{"id":21617,"date":"2005-05-27T11:48:23","date_gmt":"2005-05-27T14:48:23","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=21617"},"modified":"2013-11-17T11:57:31","modified_gmt":"2013-11-17T14:57:31","slug":"cinema-melinda-melinda-woody-allen","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/05\/27\/cinema-melinda-melinda-woody-allen\/","title":{"rendered":"Cinema: Melinda &#038; Melinda, Woody Allen"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21618\" title=\"woody9\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/woody9.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para facilitar as coisas, para voc\u00ea e para mim, vamos dizer que existem dois tipos de bons filmes:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a) aqueles que te conquistam na sala da cinema com imagens, textos, passagens matadoras, e voc\u00ea adora, mas que esquece logo depois que vira a esquina em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sua casa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">b) aqueles filmes que fazem voc\u00ea ficar pensando por dias nas malditas minhocas que o cineasta enfiou em sua consci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O g\u00eanio Woody Allen \u00e9 mestre nos filmes da segunda categoria, mas vinha, ultimamente, exercitando os da primeira, o que de certa forma dava um prazer aqui (&#8220;O Escorpi\u00e3o de Jade&#8221;, 2001), rendia risadas ali (&#8220;Dirigindo no Escuro&#8221;, 2002) e at\u00e9 decepcionava um pouco (&#8220;Igual a Tudo na Vida&#8221;, 2003). Boas novas: &#8220;Melinda &amp; Melinda&#8221;, 34\u00ba filme do diretor, aposta na segunda categoria, e \u00e9 o melhor filme dele nos \u00faltimos cinco anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rigor, &#8220;Melinda &amp; Melinda&#8221; chega ao Pa\u00eds com um ano de atraso, no momento em que ele acaba de apresentar em Cannes seu novo filme, &#8220;Match Point&#8221;. O atraso, por\u00e9m, n\u00e3o atrapalha os filmes do diretor, cada vez mais atemporal em suas hist\u00f3rias movidas a jazz, piadas de psicanalista e romances imperfeitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em &#8220;Melinda &amp; Melinda&#8221;, quase tudo que \u00e9 obrigat\u00f3rio em um filme de Woody Allen est\u00e1 na tela, com a grande exce\u00e7\u00e3o sendo a sua aus\u00eancia como ator (e que, realmente, faz falta. S\u00f3 Allen sabe interpretar com magia seus personagens malucos). Por\u00e9m, esta pequena falta n\u00e3o compromete a qualidade de &#8220;Melinda &amp; Melinda&#8221;, que est\u00e1 longe, muito longe de ser um &#8220;Annie Hall&#8221;, 1979, (ou um &#8220;Hannah e Suas Irm\u00e3s&#8217;, 1986), mas faz bonito ao lado de &#8220;Trapaceiros&#8221; (2000), &#8220;Descontruindo Harry&#8221; (1997) e &#8220;Poucas e Boas&#8221; (1999). Ali\u00e1s, quantos cineastas s\u00e3o t\u00e3o prol\u00edficos quanto Woody Allen?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Melinda &amp; Melinda&#8221; parte do pensamento clich\u00ea de que tudo na vida depende da forma que cada pessoa enxergue as coisas. &#8220;A vida pode ser uma trag\u00e9dia ou uma com\u00e9dia, depende de como se olha para ela&#8221;, diz uma mulher sentada a mesa de um bar com mais tr\u00eas amigos. Um deles acredita que a vida \u00e9 tr\u00e1gica. O outro s\u00f3 v\u00ea comicidade nos rumos da dita cuja. Para exemplificar sua hist\u00f3ria, um dos dois homens (ambos diretores de teatro) conta uma hist\u00f3ria (teoricamente real) de uma pessoa que chega a casa de amigos, sem avisar, no meio de um jantar (de neg\u00f3cios, n\u00e3o oficialmente). &#8220;Isto seria um \u00f3timo gancho para uma com\u00e9dia&#8221;, diz um. &#8220;Que nada, isso seria triste. J\u00e1 estou vendo a trag\u00e9dia que iria ocorrer&#8221;, diz o outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21619\" title=\"woody10\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/woody10.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com esse mote nas m\u00e3os, Woody Allen nos conta a hist\u00f3ria &#8211; partindo dos pontos de vista dos dois diretores a mesa &#8211; de duas Melindas, que chegam sem avisar a casa de suas amigas, no meio de um jantar. Radha Mitchell (de &#8220;Em Busca da Terra do Nunca&#8221;) encarna as duas Melindas com sublime desenvoltura. As duas s\u00e3o depressivas, mas uma delas ainda consegue ver sinais de coisas boas no mundo (apesar de insistir em digerir 28 calmantes com vodka) enquanto a outra vive aguardando o momento em que a vida v\u00e1 lhe passar uma rasteira novamente (embora tenha acabado de conhecer um pianista espirituoso e galante).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O choque destas duas tramas permite que Woody Allen exercite seu papel de contador de hist\u00f3rias, e, sobretudo, reafirme suas opini\u00f5es a respeito de fidelidade, amizade, falta de comunica\u00e7\u00e3o entre as pessoas, e amor, esse maldito sentimento que nos faz realizar coisas absurdas e terrivelmente constrangedoras, e pior, n\u00e3o sentir a m\u00ednima vergonha disso. Por\u00e9m, na verdade o que o diretor deixa expl\u00edcito em &#8220;Melinda &amp; Melinda&#8221; \u00e9 que o amor, ou a trai\u00e7\u00e3o, ou o acaso, e a com\u00e9dia e a trag\u00e9dia, podem ser lidos de forma c\u00f4mica ou tr\u00e1gica, dependendo do olhar particular de cada pessoa sobre o fato em quest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com um tema simples a m\u00e3o, Allen consegue brincar com as ideias, dizendo que a vida n\u00e3o \u00e9 nem com\u00e9dia e nem trag\u00e9dia, e sim o que nos fazemos dela. Um dos geniais cartazes do filme traz Allen segurando em cada uma das m\u00e3os uma daquelas famosas m\u00e1scaras teatrais que simbolizam a alegria e a tristeza. Como marionetes, cada um pode ler a hist\u00f3ria da vida de outra pessoa da forma que bem entender. O interessante \u00e9 aplicar a simbologia sobre sua pr\u00f3pria vida, e lembrar que hoje, quietinhos em nossa pr\u00f3pria seguran\u00e7a, rimos de momentos tr\u00e1gicos de nossas hist\u00f3rias. Mas, citando diretamente &#8220;Annie Hall&#8221;, o diretor ainda releva a discuss\u00e3o quase ao fim do filme, mostrando que na verdade n\u00e3o importa se a vida \u00e9 tr\u00e1gica ou c\u00f4mica, o que realmente importa \u00e9 que ela \u00e9 curta. Passa r\u00e1pido demais. Divirta-se. Allen faz isso todos os anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Melinda &amp; Melinda&#8221; vai al\u00e9m de que &#8220;Dirigindo No Escuro&#8221;, &#8220;Igual a Tudo na Vida&#8221; e &#8220;O Escorpi\u00e3o de Jade&#8221;. Est\u00e1 no mesmo n\u00edvel que &#8220;Trapaceiros&#8221; (que analisava a equa\u00e7\u00e3o dinheiro = felicidade) e faz pensar enquanto entret\u00e9m. Nossas vidas, de diversos \u00e2ngulos, s\u00e3o uma trag\u00e9dia grega. \u00c9 melhor rir de tudo isso&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/t6IPioPX760\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/t6IPioPX760\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Todos os filmes de Woody Allen de 0 a 10, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/11\/04\/woody-allen-de-0-a-10-atualizado\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa Para facilitar as coisas, para voc\u00ea e para mim, vamos dizer que existem dois tipos de bons filmes: a) aqueles \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/05\/27\/cinema-melinda-melinda-woody-allen\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[264],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21617"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21617"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21617\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21620,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21617\/revisions\/21620"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21617"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21617"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21617"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}