{"id":22019,"date":"2007-11-26T09:41:49","date_gmt":"2007-11-26T12:41:49","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=22019"},"modified":"2013-11-30T09:45:15","modified_gmt":"2013-11-30T12:45:15","slug":"cinema-viagem-a-darjeeling","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/11\/26\/cinema-viagem-a-darjeeling\/","title":{"rendered":"Cinema: Viagem a Darjeeling"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22020\" title=\"viagem-a-darjeeling\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/viagem-a-darjeeling.jpg\" alt=\"\" width=\"274\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/viagem-a-darjeeling.jpg 274w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/viagem-a-darjeeling-205x300.jpg 205w\" sizes=\"(max-width: 274px) 100vw, 274px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas irm\u00e3os que n\u00e3o se falam h\u00e1 mais de um ano marcam uma viagem de trem pelo interior da \u00cdndia com o intuito de se aproximarem e resgatarem a amizade. Simpl\u00f3rio, n\u00e9. Sim, parece, mas tudo que n\u00e3o se espera de um personagem de Wes Anderson \u00e9 que ele seja simpl\u00f3rio. Wes Anderson \u00e9 meticuloso na cria\u00e7\u00e3o de seus personagens. Ele vai l\u00e1 em cima, no inexplorado, e d\u00e1 aos seus personagens tinturas raramente usadas no cinema. Ele \u00e9 bom nisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, um filme precisa muito mais do que personagens divertidos e surreais para ser considerado uma grande obra cinematogr\u00e1fica. D\u00e1 para se dizer, tolamente, que um grande filme \u00e9 uma reuni\u00e3o de diversos pequenos acertos. E \u00e9 mesmo. A hist\u00f3ria prova que n\u00e3o basta um elenco estelar para se obter um grande filme. E que um bom roteiro n\u00e3o sobrevive a um p\u00e9ssimo ator. Tudo se completa, por mais\u2026 simpl\u00f3rio que isso possa parecer (e que as bel\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es ousem contrariar).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s conquistar o mundo com o excelente \u201cOs Exc\u00eantricos Tenenbaums\u201d (2001), Wes Anderson trope\u00e7ou em seu filme seguinte, \u201cA Vida Marinha com Steve Zissou\u201d (2004), mas n\u00e3o caiu, e cambaleante conseguiu alguns momentos sublimes entre v\u00e1rios superficiais ao contar a hist\u00f3ria de um lend\u00e1rio explorador subaqu\u00e1tico (Bill Murray, renascido ap\u00f3s uma gloriosa atua\u00e7\u00e3o em \u201cEncontros e Desencontros\u201d, de Sofia Coppola) num filme dedicado ao explorador Jacques Cousteau.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A consagra\u00e7\u00e3o de um filme muitas vezes \u00e9 a ru\u00edna de um diretor, a pris\u00e3o que sua obra estar\u00e1 eternamente acorrentada. \u201cTenenbaums\u201d trouxe ao mundo um bando de personagens deliciosos em seu mundo de problemas emocionais, e os inseriu em um drama familiar interessante e, por vezes, comovente. Por\u00e9m, enfiou Wes Anderson em uma rotina rocambolesca de autoc\u00f3pia. \u201cViagem a Darjeeling\u201d, novo longa de Anderson, \u00e9 um passo \u00e0 frente se comparado a \u201cA Vida Marinha com Steve Zissou\u201d, e um tombo se tomarmos por base \u201cOs Exc\u00eantricos Tenenbaums\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cViagem a Darjeeling\u201d apresenta Wes Anderson criando (agora a seis m\u00e3os, com auxilio de Roman Coppola e Jason Schwartzman) os mesmos personagens meticulosamente \u2013 e deliciosamente \u2013 caricatos: Owen Wilson \u00e9 Francis, o irm\u00e3o mais velho, aquele que na aus\u00eancia do pai cuidou dos outros dois, Adrien Brody (Peter) e Jason Schwartzman (Jack). Francis est\u00e1 com a cara arrebentada, pois enfiou sua moto em uma montanha. Peter vai ser pai e Jack est\u00e1 tentando fugir da namorada (Natalie Portman). Os tr\u00eas est\u00e3o, sem saber, indo atr\u00e1s da m\u00e3e (Anjelica Huston) que os abandonou para virar freira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme come\u00e7a com um curta-metragem, \u201cHotel Chevalier\u201d, que serve muito bem para enumerar as surrealidades de um personagem de Wes Anderson: Jack recebe uma liga\u00e7\u00e3o no quarto do hotel que est\u00e1 hospedado\/escondido em Paris. Sua namorada (que ele abandonou nos EUA) diz que chegar\u00e1 em 30 minutos. Ele arruma o quarto, prepara uma m\u00fasica no iPod (\u201dWhere Do You Go To (My Lovely) \u201c, de Peter Sarstedt) e a aguarda. Ela chega com um buqu\u00ea de flores, um palito entre os dentes, marcas roxas pelo corpo e cabelos curtos. E domina a situa\u00e7\u00e3o com se fosse o homem da rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa transfer\u00eancia de pap\u00e9is acontece em v\u00e1rios momentos do filme. Francis comanda os irm\u00e3os, que reclamam do mais velho dar ordens, mas sentem falta de algu\u00e9m para fazer a escolha certa por eles. Principalmente por que \u00e9 tudo uma encena\u00e7\u00e3o familiar: Francis faz tudo como sua m\u00e3e fazia. Mas na aus\u00eancia dos pais, eles se chapam com xarope, compram cobras venenosas e visitam templos hindus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o tr\u00eas homens mimados em busca de um sinal, uma placa que os coloque na dire\u00e7\u00e3o correta. A caracteriza\u00e7\u00e3o dos personagens \u00e9 perfeita, a fotografia \u00e9 magn\u00edfica, mas a hist\u00f3ria n\u00e3o convida o espectador a contemplar, muito mais participar. Wes Anderson filma como se estivesse exibindo os defeitos de um homem em um circo de horrores, e como ele j\u00e1 havia feito isso \u2013 e de forma mais convincente \u2013 em suas obras anteriores, tudo parece menor, rarefeito, desinteressante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E isso se agrava quando fica percept\u00edvel que n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7as est\u00e9ticas entre o personagens de Owen Wilson em \u201cOs Exc\u00eantricos Tenenbaums\u201d, \u201cA Vida Marinha com Steve Zissou\u201d e \u201cViagem a Darjeeling\u201d; que quando uma velha can\u00e7\u00e3o dos Rolling Stones (\u201dPlay With Fire\u201d) invade o ambiente como personagem principal remete a outras can\u00e7\u00f5es dos Stones que procuram causar o mesmo impacto em \u201cOs Exc\u00eantricos Tenenbaums\u201d (\u201dShe Smiled Sweety\u201d e \u201cRuby Tuesday\u201d); que quando Anjelica Huston surge em cena \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o se deixar levar pelo deja vu dos filmes anteriores do diretor. E isso tudo apenas diminui as poucas qualidades de \u201cViagem a Darjeeling\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algu\u00e9m pode dizer que Wes Anderson est\u00e1 criando a sua arte. Ok, eu mesmo j\u00e1 escrevi isso avalizando Woody Allen por se repetir tanto sem, no entanto, o poupar das verdades absolutas (a saber: \u201cIgual a Tudo na Vida\u201d, \u201cDirigindo no Escuro\u201d e \u201cO Escorpi\u00e3o de Jade\u201d s\u00e3o lixo comparados a \u201cAnnie Hall\u201d, \u201cHannah e Suas Irm\u00e3os\u201d e \u201cCrimes e Pecados\u201d). Desta forma, Wes Anderson est\u00e1 criando a sua arte centrifugando o que fez de melhor, e se repetindo, gastando desavergonhadamente a f\u00f3rmula que o apresentou ao mundo. \u201cViagem a Darjeeling\u201d n\u00e3o \u00e9 ruim; \u00e9 s\u00f3 um lixo perto de \u201cOs Exc\u00eantricos Tenenbaums\u201d. Se tivesse sido lan\u00e7ado em 2000 seria um grande filme. Hoje \u00e9 um pastiche. Fique com o original.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/khs1j5DdPAc\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/khs1j5DdPAc\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa Tr\u00eas irm\u00e3os que n\u00e3o se falam h\u00e1 mais de um ano marcam uma viagem de trem pelo interior da \u00cdndia \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/11\/26\/cinema-viagem-a-darjeeling\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[733],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22019"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22019"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22019\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22021,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22019\/revisions\/22021"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22019"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22019"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22019"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}