{"id":22044,"date":"2008-04-11T10:40:52","date_gmt":"2008-04-11T13:40:52","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=22044"},"modified":"2013-11-30T10:41:30","modified_gmt":"2013-11-30T13:41:30","slug":"cinema-em-paris-christophe-honore","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/04\/11\/cinema-em-paris-christophe-honore\/","title":{"rendered":"Cinema: Em Paris, Christophe Honor\u00e9"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/04\/em_paris.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"495\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jonathan acorda. \u00c9 de manh\u00e3. Do lado esquerdo da cama, uma mulher. Do lado direito, um homem. Ele se desenrola do len\u00e7ol e salta sorrateiramente, nu. Coloca uma samba-can\u00e7\u00e3o, sai do quarto, encontra o pai dormindo sentado na sala, beija-lhe levemente a face, e vai para a sacada do apartamento. Ali ele encontra o espectador, e trava um mon\u00f3logo com a pessoa sentada \u00e0 frente da tela procurando explicar o que se viu minutos atr\u00e1s, e preparar o terreno para o que vir\u00e1 a seguir encerrando o bate papo entre personagem e p\u00fablico com uma pergunta: \u201c\u00c9 poss\u00edvel pular de uma ponte por amor?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com este in\u00edcio pouco usual e deliciosamente interessante, o jovem diretor Christophe Honor\u00e9 joga as cartas na mesa acerca de seu terceiro longa, o drama rom\u00e2ntico familiar \u201cEm Paris\u201d. Paul (Romain Duris da dobradinha \u201cAlbergue Espanhol\u201d\/\u201dBonecas Russas\u201d) acabou de sair de um relacionamento, e est\u00e1 como quase todo mundo fica ao sair de um relacionamento: um baga\u00e7o sentimental. Ao sair da casa da ex, optou por voltar a casa do pai, deslocando o irm\u00e3o Jonathan (Louis Garrel de \u201cOs Sonhadores\u201d) para uma cama improvisada na sala.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cen\u00e1rio \u00e9 de caos familiar. Paul est\u00e1 naquele momento em que a melancolia quer afundar a pessoa dentro de um buraco inacess\u00edvel a todo e qualquer ser-humano. Ele n\u00e3o come, n\u00e3o ri, passa o dia inteiro na cama de pijama ouvindo compactos franceses antigos. Jonathan, por sua vez, est\u00e1 detonado. Chegou no meio da madrugada da balada, se ajeitou desajeitadamente na sala e foi acordado nas primeiras horas da manh\u00e3 pelo pai, Mirko (Guy Marchand em bel\u00edssima atua\u00e7\u00e3o), que s\u00f3 desiste da tarefa de fazer o filho levantar quando este pula da cama improvisada no sof\u00e1, nu novamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Christophe Honor\u00e9 usa esse n\u00facleo familiar ca\u00f3tico formado por tr\u00eas homens para fazer um elogio \u00e0 amizade, ao amor e a Paris. O pai procura de uma forma afavelmente descontrolada tirar o filho do po\u00e7o fundo da tristeza. O irm\u00e3o vai por outro caminho, evitando tocar no assunto que desencadeou todo o drama, e enquanto luta para mostrar a Paul que a vida vale a pena, caminha pelas ruas da cidade-luz apaixonando-se a cada esquina e demorando mais de doze horas para completar um percurso que deveria demorar apenas trinta minutos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lidar com destreza com a ocupa\u00e7\u00e3o do tempo na tela \u00e9 um m\u00e9rito de Christophe Honor\u00e9. O argumento de \u201cEm Paris\u201d \u2013 o valor da amizade e da vida \u2013 poderia render um filme piegas (e na maioria das vezes rende), mas o diretor franc\u00eas acerta em quase todas as suas escolhas bastante pessoais, como a abertura que traz um dos personagens conversando diretamente com o p\u00fablico, convidando-o a sair da cadeira do cinema e a adentrar a hist\u00f3ria como observador. Durante o filme, Jonathan olhar\u00e1 para o espectador mais algumas vezes ressaltando a cumplicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chega a ser surpreendente como o diretor traduz de forma sublime a melancolia (\u201dSubestimamos a tristeza dos outros\u201d, diz Paul em certo momento, mostrando delicadamente a maneira correta de se agir perante um afogado em desilus\u00e3o), o amor familiar (quando o pai desfere um tapa no rosto do filho, que ri, mas n\u00e3o por desrespeito, e sim por entender o quanto aquilo que ele falou bateu forte no peito do velho) e os romances desfeitos (em um emocionante dueto ao telefone de Paul com Anna \u2013 Joana Preiss \u2013, sua ex) em um filme que teria tudo para se tornar uma bobagem na m\u00e3o de muitos outros diretores, mas que nas m\u00e3os de Christophe Honor\u00e9 torna-se grande arte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ps. Sobre a resposta a pergunta do primeiro par\u00e1grafo, bem, \u00e9 \u00f3bvia, n\u00e3o \u00e9 mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/hx73Pw0yA9s\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/hx73Pw0yA9s\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa Jonathan acorda. \u00c9 de manh\u00e3. Do lado esquerdo da cama, uma mulher. Do lado direito, um homem. 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