{"id":21649,"date":"2005-12-27T13:25:46","date_gmt":"2005-12-27T16:25:46","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=21649"},"modified":"2013-11-17T13:37:09","modified_gmt":"2013-11-17T16:37:09","slug":"tres-filmes-classicos-de-woody-allen","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/12\/27\/tres-filmes-classicos-de-woody-allen\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas filmes cl\u00e1ssicos de Woody Allen"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21650\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"woody23\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/woody23.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"284\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Esses Voc\u00ea Precisa Ver:<br \/>\n&#8220;Noivo Neur\u00f3tico, Noiva Nervosa&#8221; (&#8220;Annie Hall&#8221;)<br \/>\n&#8220;Manhattan&#8221;<br \/>\n&#8216;Hannah e Suas Irm\u00e3s&#8217; (&#8220;Hannah and Her Sisters&#8221;)<br \/>\npor Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda vez que assisto a um filme de Woody Allen fico pensando o quanto meus amigos, meus vizinhos, a popula\u00e7\u00e3o da minha cidade (uns 18 milh\u00f5es na \u00faltima contagem), meu pa\u00eds, o mundo precisavam assistir a estes mesmos filmes. \u00c9 uma bobagem, eu sei, mas toda vez que declamo minha paix\u00e3o pelo cinema de Woody Allen, sinto que alguma coisa se desloca no espa\u00e7o gravitacional ao meu redor. \u00c0s vezes acho que Allen parece culto demais para quem gosta de filmes populares e popular demais para quem gosta de cinema art\u00edstico. Entre uma vertente e outra, Allen sobrevive lan\u00e7ando religiosamente um filme por ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que o p\u00fablico, uma parcela da cr\u00edtica parece ranhetizar o diretor. As desculpas s\u00e3o sempre as mesmas: Allen se repete, n\u00e3o tem mais gra\u00e7a, n\u00e3o tem mais a mesma inspira\u00e7\u00e3o de outros tempos. Para come\u00e7o de conversa, a repeti\u00e7\u00e3o \u00e9 um efeito b\u00e1sico da obra de qualquer grande artista. E nem pode ser chamada de repeti\u00e7\u00e3o. Cada artista tem a sua maneira de construir a sua arte, e Woody Allen filma como Woody Allen. \u00c9 claro que o cinema do diretor deu uma bela ca\u00edda nos anos 2000, principalmente na tr\u00edade composta por &#8220;O Escorpi\u00e3o de Jade&#8221; (di\u00e1logos cortantes, argumento tolo), &#8220;Dirigindo no Escuro&#8221; (filme de uma piada s\u00f3, a \u00faltima, muuuuuito boa) e &#8220;Igual a Tudo na Vida&#8221; (o ponto mais baixo da carreira do diretor), mas o velho ditado se confirma: &#8220;um filme mediano de Woody Allen \u00e9 melhor do que 90% do que se v\u00ea em cartaz&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Qual a gra\u00e7a que existe em um filme de Woody Allen?&#8221;, voc\u00ea deve estar se perguntando. Woody filma o mundo real, t\u00e3o violento quanto terno, tr\u00e1gico por\u00e9m belo, tanto cruel quanto esperan\u00e7oso. \u00c9 preciso tato para encontrar beleza em uma rotina t\u00e3o maluca quanto a que vivemos. Alguns cineastas se perdem afundando no lodo da pieguice ou da viol\u00eancia. Allen n\u00e3o. Ele se mant\u00e9m na linha t\u00eanue que separa o caos da divers\u00e3o. Ele n\u00e3o disfar\u00e7a a verdade, no entanto a mostra por um prisma que chega a beirar o lirismo, quando n\u00e3o faz rir muito. Seu texto \u00e9, na grande maioria das vezes, impag\u00e1vel. Mestre em roteiros (j\u00e1 foi indicado ao Oscar em 15 oportunidades &#8211; ganhou em tr\u00eas), Allen costura hist\u00f3rias como ningu\u00e9m e \u00e9 o terror dos tradutores, que precisam condensar em algumas linhas na tela o ritmo alucinado dos personagens do cineasta, que muitas vezes sobrep\u00f5e vozes (como em diversas cenas em mesa), isso quando n\u00e3o disparam a falar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um texto sobre Allen <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/pensata\/ult2707u26.shtml\" target=\"_blank\">escrito para o UOL<\/a>, o colunista Jo\u00e3o Pereira Coutinho cita o cr\u00edtico norte-americano Peter Biskind, da revista Vanity Fair, que escreveu que todos os grandes cineastas de todos os tempos deixaram, no m\u00e1ximo, tr\u00eas ou quatro filmes cl\u00e1ssicos que fizeram hist\u00f3ria e fama. Woody Allen n\u00e3o deixou dois. N\u00e3o deixou tr\u00eas. Biskind arrisca 10: &#8220;Annie Hall&#8221;, &#8220;Manhattan&#8221;, &#8220;A Rosa P\u00farpura do Cairo&#8221;, &#8220;Broadway Danny Rose&#8221;, &#8220;Zelig&#8221;, &#8220;Hannah &amp; Suas Irm\u00e3s&#8221;, &#8220;Crimes &amp; Pecados&#8221;, &#8220;Maridos &amp; Esposas&#8221;, &#8220;Tiros na Broadway&#8221; e &#8220;Desconstruindo Harry&#8221;. Jo\u00e3o Pereira Coutinho arrisca 12: todos esses dez e ainda &#8220;A \u00daltima Noite de Boris Grushenko&#8221; e &#8220;A Outra&#8221;. Eu arrisco 15 incluindo na lista &#8220;Match Point&#8221;, &#8220;Vicky Cristina Barcelona&#8221; e &#8220;Poderosa Afrodite&#8221; . Por fim, falo de tr\u00eas em especial. Tr\u00eas filmes para se assistir e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/11\/04\/woody-allen-de-0-a-10-atualizado\/\">procurar todos os outros filmes do diretor<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21651\" title=\"woody24\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/woody24.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/woody24.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/woody24-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Noivo Neur\u00f3tico, Noiva Nervosa&#8221; (&#8220;Annie Hall&#8221;) &#8211; 1977<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7a de forma simples, com uma cena que vivo citando quando quero explicar o prazer de se estar vivo. Allen sozinho encara a c\u00e2mera: &#8220;\u00c9 uma antiga piada: duas velhinhas em um hotel fazenda. Uma diz: &#8216;A comida aqui \u00e9 um horror&#8217;. A outra diz: &#8216;Eu sei, por\u00e7\u00f5es min\u00fasculas&#8217;. \u00c9 assim que eu vejo a vida: cheia de solid\u00e3o, mis\u00e9ria, sofrimento e tristeza, e acaba r\u00e1pido demais&#8221;. Com essa entrada c\u00f4mica, l\u00edrica e primorosa, o humorista Alvy Singer (Allen) nos conta que seu relacionamento com Annie Hall (Diane Keaton) est\u00e1 caindo aos peda\u00e7os, e ele n\u00e3o sabe como isso aconteceu. O filme \u00e9 uma reconstru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do casal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro ponto importante: n\u00e3o h\u00e1 noivo nem noiva em Annie Hall. Ao se conhecerem, Alvy est\u00e1 saindo de seu segundo casamento, e logo opta (por press\u00e3o de Annie) por um apartamento maior, dividindo a casa com a nova namorada. A hist\u00f3ria dos dois personagens rende algumas das melhores cenas c\u00f4micas do cinema em todos os tempos. Em uma, ap\u00f3s relembrar que beijou uma menina na sala de aula aos seis anos, Alvy questiona: &#8220;\u00c0s vezes me pergunto que fim deram meus colegas?&#8221;. Nisso, cada aluno de seis anos da sala responde: &#8220;Sou presidente da Encanadora Pinkus&#8221;, diz um menininho. &#8220;Era viciado em hero\u00edna, agora sou em metadona&#8221;, diz um garoto fofo. &#8220;Sou chegada em couro&#8221;, comenta uma garotinha de \u00f3culos. A for\u00e7a visual torna a piada irrepreens\u00edvel. Imagine voc\u00ea mesmoa) aos seis anos e depois em hoje em dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em &#8220;Annie Hall&#8221;, no entanto, existem mais umas 15 piadas sensacionais, todas elas inseridas com genialidade na trama. S\u00f3 mesmo Woody Allen poderia resgatar o pensador Marshall McLuhan (interpretando a si mesmo) para desmascarar um falastr\u00e3o em uma fila de cinema. &#8220;Se a vida fosse assim&#8221;, completa Alvy na cena cl\u00e1ssica. Em seus curtos 94 minutos, &#8220;Annie Hall&#8221; analisa com sublime olhar o relacionamento do humorista Alvy com a jovem cantora Annie. Na verdade, Allen analisa praticamente todos os relacionamentos, do flerte \u00e0 paix\u00e3o, do casamento (no filme, simplificado por um &#8220;vamos morar juntos&#8221;) \u00e0 desilus\u00e3o rom\u00e2ntica amparada em Groucho Marx e Freud: &#8220;N\u00e3o quero ser s\u00f3cio de nenhum clube que aceite algu\u00e9m como eu de s\u00f3cio&#8221;. Como acreditar em uma mulher que nos aceita como namorado? Pior: que nos aceita como marido!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Annie Hall&#8221; foi indicado a cinco Oscars, tendo levado quatro: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz (Diane Keaton) e Melhor Roteiro Original. Allen n\u00e3o foi receber as estatuetas pessoalmente, alegando que o compromisso que tem \u00e0s segundas-feiras no Michael&#8217;s Pub (depois, Caf\u00e9 Carlyle) de Nova York, como clarinetista de um conjunto de jazz tradicional, o impedia de comparecer ao evento. Al\u00e9m do Woody Allen e Diane Keaton, o elenco de &#8220;Annie Hall&#8221; conta com Paul Simon (Tony Lacey), Shelley Duvall (Pam), Christopher Walken (Duane Hall) e Jeff Goldblum. Para se transformar na com\u00e9dia rom\u00e2ntica perfeita, Allen soube segurar o freio e n\u00e3o ceder a um final casual rom\u00e2ntico. A vida \u00e9 bela, meu amigo, mas n\u00e3o \u00e9 perfeita.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21652\" title=\"woody25\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/woody25.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/woody25.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/woody25-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Manhattan&#8221; &#8211; 1979<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Filmado em preto e branco, &#8220;Manhattan&#8221; n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma declara\u00e7\u00e3o de amor de Allen \u00e0 Nova York. \u00c9, tamb\u00e9m, uma declara\u00e7\u00e3o de amor ao pr\u00f3prio desamor. Allen \u00e9 Isaac Davis, um escritor divorciado que, aos 42 anos, namora Tracy (Mariel Hemingway), uma jovem de 17. &#8220;Namoro uma garota que faz tarefa de casa&#8221;, diz ele b\u00eabado e incomodado com a situa\u00e7\u00e3o em uma mesa de bar, ao lado da jovem namorada e de um casal de amigos. Em uma cena capital, Tracy consegue provar por a + b que tudo est\u00e1 bem entre eles, mas mesmo assim Isaac n\u00e3o concorda: &#8220;Voc\u00ea \u00e9 muito jovem para ser t\u00e3o esperta desse jeito&#8221;, diz ele, contrariado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isaac passa o tempo renegando a paix\u00e3o que Tracy sente por ele. &#8220;\u00c9 charmoso e er\u00f3tico, principalmente se a pol\u00edcia n\u00e3o aparecer por aqui, mas voc\u00ea n\u00e3o deve fazer isso. N\u00e3o \u00e9 bom&#8221;, aconselha o escritor, que depois promete leva-la ao cinema no dia seguinte, recomendando que ela deve ir embora para casa: &#8220;Sen\u00e3o voc\u00ea fica um dia, no dia seguinte, e quando v\u00ea j\u00e1 est\u00e1 morando aqui&#8221;. A garota comenta: &#8220;N\u00e3o seria uma m\u00e1 ideia&#8221;. Mesmo assim, Isaac despista e prefere dormir sozinho. &#8220;Sou uma pessoa dif\u00edcil de conviver&#8221;, define.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria de &#8220;Manhattan&#8221; acaba se transformando quando o escritor se apaixona pela amante de seu melhor amigo, Yale (Michael Murphy), que \u00e9 casado. Em um primeiro momento, Mary Wilke (Diane Keaton) e Isaac se detestam. &#8220;Ela foi pedante&#8221;, diz ele para Tracy ap\u00f3s o casal encontrar Mary e Yale em uma galeria de arte. &#8220;Se ela tivesse feito algum coment\u00e1rio sobre Bergman eu teria arrancando suas lentes de contato&#8221;, garante o escritor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No meio da trama, Allen insere suas piadas mordazes: &#8220;Uma s\u00e1tira mordaz \u00e9 sempre melhor do que a for\u00e7a f\u00edsica&#8221;, diz uma mulher ao comentar um encontro de nazistas em Nova Jersey. &#8220;For\u00e7a f\u00edsica \u00e9 melhor com nazistas, pois \u00e9 dif\u00edcil satirizar um cara com botas brilhantes&#8221;, responde Isaac, irrepreens\u00edvel. Isso tudo sem contar a ironia da ex-esposa de Isaac o ter &#8216;trocado&#8217; por uma mulher. Lembre-se: estamos em 1979.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s se reencontrarem em uma festa, e sa\u00edrem caminhando e conversando por &#8220;Manhattan&#8221;, Mary e Isaac se apaixonam. O come\u00e7o do romance \u00e9 a desculpa para que Isaac rompa finalmente o romance com Tracy. E ent\u00e3o Allen volta a analisar com sublime leveza, ironia e genialidade os relacionamentos humanos. Do &#8220;vamos morar juntos&#8221; ao &#8220;vamos nos separar&#8221;, o diretor exprime com maestria os percursos desastrados do amor. E o final cl\u00e1ssico do filme \u00e9 uma beleza tr\u00e1gico-rom\u00e2ntica banhada em acaso e arrependimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21654\" title=\"woody27\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/woody27.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Hannah e Suas Irm\u00e3s&#8221; <\/strong><strong><strong>(&#8220;Hannah and Her Sisters&#8221;) <\/strong>&#8211; 1986<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo como pano de fundo a hist\u00f3ria de tr\u00eas irm\u00e3s, Allen volta a misturar romance com com\u00e9dia alcan\u00e7ando um resultado genial. Os conflitos amorosos e exist\u00eancias de Hannah (Mia Farrow), Lee (Barbara Hershey) e Holly (Dianne Wiest) permitem ao diretor passear com maestria por desencontros rom\u00e2nticos, desastres profissionais, desentendimentos familiares e, apesar de todos estes &#8220;des&#8221;, fazer o espectador rir ao final. M\u00e1ximo da obra de Allen: a vida \u00e9 uma droga, mas passa r\u00e1pido demais. Anote.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elliot, em interpreta\u00e7\u00e3o que rendeu um Oscar para Michael Caine, \u00e9 casado com Hannah, mas est\u00e1 perdidamente apaixonado por Lee, sua cunhada. Ele tenta se conter, mas a paix\u00e3o \u00e9 muito mais forte. Lee, por sua vez, \u00e9 casada com Frederick, um professor de arte que tem o dobro de sua idade, e j\u00e1 percebeu que o marido de sua irm\u00e3 a est\u00e1 &#8220;azarando&#8221;. &#8220;Elliot \u00e9 louco por voc\u00ea. Ele sempre recomenda livros ou filmes e est\u00e1 interessado em voc\u00ea&#8221;, diz o marid\u00e3o. O desenrolar dessa hist\u00f3ria \u00e9 um dos pontos altos do filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paralelamente, a terceira irm\u00e3, Holly, a ca\u00e7ula da fam\u00edlia, est\u00e1 se curando de um vicio em drogas, e tentando descobrir algo para fazer na vida. &#8220;Hannah, voc\u00ea pode me emprestar US$ 2 mil para eu come\u00e7ar um novo neg\u00f3cio?&#8221;, pede ela para a irm\u00e3, que \u00e9 dramaturga e est\u00e1 fazendo muito sucesso com sua \u00faltima pe\u00e7a. &#8220;N\u00e3o \u00e9 para coca\u00edna?&#8221;, pergunta, querendo saber se o destino do dinheiro ser\u00e1 nariz adentro. Das tr\u00eas irm\u00e3s, a personalidade de April \u00e9 a mais inst\u00e1vel, algo que deve ter puxado um pouco da pr\u00f3pria m\u00e3e das meninas, uma atriz que mesmo aos 70 e poucos anos se recusa a descartar a bebida e a cinta-liga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ainda temos Mickey (Woody Allen), que \u00e9 diretor de um programa de TV, ex-marido de Hannah, e, sobretudo, um hipocondr\u00edaco nato. Ao fazer a sua visita semanal ao m\u00e9dico da fam\u00edlia, Mickey descobre que pode estar ficando surdo. Mais: que pode ter um tumor no c\u00e9rebro. Ap\u00f3s passar duas semanas tr\u00e1gicas, e quase um ano buscando o sentido da vida (suas tentativas frustradas de ser cat\u00f3lico ou hare-krishna s\u00e3o impag\u00e1veis), Mickey \u00e9 &#8220;salvo&#8221; em uma sess\u00e3o de cinema, durante a exibi\u00e7\u00e3o de um filme dos irm\u00e3os Marx. A hist\u00f3ria toda, at\u00e9 chegar a este cl\u00edmax, \u00e9 de um lirismo que raramente se encontra em roteiros por ai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Hannah &amp; Suas Irm\u00e3s&#8221; foi premiado com tr\u00eas Oscars, de Melhor Ator Coadjuvante (Michael Caine), Melhor Atriz Coadjuvante (Dianne Wiest) e Melhor Roteiro Original. Foi ainda indicado em outras 4 categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Dire\u00e7\u00e3o de Arte e Melhor Edi\u00e7\u00e3o. Traz cita\u00e7\u00f5es de e. e. Cummings (&#8220;N\u00e3o sei o que voc\u00ea tem que me abre e me fecha \/ Somente algo em mim entende que a voz de seus olhos \u00e9 mais profunda do que todas as rosas \/ Ningu\u00e9m, nem me mesmo a chuva tem m\u00e3os t\u00e3o pequenas&#8221;) e Tolstoi (&#8220;A \u00fanica certeza absoluta que o homem tem \u00e9 que a vida n\u00e3o tem sentido&#8221;). \u00c9 um filme po\u00e9tico sem ser piegas, c\u00f4mico e engra\u00e7ado sem ser pastel\u00e3o, inteligente sem soar culto demais. Uma obra prima para ser vista e revista v\u00e1rias vezes. Bem, da listinha de 15 da abertura deste texto, aqui est\u00e3o tr\u00eas que voc\u00ea precisa ver. Se ap\u00f3s estes tr\u00eas filmes voc\u00ea n\u00e3o estiver apaixonado (a) pelo cinema de Woody Allen, eu vou entender que, realmente, a vida n\u00e3o tem sentido. Mas tudo bem, voc\u00ea continua sendo meu amigo (a).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/lpaLAL5ZRKo\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/lpaLAL5ZRKo\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/e7N7aAFRIz4\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/e7N7aAFRIz4\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Qtgw38Yq2Qs\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Qtgw38Yq2Qs\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Sobre todos os filmes de Woody Allen de 0 a 10, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/11\/04\/woody-allen-de-0-a-10-atualizado\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Esses Voc\u00ea Precisa Ver: &#8220;Noivo Neur\u00f3tico, Noiva Nervosa&#8221; (&#8220;Annie Hall&#8221;) &#8220;Manhattan&#8221; &#8216;Hannah e Suas Irm\u00e3s&#8217; (&#8220;Hannah and Her Sisters&#8221;) por Marcelo Costa Toda \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/12\/27\/tres-filmes-classicos-de-woody-allen\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[733,264],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21649"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21649"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21649\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21655,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21649\/revisions\/21655"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21649"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21649"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21649"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}