{"id":2084,"date":"2009-09-23T00:20:00","date_gmt":"2009-09-23T03:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=2084"},"modified":"2023-03-29T00:28:29","modified_gmt":"2023-03-29T03:28:29","slug":"a-moda-caipira-do-charme-chulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/09\/23\/a-moda-caipira-do-charme-chulo\/","title":{"rendered":"A moda caipira do Charme Chulo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2085\" title=\"Charme Chulo \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/charmechulo.jpg\" alt=\"\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Por Murilo Basso<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o tenho mais vergonha em me passar por mim\u201d. \u00c9 isso. Com uma frase, da faixa que d\u00e1 nome ao novo trabalho, o Charme Chulo mostra que n\u00e3o tem medo de escancarar suas mem\u00f3rias e experi\u00eancias. E prova que enquanto alguns brincam com estere\u00f3tipos e retratam o que o curitibano quer ser, \u00e9 poss\u00edvel chutar a porta e mostrar, sem medo, o que o curitibano realmente \u00e9 e morre de medo de assumir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNova Onda Caipira\u201c traz can\u00e7\u00f5es carregadas de refer\u00eancias, capazes de confundir os mais c\u00e9ticos e comover os \u201cdur\u00f5es\u201d. Possui, ao mesmo tempo, momentos dolorosos e tocantes; experimentais e concisos. \u00c9, acima de tudo, popular. Ao mesclar suas refer\u00eancias com a cultura brasileira d\u00e1 corpo a um som rico em detalhes capaz de grudar aos ouvidos na primeira audi\u00e7\u00e3o. \u00c9 completamente poss\u00edvel ouvir o disco uma vez e sair cantarolando logo em seguida, e convenhamos isso \u00e9 um grande m\u00e9rito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olhando constantemente para o presente, mas sem nunca esquecer o passado e transitando entre temas que v\u00e3o desde a frustra\u00e7\u00e3o do cotidiano passando at\u00e9 pela pol\u00edtica nacional, l\u00e1 no final um pouco da nossa ingenuidade perdida \u00e9 resgatada em tempos onde o que realmente importa s\u00e3o as contas vencendo, a globaliza\u00e7\u00e3o, o final da novela das oito e outras bo\u00e7alidades do dia-a-dia. Fica dif\u00edcil se manter indiferente diante de tanta sinceridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alcan\u00e7ar o grande p\u00fablico? Quest\u00e3o de tempo ou talvez seja melhor continuar da mesma maneira. De qualquer forma o caminho j\u00e1 est\u00e1 tra\u00e7ado; embora tudo isto fizesse mais sentido se eles fossem do interior paulista. Em um final de tarde de sexta-feira, os primos Igor Filus (vocais) e Leandro Delmonico (guitarra \/ viola caipira) conversaram com o S&amp;Y sobre o novo \u00e1lbum, todo seu processo de concep\u00e7\u00e3o e defenderam o estilo Charme Chulo de ser. Confira a conversa completa abaixo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco passou pela m\u00e3o de v\u00e1rios produtores, certo. Fale um pouco sobre esse processo e de que forma ele influenciou no resultado final?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leandro: Nossa produ\u00e7\u00e3o foi um pouco confusa. Inicialmente produzir\u00edamos com o Miranda, mas ele n\u00e3o p\u00f4de assumir.\u00a0 Ent\u00e3o encaminhamos a produ\u00e7\u00e3o para que fosse igual a do primeiro disco em Floripa e gravar\u00edamos as baterias, que d\u00e3o um pouco mais de trabalho, em um est\u00fadio bom aqui ou em S\u00e3o Paulo. Quando est\u00e1vamos cuidando disso, o Miranda aparece e diz: \u201cVeio, ouvi a pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o com o Tom\u00e1s e pirei! Vamos fazer voc\u00eas&#8230; Tenho um esquema\u201d (risos). Come\u00e7amos a gravar com o Tom\u00e1s, na Toca, por causa do Miranda. Tom\u00e1s \u00e9 um \u00f3timo produtor, ele veio para Curitiba, sendo que achamos que quem viria era o Miranda. Come\u00e7amos a trabalhar com ele, foi bem legal, mas o problema era tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igor: Ele estava construindo o est\u00fadio e n\u00f3s quer\u00edamos algo muito r\u00e1pido. Chegou uma hora que cansamos dele e ele tamb\u00e9m cansou da gente e isso aconteceu antes de come\u00e7armos a gravar as vozes. Ent\u00e3o voltamos atr\u00e1s, naquela id\u00e9ia de gravar em Florian\u00f3polis com o Alexei Le\u00e3o. Tivemos que esperar um tempo, mas agendamos com ele. Fizemos vozes, mixamos e masterizamos l\u00e1. Basicamente foi isso. Ficamos com o Alexei com uma m\u00e3ozinha do Miranda. Nesse meio tempo gravamos baterias no Rio, gravamos em S\u00e3o Paulo a primeira etapa com o Tom\u00e1s, as vozes em Floripa. Tamb\u00e9m teve uma harpa e outra coisinha em Curitiba. Pode parecer um pouco confuso, com muita coisa gravada em lugares diferentes. O mais importante \u00e9 que n\u00e3o interferiu na qualidade final do material. Isso \u00e9 o que nos deixa mais satisfeitos, apesar de todo o tumulto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 fazem quase dois anos do lan\u00e7amento do primeiro disco, que leva o nome da banda. O que mudou para voc\u00eas no per\u00edodo entre ele o novo trabalho?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leandro: Acredito que tenha mudado no respaldo do p\u00fablico. Muito artista discorda, mas eu acredito nisso. Conforme voc\u00ea vai tocando suas m\u00fasicas,\u00a0 voc\u00ea vai aprendendo o que fazer, como driblar certos problemas em um show, ou at\u00e9 mesmo no pr\u00f3prio disco. Nosso disco tem uma boa parcela que \u00e9 resultado direto da opini\u00e3o, de cr\u00edticas. Acabamos nos conhecendo melhor atrav\u00e9s dos outros. \u00c9 uma evolu\u00e7\u00e3o natural da banda. No primeiro disco nos preocup\u00e1vamos com a beleza da composi\u00e7\u00e3o. Esse disco est\u00e1 mais simples, at\u00e9 por isso achamos interessante o Tom\u00e1s, que \u00e9 super pop, muito bem resolvido e foi legal esse contraponto. \u201cFala Comigo, Barnab\u00e9!\u201d tinha mais partes. \u201cNova Onda Caipira\u201d tinha mais partes. Eram m\u00fasicas mais complexas, hoje est\u00e3o mais pops, mais resumidas. Isso mudou bastante nesse disco. E a grande proposta desse disco \u00e9 ser o mesmo Charme Chulo, s\u00f3 que mais objetivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igor: Ficou mais claro o que quer\u00edamos fazer e percebemos que precis\u00e1vamos valorizar nosso diferencial ou voc\u00ea acaba ficando em um turbilh\u00e3o de bandas que s\u00e3o todas iguais. Ent\u00e3o voc\u00ea precisa saber valoriz\u00e1-lo. Aquele conceito de repetir o que fez sucesso nunca deu muito certo no Brasil. Sentimos que valorizar o diferencial da banda era muito importante. Na verdade isso \u00e9 essencial para qualquer artista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O primeiro CD me parecia mais balanceado, com o tal \u201crock caipira\u201d e, em alguns momentos, arriscando uma ou outra balada. \u201cNova Onda\u201d segue esta mesma linha?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igor: A diferen\u00e7a b\u00e1sica entre os dois \u00e9 que o primeiro parece \u201cmal explicado\u201d. \u00c9 mais separado. Tem uma m\u00fasica mais caipira, outra com uma levada mais \u201crock\u201d. Esse disco vai estar mais dilu\u00eddo, voc\u00ea vai ouvir um material mais conciso. As m\u00fasicas t\u00eam mais identidade entre si. N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o segmentado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leandro: \u00c9 um disco mais homog\u00eaneo do come\u00e7o ao fim. Ele abre com uma moda de viola. Em seguida entra \u201cFala Comigo, Barnab\u00e9!\u201d e o disco vai embora. N\u00e3o tem \u201cparou!\u201d. O primeiro disco tinha muito aquela coisa do \u201ccaipira\u201d e de repente entrava uma m\u00fasica como \u201cA Caminho das Luzes Essa Noite\u201d ou \u201cN\u00e3o Deixa a Vida te Levar\u201d, que \u00e9 mais \u201crock\u201d, mesmo com algum elemento do caipira. O estilo da banda n\u00e3o estava muito dilu\u00eddo. Algumas pessoas falavam: \u201cah, mas nem \u00e9 t\u00e3o caipira assim\u201d. Aquilo era hipervalorizado no disco. Tinha \u201cRomaria dos Desvalidos\u201d, que \u00e9 uma m\u00fasica mais pesada, densa. \u201cGeada no seu Cora\u00e7\u00e3o\u201d fechando. Ele era todo pensado dessa forma. \u201cNova Onda Caipira\u201d, apesar de abrir com uma moda de viola, que \u00e9 algo mais conceitual, \u00e9 um disco mais \u201cshow\u201d. Ele n\u00e3o p\u00e1ra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cNova Onda Caipira\u201d &#8211; H\u00e1 algum conceito, alguma mensagem ou algo do tipo por tr\u00e1s desse nome? O que motivou a escolha? O que \u00e9 a \u201dNova Onda Caipira\u201d?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leandro: \u00c9 engra\u00e7ado. Desde que criamos a banda e passamos a acreditar nela, ela se tornou meio que um estilo de vida: \u201ca maneira Charme Chulo de se enxergar o mundo\u201d. De contrabalancear as coisas&#8230; Eu estava no \u00f4nibus, t\u00ednhamos lan\u00e7ado o primeiro disco e veio aquela id\u00e9ia: \u201co que vamos fazer do segundo disco?\u201d. Era na \u00e9poca da tal \u201cnew rave\u201d. Klaxons \u2013 que, ali\u00e1s, nem lan\u00e7ou segundo disco \u2013 e um monte de banda estranha, ent\u00e3o pensei: \u201cP\u00f4, vamos lan\u00e7as uma nova onda caipira!\u201d. Meio que tirando sarro com os ingleses. A caipirada achando que est\u00e1 abafando, n\u00e3o \u00e9? (risos) Na verdade, o titulo \u00e9 mais uma ironia. O \u201ccaipira\u201d tamb\u00e9m tem um lado s\u00e9rio. Ti\u00e3o Carreiro n\u00e3o usava roupa xadrez, usava terno. Mas tem tamb\u00e9m o lado pejorativo, as pessoas infelizmente \u2013 ou felizmente \u2013 enxergam o caipira como uma pessoa alienada, o \u201cj\u00e9ca\u201d. Procuramos brincar com isso tamb\u00e9m, com os dois lados da moeda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As letras est\u00e3o ainda mais diretas e contrastam com um universo enorme de refer\u00eancias, sempre de maneira consciente&#8230; Qual a import\u00e2ncia dessa mescla para o Charme Chulo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igor: Sempre valorizamos as letras, desde o come\u00e7o da banda. Para n\u00f3s, tem mais um valor pl\u00e1stico e est\u00e9tico, porque ajuda a banda a comunicar o que queremos &#8211; assim como o visual. Ent\u00e3o buscamos explorar isso da melhor forma. Qualquer banda que se preze vai explorar esses elementos ao seu favor, n\u00e3o s\u00f3 atrav\u00e9s das influ\u00eancias, mas pelo gosto tamb\u00e9m. Sempre valorizamos essa coisa meio rom\u00e2ntica de fazer letras mais po\u00e9ticas, fugir do superficial. A cultura, em geral, \u00e9 muito superficial hoje em dia, ent\u00e3o tentamos fazer algo po\u00e9tico dentro desse universo superficial. Esse \u00e9 o objetivo das letras e \u00e9 isso que tentamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quanto ao processo de composi\u00e7\u00e3o, ele segue alguma seq\u00fc\u00eancia l\u00f3gica?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igor: Tentamos ser essenciais. Compondo em portugu\u00eas fica mais dif\u00edcil passar sua mensagem. O portugu\u00eas \u00e9 uma l\u00edngua mais longa. O rock \u00e9 pr\u00f3prio para o ingl\u00eas, \u00e9 mais macio, mais resumido, voc\u00ea consegue dizer mais com menos palavras e no portugu\u00eas isso \u00e9 muito mais dif\u00edcil. \u00c9 muito importante voc\u00ea se fazer entender dentro da l\u00edngua portuguesa. (Por Isso) tentamos resumir ao m\u00e1ximo as frases, tornar tudo mais conciso. Normalmente o Leandro aparece com uma id\u00e9ia, uma frase ou uma harmonia interessante. Em seguida criamos algo e gravamos com a banda. Eu pego em cima daquela harmonia que ele cria &#8211; que geralmente \u00e9 um riff &#8211; e desenvolvo a m\u00fasica, coloco a melodia. Volta para a banda e incrementamos o resto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leandro: N\u00e3o temos m\u00fasica primeiro. Isso nunca aconteceu. Tem algo mais como uma concep\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias. O bacana \u00e9 que, por enquanto, somos uma dupla de composi\u00e7\u00e3o e o Igor \u00e9 meu oposto. \u00c9 o cara met\u00f3dico que exclui qualquer situa\u00e7\u00e3o errada em uma frase. Ele tira. Eu j\u00e1 sou mais escrachado e acabamos nos completando musicalmente. Algumas coisas criamos juntos, como \u201cAmor de Boteco\u201d. Ela tem uma hist\u00f3ria legal. Vimos \u201cBrilho Eterno de uma Mente sem Lembran\u00e7as\u201d e ficamos putos (risos). Sentamos em um bar ga\u00facho e eu indignado tentando fumar \u2013 e eu n\u00e3o sei fumar (risos) \u2013 e escrevemos \u201cAmor de Boteco\u201d. \u201cMazaroppi Incriminado\u201d, do primeiro disco, o t\u00edtulo surgiu e n\u00e3o existia a m\u00fasica. Pensamos: \u201cMazaroppi Incriminado, esse t\u00edtulo \u00e9 muito bom!\u201d (risos). \u201cFala Comigo, Barnab\u00e9!\u201d tamb\u00e9m. Um dia pensamos \u201cBarnab\u00e9 \u00e9 um nome super caipira&#8230;\u201d essa m\u00fasica vai se chamar \u201cBarnab\u00e9\u00e9\u00e9\u00e9\u00e9\u00e9\u00e9\u201d. \u00c9 tudo meio engra\u00e7ado (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De que forma Curitiba influencia na musicalidade? Charme Chulo poderia ter surgido em outra cidade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igor: S\u00f3 em Curitiba (risos). O caipira n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o forte aqui. Maring\u00e1, por exemplo, \u00e9 muito mais caipira do que Curitiba. Mas o caipira \u00e9 s\u00f3 uma das influ\u00eancias da banda, \u00e9 s\u00f3 uma maneira de passarmos nossas id\u00e9ias. E pretendemos explorar mais isso, para mostrar mais a dimens\u00e3o da banda. Acredito que o Charme Chulo seja maior que s\u00f3 o \u201crock caipira\u201d. Tamb\u00e9m tem um pouco a ver com raiva, aquela id\u00e9ia de se sentir falso. Curitiba \u00e9 falsa. Nos anos 90 voc\u00ea j\u00e1 tinha propaganda do Jaime Lerner falando da melhor cidade do Brasil, vendendo como uma coisa europ\u00e9ia e \u00e9 uma grande mentira. Essa coisa falsa, chula, tem muita rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leandro: Curitiba \u00e9 a cidade do Alborghetti e do Ratinho. Do Oil Man e da \u201cmulher da cobra\u201d&#8230; Charme Chulo entende? (risos) Fazemos um som caipira, e o caipira, para o curitibano, \u00e9 uma coisa muito de \u201cGoi\u00e1s ou interior de S\u00e3o Paulo\u201d. Nunca daqui. E conosco vem do Paran\u00e1. E o curitibano n\u00e3o quer ver isso, mas p\u00f4: William e Renan t\u00e3o apavorando, cara (risos). S\u00f3 a cena rock da cidade n\u00e3o enxerga isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com \u201cCharme Chulo\u201d voc\u00eas marcaram seu espa\u00e7o no Paran\u00e1, por assim dizer. \u201cNova Onda Caipira\u201d \u00e9 uma tentativa direta de conquistar o mercado nacional?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igor: Acredito que o disco v\u00e1 ajudar a firmar a banda no mercado com potencial para ouvir Charme Chulo. Interior de S\u00e3o Paulo, Minas, norte do Paran\u00e1, Goi\u00e1s. N\u00e3o s\u00f3 pelo nome, mas tamb\u00e9m pelo conceito do disco. S\u00f3 o fato de uma banda independente lan\u00e7ar um segundo disco em dois anos j\u00e1 \u00e9 uma tentativa de carreira. Quando uma banda independente consegue lan\u00e7ar e passar pelo desafio do segundo disco \u00e9 porque ela veio pra ficar.\u00a0 O segundo disco \u00e9 um desafio. \u00c9 uma hist\u00f3ria meio m\u00edstica (risos). Para conseguir chegar l\u00e1, no meio independente, a banda precisa estar muito certa do que est\u00e1 fazendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-2086 aligncenter\" title=\"&quot;Nova Onda Caipira&quot;, do Charme Chulo\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/novaondacapirira.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/novaondacapirira.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/novaondacapirira-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/novaondacapirira-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>FAIXA A FAIXA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A pedido do Scream &amp; Yell, o guitarrista Leandro Delmonico comenta o novo \u00e1lbum:<\/strong><\/p>\n<p><strong>MODA DO ACERTO<\/strong><br \/>\nEra quest\u00e3o de honra compor uma moda de viola para este disco. O \u00fanico problema \u00e9 que somos caipiras de meia tigela e uma moda requer boa dose de inspira\u00e7\u00e3o interiorana, mas no nosso caso a inspira\u00e7\u00e3o s\u00f3 poderia ser urbana. Ent\u00e3o tive a id\u00e9ia de pegar um \u2018causo\u2019 que aconteceu comigo e com v\u00e1rias pessoas por ai, um assalto. O grande lance era tratar um caso s\u00e9rio com a ingenuidade t\u00edpica do caipira, algo meio ir\u00f4nico mesmo. O mais curioso \u00e9 que a melodia surgiu de manh\u00e3zinha; nada mais apropriado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FALA COMIGO, BARNAB\u00c9!<\/strong><br \/>\nBarnab\u00e9 segue o lado new wave do disco. O titulo &#8220;Nova Onda Caipira&#8221; veio antes das m\u00fasicas e acabamos nos influenciando por ele. Quer\u00edamos uma m\u00fasica dan\u00e7ante com vocais gritados em un\u00edssono, tipo Tit\u00e3s\u00a0ou Ultraje a Rigor. A base mel\u00f3dica de Barnab\u00e9 foi criada em cima de uma bateria tosca de teclado; se voc\u00ea reparar na linha de baixo do pr\u00e9-refr\u00e3o ir\u00e1 perceber algo de bai\u00e3o tamb\u00e9m. A letra fala de conv\u00edvio social, do medo de se isolar e n\u00e3o conseguir travar uma simples conversa. Enfim, \u00e9 preciso ter cuidado para n\u00e3o transferir sua vida para um site de relacionamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>TR\u00caS MARIAS<\/strong><br \/>\nFoi um dos primeiros instrumentais que criamos ap\u00f3s o primeiro disco. Ela tem aquela pegada p\u00f3s-punk presente em algumas m\u00fasicas da banda. Surgiu do riff de viola e sua letra parte para um lado mais po\u00e9tico. Quando o Igor me mostrou a letra lembrei muito das tem\u00e1ticas do Almir Sater.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NOVA ONDA CAIPIRA<\/strong><br \/>\nEssa can\u00e7\u00e3o defende o jeito Charme Chulo de ser: \u201cAnda logo ent\u00e3o, aceita sim ou n\u00e3o, um jeca fino assim, se \u00e9 bom n\u00e3o \u00e9 da gente, normal vai ser diferente, depois vai gostar de mim\u201d. Quando mostrei a base para o Igor decidimos dar o titulo do disco a ela. \u00c9 uma m\u00fasica de guitarra, muito influenciada pelas bandas dos anos 80 que carregavam algo country; Pretenders, Dire Straits, R.E.M&#8230; Achamos muito legal essa coisa de soar pop e raiz ao mesmo tempo. Gosto muito das frases de efeito dessa m\u00fasica \u201cent\u00e3o n\u00e3o custa p\u2019reu tocar com uma guitarra uma moda inteira, um rock caipira\u201d ou citando Ti\u00e3o Carreiro em \u201cCarnaval \u00e9 quatro dias, a viola \u00e9 durante o ano inteiro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>BRASIL SACANAGEM<\/strong><br \/>\nO titulo tamb\u00e9m veio antes da m\u00fasica. Queria fazer um apanhado hist\u00f3rico de toda a sacanagem t\u00edpica brasileira, desde a coloniza\u00e7\u00e3o passando pela porn\u00f4chanchada at\u00e9 chegarmos aos dias de hoje, com essa pol\u00edtica escandalosa. O Igor acabou indo para um lado mais pol\u00edtico social, o que agradou bastante. Consideramos o instrumental um pagode de viola (ritmo criado na viola caipira por Ti\u00e3o Carreiro) com bateria e baixo no g\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DE HOJE N\u00c3O PASSA<\/strong><br \/>\n\u00c9 a m\u00fasica mais emblem\u00e1tica da banda. A letra \u00e9 baseada na experi\u00eancia de ter uma banda independente no pa\u00eds, de n\u00e3o ser levado a s\u00e9rio e lutar com todas as for\u00e7as por um espa\u00e7o digno. \u00c9 meio que um desabafo do Igor. Apesar de a guitarra marcar bastante a m\u00fasica, o riff saiu quando eu brincava com o baixo no est\u00fadio da banda. A m\u00fasica j\u00e1 estava presente no disco &#8220;Charme Chulo Ao Vivo Na Grande Garagem Que Grava&#8221;, um projeto bem legal aqui de Curitiba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>BORBOLETA DE PORCELANA<\/strong><br \/>\nFlertamos com o brega nessa can\u00e7\u00e3o, o titulo j\u00e1 entrega isso. Borboleta \u00e9 uma guar\u00e2nia ou polca paraguaia. A bateria leva a m\u00fasica em tr\u00eas por quatro enquanto a guitarra ensaia algo meio glam com o pedal wah wah. Ficamos contentes com o resultado final, a letra \u00e9 exagerada propositalmente e o instrumental n\u00e3o deixa por menos. Flertamos com viol\u00e3o, harpa, acordeom e piano nessa m\u00fasica. Assim como &#8220;Amor de Boteco&#8221;, &#8220;Borboleta&#8221; deve ser uma surpresa agrad\u00e1vel neste trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>VIDA MODERNA<\/strong><br \/>\nPeterson saiu da banda, mas deixou um \u00f3timo presente: sua primeira e \u00fanica composi\u00e7\u00e3o para o Charme Chulo. Nos baseamos naquelas marchinhas caipiras que o Mazzaropi cantava em seus filmes e, apesar disso, &#8216;Vida Moderna&#8221; ganhou um corpo\u00a0 pop e dan\u00e7ante no est\u00fadio, principalmente nos refr\u00f5es. Peterson falava que a letra era como se uma pessoa de 50 anos atr\u00e1s acordasse no mundo ca\u00f3tico de hoje, acho um tema muito apropriado para a can\u00e7\u00e3o. Outro destaque \u00e9 a primorosa participa\u00e7\u00e3o do sanfoneiro Adriano Magoo, \u00f3timo instrumentista de Campo Grande (MS).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>AT\u00c9 DIZER CHEGA<\/strong><br \/>\nEssa m\u00fasica me surpreendeu por ter entrado no disco, afinal ela foi feita antes do primeiro disco sair. Sempre gostamos dela, mas nunca soubemos direito o que fazer. A letra fala sobre uma pessoa que \u00e9 massacrada pela TV, e o titulo \u00e9 baseado numa vis\u00e3o que o Igor teve: um outdoor de uma Churrascaria com a foto de uma pe\u00e7a de carne escrito em cima \u201cat\u00e9 dizer chega\u201d. Ela cresceu bastante no est\u00fadio. Lembra um pouco Karnak e Pato Fu pelas partes bizarras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RADIO A.M<\/strong><br \/>\nPenso que a alma caipira e saudosista est\u00e1 na periferia, onde as pessoas escutam Radio A.M e tal, o instrumental \u00e9 perfeito para os shows e procuramos deix\u00e1-la o mais natural poss\u00edvel, o grito de Charme Chulo no final da m\u00fasica deu um toque no disco. Tamb\u00e9m sent\u00edamos falta de uma m\u00fasica r\u00e1pida e direta nesse disco e gosto muito de sua tem\u00e1tica, algo que tem muito a ver com a banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GALO MARING\u00c1<\/strong><br \/>\nChamamos Galo Maring\u00e1 de Folk Brasileiro, como aquelas can\u00e7\u00f5es do Raul Seixas de pegada country. Esses dias percebemos que ela lembra muito um Cl\u00e1ssico Paranaense, Bicho do Paran\u00e1, do Jo\u00e3o Lopes. O mais interessante \u00e9 que ela fecha o disco falando de voltar para a sua cidade natal. O t\u00edtulo faz refer\u00eancia ao apelido do time de futebol da cidade de Maring\u00e1, terra natal de metade da banda. Outra influ\u00eancia \u00e9 a m\u00fasica Maring\u00e1, composi\u00e7\u00e3o de Joubert de Carvalho, regravada tamb\u00e9m por Tonico e Tinoco. O nome da cidade de Maring\u00e1 \u00e9 uma homenagem a essa can\u00e7\u00e3o que conta a hist\u00f3ria de uma retirante nordestina, a cabocla Maring\u00e1. A parte de Galo que diz \u201cde um caboclo a sossegar\u201d \u00e9 uma refer\u00eancia explicita ao cl\u00e1ssico de Joubert.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2087 aligncenter\" title=\"Charme Chulo \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/charmechulo2.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; &#8220;Charme Chulo&#8221;, o primeiro disco, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/04\/30\/estreia-do-charme-chulo-e-o-disco-da-semana\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Entrevista para o Scream &amp; Yell em 2005, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/charmechulo.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Nova Onda Caipira&#8221; pode ser ouvido em <a href=\"http:\/\/www.myspace.com\/charmechulo\">www.myspace.com\/charmechulo<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Murilo Basso\nNa briga pelo posto de disco do ano, o Charme Chulo assume a nova onda caipira e quer que voc\u00ea fale com eles, Barnab\u00e9.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/09\/23\/a-moda-caipira-do-charme-chulo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":121,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2084"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/121"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2084"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2084\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40061,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2084\/revisions\/40061"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2084"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2084"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2084"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}