{"id":22004,"date":"2007-11-03T09:22:23","date_gmt":"2007-11-03T12:22:23","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=22004"},"modified":"2013-11-30T09:26:12","modified_gmt":"2013-11-30T12:26:12","slug":"cinema-paranoid-park-gus-van-sant","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/11\/03\/cinema-paranoid-park-gus-van-sant\/","title":{"rendered":"Cinema: Paranoid Park, Gus Van Sant"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22005\" title=\"paranoid\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/paranoid.jpg\" alt=\"\" width=\"338\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/paranoid.jpg 338w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/paranoid-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 338px) 100vw, 338px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exerc\u00edcio de estilo pode ser algo muito interessante. Quando voc\u00ea muito a mesma coisa \u00e9 inevit\u00e1vel que tra\u00e7os iguais apare\u00e7am em todas elas. \u00c9 meio estranho quando reclamam que Woody Allen est\u00e1 se repetindo quando, na verdade, ele est\u00e1 filmando a Woddy Allen, exercitando seu pr\u00f3prio estilo. Por\u00e9m, exerc\u00edcio comumente \u00e9 usado para mascarar uma ideia que era para ser algo grandioso, mas que acabou n\u00e3o funcionando. O certo seria parar tudo, reescrever, mexer em detalhes e se isso n\u00e3o adiantasse desistir do projeto. Mas h\u00e1 muita grana em jogo quando se est\u00e1 fazendo um filme. Ent\u00e3o entra o exerc\u00edcio de estilo para \u201cencher lingui\u00e7a\u201d. \u201cParanoid Park\u201d, de Gus Van Sant, \u00e9 mais ou menos isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma hist\u00f3ria, interessante at\u00e9, em \u201cParanoid Park\u201d. Um vigia de uma linha de trens aparece morto e os frequentadores de um parque de skatistas s\u00e3o convocados para averigua\u00e7\u00f5es. A chance da pol\u00edcia chegar no culpado \u00e9 praticamente inexistente, ent\u00e3o o caso policial \u00e9 deixado de lado para entrarmos no drama pessoal do jovem Alex, filho de pais rec\u00e9m-separados e j\u00e1 marcado por esse fato: n\u00e3o quer transar com a namorada, de quem n\u00e3o gosta tanto assim, porque n\u00e3o quer se envolver e acabar como seus pais. \u201cParanoid Park\u201d aprofunda a an\u00e1lise psicol\u00f3gica como se fosse um \u201cCrime e Castigo\u201d moderno, mas perde for\u00e7a pelas longas tomadas em 8mm de skatistas e pelo exagero na sustenta\u00e7\u00e3o de algumas cenas de mensagem \u00f3bvia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Krystof Kieslowiski, nos extras de seu filme \u201cA Liberdade \u00e9 Azul\u201d, explica uma cena em que um cubo de a\u00e7\u00facar \u00e9 molhado no caf\u00e9, e tomado pelo l\u00edquido. A id\u00e9ia da cena era demonstrar para o espectador o quanto \u00e0 personagem (Juliette Binoche) estava mais interessada no cubo de a\u00e7\u00facar tomado pelo caf\u00e9 do que na declara\u00e7\u00e3o de amor do homem a sua frente. E o diretor conta que sustenta o foco no cubo de a\u00e7\u00facar por cinco segundos, e que a equipe precisou encontrar um cubo de a\u00e7\u00facar que demorasse cinco segundos para ser tomado pelo caf\u00e9, pois o espectador n\u00e3o precisava mais do que isso para entender a cena, e mais tempo seria uma agress\u00e3o. Em v\u00e1rios momentos de \u201cParanoid Park\u201d Gus Van Sant agride o espectador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando n\u00e3o sustenta a cena em excesso, Gus Van Sant usa a trilha sonora para dar ao espectador a resposta que ele precisa para n\u00e3o se perder na trama \u00f3bvia de \u201cParanoid Park\u201d. Exemplo desse expediente \u00e9 o trecho que marca o rompimento de Alex com a namorada. Sai o \u00e1udio dos atores, entra uma can\u00e7\u00e3o de amor, e pelo semblante da namorada percebemos que o inevit\u00e1vel aconteceu. H\u00e1 certa beleza na cena, que se n\u00e3o se passasse em c\u00e2mera lenta talvez tivesse um resultado melhor, mas n\u00e3o bastaria para tirar o filme do buraco de t\u00e9dio em que ele se encontra desde seus primeiros segundos at\u00e9 o seu final arrastado. Na falta de um bom filme, Gus Van Sant exercita seu estilo com \u201cParanoid Park\u201d. Por\u00e9m, poucos diretores no mundo fazem o filme do nada, apenas com seu estilo, e conseguem um resultado arrebatador. Van Sant n\u00e3o \u00e9 um deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/B4D3MRb1OXE\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/B4D3MRb1OXE\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa Exerc\u00edcio de estilo pode ser algo muito interessante. 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