{"id":22096,"date":"2013-12-02T09:00:48","date_gmt":"2013-12-02T12:00:48","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=22096"},"modified":"2018-12-05T14:40:14","modified_gmt":"2018-12-05T16:40:14","slug":"entrevista-filho-da-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/12\/02\/entrevista-filho-da-mae\/","title":{"rendered":"A nova cena portuguesa: Filho da M\u00e3e"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22097\" title=\"filhodamae\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/filhodamae.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pedro Salgado<\/a>, de Lisboa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Arque\u00f3logo de forma\u00e7\u00e3o e detentor de uma heran\u00e7a punk ao servi\u00e7o de bandas como If Lucy Fell e I Had Plans, Rui Carvalho adotou o nome art\u00edstico Filho da M\u00e3e para o seu projeto solo ligado \u00e0 guitarra cl\u00e1ssica. De acordo com o m\u00fasico, a op\u00e7\u00e3o foi contextual: \u201cA minha rela\u00e7\u00e3o com o instrumento \u00e9 antiga, j\u00e1 tinha algumas can\u00e7\u00f5es preparadas e senti que podia fazer qualquer coisa solo. Isso coincidiu com o momento em que as bandas onde eu tocava deram uma pausa, tive essa disponibilidade e avancei\u201d. O primeiro trabalho, \u201cPal\u00e1cio\u201d (2011), revelou algum classicismo e refer\u00eancias ao mestre da guitarra portuguesa, Carlos Paredes, em temas como a medieval \u201cN\u00e3o Sei Desenhar Barcos\u201d, e deu maior visibilidade ao projeto Filho da M\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A edi\u00e7\u00e3o recente de \u201cCabe\u00e7a\u201d e o hype que o disco e a sua figura t\u00eam gerado foi um dos pontos em foco da nossa conversa, numa esplanada do Jardim da Estrela, em Lisboa. \u201cNormalmente, os elogios fazem-me muito bem, mas passados dois ou tr\u00eas dias j\u00e1 estou procurando outro tipo de refer\u00eancias para trabalhar\u201d, diz. Do novo \u00e1lbum, retiram-se elementos pict\u00f3ricos, on\u00edricos, atmosf\u00e9ricos, folk e rock que no seu conjunto habitam um trabalho prop\u00edcio a diversas interpreta\u00e7\u00f5es. Para Rui Carvalho, o aspeto fundamental \u00e9 a frui\u00e7\u00e3o do p\u00fablico em detrimento de leituras mais imediatas: \u201cAcima de tudo, adoro que a m\u00fasica chegue \u00e0s pessoas e lhes fa\u00e7a bem\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No passado dia 15 de Novembro, no Teatro do Bairro, em Lisboa, perante uma audi\u00eancia interessada, o guitarrista alternou momentos harmoniosos com descargas s\u00f4nicas violentas, mas principalmente exibiu um virtuosismo sereno de algu\u00e9m que se alimenta da energia que cria no instrumento e a devolve aos seus f\u00e3s elaboradamente. O show de apresenta\u00e7\u00e3o de \u201cCabe\u00e7a\u201d funcionou quase como uma performance \u00fanica de sessenta minutos, mas \u00e9 imposs\u00edvel esquecer a interpreta\u00e7\u00e3o punitiva de \u201cMonge \u00c1s Costas\u201d, na qual a combina\u00e7\u00e3o do dedilhar violento encontrou no pedal de efeitos uma boa expans\u00e3o. \u201cTinha alguma expectativa, tentando perceber se as pessoas gostaram e entenderam a nova m\u00fasica, mas as rea\u00e7\u00f5es foram boas\u201d, analisa Rui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m de mais duas datas portuguesas, a tour do disco inclui passagens pela Fran\u00e7a, Holanda e tr\u00eas apresenta\u00e7\u00f5es na Espanha, procurando explorar o alcance de uma arte livre e que dignifica a nova cena portuguesa. Sobre o seu posicionamento no atual movimento musical, Carvalho real\u00e7a a proximidade: \u201cSou p\u00e9ssimo para citar refer\u00eancias, porque abarco v\u00e1rios estilos musicais. Ainda assim, acabo por mencionar os artistas que est\u00e3o mais pr\u00f3ximos de mim e com quem toco frequentemente, como o Linda Martini, Paus e Riding P\u00e2nico e tamb\u00e9m adoro o Dead Combo\u201d. De Lisboa para o Brasil, o Filho da M\u00e3e conversou com o Scream &amp; Yell sobre a sua carreira. Confira:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/EHhmLmkCg3U\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/EHhmLmkCg3U\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na sua interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 frequente a altern\u00e2ncia entre o castigo e momentos de suspense. Sente que a energia dos projetos com o If Lucy Fell e I Had Plans n\u00e3o o abandonaram?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o me abandonaram de todo. O modo como toco guitarra cl\u00e1ssica est\u00e1 muito ligado ao meu background de rock e hardcore. Senti que era engra\u00e7ado desenvolver a ideia, porque s\u00e3o g\u00eaneros que n\u00e3o se misturam assim t\u00e3o bem. Para al\u00e9m disso, h\u00e1 um componente instintivo. Eu sempre estive mais pr\u00f3ximo do rock por toc\u00e1-lo ao vivo, embora escute diferentes estilos musicais. Por isso, o elemento natural e explosivo incorpora o meu trabalho, mais do que os aspectos cl\u00e1ssicos dos quais n\u00e3o possuo forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que objetivos voc\u00ea tinha em mente quando gravou \u201cCabe\u00e7a\u201d?<\/strong><br \/>\nO objetivo mais importante era gravar o disco. Entre o \u201cPal\u00e1cio\u201d e o \u201cCabe\u00e7a\u201d houve um intervalo grande e eu senti que era o momento de lan\u00e7ar um novo \u00e1lbum. Tamb\u00e9m pretendia que fosse um trabalho diferente e que ficasse conclu\u00eddo em 2013. Queria que a m\u00fasica me surpreendesse, porque algumas coisas foram compostas na hora e outras ainda n\u00e3o estavam fechadas e havia takes inteiros de improviso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No novo trabalho voc\u00ea afastou-se do classicismo de \u201cPal\u00e1cio\u201d. Quer comentar?<\/strong><br \/>\nEntendo que se possa falar em classicismo na m\u00fasica, mas n\u00e3o era intencional e pode estar relacionado com refer\u00eancias. Penso melhor em termos de intensidade e a\u00ed \u201cPal\u00e1cio\u201d talvez fosse um disco diferente, considerando a velocidade (a energia que a m\u00fasica transmite) e a eletricidade. Eu queria que fosse um trabalho contemplativo, a puxar para baixo, e acabou por ser um pouco mais negro. Eu n\u00e3o percebo muito de estilos e n\u00e3o se pode dizer que me afastei de algo, apenas pretendia que \u201cCabe\u00e7a\u201d soasse distinto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na apresenta\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum, no Teatro do Bairro, em Lisboa, o p\u00fablico reagiu entusiasticamente aos momentos em que voc\u00ea abra\u00e7ou o rock. Qual \u00e9 a sua leitura do fato?<\/strong><br \/>\nAcredito que (o p\u00fablico) tamb\u00e9m abra\u00e7ou outros instantes. No entanto, o rock \u00e9 sempre mais explosivo e consegue extrair algo das pessoas do ponto de vista corporal. O rock est\u00e1 plenamente misturado com o meu trabalho na guitarra cl\u00e1ssica, por isso ele estar\u00e1 sempre presente. As pessoas assumem isso, mas tamb\u00e9m gostam do contr\u00e1rio, s\u00f3 que as rea\u00e7\u00f5es s\u00e3o diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dos novos temas, \u201cMali Provis\u00f3rio\u201d \u00e9 aveludado e \u201cUm Bipolar\u201d aparece sob a forma de uma caminhada acidentada. No que voc\u00ea se inspira para compor?<\/strong><br \/>\nProcuro algo que j\u00e1 sinto em mim. N\u00e3o \u00e9 muito diferente de fazer riscos numa folha de papel e depois verificar que resultaram num desenho engra\u00e7ado. Na maior parte das vezes, pego num trecho de uma m\u00fasica e trabalho para desenvolv\u00ea-la. A minha inspira\u00e7\u00e3o n\u00e3o adota um m\u00e9todo espec\u00edfico, mas as imagens, o v\u00eddeo e o espa\u00e7o onde estou a atuar estimulam-me. Se eu me deslocar de minha casa para o Ger\u00eas ou Montemor-O-Novo (como fiz para gravar o \u201cCabe\u00e7a\u201d), isso proporciona resultados diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para al\u00e9m de Portugal, apresentar\u00e1 o disco em Fran\u00e7a, Holanda e Espanha. Quais s\u00e3o as suas expectativas para os shows internacionais?<\/strong><br \/>\nAinda n\u00e3o sei. J\u00e1 toquei uma vez em Barcelona numa galeria e enquanto Filho da M\u00e3e n\u00e3o tenho essa percep\u00e7\u00e3o. Foi precisamente por isso que agendei os shows, tentando perceber qual ser\u00e1 a rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico internacional. As expectativas s\u00e3o muitas e espero que corra bem, tudo depende de como funcionar\u00e3o a parte do rock e a componente mais portuguesa e se elas ser\u00e3o bem recebidas. Vamos ver!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/O3J0OHNHOEw\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/O3J0OHNHOEw\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/8vOejVU0IRU\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/8vOejVU0IRU\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/1TUVHnsYU6k\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/1TUVHnsYU6k\" \/><\/object><\/p>\n<p>&#8211; Pedro Salgado (siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\/\">aqui<\/a><\/p>\n<p>&#8211; Foto de Leonor Fonseca<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Nicotine\u2019s Orchestra: \u201cAt\u00e9 onde poderemos ir brincando com o som\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/20\/conexao-portugal-nicotines-orchestra\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Download: Projeto Visto -&gt; Reaproximando Brasil e Portugal com m\u00fasica (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/03\/03\/download-projeto-visto\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; A nova cena portuguesa: Samuel \u00daria (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/06\/11\/a-nova-cena-portuguesa-samuel-uria\/\">aqui<\/a>), Deolinda (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/07\/23\/entrevista-deolinda\/\">aqui<\/a>), Linda Martini (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/24\/entrevista-linda-martini\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Arque\u00f3logo de forma\u00e7\u00e3o e detentor de uma heran\u00e7a punk. 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