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Paralamas &amp; Fito Paez  -  Track Track -  ao vivo ( 1995)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ska9Qq0mLtQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yel<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cNo S\u00e9 Si Es Baires o Madrid\u201d, de Fito Paez: um disco para ouvir e ouvir e ouvir (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/05\/20\/zeca-baleiro-ricardo-koctus-e-fito-paez\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cGrandes Canciones\u201d, Fito Paez: preste aten\u00e7\u00e3o nas grandes baladas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/11\/29\/babasonicos-fito-paez-e-jorge-drexler\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Jo\u00e3o Barone: &#8220;Charly Garc\u00eda e Fito P\u00e1ez influenciaram Herbert mais que qualquer artista (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/11\/entrevista-joao-barone-fala-dos-paralamas\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; El Cuarteto de Nos: \u201cO Uruguai \u00e9 um mercado muito pequeno para poder subsistir\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/06\/18\/entrevista-el-cuarteto-de-nos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; La Vela Puerca: \u201cNunca uma banda uruguaia havia ido \u00e0 Europa em turn\u00ea\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/04\/conexao-latina-la-vela-puerca\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Los Mentas: \u201cChegamos aos 15 anos justamente por n\u00e3o nos levarmos muito a s\u00e9rio\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/04\/entrevista-los-mentas\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Ariel Minimal: \u201cO p\u00fablico sabe que n\u00e3o pode exigir nada de n\u00f3s\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/11\/10\/conexao-latina-pez\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Exemplo de qualidade e perseveran\u00e7a, El Mapa de Todos chega ao \u00e1pice em 2012 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/11\/11\/festival-el-mapa-de-todos-2012\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; El Mapa de Todos 2013 crava v\u00e1rios shows na mem\u00f3ria cultural e afetiva do p\u00fablico (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/12\/03\/especial-sim-finlandia\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;N\u00e3o acho que o mainstream d\u00ea mais possibilidades de fazer coisas que o independente&#8221;, diz o artista argentino\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/12\/10\/conexao-latina-fito-paez\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":73846,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[45,291],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22233"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22233"}],"version-history":[{"count":29,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22233\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73849,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22233\/revisions\/73849"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/73846"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22233"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22233"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22233"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}