{"id":22223,"date":"2013-12-10T08:09:54","date_gmt":"2013-12-10T10:09:54","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=22223"},"modified":"2023-03-29T01:21:13","modified_gmt":"2023-03-29T04:21:13","slug":"scream-yell-recomenda-camila-garofalo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/12\/10\/scream-yell-recomenda-camila-garofalo\/","title":{"rendered":"Entrevista: Camila Gar\u00f3falo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22224\" title=\"camila1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/camila1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Entrevista por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/izarcosta\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Izabela Costa<\/a><br \/>\nIntrodu\u00e7\u00e3o por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/jukiddo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Juliana Torres<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De tempos em tempos, o conceito daquela frase de Marvin Gaye, \u201cyou\u2019re alone, all the time. Does it ever puzzle you? Have you asked why?\u201d, assombra as nossas cabe\u00e7as. \u00c9 um sentimento que surge quando somos tocados pelo blues, quando nos emocionamos, quando compartilhamos felicidades seguindo os passos de Alexander Supertramp, ou at\u00e9 mesmo quando acordamos de ressaca em um domingo de manh\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o pr\u00f3ximo ver\u00e3o, esses questionamentos poder\u00e3o surgir cada vez que ouvirmos \u201cSombras e Sobras\u201d, disco de estreia de Camila Gar\u00f3falo. Ribeiro-pretana de 24 anos, publicit\u00e1ria de forma\u00e7\u00e3o e jornalista de cora\u00e7\u00e3o, a cantora que j\u00e1 interpretou outras vozes em bandas covers, dando cara para pensamentos de outros poetas, dessa vez coloca pra fora uma reflex\u00e3o particular e filos\u00f3fica, vestida de post-rock, jazz, blues e groove.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda naquela mesma composi\u00e7\u00e3o, Gaye diz que de tempos em tempos devemos abrir nossos cora\u00e7\u00f5es, sangrar esses sentimentos e parar de fingir que nada nos aflige. E s\u00e3o afli\u00e7\u00f5es, inquietudes e quebra de conceitos que munem as letras de Camila. Porque s\u00e3o as \u00fanicas pessoas que importam, as loucas, as vivas e as que queimam e se deixam queimar. As que sentem, as que n\u00e3o s\u00e3o mec\u00e2nicas. As que assumem cada sombra e cada sobra de cada eu que possui dentro de si. E \u00e9 assim que nos tornamos diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para conhecer a alma inquieta, inconformada com suas sobras e sombras, conversamos com Camila via e-mail. Duas semanas atr\u00e1s, de p\u00e9 quebrado e em pleno repouso m\u00e9dico, ela nos contou sobre o processo criativo, a concep\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum e os planos para o futuro.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"350\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/playlists\/11256156&amp;color=ff6600&amp;auto_play=false&amp;show_artwork=true\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Camila, voc\u00ea est\u00e1 come\u00e7ando a soltar suas m\u00fasicas agora e acredito que cada vez mais teremos novidades suas. Por que s\u00f3 agora?<\/strong><br \/>\nO momento agora \u00e9 de criar bastante material antes do lan\u00e7amento do disco, em abril de 2014. Seja atrav\u00e9s de shows, fotos, clipes e todo o tipo de conte\u00fado que puder agregar ao projeto \u201cSombras e Sobras\u201d. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s m\u00fasicas, a hist\u00f3ria \u00e9 mais antiga&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mais antiga como?<\/strong><br \/>\nAntes de me mudar para S\u00e3o Paulo, aos 17 anos, eu j\u00e1 havia tentado gravar algumas coisas e o desejo pelo \u00e1lbum j\u00e1 existia. Al\u00e9m de n\u00e3o me sentir segura o suficiente, em Ribeir\u00e3o Preto eu n\u00e3o conhecia quem pudesse gravar meu material como imaginava. A\u00ed, cheguei em S\u00e3o Paulo e rasguei tudo. Comecei do zero. Precisei educar meu ouvido primeiro. Joguei \u201cJazz\u201d no Wikip\u00e9dia, haha, e a partir da\u00ed comecei a ouvir tudo aquilo que n\u00e3o estava acostumada a ouvir. Com a minha fam\u00edlia s\u00f3 escutava moda de viola. L\u00e1, em 2008, iniciei leituras de Filosofia, a resposta para engrandecer minhas letras estava ali. No ano seguinte, com mais dois amigos, gravei tr\u00eas can\u00e7\u00f5es (destas, apenas \u201cO Velho\u201d est\u00e1 no disco) e fui embora para Londres, onde permaneci por todo o ano de 2010. Continuei com a caneta na m\u00e3o e a solid\u00e3o desses dias me fez crescer como compositora. \u201cValsa Vermelha\u201d e \u201cSombras\u201d nasceram a\u00ed. Quando voltei para S\u00e3o Paulo, comecei a trabalhar no site Catraca Livre e fui formando minha rede de contatos, ficando mais perto da agenda cultural da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acredito que nesse momento sua cria\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava evoluindo, n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nA essa altura, minhas m\u00fasicas j\u00e1 estavam mais maduras e eu tinha come\u00e7ado a entender a linguagem que estava criando. Conheci o Danilo (Prates) durante um curso de Live Cinema no Sesc Pompeia. Ele foi muito importante na fase de pr\u00e9 produ\u00e7\u00e3o do disco e me ajudou a exteriorizar algumas texturas que estavam na minha cabe\u00e7a. Depois de uma conversa com o Duda Vieira (produtor de artistas como C\u00e9U, Otto e Lucas Santtana), pude enxergar que eu poderia ter os m\u00fasicos que eu quisesse no meu \u00e1lbum, bastava eu estar na hora e no local certo. Fui atr\u00e1s do Bruno Buarque e do Dustan Gallas (ambos da banda da C\u00e9U) durante um show em Ribeir\u00e3o Preto. Fomos todos para a casa de uma amiga ap\u00f3s o show e l\u00e1 eu pude contar a ideia do meu projeto. Deu certo! A\u00ed foi f\u00e1cil convencer o Thiago Fran\u00e7a que o neg\u00f3cio era s\u00e9rio e ele tamb\u00e9m topou. Em quatro dias gravamos \u201cSombras e Sobras\u201d no Est\u00fadio Minduca, onde foram gravados os discos da Karina Buhr e Anelis Assump\u00e7\u00e3o, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00ea tem de material pronto at\u00e9 agora?<\/strong><br \/>\nPretendo lan\u00e7ar o disco em abril de 2014. Ele est\u00e1 pronto \u2013 n\u00e3o fisicamente, ainda \u2013 e tem oito m\u00fasicas. Mas at\u00e9 l\u00e1 muita coisa tem para acontecer. Eu preciso primeiro me aproximar do meu p\u00fablico, que ainda nem existe, criar uma identidade atrav\u00e9s de outros materiais que ainda tem de ser feitos. Como disse acima, a linguagem do cinema sempre me apaixonou. Quero ainda aproveitar outras linguagens antes de entregar o disco , acredito que seja um momento de flerte com a plateia. Eu preciso subir no palco, criar hist\u00f3rias e tamb\u00e9m me sentir segura como cantora, afinal eu sempre toquei viol\u00e3o mas nunca fui de tocar covers em barzinhos. A m\u00fasica autoral sempre falou mais alto no meu ouvido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi o processo de grava\u00e7\u00e3o dessas faixas? Acredita ter aprendido muito durante esse tempo em est\u00fadio?<\/strong><br \/>\nO Danilo Prates teve import\u00e2ncia fundamental no processo de pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o, e depois o Dustan, o Bruno e o Thiago para dar vida e arranjo \u00e0quela mat\u00e9ria prima toda. N\u00e3o tive muito tempo de est\u00fadio com eles. Em apenas quatro dias os caras fizeram os arranjos das 8 m\u00fasicas e gravaram tudo ali mesmo, no calor do momento. N\u00e3o sei dizer que experi\u00eancia maluca foi essa. Minha boca n\u00e3o fechava um segundo, hahaha. Eu que demorei tanto tempo pra cozinhar tudo aquilo, vi tudo ser desenvolvido por caras realmente talentosos e doidos de pedra! Foi incr\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma vez voc\u00ea disse que o disco estava lindo, mas que ao vivo as m\u00fasicas seriam complicadas de executar. Por outro lado, sei que sua banda de apoio j\u00e1 est\u00e1 formada e que, inclusive, alguns ensaios j\u00e1 rolaram. Quem \u00e9 esse pessoal, onde voc\u00ea os encontrou e afinal, continua achando que as m\u00fasicas ser\u00e3o complicadas de reproduzir ao vivo?<\/strong><br \/>\n\u00c9 verdade, as m\u00fasicas realmente s\u00e3o dif\u00edceis de executar. Confesso que n\u00e3o componho para saciar minha voz, e sim para saciar minha alma. Eu canto bem mesmo o rock &#8216;n&#8217; roll, Janis, Kurt, Cazuza. Adoro berrar. S\u00f3 que quando a gente escreve, a gente n\u00e3o pensa nisso, pensa apenas em escrever o que sente. A\u00ed, a morbidez e o portugu\u00eas dificultaram um pouco a minha interpreta\u00e7\u00e3o. Sobre a banda, eu j\u00e1 havia trabalhado com o Caio Costa (teclados), que faz parte do grupo Primos Distantes. A partir dele, tamb\u00e9m juntei a bateria do Juliano Costa, que \u00e9 da mesma banda. O Fabiano Boldo, baixista do Rafael Castro, eu tinha no Facebook n\u00e3o sei por qu\u00ea diabos e quando mostrei o som, ele topou na hora. A\u00ed, depois de ter juntado os tr\u00eas, o pr\u00f3prio Rafael n\u00e3o resistiu. Tive sorte de encontr\u00e1-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre as composi\u00e7\u00f5es: de onde vem a inspira\u00e7\u00e3o? Voc\u00ea senta para escrever e vem ou cada m\u00fasica, um processo diferente? O que vem antes: letra ou melodia?<\/strong><br \/>\nDepende muito. \u201cO Velho\u201d nasceu de uma experi\u00eancia muito particular e esquisita ap\u00f3s fumar Salvia, que na \u00e9poca era legalizada. Fiquei t\u00e3o impressionada que sentei e fiz a m\u00fasica em duas horas. J\u00e1 \u201cSombras\u201d, que eu tamb\u00e9m escrevi em Londres, demorei todo o ano de 2010 para finalizar. J\u00e1 tentei fazer em outra ordem mas a letra sempre veio junto com a melodia. Eu procuro uma nota no viol\u00e3o, gosto dela e penso numa palavra que combina com aquela sonoridade, s\u00f3 depois que formulo uma frase. \u00c9 estranho, pois eu deveria ser mais escrava do conte\u00fado j\u00e1 que uso a filosofia, no entanto \u00e9 a forma que me conduz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essas m\u00fasicas gravadas foram escritas especialmente pra esse momento ou existem composi\u00e7\u00f5es antigas a\u00ed no meio tamb\u00e9m?<\/strong><br \/>\nApenas duas s\u00e3o mais antigas. Joguei muita coisa fora. Me revoltei com v\u00e1rias palavras que j\u00e1 escrevi e, portanto, a maioria das composi\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais recentes. \u201cSobras\u201d \u2013 a primeira m\u00fasica que lancei \u2013 e \u201cDownstairs\u201d s\u00e3o as mais recentes de todas elas. Todas tem um mesmo assunto em comum: o ego\u00edsmo, o inconformismo e \u2013 claro &#8211; as \u201csombras e sobras\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Brasil sempre forneceu grandes cantoras. Em quais voc\u00ea mais se inspira?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o sei se posso chamar a C\u00e9U, a Tulipa [Ruiz] ou a Karina Buhr de inspira\u00e7\u00e3o. Eu as admiro em sua originalidade mas n\u00e3o acho que eu seja parecida com elas. Eu adoro a Janis Joplin com todo o cora\u00e7\u00e3o (e est\u00f4mago) e, no entanto, minha voz n\u00e3o tem nada a ver com a dela, nem com a da Bj\u00f6rk. Agora se voc\u00ea me perguntar com quem eu acho que pare\u00e7o, posso citar a PJ Harvey a C\u00e1ssia Eller, ou at\u00e9 mesmo a Ana Carolina, pelo timbre, que seja. Mas isso nunca foi proposital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E alguma vez te passou pela cabe\u00e7a evitar essa paix\u00e3o pela m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nNunca. Por mais que n\u00e3o tenha sido \u201ccorajosa\u201d o suficiente pra ter come\u00e7ado com ela, no fundo eu sabia que chegaria at\u00e9 ela de alguma maneira. Primeiro me aproximando da linguagem do cinema, fiz tr\u00eas cursos na \u00e1rea. Depois me aproximei do universo cultural por meio do jornalismo, ao ponto de escrever sobre m\u00fasica no Catraca Livre, trabalho que fa\u00e7o at\u00e9 hoje. O contato com os m\u00fasicos e artistas nesse momento foi muito importante, colhi informa\u00e7\u00f5es e me aproximei deles n\u00e3o como uma cantora desesperada para fazer seu disco, mas sim como uma jornalista interessada no universo musical paulistano como um todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dia 10 de dezembro voc\u00ea se apresenta no Puxadinho da Vila Madalena. Qual \u00e9 a desse show? Quem for pode esperar exatamente o que?<\/strong><br \/>\nOlha, sinceramente, n\u00e3o esperem nada de mim&#8230; Eu nunca fiz isso, pelo menos n\u00e3o com a banda perfeita para tocar os arranjos ideais. Sempre foi somente eu, meu viol\u00e3o e minhas ideias enrustidas. Subir no palco para fazer o meu rock do jeito que eu sempre sonhei \u00e9 algo realmente in\u00e9dito at\u00e9 para mim. Esperem, no m\u00ednimo, um ataque card\u00edaco&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/2kULJJ9Bpik\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/2kULJJ9Bpik\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>&#8211; Izabela Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/izarcosta\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@izarcosta<\/a>) \u00e9 editora do programa Perdidos no Ar. Entrevista publicada originalmente no site do programa: <a href=\"http:\/\/www.perdidosnoar.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.perdidosnoar.com.br\/<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Izabela Costa\n&#8220;Confesso que n\u00e3o componho para saciar minha voz, e sim para saciar minha alma&#8221;, avisa Camila. 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