{"id":20366,"date":"2004-11-17T10:43:47","date_gmt":"2004-11-17T12:43:47","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=20366"},"modified":"2018-12-18T09:44:03","modified_gmt":"2018-12-18T11:44:03","slug":"livro-coracao-envenenado-deedee","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2004\/11\/17\/livro-coracao-envenenado-deedee\/","title":{"rendered":"Livro: Cora\u00e7\u00e3o Envenenado, Dee Dee Ramone"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20367\" title=\"deedee\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/deedee.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"305\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/deedee.jpg 200w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/deedee-196x300.jpg 196w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Texto publicado originalmente no Scream &amp; Yell em 17\/11\/2004<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e1 pelos 12 ou 13 anos de idade gravei uma fita com o \u201cLoco Live\u201d, dos Ramones. Havia algo de muito diferente ali. Eu era um moleque quase at\u00edpico \u2013 &#8220;quase&#8221; porque na verdade era um gordinho t\u00edmido de classe m\u00e9dia baixa que se sentia acuado numa opulenta escola de classe m\u00e9dia alta e passara parte da inf\u00e2ncia ouvindo Smiths enquanto brincava de Comandos em A\u00e7\u00e3o, sozinho em meu quarto. Ou seja, um pr\u00e9-adolescente chor\u00e3o normal, a n\u00e3o ser por alguns dados aned\u00f3ticos. Mas por que eu ouvia tanto aquela fitinha?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era um disco barulhento, com trinta m\u00fasicas (trinta e tr\u00eas no CD, mas na minha Sony C60 s\u00f3 cabiam trinta) quase iguais entre si, mas aquilo me dava uma vontade louca de agitar. De, sei l\u00e1, chutar alguma coisa. Sair do meu quarto, tomar sol, falar com pessoas, dar risada, deixar o cabelo espetado, pogar. Ainda fiquei um bom per\u00edodo no quarto, criando uma banda de amigos imagin\u00e1rios onde eu era o baixista e toc\u00e1vamos covers de todas as m\u00fasicas do Ramones. Pelo menos, todas as do \u201cLoco Live\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso \u00e9 o resumo simplista da hist\u00f3ria e claro que muita coisa mudou. Deixei de ser gordo e t\u00edmido h\u00e1 mil\u00eanios, os amigos imagin\u00e1rios fazem espor\u00e1dicas e cordiais visitas e com bem menos intimidade, tomo sol direto, dou muita risada e deixei de ouvir Ramones. Nunca pensei a s\u00e9rio se tudo teria come\u00e7ado com as can\u00e7\u00f5es daquela fita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Provavelmente n\u00e3o, h\u00e1 muito mais por tr\u00e1s de uma vida feliz que algumas composi\u00e7\u00f5es adrenal\u00ednicas de um minuto e meio. Mas que \u201cLoco Live\u201d marcou esse per\u00edodo e aderiu-se indelevelmente \u00e0 minha mem\u00f3ria musical, n\u00e3o h\u00e1 qualquer d\u00favida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi h\u00e1 poucas semanas que caiu em minhas m\u00e3os esse \u201cCora\u00e7\u00e3o Envenenado\u201d (\u201cPoison Heart\u201d no t\u00edtulo original), de Dee Dee Ramone, lan\u00e7ado no Brasil pela editora Barracuda, e com pref\u00e1cio do jornalista Andr\u00e9 Barcisnki. \u201cCora\u00e7\u00e3o Envenenado\u201d versa sobre Dee Dee, um cara criado na Alemanha p\u00f3s-guerra que foi um dos fundadores do quarteto que alicer\u00e7ou (em partes) o punk brit\u00e2nico, o idealizador do mais famoso sobrenome do rock&#8217;n&#8217;roll, que dividia as principais composi\u00e7\u00f5es com o vocalista Joey e que popularizou um jeito de contar at\u00e9 quatro em ingl\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20368\" title=\"ramones\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/ramones.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/ramones.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/ramones-300x204.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imprensa &#8220;especializada&#8221; (vou um dia entender o que \u00e9 isso?) andou &#8220;vendendo&#8221; \u201cCora\u00e7\u00e3o Envenenado\u201d como um livro sobre os Ramones. N\u00e3o \u00e9. Apesar do subt\u00edtulo \u201cMinha Vida com Os Ramones\u201d, \u00e9 a autobiografia de Douglas Colvin, um cara que tinha tanto \u00f3dio de si que mudou de nome para tentar viver outra vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um livro recheado de drogas, com bem pouco sexo e quase nada de rock&#8217;n&#8217;roll. Um livro, na real, bem cansativo de se ler, pois os cap\u00edtulos seguem o pensamento err\u00e1tico de quem consumiu muito de tudo e passou a vida \u00e0s turras com os pr\u00f3prios dem\u00f4nios, quase sempre perdendo f\u00e1cil para eles. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma precis\u00e3o quanto a datas, alguns nomes aparecem do nada, outros somem sem qualquer raz\u00e3o ou satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, n\u00e3o considero perdidas as horas que passei lendo-o. Porque existe em n\u00f3s, pessoas que gostamos tanto de m\u00fasicas a ponto de comprarmos publica\u00e7\u00f5es sobre elas, uma curiosidade sobre quem fez aquela can\u00e7\u00e3o que embalou um namoro, uma transa, uma briga, uma viagem, uma farra, um porre, uma desilus\u00e3o, uma comemora\u00e7\u00e3o. E nesse quesito, \u201cPoison Heart\u201d traz algumas poucas revela\u00e7\u00f5es. Como a de que os Ramones n\u00e3o gravaram uma nota sequer no \u00e1lbum \u201cEnd of the Century\u201d, concebido a partir dos sonhos de Joey e da loucura de Phil Spector. Ou que Dee Dee estava acabado demais para gravar as linhas de baixo de \u201cPleasant Dreams\u201d, disco cuja turn\u00ea subseq\u00fcente detonou sua sa\u00edda da banda. Ou que Joey, Johnny e Dee Dee sabiam que eles nunca mais recuperaram o frescor criativo dos primeiros discos ap\u00f3s a sa\u00edda do baterista Tommy. Ou&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 muitas outras hist\u00f3rias, inseridas entre epis\u00f3dios tristes, pat\u00e9ticos ou irritantes. O mundo que orbitava ao redor de Dee Dee era t\u00e3o junkie e decadente que englobava desde fatos mediocrizantes (como Marky de cal\u00e7as arriadas imitando uma galinha por horas a fio) at\u00e9 brigas violentas, envolvendo strippers, drag queens, traficantes (ali\u00e1s, a primeira ocupa\u00e7\u00e3o do jovem Douglas), empres\u00e1rios, outros rockers, f\u00e3s&#8230; Triste, mas sincero e sem rodeios. Punk.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dee Dee Ramone morreu de overdose em 2002. Joey falecera um ano antes, e esse ano foi a vez do carrancudo Johnny bater \u00e0s portas do para\u00edso. N\u00e3o sei se deixaram qualquer deles entrar, e nem vou arriscar uma avalia\u00e7\u00e3o final do livro, pois isso seria como julgar a pr\u00f3pria exist\u00eancia de seu infeliz autor. Mas os Ramones, em suas diferentes fases, est\u00e3o na mem\u00f3ria musical de muita gente. Se isso \u00e9 motivo para ler o livro, eu n\u00e3o sei. Por\u00e9m, \u00e9 motivo mais que justo para nunca ter vergonha de entoar um &#8220;hey ho, let&#8217;s go&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20369\" title=\"deedee1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/deedee1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"731\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/deedee1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/deedee1-248x300.jpg 248w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8211; <span> <\/span><span>Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a><span>) no Scream &amp; Yell. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Leonardo Vinhas Texto publicado originalmente no Scream &amp; Yell em 17\/11\/2004 L\u00e1 pelos 12 ou 13 anos de idade gravei uma fita \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2004\/11\/17\/livro-coracao-envenenado-deedee\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[732,184],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20366"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20366"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20366\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20416,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20366\/revisions\/20416"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20366"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20366"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20366"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}