{"id":21309,"date":"2013-11-11T10:15:19","date_gmt":"2013-11-11T13:15:19","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=21309"},"modified":"2024-11-22T23:48:39","modified_gmt":"2024-11-23T02:48:39","slug":"balancao-planeta-terra-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/11\/balancao-planeta-terra-2013\/","title":{"rendered":"Balan\u00e7\u00e3o Planeta Terra 2013: Um baita festival com shows de Travis, Beck, Blur e&#8230; Lana Del Rey"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21323\" title=\"terra14\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra14.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra14.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra14-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><br \/>\nfotos por <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/sets\/72157637525088596\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Liliane Callegari<\/a> e Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Paulo, 23h35 de 09 de novembro de 2013. No \u00faltimo vag\u00e3o de um trem da linha azul do metr\u00f4, um grupo de pessoas faz uma cantoria desafinada e emocional entoando \u201cTender\u201d, a bela m\u00fasica do Blur, e quem entra nas esta\u00e7\u00f5es seguintes engrossa o coro, num misto de felicidade e realiza\u00e7\u00e3o que diz muito sobre a edi\u00e7\u00e3o 2013 do Planeta Terra, que acabara de findar minutos atr\u00e1s, mantendo o alto n\u00edvel de qualidade de um dos festivais que melhor trata o p\u00fablico neste pobre pa\u00eds de Amarildos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21316\" title=\"terra6\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra6.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na manh\u00e3 ensolarada do mesmo s\u00e1bado, por\u00e9m, o cen\u00e1rio que aconteceria \u00e0 noite ainda era cercado de (algumas) d\u00favidas e (muitas) expectativas: como ser\u00e1 que o Planeta Terra iria se portar neste primeiro ano de parceria do festival com a produtora T4F? O Campo de Marte, que dividiu opini\u00f5es quando do show do Black Sabbath semanas antes, teria sido uma escolha acertada para receber o Planeta Terra? Qual Blur os paulistas iriam ver encerrando o festival: o do Hyde Park ou o da primeira noite no Coachella 2013? Para festa geral, tudo correu bem na edi\u00e7\u00e3o 2013 do Planeta Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21317\" title=\"terra7\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra7.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra7.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra7-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se perde em charme para o Playcenter e, principalmente, para as edi\u00e7\u00f5es do festival na Vila dos Galp\u00f5es, o Campo de Marte pareceu bem adaptado para receber as 27 mil pessoas que bateram ponto no aeroporto militar da capital paulista, embora possa melhorar caso a produ\u00e7\u00e3o decida firmar o lugar como nova casa do evento: um longo gramado subutilizado poderia receber tendas para que o p\u00fablico se proteja do sol (ou da chuva, nunca se sabe) e uma pequena altera\u00e7\u00e3o na posi\u00e7\u00e3o dos dois palcos talvez evite que o som vaze de um para o outro, como aconteceu em alguns shows, sem muito incomodo, mas percept\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21360\" title=\"terra32\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra32.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra32.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra32-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A parte de servi\u00e7os, uma das marcas positivas do Planeta Terra, tamb\u00e9m esteve acima da m\u00e9dia, embora muita gente tenha reclamado das filas para comprar fichas (o que a disponibiliza\u00e7\u00e3o de mais caixas talvez resolvesse) e retirar bebidas, \u00e1gua e cerveja principalmente (esta \u00faltima, Skol Beats em vers\u00e3o 269 ml sendo vendida a R$ 7 \u2013 na porta, antes de adentrar o festival, ambulantes vendiam Stella Artois e Heineken de 350 ml por R$ 5). Os novos banheiros funcionaram bem e a experi\u00eancia positiva de ir e vir sossegadamente de metr\u00f4, com o festival respeitando os hor\u00e1rios, precisa ser elogiada \u2013 e mantida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21313\" title=\"terra3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra3.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto aos shows, O Terno fez uma \u00f3tima apresenta\u00e7\u00e3o em que n\u00e3o faltaram m\u00fasicas novas, covers de \u201cCanto de Ossanha\u201d e \u201cTrem Azul\u201d (o refr\u00e3o \u201cum sol na cabe\u00e7a\u201d fazia muito sentido naquele momento caloroso do dia) e a vers\u00e3o da banda para \u201cPapa Francisco\u201d, can\u00e7\u00e3o do vocalista e guitarrista Tim Bernardes, gravada por Tom Z\u00e9. O pop adolescente e incipiente de Clarice Falc\u00e3o veio na sequencia e recebeu uma acolhida surpreendente, com boa parte do p\u00fablico cantando as can\u00e7\u00f5es e gritando o nome da cantora, reflexo do poder da internet em tempos atuais, que faz at\u00e9 cantorazinhas serem tratadas como estrelas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21318\" title=\"terra8\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra8.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra8.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra8-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">B Neg\u00e3o e os Seletores de Frequ\u00eancia abriram o dicion\u00e1rio de clich\u00eas do dia atacando a PM, em um show pesado e suingado. O hit \u201cEssa \u00c9 Pra Tocar no Baile\u201d foi um dos momentos grandiosos da tarde no festival, que ainda teve os moleques ingleses do Palma Violets se esfor\u00e7ando ao m\u00e1ximo para parecer relevantes em um show simp\u00e1tico que regurgita chav\u00f5es do punk rock mal tocado brit\u00e2nico de Sex Pistols a Libertines, e teve no hit \u201cBest of Friends\u201d, seu grande momento. Um show divertido para quem n\u00e3o conhece Hist\u00f3ria e quer viver a vida ao m\u00e1ximo enquanto o papai paga \u00e1gua, luz, telefone celular e a ma\u00e7\u00e3 raspadinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21314\" title=\"terra4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra4.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra4.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra4-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Travis fez um show bonito e a\u00e7ucarado juntando boas can\u00e7\u00f5es novas (\u201cWhere You Stand\u201d, \u201cMoving\u201d, \u201cMother\u201d) com hits graciosos como &#8220;Driftwood&#8221;, &#8220;Side&#8221;, &#8220;Sing&#8221;, &#8220;Flowers in the Window&#8221; (em momento ac\u00fastico) e, claro, &#8220;Why Does It Always Rain On Me?&#8221;. No outro palco, praticamente na mesma hora, The Roots mostrava sua mistura de r&amp;b, jazz, blues, reggae, soul e hip hop numa pegada que valorizava o suingue com um resultado vers\u00e1til e dan\u00e7ante \u2013 e que contou at\u00e9 com uma Sousafone no palco, o maior dos instrumentos de sopro, da fam\u00edlia das tubas. Funcionou como passatempo \u2013 enquanto sonhamos com um show de Prince.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21352\" title=\"terra25\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra25.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra25.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra25-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reta final do Planeta Terra 2013 come\u00e7ou com o sol partindo e Lana Del Rey chegando, embora a musa j\u00e1 estivesse presente nas redondezas do Campo de Marte em dezenas de vers\u00f5es de camisetas vendidas por camel\u00f4s e coroas de flores ostentadas por f\u00e3s. Logo nas duas primeiras can\u00e7\u00f5es, ela riscou dois clich\u00eas presentes na agenda de todo artista gringo fazendo show no Brasil: desceu para tocar as m\u00e3os do p\u00fablico e voltou enrolada numa bandeira verde e amarela. A histeria dos f\u00e3s em v\u00e1rios momentos cobria a voz da cantora e o som de sua banda, mon\u00f3tona, e quem ficou apreciando uma t\u00edmida missa pop perdeu um dos grandes shows do ano no pa\u00eds: Beck.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21315\" title=\"terra5\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra5.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra5.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra5-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ningu\u00e9m sabia direito o que esperar da apresenta\u00e7\u00e3o de Beck no Planeta Terra, doze anos depois de um show mediano no Rock in Rio, mas o cara deu pistas de que a noite seria especial assim que pisou no palco e abriu o show com o hit \u201cDevil&#8217;s Haircut\u201d. Nos primeiros 10 minutos j\u00e1 tinha gastado seus dois maiores trunfos, tocando tamb\u00e9m \u201cLoser\u201d, mas a excelente banda n\u00e3o deixou o clima cair, passeando classudamente pela discografia do m\u00fasico e por estilos variados (rock, blues, folk e soul, hip hop, country) numa apresenta\u00e7\u00e3o t\u00e3o envolvente quanto experimental. A dupla de can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum \u201cSea Change\u201d (\u201cThe Golden Age\u201d e \u201cLost Cause\u201d) foram uma bela surpresa num show que ainda teve vers\u00f5es para \u201cTainted Love\u201d e \u201cBillie Jean\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21320\" title=\"terra11\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra11.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a responsabilidade de fechar a noite (e de se sobrepor ao show impec\u00e1vel que Beck acabara de fazer no palco 2), o Blur jogou pra galera, mas jogou com vontade e carisma, num repert\u00f3rio de hits que deixou centenas de f\u00e3s af\u00f4nicos ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o, que come\u00e7ou a 300 quil\u00f4metros por hora com \u201cGirls &amp; Boys\u201d e \u201cThere&#8217;s No Other Way\u201d, comoveu na dobradinha \u201cCoffee &amp; TV\u201d e \u201cTender\u201d (com direito a metais e quarteto de backing vocals), e alcan\u00e7ou momentos de perfei\u00e7\u00e3o irretoc\u00e1vel nas vers\u00f5es de \u201cParklife\u201d, com direito a presen\u00e7a de Phil Daniels no palco, \u201cEnd of a Century\u201d, \u201cFor Tomorrow\u201d, \u201cThe Universal\u201d e com ensandecida vers\u00e3o de \u201cSong 2\u201d. Pra ficar na mem\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21321\" title=\"terra12\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra12.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O saldo final do Planeta Terra \u00e9, mais uma vez, positivo, e abre uma expectativa excelente para os anos vindouros da parceria T4F\/Terra. Porque um grande festival n\u00e3o se faz apenas com grandes shows, mas tamb\u00e9m com tratamento respeitoso com o p\u00fablico, que no embalo da emo\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 vivendo a experi\u00eancia do evento fora do local, seja nas ruas da cidade, seja na mesa do bar, seja em um vag\u00e3o de metr\u00f4 no final da noite de um s\u00e1bado especial\u00edssimo. <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcelo.costa.5855\/posts\/654950497860423\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Aperte o play e fa\u00e7a coro<\/a>: \u201cCome on, Come on, Come on \/ Get through it \/ Come on, Come on, Come on \/ Love&#8217;s the greatest thing\u201d&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*******************<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21322\" title=\"terra13\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra13.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a><br \/>\nfotos por <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/sets\/72157637525088596\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Liliane Callegari<\/a> e Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Planeta Terra. Lugar estranho para se estar, mas na maioria das vezes, \u00e9 o \u00fanico lugar que temos. Afinal, \u00e9 neste planeta que vivemos nossas emo\u00e7\u00f5es, onde habitam aqueles que j\u00e1 foram nossos her\u00f3is, aquelas que nos excitam, os que podem nos surpreender&#8230; e nos aborrecer. Na analogia f\u00e1cil que o nome do festival permite, \u00e9 poss\u00edvel criar piadas e met\u00e1foras sem fim. Mas muitas vezes met\u00e1foras s\u00e3o apenas uma maneira de dizer indiretamente o que n\u00e3o queremos dizer \u00e0s claras. Perdendo tais pudores, \u00e9 poss\u00edvel escrever um relato mais honesto de um festival modesto em ambi\u00e7\u00f5es de p\u00fablico (a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o esperava mais que 30 mil pessoas), mas algo ambicioso em seu marketing e em suas pretens\u00f5es&#8230; emocionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21355\" title=\"terra28\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra28.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra28.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra28-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, emo\u00e7\u00e3o. Porque nada mais explicaria a presen\u00e7a de bandas que foram importante para uma gera\u00e7\u00e3o que foi adolescente h\u00e1 mais de 15 anos (Travis, Blur), ao mesmo tempo que trazia artistas importantes para quem ainda \u00e9 adolescente (Lana Del Rey e, numa escala bem menor, Palma Violets). A porcentagem do p\u00fablico \u201cde festival\u201d (aquelas pessoas que pouco se importam com quem est\u00e1 no palco, e que aumenta a cada evento nas grandes cidades brasileiras) era pequena, comparada, por exemplo, ao Lollapalooza. Quem esteve no quente s\u00e1bado no Campo de Marte era gente que sabia cantar \u201cTo The End\u201d, do Blur, do come\u00e7o ao fim; ou que berrava a letra de cada can\u00e7\u00e3o de Lana Del Rey. Um festival com f\u00e3s, portanto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21324\" title=\"terra15\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra15.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 assim que, quando cheguei (16h), pude ver que havia f\u00e3s de B Neg\u00e3o, escalado para o palco principal com seus Seletores de Frequ\u00eancia. Mesmo que bastante deslocada no line up, a banda desempenhou bem, apesar do ex-Planet Hemp n\u00e3o ter um carisma \u00e0 altura de suas can\u00e7\u00f5es. A mesmice de seus vocais, seus clich\u00eas perform\u00e1ticos e a tolice da maior parte de suas rimas n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 altura do groove dos Seletores de Frequ\u00eancia. Ainda assim, rendeu uma festa bacana (e n\u00e3o \u201cde bacana\u201d), com a por\u00e7\u00e3o feminina de nossa linda juventude mostrando os benef\u00edcios de uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel em roupas sum\u00e1rias e dancinhas sensuais. Breve e simp\u00e1tico, como conv\u00e9m a um show sob um sol terr\u00edvel, mas que pode render mais na m\u00e3o de um mestre de cerim\u00f4nias melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-21325 aligncenter\" title=\"terra16\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra16.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto isso, no Palco Smirnoff (o lado&#8230; \u201calternativo\u201d, digamos assim), os Palma Violets faziam seu punkinho mais do mesmo. Hora errada, lugar errado. Num boteco escuro qualquer, para 100 pessoas, deve ser melhor que em um campo aberto, com sol a pino. Vocais gritados, distor\u00e7\u00e3o, meninos bonitos que v\u00e3o virar velhos feios&#8230; voc\u00ea conhece o esquema. Entraram, deram seu recado e sa\u00edram. Alguns viram, uns tantos gostaram, ningu\u00e9m se lembrar\u00e1. J\u00e1 o The Roots acha que faz m\u00fasica elaborada e sensual.  Ningu\u00e9m acredita, e o rep\u00f3rter prefere descobrir qual barraca de comida  ainda tem a\u00e7a\u00ed. Uma tarefa bem mais agrad\u00e1vel do que ouvir o \u201cgroove de  duplex decorado\u201d que os negr\u00f5es executam. E fica a li\u00e7\u00e3o do Alice Donut:  o \u00fanico jeito de incluir a tuba na m\u00fasica pop \u00e9 o escracho, queridos.  N\u00e3o d\u00e1 para usar uma tuba a s\u00e9rio, a menos que voc\u00ea seja o Hypnotic  Brass Ensemble. E voc\u00eas, The Roots, n\u00e3o s\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21326\" title=\"terra17\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra17.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tarde avan\u00e7a, o sol n\u00e3o d\u00e1 tr\u00e9gua e a tal \u201cemo\u00e7\u00e3o\u201d cobra sua vig\u00eancia quando o Travis entra no Palco Terra. Em disco, \u00e9 f\u00e1cil ter m\u00e1 vontade com a coxice da banda, mas ao vivo, Fran Healy sabe ser simp\u00e1tico sem for\u00e7ar a barra. E os hits da banda s\u00e3o bons. Pop simples, honesto e bem feito, ponto final. Teve marmanjo chorando em \u201cDriftwood\u201d e \u201cWriting to Reach You\u201d, e at\u00e9 c\u00ednicos acharam bonita a vers\u00e3o de \u201cFlowers In The Window\u201d s\u00f3 com viol\u00e3o e teclado, com Healy circundado pela banda, num clima de \u201csomos todos amigos\u201d. Curioso: a can\u00e7\u00e3o mais execrada do bom \u201cThe Invisible Band\u201d foi uma das saudadas com maior entusiasmo. Prova de que boas can\u00e7\u00f5es resistem aos humores de sua \u00e9poca. Teria sido mais legal com menos sol (desculpe a insist\u00eancia, mas estava quente), mas ainda assim, valeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21327\" title=\"terra18\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra18.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra18.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra18-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A noite chega, e o p\u00fablico, literalmente, se divide. A massa adolescente delira com cada gesto ensaiado e previs\u00edvel de Lana del Rey. O \u201cresto\u201d (um p\u00fablico heterog\u00eaneo demais para ser resumido) se surpreende com Beck, acompanhado de quatro excelentes m\u00fasicos que desfiam vers\u00f5es pesadas e muit\u00edssimo bem-executadas de \u201cDevil\u00b4s Haircut\u201d, \u201cNovacane\u201d e \u201cLoser\u201d logo de cara. Encontrar um \u201cf\u00e3\u201d de Beck \u2013 algu\u00e9m com disposi\u00e7\u00e3o para conhecer a fundo sua longa discografia (11 LPs, 3 EPs) \u2013 no p\u00fablico n\u00e3o seria tarefa f\u00e1cil, mas n\u00e3o foi uma minoria que se surpreendeu com o groove, o peso e a execu\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es que, gra\u00e7as \u00e0 unidade da banda, n\u00e3o destoavam entre si, mesmo indo do blues ao funk. Showz\u00e3o para castigar o esqueleto e dar uma segunda chance \u00e0 carreira de est\u00fadio do norte-americano (\u201cfilho do Roberto Leal com o Marvin Gaye\u201d, como brincou algu\u00e9m na plateia). E a Lana? Bem, quem a acha diva vibrou. Mas quem tem divas costuma ser condescendente com elas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21328\" title=\"terra19\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra19.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"623\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra19.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra19-291x300.jpg 291w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8230; e a condescend\u00eancia \u00e9 algo que n\u00e3o cabia ao Blur. Mesmo com boa parte do p\u00fablico mais jovem j\u00e1 fora do Campo de Marte, o local parecia lotado. Muitos querendo ver de perto o quarteto que tinha marcado suas vidas, definido suas emo\u00e7\u00f5es com \u201cEnd of A Century\u201d e inspirado amores com \u201cTender\u201d.  J\u00e1 estavam, portanto, com o jogo ganho, mas mesmo assim, fizeram valer o dinheiro e o esfor\u00e7o de quem tinha aguentado firme at\u00e9 ali. Com o show completo (o que inclui metais e um coro de quatro vozes), os ingleses entraram matadores e sa\u00edram cansados. No meio disso tudo, hits irrepreens\u00edveis (mas precisava \u201cTrimm Trabb\u201d e \u201cCaramel\u201d?), Damon Albarn se mostrando um gigante de carisma, gente chorando em \u201cTo The End\u201d e \u201cTender\u201d, mais uma vers\u00e3o \u00f3tima de \u201cParklife\u201d com a participa\u00e7\u00e3o do ator Phil Daniels. Tudo muito bom, tudo muito bem&#8230; mas dif\u00edcil evitar a sensa\u00e7\u00e3o de que bom mesmo teria sido v\u00ea-los quando ainda eram uma banda (digamos, nas apresenta\u00e7\u00f5es de 1999 por aqui) e n\u00e3o funcion\u00e1rios de sua pr\u00f3pria fama. Sabe a tal \u201cemo\u00e7\u00e3o\u201d? Ent\u00e3o, essa coube inteiramente ao p\u00fablico, porque no palco, tudo era profissional e extremamente bem-feito. S\u00f3 que meio&#8230; vazio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21329\" title=\"terra20\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra20.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encerrada a (boa) festa que foi essa Planeta Terra, ficava a certeza de haver vivido um dia divertido, o que est\u00e1 bom demais em tempos bicudos (ou em qualquer tempo). Mas se houvesse vontade de refletir, daria para pensar que aquela pessoa que voc\u00ea era em 1998 est\u00e1 morta e enterrada, e os her\u00f3is dela n\u00e3o est\u00e3o mais preocupados em saber se d\u00e1 para ressuscitar o cad\u00e1ver. A\u00ed, esse mesmo fantasma descobre que quem continua legal \u00e9 o amigo pra quem nunca deu import\u00e2ncia (Travis) e que o outrora mala (Beck) aprendeu a ser gente fina. Coisas da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*******************<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21330\" title=\"terra21\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra21.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Capelas<\/a><a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><\/a><br \/>\nfotos por <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/sets\/72157637525088596\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Liliane Callegari<\/a> e Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A semana que antecedeu o Planeta Terra de 2013 foi chuvosa, fria e cheia de nuvens em S\u00e3o Paulo, como se um mau press\u00e1gio ca\u00edsse sobre o evento. Entretanto, o sol que brilhou forte na capital paulista durante o s\u00e1bado do festival afastou as d\u00favidas de quem temia problemas com a mudan\u00e7a de local (que, depois de sair do Playcenter em 2011, passou pelo Jockey Clube no ano passado) e de produ\u00e7\u00e3o (com o comando dividido entre Terra e Time for Fun), dando o tom certo para que o dia come\u00e7asse bem no Campo de Marte, na zona norte da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21349\" title=\"terra22\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra22.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra22.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra22-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o festival come\u00e7ou, ao menos para este escritor, com os paulistanos d\u2019O Terno, que em 40 minutos de show se mostrou deslocado num palco t\u00e3o grande, tocando para uma plateia mais preocupada em se refugiar na sombra do que curtir. Com suas guitarradas emprestadas dos anos 60, covers espertos de \u201cCanto de Ossanha\u201d e \u201cO Trem Azul\u201d (o sol na cabe\u00e7a, sempre ele) e can\u00e7\u00f5es bacanudas de sua pr\u00f3pria lavra, como \u201cPapa Francisco Perdoa Tom Z\u00e9\u201d (gravada pelo m\u00fasico baiano em \u201cTribunal do Feicibuqui\u201d) e o semi-hit \u201c66\u201d, O Terno fez o melhor show nacional do festival, mesmo que pouca gente tenha visto.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21350\" title=\"terra23\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra23.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra23.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra23-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia, a \u201crevela\u00e7\u00e3o\u201d do ano, Palma Violets. Um amigo dizia que eles eram o novo Vaccines. Outro argumentava que se tratava do Sex Pistols da gera\u00e7\u00e3o 00, mas um Sex Pistols cujo maior hit \u00e9 \u201csobre um cara que tem a chance, mas n\u00e3o quer transar com a melhor amiga pra manter a rela\u00e7\u00e3o como est\u00e1\u201d. No palco, o Palma Violets faz um rock b\u00e1sico, cheio de riffs esporrentos de tr\u00eas ou quatro acordes. No calor tropical do Campo de Marte, com cimento, poucas \u00e1rvores e muito bafo, talvez o melhor adjetivo para definir essa apresenta\u00e7\u00e3o seja eficaz. E h\u00e1 algo de muito errado com uma banda de rock quando ela pode ser nomeada com uma palavra que vem direto do mundo corporativo. Sign\u2019o the times, sign\u2019o the times.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21351\" title=\"terra24\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra24.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra24.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra24-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi preciso regressar ao final da d\u00e9cada de 1990 para que o Planeta Terra tivesse seu primeiro grande momento real. Pisando pela primeira vez no Brasil, os escoceses do Travis \u2013 aquela banda que o Coldplay sempre quis ser e nunca teve talento suficiente \u2013 soube fazer o p\u00fablico cantar com louvor e alegria, especialmente na segunda metade do show, quando a banda abriu seu caminh\u00e3o de hits, com direito a extremos como a rodinha de pogo afetiva (aquela na qual se pede desculpa depois de uma cotovelada) em \u201cSide\u201d e o momento clich\u00ea-ac\u00fastico de \u201cFlowers in the Window\u201d. Entre os dois, uma galera animad\u00edssima cantava a mel\u00f4 do cheque em \u201cCloser\u201d (\u201cCruza, cruza\/\u00e9 nominal, \u00e9 nominal\u201d, em uma piada que os f\u00e3s de Lana del Rey n\u00e3o entenderiam), todo mundo se abra\u00e7ava em \u201cSing\u201d e Fran Healy brilhava no hino dos Charlies Brown da vida, \u201cWhy Does It Always Rain On Me?\u201d. Um show para colar com Super Bonder quaisquer cora\u00e7\u00f5es partidos que estivessem no Campo de Marte. Amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21353\" title=\"terra26\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra26.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra26.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra26-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por falar em amor, amor demais tamb\u00e9m pelas f\u00e3s de Lana del Rey, que, com suas coroas de flores na cabe\u00e7a, fizeram o Planeta Terra 2013 um festival lind\u00edssimo e perfumado. Uma pena que todas elas tenham ido ao Campo de Marte para ver uma grandiosa farofa-f\u00e1, sem bacon nem ervilha para acompanhar. A histeria dos f\u00e3s (que, no olh\u00f4metro, respondiam, por baixo, por 40% do p\u00fablico presente) era inversamente proporcional \u00e0 voz de Lana, que chegou cheia de pose, saiu carregada de presentes e badulaques e ainda deu um selinho num felizardo garoto. Cercada por uma banda competente (mundo corporativo, voc\u00ea de novo por aqui?), Lana mostrou seus hits dignos de Antena 1, que apareceram em uma mixagem bizarra, que aumentava o volume das caixas de som apenas nos refr\u00e3es. Muito barulho por nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21363\" title=\"terra33\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra33.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra33.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra33-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto isso, no outro palco, Beck fazia um t\u00edpico \u201cshow para entendidos\u201d. A cada m\u00fasica, uma nova ideia surgia no ar, e para quem n\u00e3o conhece a carreira do cantor a fundo foi dif\u00edcil acompanhar as coisas depois que o norte-americano gastou seu maior hit (\u201cLoser\u201d) logo na terceira faixa e fez uma cover maluca para \u201cTainted Love\u201d, aquela mesma composta por Ed Cobb,  originalmente gravada por Gloria Jones, em 1964, e transformada em sucesso mundial com Soft Cell, em 1981. Quem ficou at\u00e9 o final saiu dizendo que era o show do ano, mas \u00e0quela altura do campeonato, era preciso guardar pernas e energia para o Blur.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21359\" title=\"terra31\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra31.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra31.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra31-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez seja v\u00e1lido criticar o line-up deste Planeta Terra por seu car\u00e1ter revisionista.  Afinal, excluindo Lana e o punk para neg\u00f3cios do Palma Violets, quem fez a diferen\u00e7a no festival foram bandas com quase duas d\u00e9cadas de estrada, com um headliner que est\u00e1 numa turn\u00ea de reuni\u00e3o h\u00e1 tempos e toca um repert\u00f3rio que \u00e9 basicamente greatest hits. Parece ser uma desculpa para jogar f\u00e1cil demais. Mas quando um time nega o resultado simples para jogar bonito, se esfor\u00e7ando no palco como uma Sele\u00e7\u00e3o de 70 com seus maiores craques, essa cr\u00edtica fica meio torta e tudo que resta dizer \u00e9: \u201chere\u2019s your lucky day\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21357\" title=\"terra30\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra30.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De volta ao pa\u00eds depois de catorze anos, o Blur s\u00f3 n\u00e3o fez chover no Planeta Terra. Damon Albarn continua cantando como antes, botando todo mundo para dan\u00e7ar em \u201cGirls and Boys\u201d ou despeda\u00e7ando cora\u00e7\u00f5es em \u201cEnd of a Century\u201d, al\u00e9m de comandar um dos maiores hinos gospel da igreja chamada m\u00fasica, \u201cTender\u201d. O anti guitar-hero Graham Coxon, por sua vez, \u00e9 a chave para momentos brilhantes como \u201cCoffee &amp; TV\u201d e os solos de \u201cThis is a Low\u201d, \u201cCaramel\u201d e \u201cTrimm Trabb\u201d. Isso para n\u00e3o falar na participa\u00e7\u00e3o ic\u00f4nica do ator Phil Daniels em \u201cParklife\u201d, do romance com a lua em \u201cTo The End\u201d e da beleza do bis, que teve \u201cFor Tomorrow\u201d, \u201cUnder the Westway\u201d e \u201cThe Universal\u201d. No fim, tudo virou festa, suor e felicidade em um bate cabe\u00e7a com grandes amigos em \u201cSong 2\u201d, a cereja no bolo de um show inesquec\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21312\" title=\"terra1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra1.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No saldo geral, este foi o melhor Planeta Terra dos \u00faltimos anos. Ainda que a cerveja cara, grandes filas para comprar fichas e retirar comida e bebida e problemas com a retirada de ingressos tenham marcado negativamente o dia de muita gente, a produ\u00e7\u00e3o acertou em muita coisa: do hor\u00e1rio pontual e da localiza\u00e7\u00e3o \u00e0 estrutura dos banheiros, passando pela qualidade do som e pelo melhor cabe\u00e7a de cartaz em anos. Falta um bocado para que se chegue ao alto n\u00edvel dos festivais europeus, mas hoje o Terra continua muito \u00e0 frente de seus concorrentes, fazendo com que a gente se esque\u00e7a dos perrengues t\u00edpicos de ir a um festival no Brasil e possa se concentrar no principal: ouvir boa m\u00fasica ao lado  dos amigos \u2013 e voltar para casa cantando no metr\u00f4 como se n\u00e3o houvesse amanh\u00e3. Oh my baby, chega logo 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21311\" title=\"terra2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/terra2-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a><br \/>\n&#8211; Liliane Callegari (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/licallegari\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@licallegari<\/a>) \u00e9 fot\u00f3grafa. Veja a galeria completa de fotos do festival <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/sets\/72157637525088596\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a><br \/>\n&#8211; <span>Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a><span>) no Scream &amp; Yel<\/span><br \/>\n&#8211; <span> Bruno Capelas (<\/span><a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@noacapelas<\/a><span>) \u00e9 jornalista e assina o blog <\/span><a href=\"http:\/\/pergunteaopop.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pergunte ao Pop<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas as fotos por Liliane Callegari com exce\u00e7\u00e3o das imagens de Beck, Travis, O Terno e Lana Del Rey, por Marcelo Costa, e as \u00faltimas fotos de Beck (por Mauro Pimentel, do Terra) e Blur (por Ricardo Matsukawa, do Terra).<\/p>\n<p><strong>Leia mais<\/strong><br \/>\n&#8211; Planeta Terra 2007: CSS, Devo e Rapture fazem bons shows (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/11\/11\/css-devo-e-rapture-fazem-bons-shows-em-sao-paulo\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Planeta Terra 2008: Indie bate o Mainstream no segundo festival (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/11\/09\/balancao-planeta-terra-2008\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Planeta Terra 2010: uma noite p\u00farpura hip-hip-hipster (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/11\/28\/balancao-do-planeta-terra-2010\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Planeta Terra 2011: quatro olhares sobre um mesmo festival (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/11\/08\/balancao-planeta-terra-2011\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Planeta Terra 2012: muito melhor do que a expectativa previa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/10\/22\/balancao-do-planeta-terra-2012\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Bruno, Leonardo e Marcelo\nNo saldo geral, esta foi a melhor edi\u00e7\u00e3o do Festival Planeta Terra nos \u00faltimos anos. Ainda que a cerveja cara, as grandes filas&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/11\/balancao-planeta-terra-2013\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[732,254],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21309"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21309"}],"version-history":[{"count":19,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21309\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":85504,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21309\/revisions\/85504"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21309"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21309"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21309"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}