{"id":21283,"date":"2013-11-07T13:02:19","date_gmt":"2013-11-07T16:02:19","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=21283"},"modified":"2021-06-08T17:45:23","modified_gmt":"2021-06-08T20:45:23","slug":"scream-yell-recomenda-selton","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/07\/scream-yell-recomenda-selton\/","title":{"rendered":"Scream &#038; Yell recomenda: Selton"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21268\" title=\"senton1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/senton1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa madrugada de quarta-feira, em um bar no bairro da Vila Madalena, em S\u00e3o Paulo, local em que a Selton iria fazer o pen\u00faltimo show de sua segunda turn\u00ea pelo Brasil, o jornalista comenta com Ricardo, vocalista e tecladista da banda, quando este conta um pouco da hist\u00f3ria do grupo: \u201cVoc\u00ea n\u00e3o tem ideia de como essa hist\u00f3ria \u00e9 surreal para quem est\u00e1 vendo de fora\u201d. No que ele complementa: \u201cEssa hist\u00f3ria \u00e9 completamente surreal para n\u00f3s mesmos!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corte para 2005, \u00e9poca em que quatro ga\u00fachos se encontram em Barcelona e come\u00e7am a tocar no m\u00edtico Parque G\u00fcell, que leva a assinatura do arquiteto Ant\u00f4nio Gaud\u00ed, maneira que encontram de levantar grana para pagar aluguel e sobreviver na cidade catal\u00e3. Um produtor italiano os v\u00ea tocando e os leva para Mil\u00e3o, onde gravam \u201cBanana \u00e0 Milanesa\u201d, um disco de covers de can\u00e7\u00f5es do Enzo Jannacci, e&#8230; estouram no pa\u00eds de Laura Pausini e Eros Ramazzotti.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s rodar a It\u00e1lia fazendo shows, os quatro se redescobrem como banda, e sob supervis\u00e3o do produtor Tommaso Colliva (que j\u00e1 havia trabalhado com Muse e Franz Ferdinand), lan\u00e7am \u201cSelton\u201d, o segundo disco. \u201cPor ser um disco autoral, sem querer renegar o \u2018Banana \u00e0 Milanesa\u2019, consideramos o \u2018Selton\u2019 como nosso primeiro disco de fato\u201d, justifica Ricardo. Em 2013 a banda retornou com \u201cSaudade\u201d, um disco muito mais plural, cantado em italiano, ingl\u00eas e portugu\u00eas, e conseguiu elogios dos principais ve\u00edculos sobre m\u00fasica na It\u00e1lia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSaudade\u201d, explica o guitarrista e vocalista Ramiro, \u201c\u00e9 sobre a nossa condi\u00e7\u00e3o de estrangeiros em qualquer lugar\u201d. O disco, que abre com uma empolgante vers\u00e3o de \u201cQui Nem Jil\u00f3\u201d, de Luiz Gonzaga, e conta com a participa\u00e7\u00e3o de Arto Lindsay, \u00e9 um caleidosc\u00f3pio sonoro que valoriza a condi\u00e7\u00e3o do ser brasileiro em terra estrangeira ao mesmo tempo em que se influencia pelo cosmopolitismo musical do mundo atual, em que longe \u00e9 um lugar que n\u00e3o existe no mundo virtual, e todas as informa\u00e7\u00f5es est\u00e3o a um clique do mouse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Scream &amp; Yell encontrou os quatro integrantes da Selton em um bar para conversar sobre a experi\u00eancia europeia de um grande grupo que est\u00e1 solidificando uma carreira musical na It\u00e1lia, mas quer ampliar horizontes e chegar at\u00e9 outros pa\u00edses da Europa tanto quanto atravessar o Atl\u00e2ntico e alcan\u00e7ar Estados Unidos e Brasil. \u00c9 uma banda de trajet\u00f3ria bastante peculiar, respons\u00e1vel por um dos grandes discos de 2013, e que merece ser acompanhada com aten\u00e7\u00e3o. Com voc\u00eas, Selton:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Selton - Qui Nem Gil\u00f3 (Saudade) [Feat. Arto Lindsay]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QMXNE1G7A20?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas foram juntos para a Europa? Como voc\u00eas se conheceram?<\/strong><br \/>\nRamiro: N\u00f3s estudamos na mesma escola em Porto Alegre. O Eduardo e o Ricardo eram colegas de classe, sempre estudaram juntos, e eu era de outra turma. S\u00f3 o Daniel que a gente conheceu depois&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: O Ramiro tamb\u00e9m cresceu pr\u00f3ximo por sermos vizinhos de praia, essa coisa de fam\u00edlia. Ent\u00e3o n\u00f3s tr\u00eas (Ricardo, Eduardo e Ramiro) crescemos praticamente juntos. O Daniel foi fazer o \u00faltimo ano no nosso col\u00e9gio&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ramiro: Mas a gente nunca tinha tocado junto no Brasil. Foi por acaso&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem foi o primeiro a ir para a Europa?<\/strong><br \/>\nDaniel: Eu. Me formei na faculdade em janeiro de 2005 e em fevereiro j\u00e1 estava em Barcelona. Peguei o canudo e disse: \u201cPai e m\u00e3e, vou dar uma volta, beleza\u201d (risos). Eu tinha me formado em publicidade, mas queria dar um tempo, ent\u00e3o fui estudar m\u00fasica em um conservat\u00f3rio&#8230; s\u00f3 pra ver o que rolava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: E ele foi estudar viol\u00e3o (risos)&#8230; mas a gente obrigou ele a ser baterista (mais risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Os meus primeiros tempos em Barcelona foram assim (estudando em conservat\u00f3rio), e eu j\u00e1 estava come\u00e7ando a gravar algumas m\u00fasicas, e chamei o Ricardo para cantar&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Cheguei a Barcelona um m\u00eas depois do Daniel em busca de&#8230; aventura (risos). Sei l\u00e1, ainda n\u00e3o tinha me formado, mas tranquei a faculdade e fui&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas tinham bandas no Brasil?<\/strong><br \/>\nRicardo: S\u00f3 o Ramiro, que tocava com o Plato Divorak e os Anal\u00f3gicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ramiro: Eu era super pi\u00e1, tinha 17 anos quando fui fazer show com o Plato, aquela psicodelia total. Mas a minha hist\u00f3ria e do Dudu \u00e9 paralela a do Daniel e do Ricardo. Em abril (de 2005) n\u00f3s trancamos a faculdade e fomos com outros dois amigos para Portugal \u2013 moramos no Algarve por seis meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eduardo: E a gente come\u00e7ou a tocar por l\u00e1 em hot\u00e9is, coisas meio tur\u00edsticas, mas sem ter ideia de montar uma banda. Passados seis meses decidimos ir para Barcelona, porque t\u00ednhamos um amigo l\u00e1 e quer\u00edamos dar uma \u00faltima volta antes de voltar para o Brasil e terminar a faculdade. E encontramos os outros dois, e estava todo mundo tentando tocar, ent\u00e3o decidimos unir for\u00e7as e montar uma banda pra ver no que ia dar&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ramiro: Come\u00e7amos a tocar direto na rua. Fomos para o Park G\u00fcell, porque l\u00e1 h\u00e1 muito m\u00fasico de rua, e come\u00e7amos a ensaiar ali mesmo. E a hist\u00f3ria de quando a gente come\u00e7ou a tocar na rua \u00e9 completamente absurda: na primeira vez a gente ganhou 30 euros, e foi legal. Na segunda vez, 50 euros. Na outra, 80&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Progress\u00e3o aritm\u00e9tica de raz\u00e3o 2,5 euros \/ hora (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ramiro: E foi realmente assim! Durante uma semana, (o valor que a gente arrecadava) s\u00f3 crescia. E pensamos: h\u00e1 um fil\u00e3o (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: E a gente n\u00e3o queria contar o dinheiro na frente do p\u00fablico, ent\u00e3o saiamos do parque, dobr\u00e1vamos uma esquina, sent\u00e1vamos e come\u00e7amos a contar as moedas: \u201cCaralho, deu uma grana\u201d&#8230; (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: \u201cUma grana\u201d&#8230; (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ramiro: Ap\u00f3s um m\u00eas fazendo isso, juntamos a grana e gravamos um EP com as can\u00e7\u00f5es que a gente tocava na rua, essencialmente Beatles. Come\u00e7amos ent\u00e3o a vender os discos e, quando vimos, est\u00e1vamos vivendo disso e era uma loucura, cinco vezes por semana conhecendo gente do mundo inteiro&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Warner Chappell Music Italiana TV - Selton (Saudade)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JGlH5mqvMR0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Beatles \u00e9 uma grande escola pra come\u00e7ar a tocar&#8230;<\/strong><br \/>\nRamiro: Pra gente foi \u201ca\u201d escola. No come\u00e7o, o nosso set era muito minimal: era voz, viol\u00e3o e baixol\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: O Dudu ia para o parque com um baixol\u00e3o desligado, que s\u00f3 ele ouvia (risos), porque a gente n\u00e3o tinha dinheiro pra comprar um amplificador. Era eu tocando viol\u00e3o e cantando, o Ramiro tamb\u00e9m, e o Dudu no baixol\u00e3o, mas estava faltando uma coisa r\u00edtmica. E come\u00e7amos a pensar em quem mais ou menos a gente conhecia e mais ou menos sabia tocar alguma coisa, e pensamos no Daniel. Ligamos e ele: \u201cTenho um shaker e um caxixi. Rola?\u201d. Rola (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eduardo: T\u00ednhamos visto ele tocando (baqueta) vassourinha de jazz em uma lista telef\u00f4nica e pensamos: ele sabe (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: O cara l\u00ea o \u201cChega de Saudade\u201d, do Ruy Castro, a parte sobre o Milton Banana tocando vassourinha numa lista telef\u00f4nica, e pensa: \u201cQue legal\u201d (mais risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: A nossa hist\u00f3ria \u00e9 completamente p\u00e9 de chinelo (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Na primeira vez, a gente chegou e foi tocar na arena principal do Parque G\u00fcell, e chegou um policial e disse que n\u00e3o pod\u00edamos tocar ali. Ent\u00e3o sa\u00edmos catando lugares at\u00e9 que algu\u00e9m nos falou que havia um lugar no parque chamado Tr\u00eas Cruzes, e que l\u00e1 rolava tocar. No primeiro dia, tocamos e rolou uma graninha, mas chegou um velhinho nos avisando: \u201cEsse lugar tem dono. H\u00e1 um grupo que toca todos os dias de manh\u00e3, e voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o poder voltar\u201d. Ent\u00e3o voltamos no dia seguinte e trocamos uma ideia com os caras, que nos deixaram tocar toda ter\u00e7a-feira \u00e0s 9h da manh\u00e3. E toda ter\u00e7a-feira de manh\u00e3 a gente estava l\u00e1 (risos)&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ramiro: Era o lugar mais alto do parque, e a gente subia a p\u00e9, uma peregrina\u00e7\u00e3o (risos)&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: O Dudu carregando a pr\u00f3pria cruz (risos)&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Depois, al\u00e9m da ter\u00e7a-feira ganhamos mais dois dias, porque uns grupos iam saindo, outros iam chegando e fomos galgando posi\u00e7\u00f5es no parque e pegamos um lugar bom!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ramiro: Da\u00ed chegou o ver\u00e3o m\u00e1gico&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas fizeram isso durante o inverno tamb\u00e9m? Como era?<\/strong><br \/>\nRamiro: Uma merda. \u00cdamos com luva furada nos dedos para tocar e os dedos congelando&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E tinha gente pra ver?<\/strong><br \/>\nEduardo: Tem gente o ano inteiro no Parque G\u00fcell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Voc\u00ea fica ali quatro horas pegando frio e tocando, e passam tr\u00eas ou quatro pessoas, olham, d\u00e3o uma grana&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Mas n\u00e3o h\u00e1 como comparar: em termos de grana e de magia, a partir de mar\u00e7o\/abril come\u00e7ava a esquentar e ia at\u00e9 setembro\/outubro e era inacredit\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ramiro: Cada dia era uma jornada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Sendo que junho, julho e agosto era o para\u00edso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ramiro: Teve o cl\u00e1ssico dia em que chegamos, montamos tudo e come\u00e7amos a tocar. Na primeira m\u00fasica para um \u00f4nibus s\u00f3 com suecas&#8230; (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Era a primeira vez que a gente levava um amigo nosso, e t\u00ednhamos dito: \u201c\u00c0s vezes rola uma galera\u201d. E ele: \u201cAh, claro, claro\u201d (duvidando). E para um \u00f4nibus s\u00f3 com loiras! Elas compraram todos os nossos CDs! Acabou! E a gente tinha come\u00e7ado o dia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ramiro: E nosso amigo olhando pra gente sem acreditar (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Selton Park Guell\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vWghmAoM4QE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O CD era s\u00f3 Beatles?<\/strong><br \/>\nRicardo: Beatles e umas duas m\u00fasicas do Chico, que eram as coisas que a gente conseguia tocar at\u00e9 o fim&#8230; juntos. Era o que funcionava. Ningu\u00e9m disse pra gente: \u201cVoc\u00eas tem que tocar Beatles\u201d. Foi acontecendo. A gente foi entendendo que Beatles encaixava naquela forma\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o tinha nem microfone. A gente j\u00e1 estava arriscando umas harmonias, e chamava a aten\u00e7\u00e3o, era em ingl\u00eas e, misturando os fatores, Beatles \u00e9 perfeito. Funcionava com a gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ramiro: Havia v\u00e1rias bandas ali que tocavam pra caramba, uns puta m\u00fasicos tocando jazz, funk e tudo mais. E a gente era completamente outra coisa. As pessoas olhavam pra gente e viam uma banda, quatro caras dando sangue, e come\u00e7ou a rolar, chegava gente trazendo cerveja, pedindo aut\u00f3grafo, uma coisa meio rock star (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eduardo: A gente tocava muito pior que as outras bandas do parque, por\u00e9m, rolava um lance.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: A gente tinha muita coragem e vontade! E cara dura, claro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse per\u00edodo voc\u00eas j\u00e1 come\u00e7am a compor material pr\u00f3prio?<\/strong><br \/>\nDaniel: Individualmente, mas a verdade \u00e9 que a banda ainda n\u00e3o era uma coisa t\u00e3o presente pra gente. O neg\u00f3cio ali era pagar o aluguel, fazer festa, beber ceva, ir pra praia e tocar. N\u00e3o existia um pensamento de banda. Mas com o tempo, rolando grana, compramos um amplificador para o baixo do Dudu \u2013 que era um amplificador carregado por uma bateria de moto. Compramos uma bateria de crian\u00e7a pra mim, muito pequena&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: 100 euros!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: &#8230;e colocamos o logotipo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Era um bumbo do tamanho de um copo, mas tinha o logo da banda (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eduardo: As pessoas deviam pensar: \u201cO que esses caras est\u00e3o fazendo? Eles pensam que s\u00e3o uma banda mesmo!\u201d (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: E rolou! Hoje em dia at\u00e9 temos um projeto paralelo que somos n\u00f3s quatro tocando Beatles dessa maneira. Temos esse show tamb\u00e9m porque \u00e9 uma coisa muito nossa, era a nossa maneira de tocar Beatles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por quanto tempo voc\u00eas fizeram isso?<\/strong><br \/>\nEduardo: At\u00e9 o fim de 2007&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Isso, dois anos, mas no final do primeiro ano conhecemos o pessoal da MTV italiana&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ramiro: A gente estava tocando no parque e, quando viu, havia quatro caras apontando pra n\u00f3s. Eles eram produtores de um programa da MTV italiana que estava sendo gravado em Barcelona, curtiram a banda e n\u00f3s chamaram para participar. Fomos para Mil\u00e3o e acabamos conhecendo o produtor musical do programa, que pirou com a banda e come\u00e7ou a falar: \u201cVoc\u00eas precisam vir pra It\u00e1lia!\u201d. Come\u00e7amos ent\u00e3o um per\u00edodo de ponte-a\u00e9rea Barcelona \/ Mil\u00e3o, em que come\u00e7amos a conhecer pessoas, ouvir m\u00fasica italiana&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Foi nesse mesmo per\u00edodo que come\u00e7amos a pensar se as composi\u00e7\u00f5es individuais de cada um poderiam ser da banda. Eles nos deram esse toque tamb\u00e9m: \u201cVoc\u00eas s\u00e3o uma banda, e ainda n\u00e3o perceberam. S\u00f3 falta terem as m\u00fasicas de voc\u00eas\u201d. N\u00e3o que a gente n\u00e3o tivesse dado conta, mas n\u00e3o est\u00e1vamos com isso na cabe\u00e7a, e esse empurr\u00e3ozinho ajudou. Ent\u00e3o come\u00e7amos a compor&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eduardo: Compramos um pro-tools e come\u00e7amos a gravar enlouquecidamente, o dia inteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Foi um ver\u00e3o muito engra\u00e7ado, porque tamb\u00e9m nos chamaram para tocar num festival com Massive Attack e Jamiroquai&#8230; A gente era uma banda que tocava na rua! N\u00e3o tinha o menor cabimento&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Essa foi a segunda vez que dissemos: \u201cOpa, alguma coisa est\u00e1 acontecendo\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eduardo: Foi quando pensamos que, ao inv\u00e9s de Porto Alegre, se a gente tinha uma banda, talvez fosse a hora para dar uma chance pra ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Rolou tamb\u00e9m um produtor alem\u00e3o, diretor do Hansa Studios, que nos viu tocar e queria que a gente fosse pra Berlim gravar com ele, e a gente tinha rec\u00e9m-assinado com o produtor italiano. Ou seja, tinha alguma coisa acontecendo&#8230; e alguma coisa legal podia acontecer. Foi quando come\u00e7amos a ir direto para Mil\u00e3o, e desenvolvemos a primeira ideia de projeto gravando o \u201cBanana \u00e0 Milanesa\u201d, nosso primeiro disco&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Selton live on TV (Rai2 - Italy)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rZFSUgp7cXE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco de covers italianas&#8230;<\/strong><br \/>\nRicardo: Isso. Principalmente de um autor, Enzo Jannacci, que faleceu recentemente. Era um cara de Mil\u00e3o que se aproximou de um quase movimento tropicalista, guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, dos anos 60. Era um cara que tinha toques surrealistas nas letras, com arranjos inovadores para a \u00e9poca, cr\u00edtico, de contracultura. Ele \u00e9 parte do DNA de Mil\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: S\u00f3 que ele era t\u00e3o especial e t\u00e3o carism\u00e1tico que era respeitando em toda a It\u00e1lia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ramiro: N\u00e3o era o cara \u00f3bvio, sabe. Essa escolha talvez tenha feito com que o projeto se tornasse t\u00e3o peculiar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas conheciam algo de m\u00fasica italiana?<\/strong><br \/>\nRamiro: S\u00f3 o que chegava ao Brasil e algumas coisas que a gente at\u00e9 tinha ouvido, mas n\u00e3o associava a obra. \u00c9 dif\u00edcil, porque n\u00e3o chega quase nada (da m\u00fasica italiana no Brasil)&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Na d\u00e9cada de 60, a It\u00e1lia exportava muita m\u00fasica boa, mas depois s\u00f3 come\u00e7ou a chegar o mainstream italiano. O m\u00e1ximo que chega hoje \u00e9 Jovanotti, que j\u00e1 tem um pouco mais de qualidade, mas ainda assim \u00e9 super mainstream.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eduardo: A verdade \u00e9 que h\u00e1 m\u00fasica brega e de qualidade duvidosa em todo o mundo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual eram as expectativas que voc\u00eas tinham ao gravar o \u201cBanana \u00e0 Milanesa\u201d?<\/strong><br \/>\nRamiro: A gente n\u00e3o sabia muito bem o que ia acontecer, mas houve uma super coincid\u00eancia, pois pegamos as m\u00fasicas do Enzo Jannacci, e muitas m\u00fasicas ele havia feito em parceria com a dupla de comediantes Cochi e Renato, que tamb\u00e9m integravam aquele movimento de contracultura de Mil\u00e3o nos anos 60. Eles estavam completamente desaparecidos, fora da m\u00eddia, e bem naquele momento em que est\u00e1vamos gravando, eles retornam com um programa na televis\u00e3o. N\u00f3s acabamos participando do programa, conhecemos Enzo Jannacci e ali o projeto come\u00e7ou a crescer muito, come\u00e7amos a tocar na televis\u00e3o, na RAI, rodando a It\u00e1lia, e foi completamente surreal, porque meses antes est\u00e1vamos tocando na rua em Barcelona&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: A gente foi se apropriando da consci\u00eancia dessas coisas, mas n\u00e3o houve nenhum planejamento. As coisas foram acontecendo. Temos a cabe\u00e7a no lugar, ent\u00e3o sempre vamos tentando entender, mas foi bem louco&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Sim! Voc\u00ea abrir o jornal e ver uma mat\u00e9ria de p\u00e1gina inteira com a banda, coisas bem bizarras, e a gente pegando \u00f4nibus, se fodendo, porque Mil\u00e3o foi uma cidade muito dif\u00edcil num primeiro momento. Chove muito, faz frio, a gente n\u00e3o sabia falar a l\u00edngua, est\u00e1vamos tendo que nos readaptar depois de viver em uma Barcelona super solar, com outro tipo de vida. Foi um ano bem maluco pra gente, com muita novidade, muita transforma\u00e7\u00e3o. Quando vimos est\u00e1vamos em turn\u00ea, dentro de um furg\u00e3o tocando em tudo quanto era lugar e, de alguma maneira, descobrindo que a gente era como banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: No in\u00edcio, em Mil\u00e3o, viramos um fen\u00f4meno de culto pra cidade. Ficamos como banda residente de um lugar legal, e toc\u00e1vamos toda quarta-feira, at\u00e9 que chegou uma hora que n\u00e3o cabia mais gente. E a galera: \u201cQuem s\u00e3o esses loucos? Como eles descobriram Jannacci?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Geralmente, o processo \u00e9 o contr\u00e1rio: \u00e9 o italiano que faz cover de m\u00fasica brasileira. Ent\u00e3o pra eles era surpreendente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem lan\u00e7ou o primeiro disco?<\/strong><br \/>\nRamiro: Barlumen Records, uma gravadora pequena que fazia muita produ\u00e7\u00e3o para televis\u00e3o e r\u00e1dio. O Selton foi a primeira banda que eles pegaram para produzir porque eles se apaixonaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nessa \u00e9poca voc\u00eas todos est\u00e3o em Mil\u00e3o, certo?<\/strong><br \/>\nDaniel: Isso foi 2008. Quanto acabou 2007, eu e Ricardo precisamos ficar em Mil\u00e3o para renovar o visto, porque quando \u00edamos voltar para Barcelona, descobrimos que o visto n\u00e3o seria renovado, e ficamos tr\u00eas meses morando no est\u00fadio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Fizemos um pacto que, enquanto n\u00e3o sa\u00edsse o visto, n\u00e3o iriamos cortar nenhum pelo do corpo. Fiquei com uma barba estilo Mois\u00e9s (risos). O produtor queria me matar&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Foi muito engra\u00e7ado. E como t\u00ednhamos que esperar o visto, Dudu e Ramiro trouxeram nossas malas, porque, at\u00e9 ent\u00e3o, todas as nossas coisas estavam em Barcelona, e alugamos um apartamento e come\u00e7amos a nossa vida em Mil\u00e3o. Passamos 2008 e 2009 em turn\u00ea, e no final de 2009, quando est\u00e1vamos preparando o segundo disco com a mesma gravadora, n\u00e3o concordamos com o direcionamento musical, e decidimos romper.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: At\u00e9 porque o projeto desta vez era gravar as nossas m\u00fasicas. E o momento era: ou a gente voltava para o Brasil, ou encarava a roubada de forma independente e fazia acontecer. E decidimos fazer acontecer. A partir disso foi uma estrada sem volta, pois tudo sobre a banda ficou em nossas m\u00e3os. Aprendemos na marra a ser uma banda independente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Na gravadora os processos n\u00e3o passavam muito pela gente. Eles tinham um racioc\u00ednio de gravadora mainstream, do tipo: \u201cCara, voc\u00ea tem que se preocupar em tocar\u201d. \u201cTem sess\u00e3o de fotos tal dia\u201d. \u201cEntra naquele carro que voc\u00eas fazer uma turn\u00ea\u201d. \u201cHoje tem programa de TV\u201d. Essas coisas, e a gente n\u00e3o tinha a menor ideia do processo. E quando decidimos romper, percebemos que ir\u00edamos ter que aprender a fazer tudo \u00e0quilo que a nossa gravadora fazia, e foi um aprendizado. Fomos devagarinho aprendendo como tudo funcionava. Nesse momento, est\u00e1vamos morando nos quatro juntos numa casa de uma brasileira que mora h\u00e1 25 anos em Mil\u00e3o, e que virou nossa m\u00e3e milanesa, a M\u00f4nica, uma pessoa maravilhosa que tem um programa de r\u00e1dio. Era o por\u00e3o da casa, e dominamos. Tinha amplificador do lado da cama, bateria montada e acord\u00e1vamos tocando. \u00c9 exatamente esse o momento em que nos apropriamos da nossa carreira e decidimos fazer uma coisa nossa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"MILANO ACOUSTICS ON TOUR: Selton - Ghost Song (live in Camogli)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WXoJN4u90PU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O primeiro passo&#8230;<\/strong><br \/>\nDaniel: A gente tinha feito uma turn\u00ea com Arto Lindsay um ano antes, e conhecido o t\u00e9cnico de som daquela tour, Tommaso Colliva, que foi o cara que, depois, viria a ser o produtor dos nossos dois discos (\u201cSelton\u201d, 2010, e \u201cSaudade\u201d, 2013). A gente estava com as nossas m\u00fasicas, meio perdidos, entrando nesse mundo independente, quando decidimos enviar algumas dessas m\u00fasicas para nossos amigos e ver o que eles diziam. O Tommaso gostou de cara, e disse: \u201cVou produzir voc\u00eas\u201d. Naquele momento, as nossas composi\u00e7\u00f5es eram uma salada de frutas completa. Cada um compunha o seu estilo de m\u00fasica e n\u00e3o tinha nada a ver uma coisa com a outra. O Tommaso escolheu as can\u00e7\u00f5es com a gente, trabalhou tudo e nos orientou a gravar em italiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deu uniformidade ao grupo.<\/strong><br \/>\nDaniel: Ele fez o papel de produtor. Foi muito foda!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ramiro: Nos deu dire\u00e7\u00e3o. Ele nos disse que j\u00e1 que t\u00ednhamos conquistado tudo aquilo, seria interessante uniformizar com a l\u00edngua: \u201cVamos fazer um disco em italiano\u201d. Como a gente estava l\u00e1 e estava precisando dar aquele passo, essa foi uma escolha muito s\u00e1bia, porque ali conquistamos outro espa\u00e7o. Era \u201ca banda Selton, que tinha feito tudo aquilo, agora est\u00e1 tocando suas pr\u00f3prias m\u00fasicas\u201d. E lan\u00e7amos o \u201cSelton\u201d&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: A nossa ag\u00eancia de booking, Antistar, atuou como selo e arcou com boa parte dos custos. Eles contrataram assessoria de imprensa, distribui\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Escolhemos o nome \u201cSelton\u201d para romper com o \u201cBanana \u00e0 Milanesa\u201d, que era um projeto, uma coisa meio maluca que aconteceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Por ser um disco autoral, sem querer renegar o \u201cBanana \u00e0 Milanesa\u201d, consideramos o \u201cSelton\u201d como nosso primeiro disco de fato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: E \u00e9 um primeiro disco que s\u00f3 saiu na It\u00e1lia. Ent\u00e3o o \u201cSaudade\u201d \u00e9 quase como o nosso primeiro disco no mundo (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A recep\u00e7\u00e3o ao segundo disco foi t\u00e3o boa quanto a do primeiro?<\/strong><br \/>\nRicardo: N\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Houve uma mudan\u00e7a de p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ramiro: Foi uma decis\u00e3o bastante consciente nossa, pois quer\u00edamos nos desligar daquela hist\u00f3ria do \u201cBanana \u00e0 Milanesa\u201d, do brasileiro que toca cover de m\u00fasica italiana. Ent\u00e3o apontamos bastante para o mercado independente. Foi como dar um passo para tr\u00e1s, porque est\u00e1vamos recusando aquele mainstream (do primeiro disco)&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Que era um mainstream que, em longo prazo, poderia ser ef\u00eamero. At\u00e9 poderia ter sido uma estrada legal, mas era dif\u00edcil de compatibilizar com a estrada autoral. Era hora de come\u00e7armos como banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como as pessoas chegavam at\u00e9 voc\u00eas nesse disco \u201cSelton\u201d, sem o apoio do mainstream?<\/strong><br \/>\nDaniel: Shows. A gente fez muito show. Chegamos a fazer 40 shows em dois meses. Tocamos em tudo o que era lugar. E tamb\u00e9m criamos conte\u00fado para portais de internet produzindo todo m\u00eas um v\u00eddeo de uma s\u00e9rie que demos o nome de \u201cSelton TV\u201d. Al\u00e9m, tentamos encontrar pequenos parceiros que nos ajudassem a divulgar o que era o \u201cser a nossa banda\u201d. No fim, o que o \u201cSelton\u201d mais criou foi curiosidade. Muita gente que escutou, pensou: \u201cTalvez eles sejam mais interessantes aqui do que naquele projeto\u201d. As pessoas ficaram curiosas e come\u00e7aram a ir aos shows, e, devagarinho, foi se criando um burburinho, uma expectativa: \u201cO que esses caras est\u00e3o fazendo?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Exatamente. E tivemos o respaldo de ter o Tommaso Colliva, que \u00e9 respeitado e era uma garantia de que, no m\u00ednimo, as pessoas iam escutar o disco. Outra coisa foi a conviv\u00eancia com os m\u00fasicos da cena da cidade. Voc\u00ea vai, toca, chama algu\u00e9m de outra banda pra tocar, faz amizade, algo que acontece naturalmente, e que gera o boca-a-boca, que \u00e9 muito importante, e que causou um interesse pelo Selton, que resultou em shows em Mil\u00e3o e Roma com cr\u00edticos e gente de outras bandas no meio do p\u00fablico. Isso foi legal e nos permitiu preparar o terreno para o \u201cSaudade\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Selton - Across The Sea live a Citofonare Rockit\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bp_74oizvNc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para n\u00f3s, que vivemos no Brasil, visualizarmos melhor: como \u00e9 o cen\u00e1rio italiano? Voc\u00eas tocam onde? Existe esse mesmo buraco que separa a cena independente do mainstream aqui no Brasil?<\/strong><br \/>\nDaniel: Esse buraco tamb\u00e9m existe, s\u00f3 que o que existe de diferente \u00e9 que h\u00e1 muito mais pessoas interessadas na cena independente (na It\u00e1lia). <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/statosociale\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lo Stato Sociale<\/a>, que \u00e9 uma banda que existe h\u00e1 tr\u00eas anos mais ou menos, vendeu 8 mil ingressos num show em Padova h\u00e1 pouco tempo atr\u00e1s. Ou seja, h\u00e1 bandas no universo independente que conseguem fazer muito p\u00fablico e, mesmo sem chegar ao mainstream, vivem de m\u00fasica, sem precisar dar um passo como, por exemplo, ir para o Festival de San Remo ou assinar com uma major. Aconteceu uma coisa curiosa neste ano, em que uma banda independente chamada <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/MartaSuiTubi\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marta sui Tubi<\/a> foi para San Remo e chamou aten\u00e7\u00e3o, mas independente disso, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que, apesar de existir na It\u00e1lia esse mesmo buraco que separa o independente do mainstream no Brasil, os italianos que curtem m\u00fasica s\u00e3o mais interessados e v\u00e3o atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas falaram dos 40 shows em dois meses. H\u00e1 tanto lugar para tocar na It\u00e1lia?<\/strong><br \/>\nRicardo: A gente ainda n\u00e3o tocou em todo o Brasil, mas vai fazer isso e descobrir melhor. S\u00f3 o que a gente sabe \u00e9 que na It\u00e1lia tem muito lugar pra tocar, tem casa de show boa, casa de show conhecida, com tradi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o estou dizendo que basta tocar para encher o lugar, porque \u00e9 \u00f3bvio que depende da banda, do dia e de muitos de outros fatores, mas existem sim casas de shows muito legais, principalmente nas capitais: Mil\u00e3o, Roma, N\u00e1poles, Bolonha, Floren\u00e7a, Turim&#8230; um circuito legal, e voc\u00ea pode tocar todo o fim de semana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O cach\u00ea \u00e9 justo?<\/strong><br \/>\nEduardo: O cach\u00ea \u00e9 proporcional \u00e0 quantidade de p\u00fablico que voc\u00ea leva para o lugar, porque voc\u00ea tamb\u00e9m n\u00e3o quer falir as casas em que voc\u00ea toca, e nem eles v\u00e3o te dar menos do que voc\u00ea merece se voc\u00ea enche o lugar. A coisa vai crescendo junto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Ao mesmo tempo, h\u00e1 uma dificuldade com algumas bandas italianas, pois como se trabalha mais com cach\u00ea do que com bilheteria, ainda existe uma cultura de se pensar que a promo\u00e7\u00e3o do show quem faz \u00e9 a casa. Acho que isso n\u00e3o acontece no Brasil nem nos Estados Unidos, pois o cara monta uma banda e sabe que precisa construir p\u00fablico. Na It\u00e1lia, algumas bandas n\u00e3o tem essa mentalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Na pr\u00e1tica existem dois mercados na It\u00e1lia: o invernal e o de ver\u00e3o. No mercado invernal, que vai de outubro a mar\u00e7o\/abril, \u00e9 um mercado de lugares fechados, casas de shows onde, em geral, ou vai ter ingresso ou cach\u00ea proporcional ao p\u00fablico. J\u00e1 o mercado de ver\u00e3o \u00e9 movimentado por festivais e eventos de financiamento p\u00fablico, com shows em pra\u00e7as e festas ao ar livre. Com o \u201cBanana \u00e0 Milanesa\u201d n\u00f3s tocamos em quase todos os festivais de ver\u00e3o italianos, mas no inverno encontr\u00e1vamos mais portas fechadas. Com o \u201cSelton\u201d e, principalmente agora, com o \u201cSaudade\u201d, a maioria das casas de shows abriu as portas para n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ramiro: J\u00e1 a comida \u00e9 sempre boa. O lugar pode ser um buraco, mas os caras v\u00e3o te tratar sempre muito bem (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Oito anos morando na Europa e voc\u00eas chegam ao disco \u201cSaudade\u201d. Voc\u00eas sentem faltam do Brasil?<\/strong><br \/>\nRamiro: A nossa escolha de chamar o disco de \u201cSaudade\u201d n\u00e3o foi por uma saudade especifica do Brasil, mas sim por uma condi\u00e7\u00e3o nossa de estrangeiros em qualquer lugar. O fato de estarmos a tanto tempo longe e termos vivido tantas coisas diferentes acabou nos dando a condi\u00e7\u00e3o de ser meio estrangeiro mesmo quando a gente volta para c\u00e1. Por um lado a gente se sente em casa, mata essa saudade, mas por outro se sente meio externo, e fica com saudade de l\u00e1. Isso tamb\u00e9m acontece l\u00e1. \u00c9 um pouco disso que tentamos passar com \u201cSaudade\u201d&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: \u00c9 a sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o pertencer, de estar sempre com um olhar cr\u00edtico, porque voc\u00ea est\u00e1 sempre observando de fora, mas tamb\u00e9m \u00e9 muito solit\u00e1rio. \u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o muito grande de solid\u00e3o n\u00e3o fazer parte de nada. Em Mil\u00e3o (e na It\u00e1lia), as referencias culturais n\u00e3o nos pertencem. Muitas vezes a galera faz piada ou referencia a coisas (que n\u00e3o sabemos quais s\u00e3o), ou discuss\u00f5es sobre comida, ou datas, e n\u00e3o nos diz nada porque s\u00e3o coisas muito italianas, muito referente \u00e0quele pa\u00eds. Ao mesmo tempo, quando voltamos para o Brasil, a gente tem a mem\u00f3ria de um lugar que n\u00e3o existe mais daquela maneira. E ainda entra Barcelona no meio&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eduardo: Qualquer pessoa que viaja, de alguma maneira estar\u00e1 dividida: o lugar que ele viveu e o local que ela vive. No nosso caso, somos quatro, e estamos sempre levando juntos a banda, como se fosse um guarda-chuva, o que faz com que, entre a gente, n\u00f3s tenhamos essa uni\u00e3o pela m\u00fasica, mas os lugares v\u00e3o mudando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ramiro: \u00c9 como se a gente levasse a nossa casa para onde a gente vai, sempre.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Selton - Piccola sbronza [feat. Dente] (video ufficiale)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_mq4j2iybiw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A conviv\u00eancia mudou a forma de voc\u00eas comporem?<\/strong><br \/>\nRicardo: Total. No disco \u201cSelton\u201d a gente tentou, mas foi como fazer uma colcha de retalhos: vamos juntar o que tem e fazer o melhor poss\u00edvel. J\u00e1 o \u201cSaudade\u201d \u00e9 um disco conceitual, que gira ao redor dessa sensa\u00e7\u00e3o que todos sent\u00edamos. A gente j\u00e1 tinha esse primeiro crit\u00e9rio: a m\u00fasica que for trazida para o caldeir\u00e3o da banda precisava ser ou uma hist\u00f3ria permeada, de alguma forma, pela saudade, ou uma interpreta\u00e7\u00e3o disso. A partir disso, automaticamente, come\u00e7amos a dividir coisas, e fizemos muita coisa junto nesse \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eduardo: At\u00e9 porque a gente sempre est\u00e1 dando pitando um nas coisas do outro, porque at\u00e9 temos muitos amigos l\u00e1, mas o fato de sermos s\u00f3 n\u00f3s brasileiros nos aproxima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ramiro: At\u00e9 letra, de pegar e escrever junto, ou come\u00e7ar uma m\u00fasica e o outro chegar com outra parte. Foi realmente um disco feito pela uni\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cSaudade\u201d saiu exatamente como voc\u00eas queriam?<\/strong><br \/>\nRamiro: Sim. \u00c9 um disco em que a gente conseguiu pela primeira vez representar de maneira consciente quem n\u00f3s realmente somos. De cantar em v\u00e1rias l\u00ednguas, de unir todas as nossas influ\u00eancias&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muda o tracking list na It\u00e1lia, certo.<\/strong><br \/>\nDaniel: Sim, s\u00e3o duas vers\u00f5es (do disco).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma italiana e outra mundial&#8230;<\/strong><br \/>\nTodos: Isso!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ramiro: A gente demorou um pouco mais para chegar a essa conclus\u00e3o, mas \u00e9 exatamente isso (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: \u00c9 que o \u201cBanana \u00e0 Milanesa\u201d era um projeto focado na It\u00e1lia, mais precisamente no norte da It\u00e1lia. J\u00e1 o segundo disco, que trazia uma necessidade de nos afirmar no mercado italiano, \u00e9 todo em italiano. Ent\u00e3o, de 2008 at\u00e9 2013, todo nosso projeto era focado na It\u00e1lia, e a gente tinha uma vontade de tocar fora, explorar a Europa, \u00e9 tudo muito pr\u00f3ximo de Mil\u00e3o, mas artisticamente voc\u00ea n\u00e3o consegue sair porque a l\u00edngua italiana restringe muito aos pais, assim como o portugu\u00eas no Brasil. N\u00e3o tem a mesma aceita\u00e7\u00e3o fora. T\u00ednhamos uma necessidade de nos fazer ouvir pelo mundo que pensamos: no nosso pr\u00f3ximo disco precisamos fazer alguma coisa que nos permita abrir horizontes. Quando fomos fazer o tracking list do \u201cSaudade\u201d, percebemos: estava exatamente do jeito que a gente gosta, que a gente acredita, por\u00e9m n\u00e3o ia dar certo na It\u00e1lia. Ent\u00e3o decidimos fazer um tracking list s\u00f3 para a It\u00e1lia, com duas m\u00fasicas desse disco em vers\u00e3o italiana, e outro tracking list para o resto do mundo. D\u00e1 uma trabalheira infernal, afinal temos que fazer clipping em duas l\u00ednguas, trabalhar em duas l\u00ednguas, mas ao mesmo tempo foi eficaz. O disco foi muito bem aceito. Recebeu quatro estrelas na Rolling Stone It\u00e1lia&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: O <a href=\"http:\/\/www.rockit.it\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rock It<\/a>, que \u00e9 o site equivalente ao Pitchfork na It\u00e1lia, nos abra\u00e7ou. Nos apresentou como a banda do ver\u00e3o e nos colocaram como headliners do s\u00e1bado, a noite mais importante do festival deles&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00eas destacariam de Barcelona e Mil\u00e3o?<\/strong><br \/>\nTodos: Parque G\u00fcell!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Barcelona \u00e9 uma cidade com praia, o que j\u00e1 \u00e9 uma vantagem&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: O mais peculiar de Barcelona \u00e9 a atmosfera da cidade, uma coisa mais liberal, de voc\u00ea sair na rua e encontrar pessoas curtindo a vida, sabe. Aproveitando o que a cidade oferece, uma atmosfera cultural muito boa. \u00c9 uma cidade muito criativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ramiro: \u00c9 uma cidade cosmopolita. Voc\u00ea n\u00e3o precisa entrar em um lugar para fazer festa, voc\u00ea pode fazer isso na rua. J\u00e1 Mil\u00e3o, a galera adora falar mal, que a cidade \u00e9 cinza, que n\u00e3o tem nada pra fazer, mas na verdade tem, s\u00f3 que \u00e9 mais escondido. Voc\u00ea precisa conhecer as pessoas, e elas te levam aos lugares&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: \u00c9 uma cidade que voc\u00ea precisa descobrir com o tempo. Geralmente, o primeiro ano \u00e9 dif\u00edcil, porque voc\u00ea conhece menos pessoas, menos lugares, mas se voc\u00ea se dedicar a ela, voc\u00ea vai descobrir milh\u00f5es de coisas pra fazer, coisas incr\u00edveis. Mil\u00e3o e toda It\u00e1lia tem muita arte que voc\u00ea pode absorver e descobrir. N\u00e3o \u00e9 uma cidade (e um pa\u00eds) t\u00e3o contempor\u00e2nea quanto Nova York, por exemplo, mas h\u00e1 coisas sensacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como Espanha e It\u00e1lia influenciaram o som de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nRamiro: Um processo bem paradoxal que aconteceu foi o de descobrir a m\u00fasica brasileira morando fora. Passei a escutar um monte de coisas que eu n\u00e3o conhecia (quando morava no Brasil). Talvez um pouco pelo fato de precisar me sentir mais brasileiro, sabe. Foi uma identifica\u00e7\u00e3o muito natural com a m\u00fasica brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Quando cheguei a Barcelona, comecei a participar de uma roda de choro, tocando pandeiro. Morando fora, voc\u00ea passa a desenvolver a sua identidade como brasileiro, por aqui (no Brasil) a gente escutava rock, e l\u00e1 a gente descobre um mundo de coisas maravilhosas da m\u00fasica brasileira. Passei a estudar percuss\u00e3o, ritmos brasileiros, coisas que eu n\u00e3o tinha a menor ideia. \u00c9 um processo de redescobrimento do Brasil para quem vive fora. A verdade \u00e9 que estamos sempre abertos h\u00e1 uma contamina\u00e7\u00e3o constante, tipo escutar tUnE-yArDs e identificar uma s\u00e9rie de elementos ali que tamb\u00e9m existem aqui, existem na It\u00e1lia, e isso nos faz montar um pequeno quebra-cabe\u00e7as de coisas que a gente gostava com as coisas que a gente vem descobrindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: A gente tenta sempre estar atento ao que est\u00e1 acontecendo no cen\u00e1rio mundial, n\u00e3o s\u00f3 no Brasil. Por exemplo, rola uma afinidade musical imensa do Selton com a cena do Brooklyn, em Nova York, com Vampire Weekend, Dirty Projectors. Passamos dois anos em Barcelona quase que como turistas, j\u00e1 em Mil\u00e3o foi uma imers\u00e3o cultural bem mais profunda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa \u00e9 a segunda turn\u00ea de voc\u00eas pelo Brasil. O que mudou em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira?<\/strong><br \/>\nDaniel: Tivemos mais p\u00fablico dessa vez, principalmente no Rio de Janeiro, em que o show foi incr\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ramiro: E al\u00e9m de mais p\u00fablico, um p\u00fablico mais engajado, cantando as m\u00fasicas. Na primeira vez, a gente ainda estava meio duro, o disco tinha acabado de sair, e a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que agora, o pessoal aproveitou esse espa\u00e7o de tempo entre as turn\u00eas e ouviu o disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: Isso aconteceu at\u00e9 em Porto Alegre, onde t\u00ednhamos um p\u00fablico de fam\u00edlia e amigos, e eles ainda v\u00e3o aos shows, mas apareceram muito mais pessoas, e gente sabendo as letras, cantando&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ramiro e Daniel: Essa sensa\u00e7\u00e3o foi bem foda!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas pensam em voltar a morar no Brasil?<\/strong><br \/>\nRamiro: \u00c9 algo que a gente cogita eventualmente. Claro, depende muito de como o trabalho vai ser recebido, mas a gente conversa de vez em quando sobre isso&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Abdicar de tudo que a gente construiu l\u00e1 seria uma bobagem. Ao mesmo tempo, se a gente conseguisse trocar o eixo, ficar mais tempo aqui e passar um tempo tocando l\u00e1, tamb\u00e9m poderia ser uma op\u00e7\u00e3o v\u00e1lida. A gente ainda est\u00e1 estudando como conviver ao redor do mundo (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo: N\u00e3o h\u00e1 como negar que h\u00e1 uma saudade da nossa cultura, da nossa fam\u00edlia, do Brasil, mas, ao mesmo tempo, estamos bem adaptados na It\u00e1lia. Estamos em constante reavalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Selton - Across the Sea\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZS0PqdGySaY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Selton - Eu nasci no meio de um monte de gente (official video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nOFVMNHFB-w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; A nova cena italiana em 11 m\u00fasicas escolhidas pela Selton. Assista (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/07\/um-panorama-da-nova-musica-italiana\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cSaudade\u201d, do Selton, \u00e9 um dos grandes discos nacionais de 2013 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/03\/andre-mendes-chimpanzes-selton\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Selton conquista lugar na lista de grandes shows do ano em S\u00e3o Paulo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/23\/selton-e-barbara-eugenia-ao-vivo\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nEles s\u00e3o ga\u00fachos, montaram a banda para nas ruas de Barcelona e fizeram sucesso na&#8230; It\u00e1lia. 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