{"id":20372,"date":"2005-06-02T11:02:05","date_gmt":"2005-06-02T14:02:05","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=20372"},"modified":"2013-10-07T02:13:09","modified_gmt":"2013-10-07T05:13:09","slug":"dvd-end-of-century-a-historia-dos-ramones","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/06\/02\/dvd-end-of-century-a-historia-dos-ramones\/","title":{"rendered":"DVD: &#8220;End of Century, a Hist\u00f3ria dos Ramones&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20373\" title=\"ramones1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/ramones1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Texto publicado originalmente no Scream &amp; Yell em 02\/06\/2005<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Acho que podemos ser amig\u00e1veis uns com os outros, gostar uns dos outros, mas n\u00e3o conseguimos conviver nem nos comunicar. Isso j\u00e1 deveria ter acabado. O que podemos fazer? Voc\u00ea sabe. Provavelmente qualquer outra pessoa estaria feliz em ter o que temos&#8221;. Dee Dee Ramone.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que ser uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, e de elevarem o conceito de &#8220;tr\u00eas acordes&#8221; ao territ\u00f3rio dos cl\u00e1ssicos da m\u00fasica pop, os Ramones foram, como grupo, uma fam\u00edlia (extremamente problem\u00e1tica). \u00c9 mais ou menos isso que se vislumbra com &#8220;End of Century&#8221;, sensacional document\u00e1rio que ganha vers\u00e3o em DVD ap\u00f3s ser exibido no Festival de Cinema do Rio, em 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os diretores Michael Gramaglia e Jim Fields se preocuparam em contar a hist\u00f3ria da banda, de como Tommy encheu o saco de Dee Dee e Johnny para aprenderem a tocar, e depois fez press\u00e3o para que Joey (que havia sido admitido na banda para tocar bateria) assumisse os vocais (Dee Dee iria cantar, mas havia um problema: ele n\u00e3o conseguia tocar baixo e cantar ao mesmo tempo). No fim, a vaga no banquinho ficou com o pr\u00f3prio Tommy. A parte hist\u00f3rica do DVD \u00e9 completista, passando por todos os integrantes e relembrando fatos relevantes da hist\u00f3ria dos Ramones.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, o que &#8220;End of Century&#8221; realmente revela \u00e9 uma banda em extremo colapso nervoso desde o seu inicio, o que prova que quatro caras podem construir algo genial mesmo sem serem grandes amigos. O document\u00e1rio mostra como Tommy segurou a banda at\u00e9 o terceiro \u00e1lbum (a rigor, os tr\u00eas primeiros discos do Ramones s\u00e3o os cl\u00e1ssicos). Sua sa\u00edda, por estar de saco cheio da vida na estrada, come\u00e7ou a rachar a banda. &#8220;Joey come\u00e7ou a querer ter mais espa\u00e7o. Isso virou um problema&#8221;, conta Johnny a certa altura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Johnny n\u00e3o se pinta como anjo. &#8220;Eu era mal&#8221;, diz o guitarrista e chef\u00e3o, no melhor estilo &#8220;era um servi\u00e7o sujo, mas algu\u00e9m tinha que faze-lo, e eu fiz&#8221;. &#8220;Ele tentava ser adulto, mas era muito desagrad\u00e1vel&#8221;, diz Dee Dee sobre o companheiro. Por\u00e9m, o grande racha na banda aconteceu devido a uma mulher (sempre elas). Johnny roubou a namorada de Joey, Linda, e se casou com ela. Desde que isto aconteceu, os dois nunca mais se falaram. &#8220;Como um cara fica 18 anos sem falar com outro?&#8221;, questiona Marky em certo momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A vida segue. N\u00e3o se deixa de falar com um cara de sua pr\u00f3pria banda&#8221;, continua Marky Ramone, que entrou no lugar de Tommy, mas foi dispensado anos depois pelas constantes bebedeiras, e readmitido em seguida para continuar na banda at\u00e9 o fim. Se a banda n\u00e3o se topava bem desde o inicio (Dee Dee levava tabefes de Johnny no camarim se errasse alguma nota em um show), a influ\u00eancia dos Ramones pode ser notada apenas nesta declara\u00e7\u00e3o: &#8220;Se aquele disco do Ramones (o primeiro) n\u00e3o tivesse existido, n\u00e3o sei se ter\u00edamos conseguido criar uma cena aqui&#8221;, comenta Joe Strummer. A tal cena \u00e9 a de Londres, com Sex Pistols e The Clash \u00e0 frente, que mudou o curso da hist\u00f3ria do rock.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O interessante \u00e9 que a influ\u00eancia que os Ramones exerceram sobre a cena inglesa n\u00e3o se reverteu em fama e sucesso. &#8220;A coisa na Inglaterra estava ficando grande e a gente ainda n\u00e3o tinha grana para comprar uma cerveja aqui&#8221;, diz Legs McNeil, autor do livro &#8220;Mate-Me Por Favor&#8221;, que vivia acompanhando os Ramones pra l\u00e1 e pra c\u00e1. Do cap\u00edtulo &#8220;santo de casa n\u00e3o faz milagre&#8221;, a fama da banda na Am\u00e9rica do Sul tamb\u00e9m \u00e9 citada. &#8220;Eles eram como os Beatles l\u00e1. Por\u00e9m, quando voltavam para c\u00e1 (EUA), era sempre a mesma rotina de ter que batalhar para tocar em qualquer lugar&#8221;, comenta o manager da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre o Brasil, uma nota em especial do artista Arturo Vega, respons\u00e1vel pela arte da banda, \u00e9 bem contradit\u00f3ria: &#8220;O Brasil \u00e9 um pa\u00eds onde h\u00e1 um milh\u00e3o de crian\u00e7as abandonadas no Rio, que ficam cheirando cola e roubando lojas, ent\u00e3o os comerciantes contratam esquadr\u00f5es da morte para matar as crian\u00e7as. E caras como os Ramones ajudam esses caras a se expressar um pouco&#8221;, diz Vega. Algu\u00e9m, um dia, precisa explicar pra ele que crian\u00e7a abandonada n\u00e3o tem grana para comprar discos muito menos ir ao Metropolitan (atual Claro Hall) para ver o Ramones. O p\u00fablico punk \u00e9 bem mais abastado do que ele pensa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em &#8220;End od Century&#8221;, os principais momentos da banda s\u00e3o repassados por seus protagonistas (&#8220;Depois que o disco produzido por Phil Spector n\u00e3o fez sucesso, soube que nunca vender\u00edamos discos&#8221;, diz Johnny sobre o \u00e1lbum &#8220;End of Century&#8221;, com certa dose de melancolia). Dee Dee \u00e9 desconcertante em suas declara\u00e7\u00f5es, transpirando sinceridade. Tommy parece ser o mais centrado dos Ramones (apesar do visual hippie) enquanto Richie (que segurou as baquetas no \u00e1lbum &#8220;Too Tough To Die&#8221; e aparece no document\u00e1rio vestido como um yuppie de Wall Street) demonstra que n\u00e3o acompanhou os ex-companheiros depois que largou o banquinho, deixando a banda na m\u00e3o com shows agendados. &#8220;Na hora de dividir o lucro da venda de camisetas eu n\u00e3o fazia parte da banda&#8221;, reclama. J\u00e1 Johnny \u00e9 s\u00e9rio, e mesmo quando fala de Joey, n\u00e3o evita a c\u00e2mera e nem procura sa\u00eddas f\u00e1ceis. \u00c9 tudo na cara, e esse \u00e9 o grande m\u00e9rito do document\u00e1rio, que pega o p\u00fablico pelo emocional em v\u00e1rios momentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como quando Johnny e Dee Dee procuram explicar porque n\u00e3o foram visitar Joey no hospital, quando o vocalista come\u00e7ava a perder a luta para o c\u00e2ncer, ou quando Linda, o piv\u00f4 da &#8220;separa\u00e7\u00e3o&#8221; dentro da banda, em off, fora da tela, fala para Johnny que Joey s\u00f3 queria igualdade dentro do grupo. S\u00e3o 108 minutos essenciais para a hist\u00f3ria do rock, e mais 29 minutos de extras, em que Tommy conta quem comp\u00f4s o que nos tr\u00eas primeiros discos, e Debbie Harry fala sobre a banda. H\u00e1, ainda, declara\u00e7\u00f5es de f\u00e3s famosos, como Kirk Hammett (Metallica), Thurston Moore (Sonic Youth), o jornalista Legs McNeil, o produtor Rick Rubin e a m\u00e3e de Joey.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;End od Century&#8221; flagra o Ramones como uma fam\u00edlia que, por escolha do destino, \u00e9 &#8220;obrigada&#8221; a viver junto. Toda fam\u00edlia tem problemas, diria outro, por\u00e9m, poucas fam\u00edlias problem\u00e1ticas produziram uma carreira t\u00e3o s\u00f3lida (e cl\u00e1ssica) como a do Ramones. A frase que abre este texto tamb\u00e9m abre o document\u00e1rio. Logo em seguida, Tommy, agradecendo pela entrada dos Ramones no Hall of Fame do Rock, diz: &#8220;Acreditem ou n\u00e3o, n\u00f3s realmente nos amamos, mesmo quando n\u00e3o estamos sendo gentis uns com os outros. Eramos irm\u00e3os de verdade&#8221;. As duas frases somam um minuto e trinta segundos do DVD, antecipando que os outros 145 v\u00e3o ser sensacionais e v\u00e3o &#8220;dar n\u00f3s&#8221; na garganta do espectador. Punks n\u00e3o choram? H\u00e1 d\u00favidas, h\u00e1 d\u00favidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/RcRPgE-FL0k\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/RcRPgE-FL0k\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211;  Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa Texto publicado originalmente no Scream &amp; Yell em 02\/06\/2005 &#8220;Acho que podemos ser amig\u00e1veis uns com os outros, gostar uns \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/06\/02\/dvd-end-of-century-a-historia-dos-ramones\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[732,184],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20372"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20372"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20372\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20417,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20372\/revisions\/20417"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20372"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20372"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20372"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}