{"id":211,"date":"2008-10-28T08:00:00","date_gmt":"2008-10-28T10:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/2008\/10\/28\/disco-da-semana-macao-de-jards-macale\/"},"modified":"2015-09-16T11:41:36","modified_gmt":"2015-09-16T14:41:36","slug":"disco-da-semana-macao-de-jards-macale","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/10\/28\/disco-da-semana-macao-de-jards-macale\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: Macao, de Jards Macal\u00e9"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-33631\" title=\"jards_macale_macao\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/jards_macale_macao.jpg\" alt=\"\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">por Marcelo Costa<\/span><\/strong><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 sintom\u00e1tico que Jards Macal\u00e9, Macao para os amigos, abra o d\u00e9cimo disco de sua carreira &#8211; de quase 40 anos de janela &#8211; com &#8220;Farinha do Desprezo&#8221;, parceria com Capinan circa 68\/69 que abriu seu primeiro disco, hom\u00f4nimo, em 1973. Agora, mais ainda, os versos &#8220;j\u00e1 comi muito da farinha do desprezo \/ n\u00e3o, n\u00e3o me diga mais que \u00e9 cedo \/ (&#8230;) S\u00f3 vou comer agora da farinha do desejo&#8221; soam fortes e emblem\u00e1ticos. Para uma vers\u00e3o a altura da original (que conta com Lanny Gordin e Tutty Moreno), Macal\u00e9 sobrep\u00f4s quatro viol\u00f5es rebeldes &#8211; todos tocados por ele mesmo &#8211; e concentrou-se em uma interpreta\u00e7\u00e3o arrepiante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda faixa, &#8220;Boneca Semi\u00f3tica&#8221; (gravada originalmente no segundo \u00e1lbum de Macal\u00e9, &#8220;Aprendendo a Nadar&#8221;, de 1974), Jards incorpora \u00e0 melodia de seus viol\u00f5es um sampler da orquestra\u00e7\u00e3o de Wagner Tiso para a vers\u00e3o original, e ainda programa\u00e7\u00e3o, prato e garfo, produ\u00e7\u00e3o, mix e sampler do pessoal do Laptop&amp;Viol\u00e3o, que atualizou a can\u00e7\u00e3o (que j\u00e1 era mais 2000 que 1970) de forma interessante (e com uma interpreta\u00e7\u00e3o mais comovente). &#8220;O Engenho de Dentro&#8221;, parceria esquecida com Abel Silva, \u00e9 uma das tr\u00eas can\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas de &#8220;Macao&#8221;, um samba que lembra Paulinho da Viola e destaca um bonito solo de flauta de Dirceu Leite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Se Voc\u00ea Quiser&#8221; (outra in\u00e9dita, parceria com Xico Chaves) \u00e9 um delicioso maxixe que Jards Macal\u00e9 chama de &#8220;samba de ber\u00e7o&#8221; e segue o clima de &#8220;O Engenho de Dentro&#8221;. J\u00e1 &#8220;Balada&#8221;, parceria com Ana de Hollanda, tem sotaque jazzy, com o clarinete e o baixo lembrando algo da bela trilha dos &#8220;Saltimbancos Trapalh\u00f5es&#8221;, numa letra que procura encorajar novos compositores. &#8220;The Archaic Lonely Star Blues&#8221; havia sido gravada por Gal Costa no \u00e1lbum &#8220;Legal&#8221; (1970), e tem seu primeiro registro na voz do autor numa bel\u00edssima vers\u00e3o meio jazz, meio bossa, meio samba-can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os homenageados est\u00e3o Jacques Brel numa vers\u00e3o voz e piano &#8211; e em franc\u00eas &#8211; de &#8220;Ne Me Quitte Pas&#8221;; Lupicinio Rodrigues comparece cedendo a sua &#8220;Um Favor&#8221; numa vers\u00e3o voz e viol\u00f5es; Tom Jobim, de quem regravou o cl\u00e1ssico &#8220;Corcovado&#8221; (dedicada \u00e0 Johnny Alf no encarte); Paulo Vanzolini (e S\u00e3o Paulo &#8211; &#8220;pelo bem que a cidade me fez e nos faz&#8221;) na sublime vers\u00e3o de &#8220;Ronda&#8221;; e, por fim, Luiz Melodia, com &#8220;S\u00f3 Assumo S\u00f3&#8221;, faixa que mais lembra o Macal\u00e9 dos shows atuais, engolindo s\u00edlabas, viol\u00e3o dissonante em punho cujas notas \u00e1speras acariciam a audi\u00e7\u00e3o, emo\u00e7\u00e3o a flor da pele em uma letra riqu\u00edssima de imagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A id\u00e9ia de Jards para &#8220;Macao&#8221; era gravar tudo voz e viol\u00e3o, mas ele acabou agregando outros instrumentos conforme as grava\u00e7\u00f5es corriam (apenas quatro faixas do \u00e1lbum seguiram a id\u00e9ia original). No encarte, ele se explica (e se desculpa sem se desculpar): &#8220;Neste disco, quanto mais buscava a perfei\u00e7\u00e3o, a voz e (principalmente) o viol\u00e3o sibilava, rosnavam; as cordas ruidavam entre o metal, o nylon e a madeira. Me lembrei de Baden Powell e Nelson Cavaquinho que n\u00e3o tinham pudor do ru\u00eddo. Achei que a perfei\u00e7\u00e3o s\u00f3 existe quando voc\u00ea tenta aperfei\u00e7oar o imperfeito&#8230; em v\u00e3o. Deixei como est\u00e1: humano&#8221;. A humanidade da interpreta\u00e7\u00e3o de Jards Macal\u00e9 encanta e crava no peito a verdade absoluta do viol\u00e3o: a beleza est\u00e1 nos ru\u00eddos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Macao&#8221;, Jards Macal\u00e9<\/strong> (Biscoito Fino)<br \/>\nPre\u00e7o em m\u00e9dia: R$ 30<br \/>\nNota: 9<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\n\u00c9 sintom\u00e1tico que Jards Macal\u00e9, Macao para os amigos, abra o d\u00e9cimo disco de sua carreira &#8211; de quase 40 anos de janela &#8211; com \u201cFarinha do Desprezo\u201d\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/10\/28\/disco-da-semana-macao-de-jards-macale\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[412,732],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/211"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=211"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/211\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":439,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/211\/revisions\/439"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=211"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=211"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=211"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}