{"id":20574,"date":"2005-08-08T10:59:23","date_gmt":"2005-08-08T13:59:23","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=20574"},"modified":"2019-11-28T11:46:07","modified_gmt":"2019-11-28T14:46:07","slug":"musica-4-los-hermanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/08\/08\/musica-4-los-hermanos\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: &#8220;4&#8221;, Los Hermanos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20575\" title=\"quatro\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/quatro.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Carlos Eduardo Lima<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Texto publicado no Scream &amp; Yell originalmente em 07\/08\/2005<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O quarto trabalho dos Los Hermanos n\u00e3o \u00e9 um disco de rock. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um disco convencional de MPB. Podemos dizer que o quarto \u00e1lbum da banda carioca \u00e9 algo mais ou menos \u00fanico. H\u00e1 um bom tempo n\u00e3o se ouvia algo t\u00e3o novidadeiro assim, com cara de coisa conhecida. Talvez tenha sido com o &#8220;Bloco Do Eu Sozinho&#8221;, segundo disco deles mesmos, em 2001, que esta sensa\u00e7\u00e3o me assaltou pela derradeira vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camelo, Amarante, Medina e Barba finalmente conseguiram traduzir com perfei\u00e7\u00e3o algo que poucos artistas na hist\u00f3ria da m\u00fasica pop lograram \u00eaxito (ou tiveram talento) em fazer: m\u00fasica do inconsciente coletivo. E o que diabos vem a ser isso? Todo um tipo de m\u00fasica que nos vem \u00e0 cabe\u00e7a sem origem certa, nem autoria definida, mas que ati\u00e7a o c\u00e9rebro com uma cosquinha, clamando por esclarecimento, sempre movido pela pergunta: &#8220;quando eu ouvi isso? Isso me \u00e9 familiar&#8221;. Longe de ser pl\u00e1gio, m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o de influ\u00eancias ou falta de originalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Hermanos conseguiram neste quarto trabalho atingir o objetivo que se insinuava no &#8220;Bloco&#8221;, virou leitmotiv em &#8220;Ventura&#8221; (2003) &#8211; fazer m\u00fasica dej\u00e1 vu nunca vista. Sim, esta \u00e9 uma frase pouco inspirada de uma m\u00fasica dos Engenheiros do Hawaii, cujo t\u00edtulo escapuliu pela esquerda da p\u00e1gina, mas que define com exatid\u00e3o satisfat\u00f3ria o que se ouve agora. \u00c9 m\u00fasica de almo\u00e7o de domingo com a fam\u00edlia com Coca Cola litro de vidro nos anos 70, m\u00fasica de amor por algu\u00e9m que nunca nos olhou nos anos 80 ou m\u00fasica de faculdade e t\u00e9dio no quarto nos anos 90. Talvez possa j\u00e1 ser m\u00fasica de porta de LAN house, depois do fora via MSN, nos anos 00.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Los Hermanos 4&#8221; \u00e9 rico em nuances, \u00e9 lento, \u00e9 anti-r\u00e1dio, \u00e9 bonito pacas, \u00e9 atemporal e pode ser cl\u00e1ssico. Tudo depende da banda. \u00c9 importante dizer que poucas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o para shows em lugares abertos. O grupo parece n\u00e3o se preocupar com isso, deixando apenas &#8220;O Vento&#8221; no setor mais ou menos pul\u00e1vel. E isso \u00e9 um exagero. A m\u00fasica \u00e9 solar, mas n\u00e3o \u00e9 feliz. \u00c9 arejada, influenciada por coisas imemorais, desde Burt Bacharach at\u00e9 Stereolab, passando por Marcos Valle e outros bossanovistas subestimados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, claro que as doze can\u00e7\u00f5es formam um pequeno e involunt\u00e1rio conceito, que as une e as faz soar quase descabidas quando comparadas a alguns cl\u00e1ssicos como &#8220;Sentimental&#8221; ou &#8220;Do S\u00e9timo Andar&#8221;. Nem se comparam com &#8220;Anna J\u00falia&#8221; ou &#8220;Primavera&#8221;, apesar de todas as composi\u00e7\u00f5es da banda conterem tra\u00e7o pr\u00f3prio, que alguns poderiam chamar de &#8220;estilo&#8221; ou &#8220;marca registrada&#8221;. Outros chamariam de qualquer coisa, mas algu\u00e9m com menos de vinte anos em 1998 (quando o primeiro disco da banda foi lan\u00e7ado) que cantava &#8220;primavera chegou e com ela meu amor&#8221;, s\u00f3 poderia cantar, sete anos depois, alguma coisa como &#8220;\u00e9 de l\u00e1grima que fa\u00e7o um mar pra navegar, vamos l\u00e1, eu n\u00e3o vi o final, sei que o daqui teimou de vir&#8221;. Afinal, quer queiram ou n\u00e3o, \u00e9 a mesma banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sofistica\u00e7\u00e3o de &#8220;Dois Barcos&#8221; e &#8220;Fez-Se Mar&#8221; j\u00e1 as torna mais complexas que toda a produ\u00e7\u00e3o pop nacional em 2004\/2005. A primeira chega a lembrar o minimalismo de m\u00fasicas como &#8220;Cais&#8221;, de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, presente no &#8220;Clube da Esquina&#8221;, o disco. Por tr\u00e1s desse parentesco musical h\u00e1 um motivo simples demais: os Hermanos s\u00e3o os \u00fanicos m\u00fasicos talentosos o bastante para perceber que n\u00e3o h\u00e1 boa can\u00e7\u00e3o sem bom arranjo. E eles passam dias burilando interven\u00e7\u00f5es de metais, teclados e timbres, com o aux\u00edlio de Kassin, que poderia ser chamado de &#8220;quinto hermano&#8221;, na produ\u00e7\u00e3o, posto que \u00e9 dele desde 2001. A coisa sai redonda e justa. Integrante de uma galera carioca que busca na tradi\u00e7\u00e3o esquecida da MPB dos anos 50 e 60, visando sempre o upgrade XXI para essa sonoridade, Kassin cai como uma luva nas empreitadas dos rapazes e tem papel decisivo, desde o &#8220;Bloco Do Eu Sozinho&#8221;. Pode-se dizer que ele funciona como um tradutor das composi\u00e7\u00f5es subjetivas de Camelo e Amarante para os 48 canais da mesa do est\u00fadio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A poesia s\u00e9ria de uma can\u00e7\u00e3o como &#8220;Condicional&#8221;, contradita por um inocente solo de Casiotone \u00e9 um exemplo de como a m\u00fasica dos Hermanos \u00e9 instigante. &#8220;Eu sei como \u00e9 doce te amar, o amargo \u00e9 querer-te pra mim&#8221;, frase definitiva de quase todos os relacionamentos amorosos do ser humano, que sai da garganta de Rodrigo Amarante como um dardo. Pouco depois uma pequena coda de guitarras d\u00e1 fim aos trabalhos. E isso \u00e9 s\u00f3 um exemplo. O disco \u00e9 pleno de momentos marcantes, contradit\u00f3rios, capazes de nos fazer lembrar de p\u00e1rias da m\u00fasica brasileira, de Guilherme Arantes a Oswaldo Montenegro, passando por mestres como Chico Buarque e Tom Jobim e at\u00e9 por movimentos inteiros, como o Clube Da Esquina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com participa\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos como Jota Moraes, tocando vibrafone em &#8220;Sapato Novo&#8221; e Stephane San Juan, nas percuss\u00f5es de &#8220;Paquet\u00e1&#8221; e Catatau nas guitarras em &#8220;Fez-Se Mar&#8221;, al\u00e9m do pr\u00f3prio Kassin no baixo, todos s\u00f3 contribuindo para a liga entre as can\u00e7\u00f5es ficar mais saborosa e forte, &#8220;Los Hermanos 4&#8221; \u00e9 um disco que n\u00e3o tem paralelos com o que \u00e9 feito no Brasil hoje em dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/pgLI36Z9MwY\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/pgLI36Z9MwY\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cBloco do Eu Sozinho\u201d, um \u00e1lbum estranho e genial, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2001\/09\/12\/bloco-do-eu-sozinho-los-hermanos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cBloco do Eu Sozinho\u201d: faixa a faixa por Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2001\/09\/12\/bloco-do-eu-sozinho-los-hermanos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cVentura\u201d: a consist\u00eancia e maturidade do Los Hermanos, por Jonas Lopes (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2003\/07\/16\/musica-ventura-los-hermanos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Los Hermanos ao vivo em Juiz de Fora, 2002: assista a 13 v\u00eddeos (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/12\/los-hermanos-em-juiz-de-fora-2002\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cFizemos Bloco do Eu Sozinho \u00e0 revelia\u201d, entrevista a Martin Fernandez (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/02\/26\/entrevista-los-hermanos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Entrevista: Bruno Medina -&gt; Acho que a renova\u00e7\u00e3o de p\u00fablico est\u00e1 ocorrendo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/01\/10\/entrevista-bruno-medina-los-hermanos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Show: \u201cSeita\u201d Los Hermanos segue firme em SP\u00a0 (2005), por Juliano Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/loshermanosshow.html\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Show: A antepen\u00faltima ceia do Los Hermanos (2007), por Marco Antonio Bart (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/bart_hermanos.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cBloco do Eu Sozinho\u201d e \u201cVentura\u201d, os dois melhores discos dos anos 00 (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/loshermanosinterview.html\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Carlos Eduardo Lima Texto publicado no Scream &amp; Yell originalmente em 07\/08\/2005 O quarto trabalho dos Los Hermanos n\u00e3o \u00e9 um disco \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/08\/08\/musica-4-los-hermanos\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":44,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[198],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20574"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20574"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20574\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53839,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20574\/revisions\/53839"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20574"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20574"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20574"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}