{"id":22109,"date":"2013-12-03T09:05:50","date_gmt":"2013-12-03T11:05:50","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=22109"},"modified":"2020-11-08T23:42:35","modified_gmt":"2020-11-09T02:42:35","slug":"festival-el-mapa-de-todos-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/12\/03\/festival-el-mapa-de-todos-2013\/","title":{"rendered":"Balan\u00e7\u00e3o: El Mapa de Todos 2013"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22110\" title=\"elmapatodos1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos1-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Leonardo Vinhas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo festival tem um objetivo (ou ao menos uma justificativa) que vai al\u00e9m das metas financeiras. O do El Mapa de Todos, evento que re\u00fane artistas de diversos g\u00eaneros musicais e pa\u00edses latino-americanos, \u00e9 proporcionar a integra\u00e7\u00e3o de nacionalidades e propostas musicais diferentes, tanto no palco como fora dele. Um objetivo t\u00e3o abrangente quanto ousado, mas que foi plenamente obtido em sua quarta edi\u00e7\u00e3o, que ocorreu mais uma vez no bar Opini\u00e3o, e Porto Alegre.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22112\" title=\"elmapatodos3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos3.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos3.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos3-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A coisa toda come\u00e7ou de forma meio t\u00edmida no dia 26 de novembro, uma abafada ter\u00e7a-feira. Pouqu\u00edssimas pessoas testemunharam Ian Ramil, filho de Vitor, desfilar composi\u00e7\u00f5es que lembram aquela MPB metida a cult do meio pro fim da d\u00e9cada de 1990. Mesmo com a audi\u00eancia limitada (afinal, eram 21 horas de uma ter\u00e7a), o mo\u00e7o, bonito que s\u00f3, tinha f\u00e3s ardorosas pedindo por mais. Mas quem n\u00e3o estava nessa \u201cfrequ\u00eancia\u201d viu apenas bons m\u00fasicos incapazes de dizer claramente a que tinham vindo. Quando a qu\u00edmica entre eles amea\u00e7ou esquentar, o tempo (rigorosamente controlado pela organiza\u00e7\u00e3o, garantindo a pontualidade dos shows) j\u00e1 havia acabado.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22111\" title=\"elmapatodos2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos2-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um n\u00famero maior de pessoas foi chegando, e pode presenciar o duo Las Acevedo, da Rep\u00fablica Dominicana, exibir uma proposta bem melhor resolvida. As irm\u00e3s g\u00eameas Cristabel (viol\u00e3o e voz) e Anabel (percuss\u00e3o e voz) t\u00eam tr\u00eas EPs gravados, cuja mat\u00e9ria-prima \u00e9 um folk simples e f\u00e1cil. Can\u00e7\u00f5es como \u201cReloj de Arena\u201d, \u201cCena en la Terraza\u201d e \u201cChaka Chaka\u201d s\u00e3o agrad\u00e1veis, e os sorrisos algo acanhados das meninas contribuem para seu carisma. Por\u00e9m, a m\u00fasica delas padece do que o cartunista Caco Galhardo j\u00e1 se referiu como sendo o \u201cfator Vila Madalena\u201d: tudo \u00e9 muito fofinho, bonitinho, legalzinho \u2013 mas, no final, tudo muito \u201cinho\u201d demais. E Anabel n\u00e3o ajudava, errando algumas deixas e cantando fora do tom, azedando a ideia de soar em duas vozes. Apesar disso, a despretens\u00e3o ajudou a criar um clima descontra\u00eddo, e em \u201cChaka Chaka\u201d o duo conseguiu ades\u00e3o do p\u00fablico, que bateu palmas e at\u00e9 cantarolou junto. \u201cFicou fofo?\u201d, perguntou, em portugu\u00eas, Anabel na pen\u00faltima m\u00fasica. Ficou, querida. Um pouco fofo demais, mas tudo bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22113\" title=\"elmapatodos4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos4.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos4.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos4-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 os Ac\u00fasticos e Valvulados sofrem por \u201cexcesso de carisma\u201d. A ironia se justifica: o vocalista Rafael Malenotti insiste no nefasto h\u00e1bito de introduzir cada m\u00fasica com um minidiscurso que termina com o nome da can\u00e7\u00e3o inserido em uma \u201cfrase de efeito\u201d clicheza\u00e7a, al\u00e9m de martelar o mesmo papo de \u201cn\u00f3is \u00e9 rock mesmo\u201d t\u00edpico de saudosista de boteco \u2013 expedientes aos que ele recorre desde sempre. Usando basicamente seus hits (cantados em quase un\u00edssono por um Opini\u00e3o j\u00e1 bastante cheio), a banda entrou em campo com o jogo ganho. Apesar de serem a terceira atra\u00e7\u00e3o da noite, sua popularidade os tornava uma esp\u00e9cie de \u201csegundo headliner\u201d (tanto que houve quem fosse embora ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o deles). Mas os maneirismos do vocalista e a insist\u00eancia em dar um \u201cverniz Rolling Stones\u201d (alguns chamariam de c\u00f3pia na cara dura) \u00e0 cada tema, com o guitarrista Alexandre M\u00f3ica beirando o caricato em sua imita\u00e7\u00e3o de Keith Richards, dificultava para quem n\u00e3o era f\u00e3 se sentir atra\u00eddo pelo show. A \u00fanica can\u00e7\u00e3o nova apresentada \u2013 \u201cMeio Doido e Vagabundo\u201d, um xerox fuleiro de AC\/DC \u2013 n\u00e3o ajudou muito. Uma pena, porque a banda j\u00e1 fez melhor no passado. Ou eu que tinha uma percep\u00e7\u00e3o diferente dez anos atr\u00e1s? \u00c9 mais prov\u00e1vel que seja este \u00faltimo caso.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22114\" title=\"elmapatodos5\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos5.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos5.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos5-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O uruguaio Max Capote veio na sequ\u00eancia e, em poucos minutos, colocou em pr\u00e1tica uma li\u00e7\u00e3o valiosa, que os Ac\u00fasticos teriam feito bem em ter em mente: rock\u2019n roll \u00e9 uma quest\u00e3o de porra-louquice. Max rasgou a garganta como um Wander Wildner possu\u00eddo e encharcado de u\u00edsque (que ele entornava quase sem intervalo entre um copo e outro), fez sua \u201cCulpable\u201d soar como um hit muito aguardado, desceu do palco e cantou \u201cAna\u201d (cover dos peruanos Los Saicos) em cima de uma mesa, entoou uma cumbia-rock f\u00fanebre, jogou bolero no punk e fez ares de crooner estoico enquanto os m\u00fasicos de sua banda desavergonhadamente se entregavam em um gestual de sex symbol de gafieira rocker. Com uma presen\u00e7a de palco que j\u00e1 foi testada no South by Southwest, Capote (\u201co nosso Eric Burdon\u201d, anotei no bloco de notas, para minha pr\u00f3pria surpresa) consegue fazer o p\u00fablico crer que o aparente escracho esconde uma enorme sinceridade. Ou vice-versa. Ele e seus companheiros fizeram um showza\u00e7o poderoso, do tipo que vira refer\u00eancia na vida de quem assistiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Par\u00eanteses pessoal: tamb\u00e9m foi durante o show dele que me dei conta que cr\u00edtico de rock \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o menos cool do mundo. Nada mais pat\u00e9tico que voc\u00ea estar parado no meio da plateia de uma grande apresenta\u00e7\u00e3o de rock\u2019n roll com um bloquinho de anota\u00e7\u00f5es na m\u00e3o. Fecha par\u00eanteses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22115\" title=\"elmapatodos6\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos6.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para fechar o primeiro dia, o Comunidade Nin-Jitsu era outro grupo que subiu ao palco com a vantagem de jogar em casa. N\u00e3o s\u00f3 t\u00eam adoradores na cidade como tamb\u00e9m gravaram um DVD ao vivo neste mesmo Opini\u00e3o. Estava f\u00e1cil, portanto, mas diferente dos Ac\u00fasticos, entraram com fome de palco e assim permaneceram durante todo o show. Mesmo quem (como eu) nunca gostou da banda, de seu visual rid\u00edculo ou de seu batid\u00e3o, foi obrigado a reconhecer estar diante de uma banda que sabe claramente o que quer fazer, e faz muito bem-feito. Mano Changes (deputado estadual pelo PP, atualmente em seu segundo mandato, e com muitos quilos a mais) comandou um s\u00e9quito aos pulos, com v\u00e1rios momentos de destaque: enxertou \u201cBonde do Sexo Anal\u201d (dos inesquec\u00edveis versos \u201cChatuba come cu e depois come xereca \/ \u2018Ranca caba\u00e7o \/ \u00c9 o bonde dos careca!\u201d) no meio de \u201cMerda de Bar\u201d, trouxe Edu K ao palco, e tamb\u00e9m celebrou a presen\u00e7a do guitarrista Erick Endres (filho de 16 anos do tamb\u00e9m guitarrista Fredi) na banda. Ali\u00e1s, toca bem, o guri. Enfim, um \u00f3timo show \u2013 e frise-se que quem diz isso jamais apreciou a banda. E foi um pren\u00fancio de que dias ainda melhores por vir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22116\" title=\"elmapatodos7\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos7.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A noite de quarta-feira come\u00e7ou com clima mais fresco (depois de uma providencial chuvinha breve), com mais gente na plateia e no palco (e eu sem meu bloquinho, porque a li\u00e7\u00e3o tinha sido aprendida). Os seis m\u00fasicos do Esperando Rei Zula (banda de Bras\u00edlia que \u201cdivide\u201d integrantes com o M\u00f3veis Coloniais de Acaju e o Bois de Geri\u00e3o) v\u00e3o do dub \u00e0 m\u00fasica de baile com a mesma excel\u00eancia, repaginando um repert\u00f3rio que vai de Roberto Carlos a Villa-Lobos. O convidado Tonho Crocco, cantor do Ultramen, emprestou sua voz para uma boa vers\u00e3o de \u201cAs Curvas da Estrada de Santos\u201d, mas a banda \u00e9 forte mesmo no instrumental, capaz de convidar tanto \u00e0 dan\u00e7a como \u00e0 \u201dviagem\u201d. Graves batendo fundo, trombone (tocado pela simp\u00e1tica Losha, j\u00e1 que o trombonista \u201coficial\u201d Xande Bursztyn estava se recuperando de uma cirurgia) e sax dialogando com inspira\u00e7\u00e3o entre Skatalites e soul: elementos que foram essenciais para um grande show.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22118\" title=\"elmapatodos8\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos8.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia, a mais poderosa experi\u00eancia do festival. Os curitibanos ru\u00eddo\/mm costumam ser associados ao p\u00f3s-rock, mas \u00e9 mais justo dizer que seu show \u00e9 \u201cp\u00f3s-vida\u201d \u2013 afinal, o que voc\u00ea pode fazer depois de presenciar daquela intrincada e majestosa altern\u00e2ncia entre sil\u00eancio, texturas delicadas e explos\u00f5es \u00e9picas? Os acordes que sa\u00edam da guitarra de Ricardo Pill no come\u00e7o da apresenta\u00e7\u00e3o podiam at\u00e9 remeter ao Explosions In The Sky, mas logo a personalidade do quinteto se fez (oni)presente no Opini\u00e3o. Foi um dos rar\u00edssimos casos em que se pode usar o verbo \u201cmesmerizar\u201d sem medo de soar rid\u00edculo. Porque foi isso que o ru\u00eddo fez com os presentes: Fernando Rosa, organizador do El Mapa de Todos, permaneceu na frente do palco com um sorriso beat\u00edfico, interrompendo-o apenas para chamar minha aten\u00e7\u00e3o para a audi\u00eancia emudecida e embasbacada atr\u00e1s dele. N\u00e3o se via ningu\u00e9m mexendo em seus celulares ou mesmo disperso pela casa, admirando as belas paisagens e possibilidades. Ao final da segunda m\u00fasica, o guitarrista Andr\u00e9 Ramiro perguntou ao p\u00fablico: \u201cvoc\u00eas est\u00e3o bem?\u201d. Ele se referia puramente \u00e0 experi\u00eancia auditiva, mas a quest\u00e3o podia se aplicar ao sensorial e emocional. Teve at\u00e9 quem precisasse dar um tempo na \u00e1rea externa para processar o efeito que a m\u00fasica deles causa. A verdade \u00e9 que muita droga boa n\u00e3o faz o que o ru\u00eddo\/mm faz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22120\" title=\"elmapatodos9\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos9.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Frida, de Gravata\u00ed (RS), n\u00e3o estava nem de perto na mesma frequ\u00eancia, e isso at\u00e9 que foi bom, j\u00e1 que seria tarefa ingrata apresentar uma proposta musical na mesma intensidade. O pop rock da banda \u00e9 sincero e bem-intencionado, mas voc\u00ea conhece o dito popular e j\u00e1 deve saber que, em m\u00fasica, boas inten\u00e7\u00f5es n\u00e3o bastam. As guitarras do quarteto t\u00eam seu charme, mas a falta de refr\u00e3os fortes (ou mesmo memoriz\u00e1veis) e a insist\u00eancia em terminar as m\u00fasicas abruptamente dificultam que a banda cumpra sua proposta. O vocalista Sandro Silveira parecia estar dando tudo de si e at\u00e9 chorou no palco, emocionado com a ova\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Mas ainda falta muito para a Frida ganhar um destaque por seus m\u00e9ritos musicais.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22121\" title=\"elmapatodos10\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos10.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos10.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos10-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e9ritos esses que n\u00e3o faltam aos argentinos do Valle de Mu\u00f1ecas. As melodias da banda s\u00e3o bonitas, real\u00e7adas pelos arranjos que permitem que a voz solista do guitarrista e compositor Mariano Esain seja complementada pelos coros de seu irm\u00e3o, o baterista Luciano. As influ\u00eancias da banda v\u00e3o de Smiths a Wilco, com acenos ao pop dos Byrds (na empolgante \u201cDejadez\u201d), e n\u00e3o faltam hits imediatos, como \u201cMil Formas de Estrellarme\u201d e \u201cLa Soledad No Es Una Herida\u201d (que fechou o show). A banda \u00e9 afiada e acerta sempre que busca o power pop, mas ainda peca um pouco quando tenta ser mais clim\u00e1tica. Felizmente, souberam dosar esses elementos para o lado que lhes \u00e9 mais favor\u00e1vel. O p\u00fablico pode n\u00e3o ter reagido efusivamente (at\u00e9 porque n\u00e3o parece ser essa a inten\u00e7\u00e3o da banda), mas aprovou com aplausos animados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o La Vela Puerca meio que reeditou a adora\u00e7\u00e3o que o Cuarteto de Nos havia suscitado na edi\u00e7\u00e3o de 2012. \u201cMeio que\u201d porque desta vez os uruguaios e ga\u00fachos que lotaram o Opini\u00e3o eram ainda mais numerosos e ruidosos (e mais jovens tamb\u00e9m) que no ano anterior. Cantos de torcida (como \u00e9 comum nos pagos charruas), bandeiras do Uruguai (e do Gr\u00eamio), camisetas da sele\u00e7\u00e3o Uruguaia, do Nacional e do Pe\u00f1arol (e do Gr\u00eamio): reflexos de uma cultura que mistura a adora\u00e7\u00e3o futebol\u00edstica \u00e0 roqueira. E o octeto n\u00e3o desmereceu tanta demonstra\u00e7\u00e3o de apre\u00e7o: fizeram um aut\u00eantico show de est\u00e1dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Opini\u00e3o poderia muito bem ter sido o Est\u00e1dio Ferrocarril Oeste, em Buenos Aires, ou o Teatro de Verano, em Montevid\u00e9u (onde registraram as imagens que aparecem no DVD \u201cNormalmente Anormal\u201d). Foi o terceiro show da banda que presenciei, e nunca os tinha visto t\u00e3o animados. O som baixo prejudicou um pouco as primeiras m\u00fasicas (em \u201c&#8230; y asi vivir\u201d haviam quatro guitarras, e s\u00f3 se ouviam duas), mas logo as coisas se ajustaram e Rafael DiBello e Santi Butler estavam conferindo a grandiosidade que as composi\u00e7\u00f5es merecem, em especial \u201cTodo el Karma\u201d. A apresenta\u00e7\u00e3o primou pelo ataque mais urgente, com hits acelerados, punk de arena, e at\u00e9 faixas do primeiro disco, o algo esquecido \u201cDeskarado\u201d (1997). \u201cCom\u00fan Cangrejo\u201d e \u201cPedro\u201d foram cantadas por Cebolla em dueto com o chefe de palco da banda, Manolo Ferreiro (enquanto Enano, o vocalista principal, tomava o lugar de PP Canedo na bateria). O lado delicado da banda s\u00f3 apareceria na linda \u201cMi Semilla\u201d, j\u00e1 que at\u00e9 a semiac\u00fastica \u201cZafar\u201d incitou o pogo. O bis foi pedido ao som de c\u00e2nticos e fortes pis\u00f5es no mezanino. Uma vers\u00e3o de \u201cVuelan Palos\u201d (outra de \u201cDeskarado\u201d) s\u00f3 com trompete e viol\u00e3o acendeu o coro de \u201cvamo\u2019 la vela de mi coraz\u00f3n\u201d e a \u201cseguidilla\u201d final (\u201cPor la Ciudad\u201d, \u201cEl Viejo\u201d e \u201cEl Profeta\u201d) fez a casa transbordar de adrenalina. E pensar que \u201cquinze anos atr\u00e1s, o La Vela tinha tocado em Porto Alegre para dois uruguaios e dois b\u00eabados\u201d, como declarou ao microfone um comovido Fernando Rosa, antes do show come\u00e7ar. Ao final, a como\u00e7\u00e3o era geral, tanto para o p\u00fablico como para a banda. Coisa linda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mantendo a tradi\u00e7\u00e3o dos anos anteriores, a quinta-feira foi o dia de maior p\u00fablico, e j\u00e1 come\u00e7ou com uma plateia bastante concorrida para ver O Curinga, de Novo Hamburgo (RS). Uma estendida no jantar em companhia de v\u00e1rios amigos jornalistas e produtores atrasou a chegada ao Opini\u00e3o, e perdi a banda. Mea culpa. \u201c\u00c9 pop\u201d, disse, sem maiores detalhes e maiores empolga\u00e7\u00f5es, um colega que estava ali presente. Fica meu compromisso pessoal de v\u00ea-los na primeira oportunidade que surgir.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22125\" title=\"elmapatodos13\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos13.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos13.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos13-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, cheguei a tempo de presenciar toda a apresenta\u00e7\u00e3o do Finl\u00e2ndia. Felizmente, pois o argentino Mauricio Candussi (acorde\u00e3o, teclados e programa\u00e7\u00f5es) e o brasileiro Raphael Evangelista (violoncelo) filtram huayno, candombe, milonga e outros ritmos (brasileiros, inclusive) por uma est\u00e9tica pessoal na qual a energia bruta da m\u00fasica folcl\u00f3rica \u00e9 potencializada (e n\u00e3o contrastada) pela eletr\u00f4nica. O resultado \u00e9 extremamente dan\u00e7ante: viam-se casais e solteiros arriscando passos e requebros na pista, no bar e no mezanino. A voz de Victor Jara apareceu sampleada, mas mesmo antes disso o Finl\u00e2ndia j\u00e1 tinha ganhando o p\u00fablico, primeiro pela surpresa, depois pela energia contagiante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22126\" title=\"elmapatodos14\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos14.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo com a experi\u00eancia dan\u00e7ante rec\u00e9m-ocorrida, Esteban Copete y Su Kinteto Pac\u00edfico precisaram superar a resist\u00eancia da audi\u00eancia, desacostumada com ritmos do Pac\u00edfico como aguabajo, currulao e outros. Ali\u00e1s, abriram com \u201cTorbellino\u201d, cujo t\u00edtulo \u00e9 tamb\u00e9m um dos ritmos tocados pelos grandalh\u00f5es colombianos. O \u201cmarimbeiro\u201d Esteban desliza por seu instrumento trazendo o sol a pino e a brisa praiana do litoral colombiano, secundado pela banda de forma\u00e7\u00e3o at\u00edpica (Jeferson Obando no baixo eletroac\u00fastico, Sergio Ramirez no bombo, Carlos Loboa nos cununos e Fernando Hurtado na voz e na guasa), Vencido o choque cultural, logo a pista pr\u00f3xima ao palco ficou lotada e em clima de festa. A compet\u00eancia t\u00e9cnica dos m\u00fasicos era capaz de deixar muito jazzista boquiaberto, mas ela funciona a favor da m\u00fasica, e n\u00e3o da t\u00e9cnica pura e simples. Ao final, a sensa\u00e7\u00e3o de \u201cquero mais\u201d era inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22123\" title=\"elmapatodos11\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos11.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos11.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos11-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o mais bonito \u00e9 que na sequ\u00eancia vieram Los Mentas, provando que a tal \u201cintegra\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel, como desejada. Ao vivo, os venezuelanos invertem a receita de seus discos: aqui, o rockabilly \u00e9 apenas um ingrediente acrescentado \u00e0 massa punk aparentemente an\u00e1rquica, mas muito bem pensada e executada. Abrindo com a grava\u00e7\u00e3o do \u201chino\u201d \u201cUnidad Educativa Los Mentas\u201d e explodindo em uma sequ\u00eancia de temas que pareciam hits, tamanha a resposta do p\u00fablico, que pogava e pulava sem parar. Depois de Finl\u00e2ndia e Kinteto Pac\u00edfico terem derrubado muitos preconceitos, um formato mais reconhec\u00edvel tinha tudo para levar os presentes ao ponto de ebuli\u00e7\u00e3o. E Los Mentas, que j\u00e1 haviam tocado na edi\u00e7\u00e3o de 2011 do festival, sabiam que bastavam talento e compet\u00eancia para conseguir isso. N\u00e3o se fizeram de rogados, e logo tinha espectador falando que fizeram o melhor show do festival.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22124\" title=\"elmapatodos12\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapatodos12.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao Ultramen coube a tarefa de encerrar a noite. S\u00f3 que ao contr\u00e1rio do Comunidade Nin-Jitsu, o suingue an\u00eamico da banda s\u00f3 convence os f\u00e3s locais. \u00c9 ingrato apontar cr\u00edticas a quem coloca ga\u00fachas para dan\u00e7ar, mas \u00e9 necess\u00e1rio faz\u00ea-lo: entre tentar honrar a heran\u00e7a de Tim Maia e brincar de ser O Rappa, o Ultramen consegue errar ambos os alvos. Tentei sinceramente encontrar m\u00e9ritos na apresenta\u00e7\u00e3o por cinco m\u00fasicas, mas depois me lembrei que a vida \u00e9 curta e a \u201cintegra\u00e7\u00e3o\u201d pode acontecer por outras formas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O saldo final dos tr\u00eas dias de festival foi amplo: al\u00e9m de ter cravado v\u00e1rios shows na mem\u00f3ria cultural e afetiva de quem ali esteve (m\u00fasico ou espectador), o El Mapa de Todos estreitou-se ainda mais a ponte que vem sendo criada pelos festivais independentes da Am\u00e9rica do Sul (com destaque para o uruguaio Contrapedal e o argentino Ciudad Emergente) e tornou poss\u00edvel uma aproxima\u00e7\u00e3o entre as diferentes manifesta\u00e7\u00f5es da riqueza musical (e n\u00e3o apenas roqueira) dos pa\u00edses representados. Uma \u201cbuen\u00edsima onda\u201d, que amea\u00e7a ficar mais valorosa a cada edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22156\" title=\"elmapa12\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapa12.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapa12.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/elmapa12-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; <span> Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a><span>) no Scream &amp; Yel<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Todas as fotos por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PedroHenriqueTesch\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Henrique Tesch<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; El Mapa de Todos 2012: Exemplo de qualidade e perseveran\u00e7a, festival chega ao \u00e1pice (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/11\/11\/festival-el-mapa-de-todos-2012\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; El Mapa de Todos 2013 exibe programa\u00e7\u00e3o inteligente e respeito de um bom p\u00fablico (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/12\/03\/festival-el-mapa-de-todos-2013\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; El Mapa de Todos 2014: Buen\u00edsima onda que amea\u00e7a ficar mais valorosa a cada edi\u00e7\u00e3o (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/11\/18\/balancao-festival-el-mapa-de-todos-2014\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; El Mapa de Todos 2015&nbsp; apostou na diversidade de g\u00eaneros e acerta novamente&nbsp; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/11\/17\/balancao-el-mapa-de-todos-2015\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Leonardo Vinhas\nO saldo final dos tr\u00eas dias foi amplo: cravou momentos na mem\u00f3ria e estreitou os la\u00e7os com festivais de outros pa\u00edses\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/12\/03\/festival-el-mapa-de-todos-2013\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[45,287],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22109"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22109"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22109\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58201,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22109\/revisions\/58201"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22109"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22109"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22109"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}