{"id":20971,"date":"2005-03-30T20:34:08","date_gmt":"2005-03-30T23:34:08","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=20971"},"modified":"2019-09-14T09:30:28","modified_gmt":"2019-09-14T12:30:28","slug":"musica-funeral-arcade-fire","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/03\/30\/musica-funeral-arcade-fire\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: Funeral, Arcade Fire"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-52947\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2005\/03\/funeral1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"598\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2005\/03\/funeral1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2005\/03\/funeral1-300x239.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos discos mais sensacionais de 2004 nasceu sobre a sombra da morte. Quando o septeto Arcade Fire, de Montreal, no Canad\u00e1, come\u00e7ou a burilar o que seria o primeiro \u00e1lbum da banda, sucessivas mortes de familiares surgiam para embalar as can\u00e7\u00f5es que nasciam. O resultado dessa pequena trag\u00e9dia entre amigos \u00e9 &#8220;Funeral&#8221;, um \u00e1lbum que toma o ouvinte pela m\u00e3o e o leva a caminhar por madrugadas escuras de dias sombrios, que, no entanto, vislumbram manh\u00e3s ensolaradas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embalando essa tem\u00e1tica l\u00fagubre, arranjos pouco convencionais &#8211; que partem do trio b\u00e1sico de instrumentos do rock (guitarra, baixo e bateria) at\u00e9 incorporarem xilofone, harpa, piano, \u00f3rg\u00e3o, violino e violoncelo &#8211; que conseguem fazer as can\u00e7\u00f5es soarem aut\u00eanticas, claro, respirando influ\u00eancias, mas sem parecer autoc\u00f3pia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um ouvinte pregui\u00e7oso poderia fazer a liga\u00e7\u00e3o da banda com o Interpol (que ainda n\u00e3o conseguiu sair da sombra do Joy Division\/New Order) ou mesmo o Franz Ferdinand (a melhor das bandas atuais, que consegue &#8220;homenagear&#8221; v\u00e1rias outras bandas <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/02\/13\/10-anos-da-estreia-do-franz-ferdinand\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">em seu disco de estreia<\/a>, quando n\u00e3o tr\u00eas bandas em uma mesma m\u00fasica), o que seria tremendamente injusto. O Arcade Fire segue a escola tradicional da m\u00fasica popular, filtrando as influ\u00eancias por um prisma totalmente particular e soando, assim, novo. Na verdade, a banda fica no meio termo entre a delicadeza do Belle &amp; Sebastian e o ru\u00eddo do Delgados.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Arcade Fire - Neighborhood #1 (Tunnels)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VU_2R1rjbD8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E as influ\u00eancias poderiam formar todo um par\u00e1grafo indo de Cocteau Twins e o Yo La Tengo dos \u00faltimos discos, passando pelo Pixies de &#8220;Bossanova&#8221;, pelo The Cure de &#8220;Disintegration&#8221; e pelo Belle &amp; Sebastian de &#8220;If You&#8217;re Feeling Sinister&#8221;, pelo lado roqueiro dos primeiros discos do Delgados at\u00e9 chegar no lado baladeiro e \u00e9pico do Radiohead e do Mercury Rev, ou na fonte de tudo isso: Velvet Underground e Nick Drake.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Neighborhood #1 (Tunnels)&#8221; abre o disco com um lindo arranjo de piano e cordas. Assim que o baixo entra acompanhando a voz, gruda no peito, e te leva. Guitarra e bateria aumentam o transe. Win Butler, o vocalista, canta partindo cora\u00e7\u00f5es (o dele, principalmente) enquanto se imagina fugindo no meio da madrugada, mas h\u00e1 como fugir do passado, dos amigos, da fam\u00edlia? A letra: &#8220;And if my parents are crying then I&#8217;ll dig a tunnel from me window to yours&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Neighborhood #2 (Laika)&#8221; destaca a bateria, vocal por baixo na mixagem e clima dan\u00e7ante em uma letra que revela, novamente, conflitos familiares, com o irm\u00e3o mais velho abandonando o lar, rasgando as fotos da fam\u00edlia e arranjando briga com o pai para a vizinhan\u00e7a dan\u00e7ar ao som das sirenes dos carros da pol\u00edcia. &#8220;Our older brother bit by a Vampire&#8221;, diz a letra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Une Annee Sans Lumiere&#8221; traz Butler dividindo os vocais com sua mulher, R\u00e9gine Chassagne, can\u00e7\u00e3o l\u00edrica e quase rom\u00e2ntica, que acelera no final. &#8220;Neighborhood #3 (Power Out)&#8221; segue na linha de &#8220;Laika&#8221;, com clima dan\u00e7ante, como se toda a &#8220;vizinhan\u00e7a&#8221; formasse uma grande su\u00edte musical, que &#8220;Une Annee Sans Lumiere&#8221; acabou dividindo em duas partes (na verdade, em quatro). Butler praticamente grita: &#8220;The power&#8217;s out in the heart of man\/ Take it from your heart\/ Put it in your hand&#8221;. A quarta parte da su\u00edte \u00e9 &#8220;Neighborhood #4 (7 Kettles)&#8221;, mais lenta, mais evocativa, e mais sonhadora: &#8220;It&#8217;s not a lover \/ I want no more \/ And It&#8217;s not heaven \/ I&#8217;m pinting for&#8221;. Por\u00e9m, a morte est\u00e1 levando os mais velhos, as bruxas e os mentirosos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Arcade Fire - Rebellion (Lies) (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MQvZ4N1RfS8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00e1lbum chega ao meio, e quando tudo parece perdido, envolto em sombras e brigas, surge o amor, forte e poderoso, em uma das mais belas baladas dos \u00faltimos tempos: &#8220;Crown Of Love&#8221;: &#8220;Your name is the only word, the only word that I can say&#8221;, canta Butler, sobre os vocais de R\u00e9gine, encerrando a can\u00e7\u00e3o ap\u00f3s ter pedido zilh\u00f5es de desculpas por ter percebido que a coroa do amor caiu sobre ele. Guitarras abrem &#8220;Wake Up&#8221;, que traz o vocalista cantando: &#8220;Someone told me not to cry \/ But now that I&#8217;m older \/ my heart&#8217;s colder \/ and I can see that it&#8217;s a lie&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Haiti&#8221; \u00e9 uma ode de R\u00e9gine para seu pa\u00eds nativo, lembran\u00e7as de um tempo em que o sangue ainda fervia nas veias. Ela canta em franc\u00eas e ingl\u00eas, e pede para que suas cinzas sejam jogadas no mar. Um piano conduz &#8220;Rebellion (Lies)&#8221;, outra m\u00fasica entre as melhores &#8211; m\u00fasica e letra &#8211; de &#8220;Funeral&#8221;. &#8220;People say that your dreams \/ are the only things that save ya \/ Come on baby in our dreams, we can live our misbehavior&#8221;, canta Butler. Para fechar, seis minutos de lirismo. \u00c9 R\u00e9gine conduzindo &#8220;In The Backseat&#8221;, que termina com a bel\u00edssima frase: &#8220;My whole life, I&#8217;ve been learning&#8221;. Estamos sempre aprendendo, sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Funeral&#8221; foi lan\u00e7ado pela Merge, mesma gravadora do Lambchop e do Magnetic Fields. \u00c9 um dos discos mais bonitos de 2004, e um dos poucos \u00e1lbuns recentes da m\u00fasica pop que consegue fugir do padr\u00e3o reverencial e caricato que tanto tem marcado as dezenas de novas bandas. Fala sobre a morte, mas tamb\u00e9m de esperan\u00e7a, maturidade e renova\u00e7\u00e3o. E sobre a vida de todos n\u00f3s, todos n\u00f3s.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Arcade Fire - Neighborhood #2 (Laika) (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/siFsdInZqC0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cNeon Bible\u201d, o fim do mundo como n\u00f3s o conhecemos, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/03\/08\/e-o-fim-do-mundo-como-nos-o-conhecemos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cThe Suburbs\u201d, a guerra suburbona de Win Butler em Houston, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/10\/25\/musica-the-suburbs-arcade-fire\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Arcade Fire ao vivo em Chicago: um dos melhores shows de rock da atualidade (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/04\/27\/arcade-fire-ao-vivo-em-chicago\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um dos discos mais sensacionais de 2004 nasceu sobre a sombra da morte. Quando o septeto Arcade Fire, de Montreal, no Canad\u00e1, come\u00e7ou a burilar o que seria o primeiro \u00e1lbum da banda, sucessivas mortes de familiares surgiam para embalar as can\u00e7\u00f5es que nasciam.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/03\/30\/musica-funeral-arcade-fire\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":52948,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[239],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20971"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20971"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20971\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52952,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20971\/revisions\/52952"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52948"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20971"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20971"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20971"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}