{"id":21588,"date":"2013-11-17T10:52:51","date_gmt":"2013-11-17T13:52:51","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=21588"},"modified":"2013-12-12T17:32:43","modified_gmt":"2013-12-12T20:32:43","slug":"cinema-blue-jasmine","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/17\/cinema-blue-jasmine\/","title":{"rendered":"Cinema: Blue Jasmine"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21589\" title=\"blue1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/blue1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s um come\u00e7o de s\u00e9culo claudicante representado por tr\u00eas filmes abaixo da marca do mestre (\u201cO Escorpi\u00e3o de Jade\u201d, de 2001, \u201cDirigindo no Escuro\u201d, de 2002, e \u201cIgual a Tudo na Vida\u201d, de 2003), o cinema de Woody Allen encontrou o caminho nos anos 2000 com o bom \u201cMelinda &amp; Melinda\u201d (2004), e tornou-se cl\u00e1ssico com \u201cMatch Point\u201d (2005), um dos melhores filmes de toda a sua carreira (e um dos menos Woody Allen).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De l\u00e1 pra c\u00e1, o n\u00famero de filmes bons (\u201cO Sonhos de Cassandra\u201d, 2007, \u201cVicky Cristina Barcelona\u201d, 2008, e o maior \u00eaxito comercial de sua hist\u00f3ria cinematogr\u00e1fica, \u201cMeia-Noite em Paris\u201d, 2011) se sobrep\u00f5e a quantidade de filmes dispens\u00e1veis (\u201cScoop\u201d, 2006, e \u201cVoc\u00ea Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos\u201d, 2010), e mesmo \u201cPara Roma Com Amor\u201d (2012) \u00e9 mais decep\u00e7\u00e3o por expectativa do que um filme totalmente ruim (h\u00e1 duas boas hist\u00f3rias ali).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dito isto, nada justifica a histeria e o frenesi da cr\u00edtica internacional diante de \u201cBlue Jasmine\u201d, representante de 2013 na carreira do cineasta (desde 1977, com \u201cAnnie Hall\u201d, Woody lan\u00e7a metodicamente um filme por ano \u2013 esse \u00e9 seu 46\u00ba longa-metragem), um \u00f3timo filme que serve de escada para uma atua\u00e7\u00e3o consagradora de Cate Blanchett, mas que n\u00e3o \u00e9 a 7\u00aa Maravilha do Cinema de Woody Allen, como muita gente anda falando por ai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo da cr\u00edtica cinematogr\u00e1fica \u00e9 dever\u00e1s engra\u00e7ado: um c\u00e3o late, e todos os demais come\u00e7am a latir. No caso de Woody Allen, nem um rosnado teria sentido porque o cineasta n\u00e3o estava vivendo uma crise criativa como as do come\u00e7o dos anos 90 e 00, apenas tinha ampliado sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o e deixado Nova York de lado em busca de inspira\u00e7\u00e3o (e apoio financeiro) na Europa \u2013 mas ainda sim filmou \u201cTudo Pode Dar Certo\u201d na cidade em 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21590\" title=\"blue2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/blue2.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cBlue Jasmine\u201d, que se passa em S\u00e3o Francisco e Nova York, \u00e9 \u00f3timo e at\u00e9 pode ser descrito como um dos grandes filmes norte-americanos de Woody Allen no novo s\u00e9culo, mas est\u00e1 longe da recep\u00e7\u00e3o calorosa que vem recebendo. Woody Allen ergue a hist\u00f3ria nos primeiros 10 minutos e passa os 88 minutos seguintes distribuindo pe\u00e7as do quebra-cabe\u00e7a Jasmine: presente, flashback, presente, flashback, presente, flashback. N\u00e3o h\u00e1 cl\u00edmax, mas sim uma hist\u00f3ria linear que ganha contornos dram\u00e1ticos a cada fotograma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme come\u00e7a focando Jasmine (Cate Blanchett), que monologa empolgadamente com uma senhora na primeira classe de um voo. A c\u00e2mera acompanha a protagonista e sua parceira at\u00e9 a esteira de bagagens, onde elas se separam. A senhora encontra uma pessoa, que pergunta: \u201cCom quem voc\u00ea estava conversando?\u201d. E ela explica: \u201c\u00c9 uma mulher que estava falando sozinha na poltrona ao lado. Respondi achando que era comigo, e ela me contou sua vida\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jasmine, o espectador ficar\u00e1 sabendo nas pr\u00f3ximas cenas, era casada com um rica\u00e7o em Nova York que fraudava impostos, foi pego e levou a fam\u00edlia \u00e0 bancarrota. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso, h\u00e1 mais pe\u00e7as que Allen ir\u00e1 distribuindo durante o filme, mas j\u00e1 basta para situar o personagem na hist\u00f3ria. Jasmine est\u00e1 falida (apesar de voar de primeira classe e de sua bolsa Louis Vuitton), e procura refugio na casa da irm\u00e3, a simpl\u00f3ria Ginger, em S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entra em cena aqui um interessante choque de cen\u00e1rios: a socialite que vivia passeando pela Europa, frequentava lojas caras e organizava algumas das \u201cmelhores festas de Nova York\u201d precisa recome\u00e7ar a vida em um apartamento simples de S\u00e3o Francisco, as volta com os dois filhos barulhentos da irm\u00e3 e seu namorado mec\u00e2nico, o tosco Chili (o impag\u00e1vel Bobby Cannavale, grande destaque da s\u00e9rie Boardwalk Empire, como Gyp Rosetti).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21591\" title=\"blue3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/blue3.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"398\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/blue3.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/blue3-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 certa semelhan\u00e7a\/inspira\u00e7\u00e3o entre \u201cBlue Jasmine\u201d e &#8220;Um Bonde Chamado Desejo&#8221;, a pe\u00e7a de Tennessee Williams adaptada para o cinema por Elia Kazan. Como Blanche, Jasmine quer recome\u00e7ar a vida e apagar todo seu passado. Ela tamb\u00e9m se protege em uma redoma de fantasia e virtudes, da qual a irm\u00e3, Ginger, nunca far\u00e1 parte \u2013 \u201cpor ser menos inteligente\u201d (ainda assim, ela tentar\u00e1 ajuda-la, sem sucesso). E Chilli \u00e9 o Stanley Kowalski da vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Woody Allen filma com simplicidade \u00edmpar um personagem que n\u00e3o aprende com seus pr\u00f3prios erros, mas n\u00e3o \u00e9 uma pessoa ruim: na tentativa de recome\u00e7ar a vida, Jasmine trabalha como recepcionista de um dentista (antes, em Nova York, ela tinha sido vendedora em uma loja de sapatos atendendo pessoas que recebia nas festas em sua casa) e estuda computa\u00e7\u00e3o porque quer tirar um diploma de Decoradora de Interiores via internet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mimada e inocente, Jasmine, mesmo decadente, se veste bem e mant\u00e9m uma postura superior. Seus surtos, por\u00e9m, a acompanham, e ela se lembrar\u00e1 constantemente da primeira vez que viu o ex-marido, e contar\u00e1 para quem estiver \u00e0 sua frente (\u201cVoc\u00ea conhece \u2018Blue Moon\u2019, a m\u00fasica? Claro que sim, todo mundo conhece\u201d), como quando ciceroneia os dois pequenos sobrinhos numa lanchonete, e explica para eles as vantagens do choque el\u00e9trico \u2013 uma cena hil\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amparada por um personagem movido \u00e0 vodka, Martini e Xanax, Cate Blanchett brilha (o uso constante do \u201cpresente \/ flashback\u201d valoriza a atua\u00e7\u00e3o) em um filme delicado e sutilmente profundo que fotografa com suave ironia a triste decad\u00eancia de uma mulher (rica), que come\u00e7a o filme sentada na 1\u00aa classe de um voo e termina sozinha em um banco de parque, tal qual um Forrest Gump contando hist\u00f3rias (no caso dela, sempre a mesma), mas sem uma caixa de bombons, apenas lembran\u00e7as de um tempo bom que se foi. Narcisa n\u00e3o vai curtir isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/toRhtvu0RqY\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/toRhtvu0RqY\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Sobre todos os filmes de Woody Allen de 0 a 10, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/11\/04\/woody-allen-de-0-a-10-atualizado\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nO 46\u00ba filme da carreira de Woody Allen \u00e9 um retrato delicado e sutilmente profundo da triste decad\u00eancia de uma mulher (rica)\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/17\/cinema-blue-jasmine\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[265,733,264],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21588"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21588"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21588\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21593,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21588\/revisions\/21593"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21588"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21588"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21588"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}