{"id":22042,"date":"2008-04-06T10:34:02","date_gmt":"2008-04-06T13:34:02","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=22042"},"modified":"2023-10-24T00:06:13","modified_gmt":"2023-10-24T03:06:13","slug":"cinema-shine-a-light-martin-scorsese","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/04\/06\/cinema-shine-a-light-martin-scorsese\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: &#8220;Shine a Light&#8221;, de Martin Scorsese, \u00e9 perfeito como registro de show, mas fraco como document\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-77422\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/04\/shine.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/04\/shine.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/04\/shine-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/04\/shine-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Rolling Stones s\u00e3o a melhor banda de rock de todos os tempos. Pol\u00eamico, n\u00e9. Na verdade, lendo essa frase, acho que nem eu acredito nela, pois o rock \u00e9 um g\u00eanero t\u00e3o abrangente que dar a apenas uma banda tal t\u00edtulo seria injusti\u00e7a com, no m\u00ednimo, mais umas cincoenta outras bandas. Por\u00e9m, se \u00e9 complicado \u2013 por diversos motivos \u2013 dizer que os Stones s\u00e3o a melhor banda de todos os tempos, por outro lado \u00e9 muito f\u00e1cil cravar que ningu\u00e9m bate Mick Jagger e cia em cima de um palco, mesmo hoje em dia. \u201cShine a Light\u201d, filme quase document\u00e1rio de Martin Scorsese, prova isso nas tr\u00eas primeiras m\u00fasicas. E ainda traz mais quinze\u2026 de \u201cb\u00f4nus\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gravado em dois dias (29\/10\/06 e 01\/11\/06) no hist\u00f3rico Beacon Theatre, um pequeno teatro nova-iorquino, o que por si s\u00f3 j\u00e1 ati\u00e7a a curiosidade de qualquer f\u00e3 de rock acostumado a trombar com o grupo em est\u00e1dios lotados quando n\u00e3o praias, \u201cShine a Light\u201d registra uma apresenta\u00e7\u00e3o at\u00edpica dos Stones na turn\u00ea \u201cA Bigger Bang\u201d. Enquanto os shows da turn\u00ea \u2013 incluindo o que passou pelo Brasil \u2013 tra\u00e7avam um painel hist\u00f3rico de quarenta anos de rock and roll atrav\u00e9s de um repert\u00f3rio balanceado que reunia can\u00e7\u00f5es de 1965 a 2005, \u201cShine a Light\u201d n\u00e3o. A m\u00fasica mais \u201cnova\u201d do repert\u00f3rio escolhido \u00e9 \u201cShe Was Hot\u201d, do \u00e1lbum \u201cUndercover\u201d, de 1983, ignorando completamente material mais \u201crecente\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta forma, das dezoito can\u00e7\u00f5es reunidas no filme, o \u00e1lbum mais privilegiado foi \u201cSome Girls\u201d, que completa trinta anos em 2008, representado por quatro can\u00e7\u00f5es. Detonado na \u00e9poca de seu lan\u00e7amento e atropelado pelo movido punk, \u201cSome Girls\u201d aparece em \u201cShine a Light\u201d atrav\u00e9s da faixa t\u00edtulo, \u201cShattered\u201d, \u201cJust My Imagination (Running Away with Me)\u201d (um cover do Temptations) e do country \u201cFar Away Eyes\u201d, que rende um dos grandes momentos do filme, quando Keith, viajando em um solo de guitarra, esquece de voltar ao microfone para fazer a segunda voz, e \u00e9 resgatado por Mick Jagger, que divide com ele o microfone.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que qualquer outra coisa, \u201cShine a Light\u201d serve para corroborar aquilo que todo mundo est\u00e1 careca de saber: Mick Jagger coordena tudo nos bastidores. \u00c9 ele quem acerta os detalhes de grava\u00e7\u00e3o com os auxiliares de Martin Scorsese. \u00c9 ele quem decide o repert\u00f3rio, chegando ao ponto de Ron Wood, a meia hora de come\u00e7ar o show, n\u00e3o ter a m\u00ednima id\u00e9ia do que vai tocar. \u201cEstou curioso para saber qual vai ser o repert\u00f3rio de hoje\u201d, comenta em certo momento. Keith, por sua vez, encarnou de vez o Capit\u00e3o Jack Sparrow, com broche pirata, moedas amarradas em seus fios de cabelo e aquele jeit\u00e3o desconcertado que fez a fama do personagem de Johnny Depp.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O show \u00e9 impec\u00e1vel. A ilumina\u00e7\u00e3o \u00e9 deslumbrante e as dezesseis c\u00e2meras espalhadas pelo pequeno teatro conseguem dar a sensa\u00e7\u00e3o de que o espectador est\u00e1 na beira do palco. Sem contar a grande sacada de Scorsese, um recurso simples que faz o filme\/show crescer muito: no momento em que algum instrumento est\u00e1 em close, o som dele pula na frente dos demais, e ganha destaque. Soa estranho nos primeiros minutos, mas funciona de forma brilhante na sequ\u00eancia, dando ao espectador a perfeita no\u00e7\u00e3o do que o m\u00fasico est\u00e1 fazendo naquele momento dentro da can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Musicalmente, a banda \u00e9 um arraso. Mick parece um garoto de dezoito anos, correndo, pulando, rebolando. E cantando muito. \u201cJumping Jack Flash\u201d, \u201cStart Me Up\u201d e \u201cBrown Sugar\u201d rendem \u00f3timos momentos, mas s\u00e3o as participa\u00e7\u00f5es especiais fazem a diferen\u00e7a. Jack White parece uma crian\u00e7a de t\u00e3o feliz ao dividir viol\u00f5es e vocais com Mick Jagger em uma pungente vers\u00e3o de \u201cLoving Cup\u201d, do cl\u00e1ssico \u201cExile on Main St.\u201d. Christina Aguilera n\u00e3o fica atr\u00e1s em \u201cLive With Me\u201d, mas o grande momento acontece em \u201cChampagne &amp; Reefer\u201d, \u00fanica can\u00e7\u00e3o in\u00e9dita do show, uma cover dos Stones para o original de Muddy Waters. Buddy Guy entra com guitarra e um vozeir\u00e3o que arrepia. No fim, ganha a guitarra de Keith Richards. Ali\u00e1s, outro grande momento do show \u00e9 do guitarrista, que assume o vocal em \u201cYou Got the Silver\u201d (de \u201cLet it Bleed\u201d) e \u201cConnection\u201d (do \u201cBetween the Buttons\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se como show, \u201cShine a Light\u201d soa sensacional, como filme, no entanto, deixa a desejar. Martin ocupa-se primeiramente de dar ao espectador os bastidores da produ\u00e7\u00e3o, e essa op\u00e7\u00e3o funciona at\u00e9 o momento que Bill Clinton entra em cena. Um dos motivos da realiza\u00e7\u00e3o do show no teatro era levantar fundos para uma ONG \u00e0 qual Clinton \u00e9 ligado. Ele se apresenta para a banda, diz que seus sobrinhos v\u00e3o assistir ao show, tira fotos com o grupo, e atrasa a apresenta\u00e7\u00e3o esperando pela presen\u00e7a da sra. Dorothy, m\u00e3e de Hillary. Quando ela chega, Mick n\u00e3o perdoa e a brinda com sarcasmo: \u201cQue bom que voc\u00ea chegou, Dorothy\u201d. Keith tamb\u00e9m sacaneia: \u201cBill deu uma de Bush\u201d. Ent\u00e3o o ex-presidente vai ao microfone, e diz que est\u00e1 abrindo um show dos Stones pela segunda vez. A primeira foi quando fez um discurso atentando para as preocupa\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas (!?!). Al Gore perdeu mais uma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos intervalos entre uma can\u00e7\u00e3o e outra, Scorsese resgata entrevistas com a banda em imagens dos anos 60 at\u00e9 hoje em dia. Drogas, pris\u00f5es, o futuro da banda, as mesmas perguntas de sempre e at\u00e9 um debate de Jagger, nos 70, com dois bispos, um advogado e um juiz servem apenas como curiosidade, mas n\u00e3o acrescentam nada ao filme. Dezenas de livros contam sobre as pris\u00f5es da banda. O despreparo dos jornalistas e a vida extenuante das turn\u00eas j\u00e1 foi retratada com muito mais efici\u00eancia em outros filmes (citando dois: \u201cMeeting People Is Easy\u201d, do Radiohead, e \u201cNo Direction Home\u201d, sobre a vida de Bob Dylan, este \u00faltimo dirigido pelo pr\u00f3prio Scorsese). Se como registro de um show, \u201cShine a Light\u201d \u00e9 perfeito, como document\u00e1rio \u00e9 fraco. Scorsese conseguiu colocar o p\u00fablico praticamente dentro do palco dos Stones, mas n\u00e3o quebrou a redoma de vidro que cerca o grupo. E por mais que as imagens e o som sejam sensacionais, show de rock \u00e9 para se ver ao vivo, n\u00e3o no cinema.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Shine a Light - Official Trailer [HD]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FX5QLgCMA7A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa Os Rolling Stones s\u00e3o a melhor banda de rock de todos os tempos. Pol\u00eamico, n\u00e9. 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