{"id":20444,"date":"2013-10-08T22:12:44","date_gmt":"2013-10-09T01:12:44","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=20444"},"modified":"2020-11-09T00:14:25","modified_gmt":"2020-11-09T03:14:25","slug":"entrevista-gustavo-duarte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/08\/entrevista-gustavo-duarte\/","title":{"rendered":"Entrevista: Gustavo Duarte"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20445\" title=\"gustavo1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/gustavo1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para algu\u00e9m conhecido por fazer narrativas sem di\u00e1logos, Gustavo Duarte \u00e9 um cara que fala muito. A entrevista com o Scream &amp; Yell estava prevista para durar 20 minutos, mas se estendeu para um papo err\u00e1tico de mais de uma hora, no qual m\u00fasica, produ\u00e7\u00e3o independente, ra\u00edzes interioranas, \u201cmorte do jornalismo\u201d, design, neg\u00f3cios e outros assuntos foram discutidos em extensas respostas \u2013 tudo, claro, sob o vi\u00e9s dos quadrinhos, arte na qual Gustavo vem se destacando como um nome de respeito, j\u00e1 desde seu primeiro lan\u00e7amento (\u201cC\u00f3!\u201d, esgotado).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claro que falar em \u201cmercado de quadrinhos\u201d \u00e9 capcioso, como Gustavo fez quest\u00e3o de explicar. Afinal, como \u00e9 poss\u00edvel falar de \u201cmercado\u201d se praticamente nenhum dos \u201coperadores\u201d do mesmo consegue tirar seu sustento de sua produ\u00e7\u00e3o? Questionamentos financeiros \u00e0 parte, n\u00e3o h\u00e1 como negar o sucesso desse paulista (nascido na capital, criado em Bauru, desde 2000 residindo em S\u00e3o Paulo novamente) de 36 anos, formado em Design Gr\u00e1fico, e com longa carreira como ilustrador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seus tr\u00eas \u00e1lbuns independentes \u2013 \u201cC\u00f3!\u201d (2009), \u201cT\u00e1xi\u201d (2010) e \u201cBirds\u201d (2011) \u2013 tiveram suas tiragens esgotadas. Pela Quadrinhos na Cia., selo de HQs da Companhia das Letras, lan\u00e7ou no ano passado \u201cMonstros!\u201d, outro sucesso. E h\u00e1 pouco a editora Panini publicou \u201cPavor Espaciar\u201d, terceiro volume da s\u00e9rie Graphic MSP, em que artistas jovens retratam sua vis\u00e3o dos ic\u00f4nicos personagens de Mauricio de Sousa. A Gustavo Duarte coube o caipira Chico Bento, que ele levou para o espa\u00e7o, juntamente com o primo Z\u00e9 Lel\u00e9, a galinha Giselda e o porco Torresmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, Gustavo colocou o menino da ro\u00e7a no espa\u00e7o. E monstros de seriados japoneses invadindo Santos (SP), elefantes dirigindo t\u00e1xis, p\u00e1ssaros burocratas perseguidos pela personifica\u00e7\u00e3o da morte, roqueiros trocando hist\u00f3rias de pescador&#8230; O absurdo faz parte de suas hist\u00f3rias (todas, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum da Panini, sem bal\u00f5es de di\u00e1logos, legendas ou similares), e esse recurso, somado com seu tra\u00e7o pessoal e polvilhado de refer\u00eancias pop, constituem o atrativo maior de sua obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obra essa que chega tamb\u00e9m ao exterior: em janeiro de 2014 a editora norte-americana Dark Horse publicar\u00e1 \u201cMonsters! And Other Stories\u201d, \u00e1lbum que compila \u201cMonstros!\u201d, \u201cC\u00f3!\u201d e \u201cBirds\u201d. Uma conquista not\u00e1vel, que o coloca no restrit\u00edssimo grupo de quadrinistas brasileiros que conseguem publicar em uma grande editora estrangeira (Fabio Moon, Gabriel B\u00e1&#8230; e quem mais?).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sentado \u00e0 mesa do restaurante de um misto de hostel chique e hotel low profile em Pinheiros, \u00e0s v\u00e9speras de embarcar para os Estados Unidos (onde participaria da New York Comic Con), Gustavo Duarte mostrou que a influ\u00eancia do rock em seu trabalho n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 visual. Seu discurso n\u00e3o peca por falta de sinceridade: n\u00e3o teme soar impopular, imodesto ou arrivista. Tamb\u00e9m tem a prolixidade dos roqueiros mais empedernidos e produtivos. Confira o bate papo:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20448\" title=\"gustavo2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/gustavo2.jpg\" alt=\"\" width=\"420\" height=\"618\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/gustavo2.jpg 420w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/gustavo2-203x300.jpg 203w\" sizes=\"(max-width: 420px) 100vw, 420px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em entrevistas antigas, voc\u00ea declarou que a publica\u00e7\u00e3o independente de seus livros era uma op\u00e7\u00e3o. O que mudou para voc\u00ea ter aceitado fazer o \u201cMonstros!\u201d pela Quadrinhos na Cia.?<\/strong><br \/>\nA Quadrinhos na Cia. falar comigo desde a \u201cC\u00f3!\u201d querendo fazer um livro (risos). N\u00e3o foi isso, \u00e9 at\u00e9 nojento falar assim. N\u00e3o \u00e9 que eu n\u00e3o queria lan\u00e7ar nada por uma editora, \u00e9 que eu queria lan\u00e7ar por uma editora boa. Mas antes eu queria a experi\u00eancia de fazer coisas independentes, tanto que est\u00e1 saindo da gr\u00e1fica um novo livro nesse esquema. N\u00e3o era porque ningu\u00e9m queria me publicar. Se eu tivesse procurado, at\u00e9 para a \u201cC\u00f3!\u201d eu teria encontrado uma editora. E depois que ela saiu, v\u00e1rias vieram falar comigo, a Cia. foi uma delas. Sempre que eu encontrava com o Andr\u00e9 (Conti, editor da Quadrinhos na Cia.), ele vinha falar sobre fazermos algo juntos, e eu falava \u201cmais pra frente\u201d. Ent\u00e3o, no ano em que eu lancei a \u201cBirds,\u201d rolou. O independente foi uma op\u00e7\u00e3o mesmo, n\u00e3o uma falta dela. Para aprender a fazer. E acho que mais uns102 livros eu aprendo. Fui fazer o \u201cMonstros!\u201d por uma editora para aprender a lidar com uma empresa desse tipo. E \u00e9 uma editora que est\u00e1 aprendendo a fazer quadrinhos, ent\u00e3o meio que estamos num aprendizado conjunto. E acho que uma das partes n\u00e3o inviabiliza a outra: o quadrinho independente n\u00e3o inviabiliza o publicado por uma editora. Sempre cito Ant\u00f4nio Fagundes. N\u00e3o sei se ainda \u00e9 assim, mas por muito tempo, ele acompanhava todos os processos de uma pe\u00e7a onde ele estava: montagem do cen\u00e1rio, escolha de roupas&#8230; Tinha at\u00e9 um dia da semana em que ele ia pra porta do teatro vender ingresso. Porque ele queria entender tudo, saber como era feito. E procuro isso tamb\u00e9m. Acho que voc\u00ea tem que entender todos os pontos. A chance da gr\u00e1fica fazer cagada, por exemplo, \u00e9 de quase 100%. Ent\u00e3o fui l\u00e1 na gr\u00e1fica aprender, conhecer o processo. Sou designer tamb\u00e9m, e tenho um puta prazer em fazer o projeto gr\u00e1fico, capa&#8230; Fazer a coisa andar, tamb\u00e9m: eu vendia pela internet \u2013 o que n\u00e3o vou mais fazer, porque a coisa chegou a um tamanho que n\u00e3o d\u00e1 mais para segurar sozinho. Na \u201cC\u00f3!\u201d eu tinha 10 pedidos por semana, na T\u00e1xi \u201c50\u201d, e na \u201cBirds\u201d virou 100. Da\u00ed com a \u201cBirds\u201d tive o problema dos Correios, que entraram em greve. A maioria do p\u00fablico foi bem compreensiva, diria que 99% entendeu, mas foi desgastante, porque afinal o dinheiro estava na minha conta, o cara tinha pago!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apesar de ter sido lan\u00e7ado por uma editora grande, o \u201cMonstros!\u201d n\u00e3o foi brifado, n\u00e3o foi uma encomenda, como costuma acontecer no mercado, certo?<\/strong><br \/>\nTive a ideia da \u201cMonstros!\u201d quando eu fiz a \u201cC\u00f3!\u201d. Monstros japoneses invadindo uma cidade&#8230; Invadindo Santos! Essa era a ideia, e era s\u00f3 isso. Apresentei essa ideia pro Andr\u00e9 quando ele me chamou pra conversar, e vendi o livro com essa frasezinha. Tanto que depois ele falou: \u201cVoc\u00ea \u00e9 um picareta, como \u00e9 que voc\u00ea vende uma ideia que n\u00e3o tinha?\u201d (risos). Tinha s\u00f3 a ideia da invas\u00e3o dos monstros, n\u00e3o tinha o Pin\u00f4 [o carism\u00e1tico dono de boteco que ca\u00e7a os personagens do t\u00edtulo], n\u00e3o tinha a hist\u00f3ria por tr\u00e1s do Pin\u00f4&#8230; S\u00f3 fui escrever a hist\u00f3ria em janeiro do ano passado. N\u00e3o houve nenhum tipo de encomenda. E n\u00e3o vejo nenhum problema se houvesse, inclusive acho muito legal, mas n\u00e3o foi o caso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o \u201c13\u201d, que est\u00e1 saindo agora? Voc\u00ea ainda n\u00e3o divulgou nada sobre ele&#8230;<\/strong><br \/>\nEle n\u00e3o \u00e9 um livro de quadrinhos. \u00c9 quase um art book, s\u00f3 que pequenininho. Ele \u00e9 20,5 x 16,5, 108 p\u00e1ginas, com orelha, inteiro colorido, s\u00f3 de ilustra\u00e7\u00f5es. N\u00e3o tem nenhum desenho de qualquer livro meu, nem esbo\u00e7o, nem nada assim. Tem umas quatro ou cinco charges, mas o que mais tem \u00e9 desenho de personagem. Eu percebi que nos \u00faltimos 13 anos o que mais fiz foi isso. At\u00e9 no texto eu escrevo [o que \u00e9]: \u201crinoceronte com um monociclo com uma bandeja na m\u00e3o\u201d, \u201cum \u00edndio com um osso dentro da \u00e1gua\u201d&#8230; Fiz muita coisa assim. Por ter ficado 12 anos no [jornal] Lance!, n\u00e3o aguentava mais fazer bolinha de futebol, t\u00e3-nan-nan&#8230; Ent\u00e3o eu fazia um elefante correndo, esse tipo de coisa. A maioria do que est\u00e1 ali s\u00e3o desenhos livres. O livro s\u00e3o esses 13 anos em que estou de volta a S\u00e3o Paulo, e tamb\u00e9m porque 2013 foi um ano em que muita coisa mudou para mim: passei a n\u00e3o ter mais o [trabalho no] jornal que eu tinha, e tal. Eu olhava alguns daqueles desenhos e pensava: \u201cPelamor, isso nunca ningu\u00e9m (sic) vai ver\u201d. Muitas vezes as pessoas n\u00e3o liam nem viam as colunas do Lance!. Ilustrei pessoas que n\u00e3o sabiam escrever, durante muito tempo. Ilustrei outras boas tamb\u00e9m, \u00e9 bom falar: gente como Mauro Beting, Juca e Andr\u00e9 Kfouri, o PVC (Paulo Vin\u00edcius Coelho) e tamb\u00e9m o PCV (Paulo Cesar Vasconcellos), que estava numa fase muito inspirada. \u00c9 \u00f3bvio que fiz ilustra\u00e7\u00f5es para caras bons. Mas muitos ruins tamb\u00e9m, gente que eu tinha dificuldade de ler. Ent\u00e3o criei esse mecanismo, que era fazer um desenho legal, pra n\u00e3o sofrer tanto. E muitas vezes o desenho ficava escondido, ia l\u00e1 pra dentro do jornal, ficava pequeninho, jogado&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20450\" title=\"gustavo3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/gustavo3.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea era s\u00f3 ilustrador no Lance!?<\/strong><br \/>\nEra chargista e ilustrador. Fiz quatro mil e poucos desenhos pro Lance!. E fiz pra v\u00e1rios outros lugares: capas de revista, cartazes&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu vi no seu blog muitas ilustra\u00e7\u00f5es editoriais.<\/strong><br \/>\n\u00c9, antes do jornalismo morrer, era a minha \u00e1rea (risos). Ainda \u00e9, na verdade, por isso que n\u00e3o estou trabalhando tanto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Somos dois.<\/strong><br \/>\n\u00c9 complicado. Fazer isso que voc\u00ea t\u00e1 fazendo \u2013 sentar pra fazer uma entrevista \u2013 voc\u00ea sabe, \u00e9 rar\u00edssimo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas vamos voltar ao nosso foco. A m\u00fasica est\u00e1 sempre presente no seu trabalho.<\/strong><br \/>\n(taxativo) Eu n\u00e3o viveria sem m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E pelo visto, o rock brasileiro acima de tudo, porque est\u00e1 sempre ali, em refer\u00eancias visuais&#8230;<\/strong><br \/>\nUltraje acima de tudo, Paralamas muito&#8230; Eu estava vendo agora a MTV acabando [a entrevista foi feita na primeira semana de outubro], e lembrava de mim, moleque, vendo tudo aquilo&#8230; A gente conheceu muita coisa pela MTV, n\u00e9? Por isso d\u00e1 d\u00f3, eu acho. O grande erro foi tirar o M da MTV. Tirou a m\u00fasica, acabou o canal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas a internet assumiu esse papel de informar sobre m\u00fasica. Acredito que somos da mesma gera\u00e7\u00e3o [Gustavo \u00e9 de 1977 e o rep\u00f3rter de 1978], e, portanto, tivemos que garimpar atr\u00e1s de m\u00fasica, as fontes eram escassas e a MTV marcou porque apresentava coisas que n\u00e3o consegu\u00edamos acessar facilmente ent\u00e3o.<\/strong><br \/>\nAcho que a gente sofreu mais para saber o que sabemos, e por isso d\u00e1vamos mais valor! (risos) Pode parecer um papo ran\u00e7oso de velho, mas acho que n\u00e3o \u00e9, que perdeu um pouco mesmo, sabe? A molecada quer saber de tudo, e no fundo n\u00e3o sabe de nada. Tem muita molecada que sabe, e sabe at\u00e9 mais que a gente, claro, mas o grosso da coisa&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>[seguem-se longas reminisc\u00eancias musicais de ambos os lados, de \u201cThriller\u201d, de Michael Jackson, a blues. E jazz. O que nos levou ao segundo \u00e1lbum de Gustavo&#8230;]<br \/>\n\u201cT\u00e1xi\u201d \u00e9, a rigor, uma hist\u00f3ria de jazz. N\u00e3o s\u00f3 pelo cen\u00e1rio, mas pelos personagens, pelo ritmo. \u00c9 uma homenagem ao jazz&#8230;<\/strong><br \/>\n\u00c9! E tem uma hist\u00f3ria muito legal com esse livro! Voc\u00ea conseguiu reconhecer os quatro jazzistas que est\u00e3o ali? O primeiro que est\u00e1 ali, de turbante, conversando com o personagem principal na primeira p\u00e1gina, \u00e9 o Dr. Lonnie Smith, que \u00e9 o organista que tocou com o&#8230; George Benson, ser\u00e1? O que ele mais fez na vida foi tocar sozinho. Mas enfim, ele esteve em agosto no Brasil, tocando num festival do SESC Pompeia. E eu levei a \u201cT\u00e1xi\u201d pra ele, e foi um momento muito emocionante pra mim! P\u00f4, ele \u00e9 um jazzista fudida\u00e7o, tem um disco dele chamado \u201cLive at Club Mozambique\u201d que \u00e9&#8230; \u00e9 de fuder, e ele tem uma hist\u00f3ria de vida muito legal e&#8230; Mas isso n\u00e3o vem ao caso. O caso \u00e9 que levei a \u201cT\u00e1xi\u201d autografadinha e tal, cheguei do lado dele e disse \u201cDoctor, com licen\u00e7a, queria pedir sua aten\u00e7\u00e3o por um minuto, quero te dar um presente. Eu fiz um quadrinho assim e assado h\u00e1 uns anos&#8230;\u201d E abri a primeira p\u00e1gina para ele. Cara!&#8230; (se emociona) Ele ficou emocionado, e eu fiquei emocionado por isso. E ele fez assim (incr\u00e9dulo): \u201cEu?\u201d Porque ele \u00e9 um cara assim, equivalente a quem? Um Luiz Melodia, digamos. Um puta cara, mas que ningu\u00e9m sabe quem \u00e9, pode andar tranquilo na rua&#8230; O Doctor \u00e9 a mesma coisa, tem muita gente que conhece, mas n\u00e3o \u00e9 extremamente popular, nem nos EUA&#8230; E ent\u00e3o ele chega aqui e tem um cara que fez um gibi no qual ele aparece em tr\u00eas p\u00e1ginas! Ele me puxou, abra\u00e7ou, agradeceu, foi muito legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-20451  aligncenter\" title=\"gustavo4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/gustavo4.jpg\" alt=\"\" width=\"420\" height=\"599\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/gustavo4.jpg 420w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/gustavo4-210x300.jpg 210w\" sizes=\"(max-width: 420px) 100vw, 420px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quem s\u00e3o os outros tr\u00eas jazzistas que voc\u00ea colocou na hist\u00f3ria?<\/strong><br \/>\nO Ron Carter, o Wynton Marsalis e o Harry Connick Jr.. Ia ter tamb\u00e9m o Charles Mingus, mas o crit\u00e9rio que escolhi foi usar quatro caras \u2013 felizmente vivos at\u00e9 hoje \u2013 e que eu tinha visto tocar. A \u201cT\u00e1xi\u201d \u00e9 uma homenagem a todos esses caras e a essas m\u00fasicas. Porque n\u00e3o \u00e9 da boca pra fora, eu realmente n\u00e3o consigo viver sem m\u00fasica. Eu nunca parei de comprar disco, n\u00e3o consigo baixar&#8230; N\u00e3o necessariamente vinil, tenho CD tamb\u00e9m, na boa, ponho em casa. Meus amigos me dizem que minha casa \u00e9 o \u00fanico lugar onde ainda \u00e9 poss\u00edvel escutar m\u00fasica em disco! (risos) Tamb\u00e9m por ter essa coisa gr\u00e1fica, de voc\u00ea ligar com um personagem, ligar com a capa do disco&#8230; At\u00e9 o que tenho no iPhone s\u00e3o discos inteiros, com capinha! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>[seguem-se mais reminisc\u00eancias musicais, agora sobre rock brasileiro. O que desemboca no primeiro show que Gustavo assistiu, dos Paralamas do Sucesso, em um clube de Bauru, quando tinha 13 anos]<\/strong><br \/>\nTenho outra hist\u00f3ria muito legal com os Paralamas. Eu j\u00e1 tinha 18 anos, fui levar um desenho pra eles, e os caras receberam, me levaram pra dentro do hotel, ficamos tomando cerveja e batendo papo. Ent\u00e3o eles viraram pra mim e perguntaram: \u201cVoc\u00ea vai ao show hoje de noite?\u201d E eu: \u201cVou, claro\u201d. E eles: \u201cN\u00e3o, n\u00e3o, voc\u00ea vai com a gente! Esteja aqui tal hora, e voc\u00ea vai com a gente\u201d. Ent\u00e3o eu tenho uma gratid\u00e3o com os tr\u00eas que \u00e9 assim, monstruosa&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>[e continua a conversa, agora sobre biografias e document\u00e1rios de bandas do rock nacional, a discografia dos Paralamas&#8230; At\u00e9 que o rumo \u00e9 retomado]<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No \u201cPavor Espaciar\u201d, eu vejo uma diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras duas graphics j\u00e1 publicadas, \u201cMagnetar\u201d (de Danilo Beyruth com o Astronauta) e \u201cLa\u00e7os\u201d (de Vitor e Lu Cafaggi, com a Turma da M\u00f4nica). As duas deram a leitura deles dos personagens retratados, o Danilo exacerbando a quest\u00e3o da solid\u00e3o do Astronauta, e os irm\u00e3os Cafaggi levando a Turma pra aquele clima de filme de adolescentes dos anos 80, aquela coisa meio \u201cGoonies\u201d, \u201cConta Comigo\u201d. Voc\u00ea&#8230;<\/strong><br \/>\nEu escrevi uma hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu acho. Voc\u00ea tirou o personagem do ambiente dele, mas n\u00e3o o reinterpretou.<\/strong><br \/>\nEm momento algum. Eu cheguei a dizer isso mais de uma vez, tenho visto algumas pessoas criticando, e eu digo que n\u00e3o podem criticar porque eu n\u00e3o fiz errado. Ningu\u00e9m me obrigou a refazer o Chico Bento. Eu nunca mudaria o Chico Bento porque acho o melhor personagem do Mauricio de Sousa disparado. Li muito, achava muito engra\u00e7ado, tanto ele quanto o Z\u00e9, tanto que eu queria que a hist\u00f3ria se chamasse \u201cChico Bento &amp; Z\u00e9 Lel\u00e9\u201d. A ideia nunca foi mudar o personagem, e, analisando friamente, ningu\u00e9m mudou nada. Porque como \u00e9 uma hist\u00f3ria em quadrinhos que tinha todo m\u00eas, sem muita cronologia, nunca teve um in\u00edcio. Ent\u00e3o os Cafaggi meio que contaram \u2013 na minha opini\u00e3o, maravilhosamente bem \u2013 o come\u00e7o da amizade dos quatro [M\u00f4nica, Cebolinha, Casc\u00e3o e Magali], e o Danilo fez uma coisa mais introspectiva e tal&#8230; Mas eu nunca pensei nisso, tanto que na hora de desenhar, eu tentei deixar o meu tra\u00e7o o mais parecido poss\u00edvel [com o dos est\u00fadios do Mauricio de Sousa]. Por exemplo, voc\u00ea v\u00ea a M\u00f4nica do Vitor, ela n\u00e3o tem cabelo de banana! O que n\u00e3o acho errado, de maneira alguma. Ele fez uma op\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o conseguiria. Vai sair agora um livro chamado \u201cM\u00f4nicas\u201d (tamb\u00e9m pela Panini), que s\u00e3o 150 desenhistas fazendo a M\u00f4nica em comemora\u00e7\u00e3o aos 50 anos dela, e a primeira coisa que eu fiz foi o cabelo de banana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi trabalhar com texto pela primeira vez?<\/strong><br \/>\nCara, n\u00e3o teve diferen\u00e7a nenhuma, sinceramente. Foi legal, inclusive, porque a maneira de criar \u00e9 a mesma, n\u00e3o muda nada. Eu at\u00e9 pensei em fazer sem texto, mas eu queria usar o falar errado do Chico, que \u00e9 muito legal, e acho que gerou piadas boas na hist\u00f3ria. Muita gente que l\u00ea lembra da voz dele (imita a voz do personagem), e eu quis deixar ainda mais caricato do que j\u00e1 \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-20453  aligncenter\" title=\"gustavo6\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/gustavo6.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso foi algo bacana, porque h\u00e1 muito tempo vem rolando uma corre\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nas revistas do Mauricio de Sousa, e ele parece ter deixado essa corre\u00e7\u00e3o de lado nas graphics. Voc\u00ea, por exemplo, fez um Jotalh\u00e3o abduzido, quase crucificado, e isso foi publicado.<\/strong><br \/>\nIsso foi algo que o Sidney [Gusman], meu editor, ficou morrendo de medo. Eu mandei essa p\u00e1gina pra ele, e foi uma que todo mundo ficou meio assim&#8230; Ele ficou com receio de algu\u00e9m achar ruim. Ele me contou que o Mauricio de Sousa, quando viu, ficou de olho arregalado. Mas riu (risos). Ele achou interessante e levou numa boa. Porque essa coisa do politicamente correto n\u00e3o \u00e9 dele, \u00e9 algo que est\u00e1 todo em volta&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma coisa de mercado?<\/strong><br \/>\nExatamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na \u201cCole\u00e7\u00e3o Hist\u00f3rica Turma da M\u00f4nica\u201d, que a Panini publica, s\u00e3o republicadas hist\u00f3rias dos anos 1970 e 1980, com liner notes do Paulo Back (roteirista da MSP), e o tempo todo tem coment\u00e1rios como \u201cisso n\u00e3o seria publicado hoje\u201d, \u201cisso tamb\u00e9m n\u00e3o\u201d, \u201cesse outro muito menos\u201d (risos). O Pelezinho n\u00e3o seria publicado hoje, com aquelas brigas de rua, coment\u00e1rios preconceituosos&#8230;<\/strong><br \/>\nQuando fui convidado pra fazer parte da Graphic MSP, tive sorte de ser o \u00fanico que pode escolher o personagem. Acho que foi em 2010 que o Sidney me sondou e perguntou que personagem eu gostaria de usar, e eu disse: \u201cO Chico Bento, claro! Com o Pelezinho! Em Bauru!\u201d (risos) Um crossover! Mas na \u00e9poca o personagem estava em lit\u00edgio, n\u00e3o com o Pel\u00e9, mas com um cara que tinha comprado os direitos do Pelezinho. Mesmo agora que est\u00e1 sendo republicado em banca, tem v\u00e1rias quest\u00f5es envolvidas&#8230; Mas a primeira ideia era essa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falemos de seu livro a ser lan\u00e7ado na gringa, \u201cMonsters! And Other Stories\u201d. Est\u00e1 confirmado o lan\u00e7amento pra janeiro?<\/strong><br \/>\n15 de janeiro. L\u00e1 eles d\u00e3o at\u00e9 o dia! (risos) Oficialmente, a distribui\u00e7\u00e3o \u00e9 nos Estados Unidos e Canad\u00e1. S\u00f3 que, em quadrinhos, quando voc\u00ea lan\u00e7a nos EUA, bum! Vai pra Inglaterra, vai pro mundo todo. E p\u00f4, a Dark Horse \u00e9 a maior editora na qual eu poderia estar, porque eu n\u00e3o ia publicar \u201cMonstros!\u201d nem na Marvel nem na DC. Eu tinha interesse em tr\u00eas editoras, que eram a Dark Horse, a Phantagraphics e a First Second. Cheguei a bater papo com as tr\u00eas, e com todas foi bom, mas com a Dark Horse foi uma coisa mais gradual e t\u00e1 sendo legal, eu s\u00f3 tenho coisas boas a falar de todo o processo. A \u201cC\u00f3!\u201d n\u00e3o vai sair igual saiu aqui, porque vai ter uma segunda cor, a \u201cBirds\u201d tamb\u00e9m, as duas est\u00e3o saindo com uma segunda cor, como foi com a \u201cMonstros!\u201d aqui. Negociamos e deixaram eu fazer o projeto gr\u00e1fico inteiro, e fiquei muito feliz. Estou torcendo muito para que d\u00ea certo. A gente v\u00ea muito no Brasil as editoras lan\u00e7ando quase que por diletantismo, vendem 200 exemplares e \u00e9 isso a\u00ed. L\u00e1 [nos EUA] \u00e9 um neg\u00f3cio: eles querem que venda mesmo, ent\u00e3o est\u00e3o interessados. N\u00e3o sei se vai ser um sucesso, um fracasso, o que vai ser. Mas t\u00e1 sendo muito legal, estou aprendendo o que \u00e9 uma editora desse tamanho, interessada em fazer&#8230; E p\u00f4, \u00e9 a mesma editora que publica o Goon e o Hellboy! Olhar o \u201cMonstros!\u201d do lado deles \u00e9 demais!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 alguns anos atr\u00e1s sequer se falava de um mercado de HQ no Brasil. Hoje, existe um mercado. Incipiente, mas existe&#8230;<\/strong><br \/>\nBem incipiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas j\u00e1 \u00e9 mais do que antes. Voc\u00ea encontra pessoas que conhecem os autores, \u00e9 mais f\u00e1cil encontrar t\u00edtulos diferentes em livrarias&#8230; Os autores conseguem publicar, coisa que era muito dif\u00edcil h\u00e1 10, 15 anos, quando a \u00fanica maneira de publicar algo era trabalhar nos est\u00fadios da Mauricio de Sousa Produ\u00e7\u00f5es.<\/strong><br \/>\nPois \u00e9. Isso \u00e9 verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E qual \u00e9, em sua opini\u00e3o, o entrave que mant\u00e9m o status quo atual, em que \u00e9 poss\u00edvel publicar, mas ningu\u00e9m vive dessa publica\u00e7\u00e3o? Onde est\u00e1 o gargalo?<\/strong><br \/>\nO primeiro motivo \u00e9 porque nada no Brasil funciona mesmo. Eu sempre digo: \u201c\u00c9 dif\u00edcil ser quadrinista no Brasil? \u00c9 dif\u00edcil viver no Brasil!\u201d Por acaso \u00e9 f\u00e1cil ser jornalista no Brasil? \u00c9 f\u00e1cil ser dono de bar? (enf\u00e1tico) \u00c9 f\u00e1cil roubar no Brasil, todo o resto \u00e9 dif\u00edcil. O \u201cfator Brasil\u201d atrapalha. Trabalhar, levar a s\u00e9rio o que faz \u2013 como eu levo, e muitos outros quadrinistas levam \u2013 \u00e9 complicado. Mas tudo bem, vai, tirando esse fato: tem um mito de que o quadrinho brasileiro encontrou seu espa\u00e7o na livraria. \u00c9 uma mentira deslavada! A livraria n\u00e3o sabe o que \u00e9 quadrinho, e acho que \u00e9 ignor\u00e2ncia da parte dela. O quadrinho hoje movimenta uma grana no mundo que \u00e9 pavorosa de grande. Mais da metade dos filmes de sucesso de Hollywood vem dos quadrinhos, a cena da cultura pop funciona no mundo inteiro. E mesmo no Brasil: toda a livraria onde entro, eu procuro pelo \u201cMonstros!\u201d, pelo \u201cDaytripper\u201d (de Fabio Moon e Gabriel B\u00e1), pelo \u201cVampiro Americano\u201d (de Scott Snyder com o brasileiro Rafael Albuquerque) \u2013 o trabalho meu e dos meus amigos. Muitas vezes n\u00e3o acho. Eu n\u00e3o posso reclamar, porque a Companhia distribui muito bem o \u201cMonstros!\u201d. Normalmente tem um, dois exemplares, pelo menos. Mas o que acontece? Normalmente o quadrinho \u2013 seja de quem for \u2013 est\u00e1 na \u00faltima prateleira, l\u00e1 no fundo, e virado para tr\u00e1s. \u00c9 \u00f3bvio que \u201c50 Tons de Cinza\u201d vai vender mais que \u201cMonstros!\u201d, mas uma pilha de \u201c50 Tons de Cinza\u201d faz com que venda mais ainda. N\u00e3o precisava nem ter uma pilha de \u201cMonstros!\u201d, mas bastava colocar na frente da livraria para ajudar a vender. Fica f\u00e1cil pra um cara que nunca ouviu falar do meu trabalho olhar, se interessar e comprar. Atrapalha muito que os quadrinhos \u2013 que s\u00e3o uma arte pop pra cacete \u2013 fiquem escondidos. As lojas que vendem quadrinhos tem o cara que quer, que vai l\u00e1, que busca. O que eu quero, o que eu preciso, \u00e9 manter esse cara, mas tamb\u00e9m chegar a outras pessoas, o cara que vai comprar \u201c50 Tons de Cinza\u201d, o Drauzio Varella, o que for. Isso \u00e9 essencial. Eu n\u00e3o posso me esconder. \u00c9 \u00f3bvio que o problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 esse, mas \u00e9 um dos maiores. Me fala uma pessoa que vive de quadrinhos no Brasil que n\u00e3o seja o Mauricio de Sousa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Moon e o B\u00e1.<\/strong><br \/>\nEles n\u00e3o vivem de quadrinho brasileiro. \u00c9 s\u00f3 o Mauricio, e ele n\u00e3o pode ser criticado por isso. Muitos criticam, dizem que o cara \u00e9 isso e aquilo&#8230; P\u00f4! Ele achou o nicho dele! \u00c9 a maneira dele de fazer quadrinhos, e eu n\u00e3o tenho do que reclamar, n\u00e3o. Acho \u00f3timo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem o Angeli.<\/strong><br \/>\n\u00c9 charge. N\u00e3o \u00e9 quadrinho. E ainda assim, de charge, tem&#8230; s\u00f3 o Angeli! (risos) O \u00fanico cara que vive de quadrinhos no Brasil \u00e9 o Mauricio de Sousa e o \u00fanico que vive de charge no Brasil \u00e9 o Angeli.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-20452  aligncenter\" title=\"gustavo5\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/gustavo5.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>&#8211; Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a><span>) no Scream &amp; Yell e, sobre quadrinhos, j\u00e1 escreveu sobre Pel\u00e9zinho (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/literatura\/pelezinho.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>), Carl Barks (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/literatura\/tio_patinhas.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>), <\/span>Tio Patinhas (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/literatura\/tio_patinhas.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>) e entrevistou Laerte (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/literatura\/laerte.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>) e Carlos Ruas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/02\/26\/entrevista-carlos-ruas\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A foto que abre o texto \u00e9 de Tami Taketani, registro do lan\u00e7amento do livro &#8220;Monstros!&#8221; na Itiban Comic Shop. <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/itiban\/sets\/72157631995003626\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Confira a galeria completa<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cLa\u00e7os\u201d, dos irm\u00e3os Vitor e Lu Cafaggi, faz releitura emocional e delicada (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/06\/mauricio-de-sousa-revisitado\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211;\u00a0\u201cAstronauta &#8211; Magnetar\u201d, de Danilo Beyruth, conquista pelo tra\u00e7o detalhista (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/12\/11\/tres-livros-beyruth-azevedo-e-nicholls\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n<span>&#8211; \u201cMSP Ouro da Casa\u201d: personagens de Maur\u00edcio de Sousa ganham releitura (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/09\/28\/tres-livros-culinaria-ogra-e-quadrinhos\/\">aqui<\/a><span>)<\/span><br \/>\n&#8211; \u201cLux\u00faria\u201d, Matt Fraction e Gabriel B\u00e1: <\/span><span>repleto de viagens dimensionais (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/04\/13\/%e2%80%9cluxuria%e2%80%9d-matt-fraction-e-gabriel-ba\/\">aqui<\/a>)<\/span><br \/>\n&#8211; \u201cDaytripper\u201d, de F\u00e1bio Moon e Gabriel Ba, provoca coceira&#8230; na alma (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/11\/29\/livro-daytripper-fabio-moon-e-gabriel-ba\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Leonardo Vinhas\n&#8220;A livraria n\u00e3o sabe o que \u00e9 quadrinho, e \u00e9 ignor\u00e2ncia da parte dela&#8221;, afirma Gustavo, que est\u00e1 lan\u00e7ando nova HQ nos EUA\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/08\/entrevista-gustavo-duarte\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[77,189,150,55],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20444"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20444"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20444\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58225,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20444\/revisions\/58225"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20444"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20444"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20444"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}