{"id":21048,"date":"2000-11-15T23:21:41","date_gmt":"2000-11-16T02:21:41","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=21048"},"modified":"2013-10-27T23:29:12","modified_gmt":"2013-10-28T02:29:12","slug":"lou-reed-em-sao-paulo-2000","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2000\/11\/15\/lou-reed-em-sao-paulo-2000\/","title":{"rendered":"Lou Reed em S\u00e3o Paulo, 2000"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21049\" title=\"lou4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/lou4.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<br \/>\nfoto por Chris von Ameln<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea conhece o som de uma Fender? O verdadeiro som de uma Fender? Se disse que sim, s\u00f3 tenho uma constata\u00e7\u00e3o: voc\u00ea j\u00e1 foi num show do Lou Reed. Sim, porque s\u00f3 quem foi num show desse cara sabe o real som que tem uma Fender Stratocaster. Eu fui. Eu vi. Ouvi. E no capitulo do rock&#8217;n roll &#8220;j\u00e1 posso morrer feliz&#8221; eu digo: eu vi Lou Reed e ele tocou &#8220;Sweet Jane&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O momento m\u00e1gico aconteceu no Credicard Hall, em S\u00e3o Paulo, 14\/11. Quem foi, n\u00e3o viu apenas duas Fender sendo tratadas do modo que merecem (carinho e viol\u00eancia na mesma batida). Viu um quarteto excelente revigorar um som batizado como rock&#8217;n&#8217;roll.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda \u00e9 afiada por estar quatro anos acompanhando Lou. O baixista Fernando Saunders faz de seu baixo um violino, em v\u00e1rias passagens. O baterista Tony &#8220;Thunder&#8221; Smith \u00e9 um show de carisma enquanto o guitarrista Mike Rathke \u00e9 um guitarrista de rock, com todos os melhores adjetivos do termo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ilumina\u00e7\u00e3o era simples. O palco trazia um simples manto preto. E Lou \u00e9 Lou, ou seja, camiseta preta, cal\u00e7a e jaqueta de couro, e os cigarros. Apenas isso, e muito barulho, e muita poesia. O show \u00e9 um ant\u00eddoto perfeito para, por duas horas, nos fazer esquecer do mundo l\u00e1 fora. Da viol\u00eancia, dos assaltos e dos cora\u00e7\u00f5es partidos. Uma vez no mundo de Lou Reed, n\u00e3o tem jeito, voc\u00ea \u00e9 pego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Louis Allan Reed declamou para o p\u00fablico paulista suas letras urbanas, po\u00e9ticas, prof\u00e9ticas, doentias, m\u00e1gicas, urgentes. Declamou como um bardo que aos 58 anos ainda v\u00ea sentido em cantar que &#8220;Romeu tinha sua Julieta, e Julieta tinha seu Romeu&#8221;. Se Morrissey \u00e9 o maior ingl\u00eas vivo, nada mais apropriado que o cara que decidiu fazer m\u00fasica para unir o som de sua Fender com um texto t\u00e3o forte quanto os de Shakespeare e Dostoi\u00e9vski seja o maior norte-americano vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O show \u00e9 dividido, sintomaticamente, em duas partes. Na primeira, apenas can\u00e7\u00f5es do \u00faltimo \u00e1lbum, que d\u00e1 nome a tour: Ecstasy. Dez can\u00e7\u00f5es desse \u00e1lbum formam o grosso do show. Em seu site, Lou publica um di\u00e1rio da turn\u00ea. E, passando em Belfast, reclamou que as pessoas s\u00f3 querem ouvir as can\u00e7\u00f5es antigas. E existe certa raz\u00e3o nisso. Ecstasy \u00e9 um \u00f3timo \u00e1lbum. Como bem definiu um outro jornalista, se tivesse sido lan\u00e7ado por qualquer novato, seria incensado, mas foi lan\u00e7ado por Lou Reed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A parada \u00e9 dura. Na mesma &#8220;p\u00e1gina do di\u00e1rio&#8221; ele diz que sempre toca as velhas can\u00e7\u00f5es. O diferencial \u00e9 que, para ele, dois cl\u00e1ssicos dos anos setenta e tr\u00eas dos anos 80 j\u00e1 bastam. Para n\u00f3s, n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lou Reed poderia, na boa, fazer tr\u00eas shows diferentes tocando s\u00f3 cl\u00e1ssicos, misturando can\u00e7\u00f5es do Velvet Underground com as de sua carreira solo. Poderia, mas prefere divulgar seu novo \u00e1lbum, dando um show \u2013 realmente \u2013 de feeling, poesia e barulho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A n\u00f3s, resta cham\u00e1-lo de &#8220;motherfucker&#8221; e cantar com toda a for\u00e7a dos pulm\u00f5es Turn To Me, Dirty Boulevard, Set the Twilight Reeling e, claro, Sweet Jane e Perfect Day. E sair sorrindo para casa por ter visto mais uma p\u00e1gina do rock&#8217;n&#8217;roll sendo virada. E torcer, para que numa pr\u00f3xima vez ele toque Satellite Of Love, Walk on The Wild Side e, quem sabe, Run Run Run e Sister Ray &#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Set List<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paranoia Key Of E<br \/>\nTurn To Me (New Sensations)<br \/>\nModern Dance<br \/>\nEcstasy<br \/>\nSmall Town (Songs For Drella)<br \/>\nFuture Farmers of America<br \/>\nTurning Time Around<br \/>\nRomeo and Juliette (New York)<br \/>\nWhite Prism<br \/>\nRock Minuet<br \/>\nMystic Child<br \/>\nTatters<br \/>\nSet The Twilight Reeling (\u00e1lbum hom\u00f4nimo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro encore<br \/>\nSweet Jane (Loaded com o Velvet Underground)<br \/>\nDirty Boulevard (New York)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo encore<br \/>\nBaton Rouge<br \/>\nPerfect Day (Transformer)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">****<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Dois v\u00eddeos do Lou Reed em S\u00e3o Paulo em 2010 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2010\/11\/22\/dois-videos-do-lou-reed-em-sao-paulo\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Eu falo por meio das minhas can\u00e7\u00f5es&#8221;, Lou Reed (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/27\/lou-reed-1942-2013\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Lou Reed ao vivo em M\u00e1laga, 2008, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/07\/22\/lou-reed-em-malaga-2\/\"><span style=\"color: #237fa1;\">aqui<\/span><\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa foto por Chris von Ameln Voc\u00ea conhece o som de uma Fender? 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