{"id":20578,"date":"2002-02-26T11:09:24","date_gmt":"2002-02-26T14:09:24","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=20578"},"modified":"2025-08-04T21:02:37","modified_gmt":"2025-08-05T00:02:37","slug":"entrevista-los-hermanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/02\/26\/entrevista-los-hermanos\/","title":{"rendered":"Entrevista: &#8220;Fizemos Bloco do Eu Sozinho \u00e0 revelia\u201d, diz o Los Hermanos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20581\" title=\"loshermanos7\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/loshermanos7.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/mart_fern\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mart\u00edn Fernandez<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Texto publicado originalmente no Scream &amp; Yell em 26\/02\/2002<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escala\u00e7\u00e3o do show era bizarra: uma dupla sertaneja mirim, uma banda de baile e outra dessas gauchescas. Pra fechar a noite, Los Hermanos. O cartaz e o material de divulga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m eram, no m\u00ednimo, estranhos. Sobre uma foto antiga da banda carioca, estava l\u00e1 a frase, em letras garrafais: &#8220;\u00d4 Anna J\u00faliaaaaaaa&#8221;. At\u00e9 um jornal de S\u00e3o Bento do Sul (SC), ao noticiar o show, disse que estaria na cidade o grupo autor do sucesso &#8220;\u00d4 Anna J\u00faliaaaaaaa&#8221;. Bizarro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entrevista a uma r\u00e1dio local. O locutor chama Marcelo de Rodrigo e pergunta: &#8220;O que a banda fez depois de Anna J\u00falia?&#8221;. Camelo, com uma paci\u00eancia descomunal, explica que a banda gravou outro disco, que est\u00e1 viajando pelo pa\u00eds, que tem outras m\u00fasicas tocando em r\u00e1dios e tal . &#8220;A gente t\u00e1 acostumado a esse tipo de pergunta&#8221;, explicaria depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O novo disco em quest\u00e3o, &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2001\/09\/12\/bloco-do-eu-sozinho-los-hermanos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bloco do Eu Sozinho<\/a>&#8220;, foi lan\u00e7ado depois de algumas turbul\u00eancias: sa\u00edda de um dos integrantes e tentativas de interfer\u00eancia da gravadora no conte\u00fado do \u00e1lbum. Para grav\u00e1-lo, a banda isolou-se por dois meses num s\u00edtio no interior do Rio de Janeiro. A Abril Music n\u00e3o gostou do resultado e tentou mudar a concep\u00e7\u00e3o de &#8220;Bloco&#8221;, sucessor do \u00e1lbum &#8220;Los Hermanos&#8221; (1999), que vendeu 300 mil c\u00f3pias, puxado por &#8220;Anna J\u00falia&#8221;, m\u00fasica mais tocada pelos trios el\u00e9tricos baianos no carnaval do ano 2000. Os Hermanos n\u00e3o cederam \u00e0s press\u00f5es, e o disco acabou saindo do jeito que a banda queria. A critica incensou (na vota\u00e7\u00e3o Melhores de 2001 do S&amp;Y <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/outros\/listas\/melhoresde2001.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a banda foi a grande vencedora<\/a>) e o p\u00fablico parece ir descobrindo aos poucos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em S\u00e3o Bento do Sul a banda fez um set pequeno, com 17 m\u00fasicas &#8211; a maior parte de &#8220;Bloco do Eu Sozinho&#8221;. Das 4 mil pessoas presentes, a metade provavelmente nem sabia que a banda tinha lan\u00e7ado outro disco, a exemplo do locutor da r\u00e1dio. E s\u00f3 se mexeram mesmo quando a banda tocou &#8220;Anna J\u00falia&#8221;. Uma pena. &#8220;\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o complicada pra n\u00f3s, porque n\u00e3o queremos menosprezar o sentimento do p\u00fablico por essa m\u00fasica&#8221;, comentaria ap\u00f3s o show Bruno Medina. &#8220;Queremos que ela seja apenas nosso maior sucesso, e n\u00e3o sin\u00f4nimo de Los Hermanos&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes do show, Rodrigo Amarante, Marcelo Camelo, Bruno Medina e Rodrigo Barba conversaram com o S&amp;Y sobre o problema com a gravadora, a sa\u00edda do baixista Patrick Laplan, o novo disco, a nova turn\u00ea e o futuro da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que aconteceu no epis\u00f3dio com a Abril Music?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bruno Medina: Quando a gente se reuniu pra fazer o segundo disco, decidimos alugar um s\u00edtio no interior do Rio e levar todo o equipamento pra l\u00e1. A gravadora n\u00e3o gostou porque ficaria longe do processo. Mas fomos mesmo assim, o disco foi surgindo do jeito que \u00e9 e n\u00e3o vimos motivos pra mudar nada. Fizemos o disco \u00e0 revelia. Quando eles viram o resultado, n\u00e3o gostaram, disseram que os arranjos estavam confusos e pediram que a gente regravasse com outro produtor. Como n\u00e3o regravar\u00edamos de jeito nenhum, chegamos a uma medida conciliat\u00f3ria e aceitamos remixar o disco com o produtor que eles sugeriram. A gente participou do processo inteiro, foi no est\u00fadio todos os dias. N\u00e3o foi t\u00e3o desagrad\u00e1vel quanto achamos que seria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco ficou mais para o lado da banda ou da gravadora?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Medina: Certamente pra n\u00f3s, n\u00e3o tem a menor d\u00favida. Ent\u00e3o isso foi a maior perda de tempo, porque acabou ficando como n\u00f3s quer\u00edamos. Mas eles acabaram ficando felizes, porque tiveram a \u00faltima palavra. Foi meio por causa de birra, coisa de falar que n\u00e3o aceitam, querer impor, dizer que &#8220;a gente \u00e9 que manda&#8221; e tal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois do lan\u00e7amento, houve alguma retalia\u00e7\u00e3o da gravadora, no sentido de n\u00e3o divulga\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo Camelo: N\u00e3o d\u00e1 pra encarar como retalia\u00e7\u00e3o. A gravadora pega o resultado final, o disco, e diz: &#8220;com isso aqui d\u00e1 pra fazer isso e isso&#8221;, o que realmente aconteceu. N\u00f3s achamos que foi pouco. O disco teve pouca divulga\u00e7\u00e3o, s\u00f3 teve uma m\u00fasica de trabalho at\u00e9 agora (&#8220;Todo carnaval tem seu fim&#8221;). [dias depois da entrevista &#8220;Fingi na hora rir&#8221; entrou na programa\u00e7\u00e3o de algumas r\u00e1dios]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De acordo com o contrato, h\u00e1 mais um disco a ser lan\u00e7ado pela Abril. Esse epis\u00f3dio pode sinalizar alguma mudan\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camelo: \u00c9 uma quest\u00e3o sutil cheia de meandros e dependente do momento. A gente sabe o que gosta de fazer, e vai fazer isso. Eles investem mais ou menos de acordo com os crit\u00e9rios deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Medina: De repente o pr\u00f3ximo disco preenche as categorias, os crit\u00e9rios da gravadora pra medir compasso, refr\u00e3o e sei l\u00e1 o qu\u00ea. Quem sabe eles n\u00e3o gostam de novo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00eas levaram para ouvir durante os dois meses no s\u00edtio?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigo Amarante: A gente tava ouvindo muito Beatles naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camelo: Cada um levou algumas coisas que tinha comprado, que estava curtindo na hora. Ouvimos m\u00fasica juntos assim: cada um mostrando coisas que os outros nunca tinham ouvido. O Barba (bateria), por exemplo, mostrou Fun Lovin&#8217; Criminals. Eu levei uns discos do Tom Z\u00e9, os outros tamb\u00e9m levaram algumas coisas. Mas dessas influ\u00eancias n\u00e3o tem nada de exclusivo, concreto ou maior. Por mais gen\u00e9rico que possa parecer, \u00e9 verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi a sa\u00edda do baixista Patrick Laplan?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camelo: Foi um lance de caminhos est\u00e9ticos mesmo. O disco come\u00e7ou quando ele saiu. Porque esse disco tem uma harmonia muito grande entre os instrumentos, dependem muito um do outro. E com um baixista que pensava muito diferente era dif\u00edcil dar o primeiro passo nos arranjos. Foi preciso entrar um baixista que se entendesse melhor com a gente pra come\u00e7armos a fazer o disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Medina: Ele est\u00e1 tocando com o Rodox (nova banda de &#8220;hardcore crist\u00e3o&#8221; de Rodolfo Abrantes, ex-Raimundos), pra ver o caminho musical que ele queria seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como voc\u00eas fizeram sem baixista &#8220;oficial&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amarante: N\u00f3s quatro somos a banda, n\u00e3o tem isso de cargos. Quem gravou conosco foi o Alexandre Kassin (Acabou la Tequila), amigo nosso de longa data. E quem viaja \u00e9 o Gabriel &#8220;Bubu&#8221; Neves (Carne de Segunda), tamb\u00e9m amigo nosso e justamente indicado pelo Kassin.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camelo: \u00c9 legal ter um baixista pra poder fazer os arranjos do modo como v\u00e3o sair no show, porque se o Amarante tocar baixo no show ele vai ter que deixar de tocar guitarra&#8230; O que acontece \u00e9 que temos uma linguagem muito particular. A gente j\u00e1 toca junto h\u00e1 tanto tempo que as coisas que falamos um pro outro s\u00e3o muito sensoriais, muito particulares a n\u00f3s. \u00c9 tipo: &#8220;Barba, faz uma bateria de bandinha de farm\u00e1cia&#8221;, ou &#8220;Bruno, faz um teclado p\u00f4r-do-sol&#8221;. S\u00e3o cosias t\u00edpicas da nossa maneira de comunicar. E \u00e9 dif\u00edcil falar isso pra algu\u00e9m que n\u00e3o conviva tanto conosco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O segundo disco \u00e9 bem diferente do primeiro. Voc\u00eas encaram como uma evolu\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amarante: Essa diferen\u00e7a fica mais gritante porque, quando uma banda faz sucesso no primeiro disco, todo mundo espera que ela repita a f\u00f3rmula no segundo. A gente simplesmente n\u00e3o tem esse compromisso. O que mudou foi que n\u00f3s envelhecemos um pouco e isso determina a diferen\u00e7a, as coisas que aconteceram, os discos que a gente trocou, essas coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camelo: Acho que \u00e9 uma evolu\u00e7\u00e3o no sentido de que veio depois do outro. N\u00e3o porque \u00e9 melhor. Sem o outro n\u00e3o teria esse. Nos orgulhamos dos dois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O primeiro disco \u00e9 permeado pela mistura de ska e hardcore, estilos quase desaparecidos no segundo disco&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amarante (rindo): Vamos fazer um hardcore pra voc\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camelo: No in\u00edcio da banda a ideia era misturar letras de amor com hardcore. O peso da melodia e a leveza das letras. Foi o mote inicial, por isso o primeiro disco tem essa cara. Mas \u00e0 medida que come\u00e7amos a viajar juntos, trocar discos, conversar mais sobre m\u00fasica, isso foi se dissipando. \u00c9 inevit\u00e1vel que o som mude. Depois de tanto tempo de conv\u00edvio, tocando juntos, \u00e9 natural que essa f\u00f3rmula hardcore, ska, reggae, esteja cansativa. Assim como no terceiro vamos tentar uma coisa diferente. Isso \u00e9 meio que um cerne da banda, tentar sempre coisas diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O qu\u00ea, por exemplo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camelo: As a\u00e7\u00f5es \u00e9 que v\u00e3o dizer. O clima que a gente estiver, o som que tivermos ouvindo, o estado emocional de cada um, os lugares onde estivermos. Sem objetivos fixos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que n\u00e3o mudou foi o tema das letras: amor, relacionamentos. Isso n\u00e3o pode se esgotar?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amarante: N\u00e3o sei. N\u00f3s n\u00e3o escrevemos para agradar algu\u00e9m ou s\u00f3 para escrever sobre amor. As letras tratam de relacionamentos, que podem ser entre namorados, irm\u00e3os, amigos, pai e filho. Escrevemos sobre hist\u00f3rias que presenciamos, que vivemos. Talvez um dia vamos escrever sobre outras coisas, sem problema algum. No mais, &#8220;Bloco&#8221; j\u00e1 tem m\u00fasicas que n\u00e3o falam sobre relacionamentos, como &#8220;Todo carnaval tem seu fim&#8221; e &#8220;Cad\u00ea teu su\u00edn&#8221;. Se voc\u00ea pegar o primeiro disco, a maioria das letras tem a estrutura do samba-can\u00e7\u00e3o, as rimas, os versos. Agora no segundo, n\u00e3o. As letras no encarte j\u00e1 est\u00e3o em forma de prosa, o que pode sinalizar uma mudan\u00e7a. N\u00e3o vamos virar uma banda panflet\u00e1ria, por exemplo, de uma hora pra outra. Mas mudar \u00e9 conosco mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Bloco&#8221; teve pouca divulga\u00e7\u00e3o. Voc\u00eas est\u00e3o fazendo menos shows por isso?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amarante: Tocamos pouco mesmo. Em janeiro nada, em fevereiro pouco e agora estamos come\u00e7ando a turn\u00ea desse disco. Al\u00e9m disso, estamos numa crise meio invis\u00edvel, e o primeiro mercado que sofre \u00e9 o nosso, do entretenimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas t\u00eam tocado em lugares menores, n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camelo: Esse disco n\u00e3o \u00e9 pra ser tocado em lugares grandes, at\u00e9 porque n\u00e3o teve uma m\u00fasica que tocou pra caramba em r\u00e1dio e tal. E isso \u00e9 legal. Embora com pouco tempo de estrada, temos muita experi\u00eancia ao vivo. J\u00e1 experimentamos todos os tipos de palco nesse pouco tempo. \u00c9 bom voltar a tocar em lugares pequenos, para um p\u00fablico que conhece a banda, canta as m\u00fasicas, vai no site, v\u00ea a banda como um todo. A gente passou muito tempo tocando pra p\u00fablicos grandes, na excurs\u00e3o do primeiro \u00e1lbum, em que tent\u00e1vamos convencer as pessoas. E \u00e9 bacana estar de volta a plateias mais pr\u00f3ximas, sem ter que convencer ningu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amarante: Essa \u00e9 a vantagem de se divertir tocando, de se fazer o que gosta: se tem pouca gente no show, n\u00e3o tem problema. Se tiver s\u00f3 uma pessoa ali, cantando as m\u00fasicas, fazemos o show s\u00f3 pra ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que falta para o Los Hermanos se firmar definitivamente no cen\u00e1rio nacional?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Medina: Eu gostaria que nossa m\u00fasica pudesse transpor definitivamente as barreiras do preconceito de sucesso, de pouca idade, de n\u00e3o pertencer a nenhum movimento ou panelinha, enfim que pud\u00e9ssemos ser julgados apenas por nossos discos e ponto final. Acho que isso por si s\u00f3 garantiria uma vendagem e n\u00famero de shows significativos para que pud\u00e9ssemos viver de m\u00fasica com tranquilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camelo: Falta tempo mesmo. Falta a gente conseguir viver um tempo fazendo bons discos. Conseguindo estar vez ou outra na m\u00eddia com um disco bom, tocando bem, m\u00fasicas bonitas, \u00e9 isso. Const\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E daqui pra frente? Outro disco nesse ano?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amarante: A gente continua compondo como sempre, fazendo m\u00fasicas novas e tal. Mas isso n\u00e3o quer dizer nada sobre o pr\u00f3ximo disco. Estamos trabalhando nesse ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20579\" title=\"loshermanos6\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/loshermanos6.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Los Hermanos ao vivo<br \/>\nS\u00e3o Paulo &#8211; Blen Blen Brasil 20\/02\/2002<br \/>\npor Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo seria muito melhor se artigos como honestidade, coragem e sinceridade pudessem ser vendidos em farm\u00e1cias. Como ainda n\u00e3o encontraram uma maneira de &#8220;vender&#8221; estes produtos, somos obrigados a sobreviver com o pouco que temos. E&#8230; \u00e9 muito pouco. Entrei no aconchegante Blen Blen Brasil caraminholando essas quest\u00f5es, preparando-me para ver pela primeira vez a banda nacional mais cultuada dos \u00faltimos anos em terras brasilis: o Los Hermanos. O prazer foi inesquec\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Defendendo sua m\u00fasica como quem defende seu pr\u00f3prio nome, o Los Hermanos fez &#8220;Bloco do Eu Sozinho&#8221;, um disco para ouvir, ouvir, ouvir e ouvir. E ouvir. Triste at\u00e9 onde o \u00e2mago permite, &#8220;Bloco&#8221;, ao vivo, \u00e9 sin\u00f4nimo de festa. Festa com serpentinas e papel picado, com pequenos sucessos particulares cantados em coro com a m\u00e3o no peito, como que segurando para que o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o saia pela boca. P\u00fablico e banda, cantando no meio da noite pequenas odes ao amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do inicio, com &#8220;A Flor&#8221;, at\u00e9 a derradeira &#8220;Adeus Voc\u00ea&#8221; (demais terminar com &#8220;pra que minha vida siga adiante&#8221;), os Hermanos mesclaram can\u00e7\u00f5es de seus dois \u00e1lbuns, em praticamente doses iguais. Sim, teve &#8220;Anna J\u00falia&#8221;. E tamb\u00e9m teve &#8220;Primavera&#8221;, &#8220;Azedume&#8221; e &#8220;Pierrot&#8221; do primeiro assim como &#8220;Fingi na hora de rir&#8221;, &#8220;Cade Teu Suin?&#8221; e a bela &#8220;Sentimental&#8221;, do segundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois b\u00f4nus inesperados preencheram o set list: &#8220;Desce&#8221;, de Arnaldo Antunes, parece ter sido escrita de encomenda para os Hermanos, e, principalmente, para &#8220;Bloco do Eu Sozinho&#8221;. (&#8220;Desce do trono, rainha \/ Desce do seu pedestal \/ De que te vale a riqueza sozinha \/ Enquanto \u00e9 carnaval?&#8221;). Clima denso, arrastado, perfeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O outro b\u00f4nus foi uma vers\u00e3o de \u00faltima hora, especial para um programa de tv. Pense em uma m\u00fasica de Roberto Carlos que pudesse se encaixar no repert\u00f3rio dos Los Hermanos. Pensou? Essa m\u00fasica \u00e9 &#8220;Traumas&#8221;, pequena p\u00e9rola escondida no \u00e1lbum de 1971 do rei (o mesmo que traz &#8220;Detalhes&#8221; e &#8220;Debaixo dos Carac\u00f3is do Seu Cabelo&#8221;). A letra que diz &#8220;meu pai um dia me falou pra que eu nunca mentisse \/ mas ele tamb\u00e9m se esqueceu \/ de me dizer a verdade&#8221; ganhou for\u00e7a na interpreta\u00e7\u00e3o dolorida de Amarante, e s\u00f3 quem sabe as porradas que essa banda anda levando para ser a grande banda que \u00e9 poder\u00e1 entender &#8220;os traumas que a gente s\u00f3 sente depois de crescer&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo seria muito melhor se existissem mais bandas como essa. Se, pud\u00e9ssemos, vez por outra, sermos tirado da rotina que vivemos para adentrar o mundo colorido\/dolorido de um show que toca o cora\u00e7\u00e3o, lava a alma e faz a voz se perder em rouquid\u00e3o. Para que a vida siga adiante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cBloco do Eu Sozinho\u201d, um \u00e1lbum estranho e genial, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2001\/09\/12\/bloco-do-eu-sozinho-los-hermanos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cBloco do Eu Sozinho\u201d: faixa a faixa por Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2001\/09\/12\/bloco-do-eu-sozinho-los-hermanos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cVentura\u201d: a consist\u00eancia e maturidade do Los Hermanos, por Jonas Lopes (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2003\/07\/16\/musica-ventura-los-hermanos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cLos Hermanos 4\u201d \u00e9 um disco sem paralelos na m\u00fasica brasileira, por CEL (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/08\/08\/musica-4-los-hermanos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Los Hermanos ao vivo em Juiz de Fora, 2002: assista a 13 v\u00eddeos (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/12\/los-hermanos-em-juiz-de-fora-2002\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Entrevista: Bruno Medina -&gt; Acho que a renova\u00e7\u00e3o de p\u00fablico est\u00e1 ocorrendo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/01\/10\/entrevista-bruno-medina-los-hermanos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Show: \u201cSeita\u201d Los Hermanos segue firme em SP\u00a0 (2005), por Juliano Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/loshermanosshow.html\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Show: A antepen\u00faltima ceia do Los Hermanos (2007), por Marco Antonio Bart (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/bart_hermanos.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cBloco do Eu Sozinho\u201d e \u201cVentura\u201d, os dois melhores discos dos anos 00 (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/loshermanosinterview.html\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A escala\u00e7\u00e3o do show era bizarra: uma dupla sertaneja mirim, uma banda de baile e outra dessas gauchescas. Pra fechar a noite, Los Hermanos. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/02\/26\/entrevista-los-hermanos\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":26,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[198],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20578"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/26"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20578"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20578\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":90457,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20578\/revisions\/90457"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20578"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20578"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20578"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}