{"id":21707,"date":"2013-11-18T11:00:40","date_gmt":"2013-11-18T14:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=21707"},"modified":"2016-11-19T07:24:08","modified_gmt":"2016-11-19T09:24:08","slug":"rewind-the-film-manic-street-preachers","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/18\/rewind-the-film-manic-street-preachers\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: Rewind the Film, Manics"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21708\" title=\"rewind1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/rewind1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/rewind1.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/rewind1-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/rewind1-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Manic Street Preachers sempre foi uma banda estranha, de dualidades, que n\u00e3o s\u00f3 idolatrava Clash e Guns\u2019n Roses na mesma medida, como apregoava um violento ataque pol\u00edtico nas letras e declara\u00e7\u00f5es tanto quanto recha\u00e7ava os f\u00e3s que baixaram \u201cKnow Your Enemy\u201d (2001) por meios ilegais, idiossincrasias que constru\u00edram uma carreira extremamente particular para uma banda galesa em plena atividade, que j\u00e1 soma mais \u00e1lbuns lan\u00e7ados no novo s\u00e9culo do que no s\u00e9culo passado (6 a 5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma compara\u00e7\u00e3o grosseira, por\u00e9m, apenas \u201cKnow Your Enemy\u201d figurava no n\u00edvel de qualidade dos discos dos anos 90 (notadamente a tr\u00edade cl\u00e1ssica formada por \u201cThe Holy Bible\u201d, de 1994, \u201cEverything Must Go\u201d, de 1996, e o multi-platinado \u201cThis Is My Truth Tell Me Yours\u201d, de 1998), j\u00e1 que o oitentista \u201cLifeblood\u201d (2004) e, principalmente, o barulhento e \u00e1rido \u201cJournal for Plague Lovers\u201d (2009) soam tentativas frustradas de coes\u00e3o enquanto \u201cSend Away the Tigers\u201d (2007) e \u201cPostcards from a Young Man\u201d (2010) s\u00e3o grandes discos menores.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PwwtOd3pMlk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cRewind the Film\u201d (2013), o primeiro dos dois \u00e1lbuns gravados pelo Manics em 2013 (o outro, \u201cFuturologia\u201d, ser\u00e1 lan\u00e7ado no ano que vem \u2013 e dever\u00e1 soar bem mais barulhento), \u00e9 um dos melhores \u00e1lbuns lan\u00e7ados pelo trio gal\u00eas neste s\u00e9culo, um acerto de contas da banda com o novo s\u00e9culo, com a meia-idade e com os sonhos adolescentes. Mais do que isso, \u00e9 quase um continua\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica e sonora do \u00e9pico \u201cThis Is My Truth Tell Me Yours\u201d, por\u00e9m, com arranjos mais despojados e temas menos c\u00ednicos \u2013 embora o cinismo seja um integrante fantasma no Manics tal qual Richey Edwards.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boa parte das can\u00e7\u00f5es de \u201cRewind the Film\u201d olha para o passado com desprezo, uma reflex\u00e3o dolorida que soa quase como a trai\u00e7\u00e3o de um sonho, e tanto o baixista (e principal letrista) Nick Wire quanto o guitarrista James Dean Bradfield, respons\u00e1veis pelas letras do Manics, est\u00e3o apenas com 44 anos, mas parecem sofrer de uma desilus\u00e3o com as rugas maior que o mundo. \u201cEstou t\u00e3o cansado quanto John Lennon cantou\u201d, avisa James em \u201c3 Ways to See Despair\u201d (\u201cTr\u00eas Maneiras de Observar o Desespero\u201d), uma letra em que o personagem se prepara para a inevit\u00e1vel queda enquanto a melodia traz algo dos Beatles do \u201cWhite Album\u201d (mais do que \u201cI\u2019m So Tired\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aproximando \u201cRewind the Film\u201d de \u201cThis Is My Truth\u201d, a can\u00e7\u00e3o de abertura, \u201cThis Sullen Welsh Heart\u201d, observa aquele pai de fam\u00edlia de &#8220;If You Tolerate This Your Children Will Be Next&#8221;, que tentou fazer a sua parte, mas agora, 15 anos depois, lamenta: \u201cEu n\u00e3o quero que meus filhos vivam como eu vivi\u201d. Uma das m\u00fasicas mais sombrias e tristes de 2013, \u201cThis Sullen Welsh Heart\u201d conta com o auxilio vocal l\u00edrico de Lucy Rose, jovem folk singer inglesa que debutou em 2012, e que amplifica a for\u00e7a de uma can\u00e7\u00e3o que j\u00e1 soava dolorida na crua vers\u00e3o demo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/J9L-jyFEsK4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro single, \u201cShow Me the Wonder\u201d, com o baterista Nick Wire no trompete, surpreende aqueles que se envolveram com a melancolia da abertura por sua batida soul e refr\u00e3o edificante, e destoa do repert\u00f3rio, com a letra que valoriza o antagonismo cl\u00e1ssico do Manics: \u201cPodemos escrever em Ingl\u00eas, mas a nossa verdade permanece no Pa\u00eds de Gales\u201d. A faixa t\u00edtulo, por\u00e9m, retorna ao universo deslocado do personagem de \u201cThis Sullen Welsh Heart\u201d, e traz Richard Hawley dividindo os vocais com James e tocando guitarra havaiana em uma melodia que rememora Scott Walker.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A letra de \u201cRewind the Film\u201d exp\u00f5e a inadequa\u00e7\u00e3o com a ampulheta da vida: \u201cEu adoraria rever a alegria de meus amigos \/ Eu quero me sentir pequeno, deitado nos bra\u00e7os da minha m\u00e3e \/ Mas estou esperando a noite que vir\u00e1\u201d. Em \u201cBuilder of Routines\u201c, o personagem avisa que est\u00e1 cansado de ser \u201c4 real\u201d e abre o jogo sem medo: \u201cComo eu odeio a meia-idade \/ entre aceita\u00e7\u00e3o e raiva\u201d. J\u00e1 \u201c4 Lonely Roads\u201d traz a cantora Cate Le Bon numa interpreta\u00e7\u00e3o luminosa que tenta fazer pelo Manics o que Hope Sandoval fez pelo Jesus and Mary Chain em \u201cSometimes Always\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/svkDoEh5pnM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os grandes momentos de \u201cRewind the Film\u201d ainda se inclui a clim\u00e1tica \u201cAnthem for a Lost Cause\u201d (quer t\u00edtulo mais Manics?), que poderia figurar em \u201cThis Is My Truth\u201d, a ac\u00fastica e deliciosamente resmungona \u201cRunning Out of Fantasy\u201d (\u201cMeu ecossistema \u00e9 baseado no \u00f3dio \/ Meu DNA ainda n\u00e3o foi testado \/ Eu odeio a tirania do sol \/ Eu n\u00e3o preciso da sua simpatia\u201d) e a faixa de encerramento, &#8220;30-Year War&#8221;, uma can\u00e7\u00e3o anti-Thatcherismo escrita antes da morte da Dama de Ferro, cuja letra raivosa brada: \u201c\u00c9 a maior piada da hist\u00f3ria \/ Assassinar as classes trabalhadoras em nome da liberdade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de sua vers\u00e3o tradicional, com 12 can\u00e7\u00f5es, \u201cRewind the Film\u201d ganhou uma edi\u00e7\u00e3o luxuosa em formato livreto com dois CDs: um com o \u00e1lbum normal e outro com todas as can\u00e7\u00f5es em arranjo ac\u00fastico (demo), que deixam o &#8220;recado&#8221; das letras ainda mais forte (ou\u00e7a entre os v\u00eddeos abaixo &#8220;Running Out of Fantasy&#8221; e &#8220;Show Me The Wonder&#8221;), mais cinco n\u00fameros ao vivo no O2 Arena (&#8220;There By The Grace of God&#8221;, &#8220;Stay Beautiful&#8221;, &#8220;Your Love Alone Is Not Enough&#8221;, &#8220;The Love of Richard Nixon&#8221; e &#8220;Revol&#8221; &#8211; no iTunes, mudam as can\u00e7\u00f5es ao vivo: \u201cA Design For Life\u201d, \u201cEmpty Souls\u201d, \u201c(It&#8217;s Not War) Just the End of Love\u201d e \u201cFrom Despair To Where\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">D\u00e9cimo-primeiro \u00e1lbum de uma carreira err\u00e1tica e extremamente bem sucedida de 27 anos, \u201cRewind the Film\u201d \u00e9 um \u00e1lbum estranho de uma banda estranha. \u00c9 tamb\u00e9m triste, dolorido e muito bonito, talvez um dos discos mais desolados que o Manics j\u00e1 gravou. Soa como um retrato para a gera\u00e7\u00e3o de James, Nick e Sean tanto quanto um recado para a molecada afundada na adrenalina sem perceber que o tempo, inevit\u00e1vel, passa. \u00c9, provavelmente, o momento de calmaria melanc\u00f3lica antes de \u201cFuturologia\u201d, mas isso fica para o ano que vem. Agora \u00e9 a hora do lamento, de rebobinar a fita, de se odiar por envelhecer. Quem nunca?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NQiGseawtSg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cSend Away The Tigers\u201d, Manic Street Preachers: os melhores dias vir\u00e3o (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/05\/10\/manic-street-preachers-lanca-oitavo-disco\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Faixa a Faixa: \u201cThis Is My Truth, Tell Me Yours\u201d, Manic Street Preachers (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/1999\/03\/13\/faixa-a-faixa-manics-this-is-my-trut\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Faixa a Faixa: \u201cKnow Your Enemy\u201d, Manic Street Preachers (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2001\/01\/28\/faixa-a-faixa-know-your-enemy\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Tr\u00eas discos: \u201cForever Delayed\u201d, \u201cLipstick Traces\u201d e \u201cLifeblood\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/03\/15\/tres-discos-do-manic-street-preachers\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cJournal For Plague Lovers\u201d, Manic Street Preachers: sonoridade \u00e1rida (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/06\/22\/fleet-foxes-manics-e-pavement\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cPostcards from a Young Man\u201d, Manic Street Preachers: chocolate amargo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/09\/16\/cds-brandon-flowers-weezer-e-manics\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; V\u00eddeo: Tr\u00eas can\u00e7\u00f5es do Manic Street Preachers no formato ac\u00fastico (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/03\/08\/tres-cancoes-manic-street-preachers\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; V\u00eddeo: Tr\u00eas can\u00e7\u00f5es do Manic Street Preachers ao vivo em Oslo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2013\/06\/20\/tres-videos-manic-street-preachers-em-oslo\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Manic Street Preachers ao vivo no Norwegian Wood Festival, Oslo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2013\/06\/16\/norwegian-wood-festival-2013-oslo\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nEm um de seus discos mais desolados, o Manic Street Preachers se revolta com a meia-idade, entre a aceita\u00e7\u00e3o e a raiva\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/18\/rewind-the-film-manic-street-preachers\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[263,262],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21707"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21707"}],"version-history":[{"count":22,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21707\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41078,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21707\/revisions\/41078"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21707"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21707"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21707"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}