{"id":20211,"date":"2013-09-24T19:19:49","date_gmt":"2013-09-24T22:19:49","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=20211"},"modified":"2024-05-21T23:16:16","modified_gmt":"2024-05-22T02:16:16","slug":"entrevista-gru","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/24\/entrevista-gru\/","title":{"rendered":"Entrevista: Gru fala sobre seu disco \u201cWelcome Sucker to Candyland\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20212\" title=\"gru1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/gru1.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/tiagoagostini\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tiago Agostini <\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cWelcome Sucker to Candyland\u201d \u00e9, provavelmente, o melhor disco lan\u00e7ado no Brasil em 2013 que voc\u00ea n\u00e3o ouviu. Pudera: lan\u00e7ado no come\u00e7o de maio, o \u00e1lbum teve apenas um show de lan\u00e7amento em Porto Alegre, antes de Gabi Lima, ou melhor, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/grumusic\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gru<\/a>, viajar para Los Angeles para um curso de produ\u00e7\u00e3o sonora de um ano. Antes disso, ela deixou um disco t\u00e3o grudento quanto bala 7 Belo \u2013 mas com um leve amargor dos chicletes azedinhos. Afinal, como ela mesmo diz, doce \u00e9 algo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gabi saiu de Pelotas para Porto Alegre antes de se mudar para Los Angeles. Lan\u00e7ou antes deste disco outros dois, um de covers (\u201cLoneliness Keeps Company\u201d), inspirado por um t\u00e9rmino de relacionamento, e \u201cKitchen Door\u201d, que j\u00e1 mostrava sua veia de compositora talentosa. Gravou praticamente todos os instrumentos do disco para fazer so\u00e1-los como queria, e n\u00e3o possui uma banda fixa de apoio porque este \u00e9 &#8220;um trabalho solo, n\u00e3o um grupo de amigos apostando em algo&#8221;. Assim, imprime completamente seu DNA em cada uma das can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Produzido por John Ulhoa (Pato Fu), \u201cWelcome Sucker To Candyland\u201d levou dois anos para ficar pronto. O disco foi gravado no 128 Japs, o est\u00fadio nos fundos da casa de John e Fernanda Takai, durante feriados que Gabi conseguia ir at\u00e9 Belo Horizonte. A parceria com o guitarrista, que toca em diversas faixas e co-assina m\u00fasicas como \u201cSidecar\u201d e \u201cCan&#8217;t Fool Me\u201d, surgiu naturalmente: em 2007, Gabi passou a acompanhar o Pato Fu na estrada como fot\u00f3grafa e videomaker e as afinidades dos dois foram aflorando. Da\u00ed para a parceria musical foi um pulo. &#8220;Acho que ela tem um universo bem pr\u00f3prio de refer\u00eancias e sonoridades&#8221;, explica o guitarrista. &#8220;Gosto de produzir quem me traga esse tipo de personalidade pronta, e isso j\u00e1 parecia bem claro desde as primeiras grava\u00e7\u00f5es caseiras que ouvi dela, que com pouqu\u00edssimos recursos conseguia resultados \u00f3timos, e mereciam uma produ\u00e7\u00e3o mais apurada.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cWelcome Sucker to Candyland\u201d traz refer\u00eancias mil do indie guitar dos anos 1990, incluindo a participa\u00e7\u00e3o especial de Chris Colbourn, baixista do Buffalo Tom (banda favorita de Gabi) na baladinha declara\u00e7\u00e3o de amor perfeito \u201cThe Sweetest\u201d. Mas as arestas do estilo, no entanto, se escondem sob produ\u00e7\u00e3o e melodias pop, buriladas com cuidado pela cantora \u2013 f\u00e3 declarada do Hanson e suas melodias vocais. Faixas como \u201cSidecar\u201d e \u201cIf It All Works Out\u201d s\u00e3o perfeitas para sair assobiando por um dia de sol. Ou ent\u00e3o \u201cNot Done\u201d, que fecha o disco, num leve crescendo que atinge o \u00e1pice da intensidade no refr\u00e3o, tal qual um p\u00f4r-do-sol no Gua\u00edba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E h\u00e1 tamb\u00e9m \u201cBad Plot\u201d, uma dessas esp\u00e9cies de pop perfeito encapsulados em tr\u00eas minutos de harmonia e melodia. Gabi diz que \u00e0s vezes n\u00e3o entende uma coisa e aparece uma m\u00fasica que explica exatamente o sentido. Ouvir \u201cWelcome Sucker to Candyland\u201d \u00e9 encontrar respostas para diversas quest\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o, explicadas pelas melodias e letras sens\u00edveis de uma garota do sul do Brasil que canta em ingl\u00eas para fazer sua pr\u00f3pria m\u00fasica americana. John Ulhoa recomenda o \u00e1lbum \u201cporque \u00e9 bom\u201d e, abaixo, voc\u00ea conhece um pouco mais da Gru.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Welcome Sucker to Candyland\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mFDrwCrvIvhA8TgDKD3NBRX_3WGJrJwFM\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foram dois anos gravando o disco. O que dificultou o processo e atrasou o lan\u00e7amento? Voc\u00ea morava em Porto Alegre, mas gravou a maior parte do disco em Belo Horizonte. N\u00e3o ter o John como produtor foi uma hip\u00f3tese em algum momento?<\/strong><br \/>\nPassei um bom tempo acompanhando o Pato Fu na estrada como fot\u00f3grafa e videomaker. Uma vez est\u00e1vamos em BH e eu e o John decidimos gravar uma m\u00fasica que fizemos juntos, a \u201cSidecar\u201d. Depois, outras vezes em que eu estava em BH, a gente aproveitava e ia gravando outras musicas. Eram apenas dois amigos com interesses em comum (tanto de influ\u00eancias quanto de produ\u00e7\u00e3o) gravando m\u00fasica. Nunca foi decidido: vou fazer um disco produzido pelo John Ulhoa. Quando a gente se deu conta, j\u00e1 tinha material pra metade do disco. Fomos fazendo mais m\u00fasicas e completando. Demorou tanto pra gravar, pois eu trabalhava em Porto Alegre e o est\u00fadio do John \u00e9 em BH, ent\u00e3o eu aproveitava os feriados para ir l\u00e1 gravar. Os ajustes a gente fazia pela internet. Depois que j\u00e1 t\u00ednhamos metade do disco gravado, nunca pensei em buscar outro produtor pra produzir o resto do disco. At\u00e9 porque continu\u00e1vamos compondo m\u00fasicas juntos. Algumas poucas coisas foram gravadas em Porto Alegre ou em Pelotas. Est\u00e1vamos com o disco praticamente todo gravado no fim do ano passado. Levamos um tempo decidindo onde masterizar e optamos NY. Leva um tempo tamb\u00e9m para prensar, e eu me encarreguei de fazer a arte do disco. Da\u00ed foi lan\u00e7ado em maio, tentando fazer as coisas o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, j\u00e1 que agora (em 6 horas! \u2013 a entrevista, por e-mail, come\u00e7ou em julho, quando Gabi se mudava para LA) estou embarcando para Los Angeles, e quer\u00edamos tamb\u00e9m fazer um videoclipe (antes do lan\u00e7amento) e montar um show para o lan\u00e7amento em Porto Alegre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea toca praticamente de tudo no disco. Por qu\u00ea? E como \u00e9 montar uma banda depois para fazer um show?<\/strong><br \/>\nGravar as m\u00fasicas foi o \u00fanico jeito que consegui de deixar elas do jeito que eu queria que soassem, pois nunca consegui montar uma banda pra toc\u00e1-las da forma como eu as imaginava. E na grava\u00e7\u00e3o posso ser uma banda de cinco, seis ou mais pessoas. Fa\u00e7o as harmonias vocais comigo mesma. Ah, e o &#8220;por que&#8221;. Eu j\u00e1 tinha os arranjos na cabe\u00e7a, e sabia tocar os instrumentos, ent\u00e3o ia l\u00e1 e gravava. Quando o John tinha alguma ideia e eu estava longe, ele gravava. Mas a maioria das guitarras do John arranjamos juntos (eu n\u00e3o sou boba, ele toca melhor do que eu, mesmo sendo o meu riff).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Doce \u00e9 uma coisa t\u00e3o importante na vida quanto m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nDoce \u00e9 t\u00e3o importante quanto m\u00fasica, mas por raz\u00f5es opostas: a m\u00fasica serve pra expressar aquilo que, pelo menos eu, n\u00e3o consigo expressar de outra forma. \u00c0s vezes n\u00e3o consigo entender algo (ok, a maioria do tempo e a maioria das coisas) e aparece uma m\u00fasica que explica pra mim. J\u00e1 o doce, disse o Charlie Bucket, &#8220;n\u00e3o tem que ter um sentido, por isso que \u00e9 doce&#8221;. O doce n\u00e3o serve para ser saud\u00e1vel ou natural ou org\u00e2nico ou qualquer outra coisa. Ele s\u00f3 tem o \u00fanico prop\u00f3sito de ser o que \u00e9: doce. E se \u00e9 doce, \u00e9 bom. N\u00e3o \u00e9 genial? Algo que s\u00f3 serve exclusivamente pra satisfazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Explica essa sua rela\u00e7\u00e3o com o John e o Pato Fu. Quando voc\u00ea come\u00e7ou a acompanhar a banda mais de perto e quanto excursionar com eles te ajudou musicalmente e na carreira?<\/strong><br \/>\nEm 2007 comecei a acompanhar o Pato Fu como fot\u00f3grafa e videomaker. Essa parceria rendeu um material bem vasto, como v\u00e1rias fotos no site e nas redes sociais da banda, e v\u00e1rios v\u00eddeos que foram parar num DVD chamado \u201cExtra Extra\u201d. Fiz document\u00e1rio, fiz at\u00e9 um mini seriadinho que foi parar na MTV. Fiquei 5 anos acompanhando eles. Durante esses 5 anos, desenvolvi uma amizade com o John, pois descobrimos que t\u00ednhamos muitas coisas em comum, desde as influ\u00eancias musicais (Aimee Mann e Elvis Costello) at\u00e9 andar de skate e falar bobagem. Nunca usei o Pato Fu como trampolim para minha carreira musical, mas o interesse do John na minha m\u00fasica e nossa afinidade foi o que levou \u00e0 grava\u00e7\u00e3o desse disco. Tamb\u00e9m aprendi muito com ele sobre produ\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a \u00e1rea onde atuo profissionalmente. Ele \u00e9 o culpado!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pop ou indie guitar anos 90?<\/strong><br \/>\nOs dois! Uma coisa n\u00e3o exclui a outra. Adoro Motown, melodias pop, harmoniza\u00e7\u00e3o vocal desde Beach Boys at\u00e9 Hanson. Aprecio muito um POP bem feito. POP hoje em dia parece um termo para algo ruim, algo de pl\u00e1stico, falso, mas \u00e9 apenas um g\u00eanero, onde habitam muitas bandas competentes. E admiro quem consegue escrever uma boa m\u00fasica pop, feita com cora\u00e7\u00e3o e alma, e bem executada. O rock alternativo dos anos 90 foi o que mais ouvi, se voc\u00ea for olhar minha cole\u00e7\u00e3o de discos em casa. Tenho tudo do Buffalo Tom, Everclear, Letters to Cleo, adoro Lemonheads, Dinosaur Jr&#8230; Mas ao mesmo tempo ouvia Ben Folds Five, que era alternativo, mas tinha uma pegada POP bem forte. As pessoas acham que pop \u00e9 o contr\u00e1rio de rock, mas acho que n\u00e3o precisa ser. N\u00e3o tenho medo do pop, n\u00e3o acho que s\u00f3 o rock \u00e9 valido. Gosto dos dois. E gosto de pop rock. E tamb\u00e9m gosto da Neko Case que \u00e9 country e n\u00e3o tem nada a ver, e me influencia bastante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 abriu show pro Hanson. Qual a sensa\u00e7\u00e3o de tocar antes de um \u00eddolo?<\/strong><br \/>\nAbrir o show do Hanson foi uma das coisas mais legais que j\u00e1 fiz. Nunca achei que eu ia chegar t\u00e3o perto deles&#8230; E mesmo perto, tinha seguran\u00e7a demais na volta dos meninos. Mas consegui conversar um tanto com o Taylor e conheci o Zac. Eu j\u00e1 era f\u00e3 da banda, mas quando tive o privil\u00e9gio de os ver passando o som, fiquei impressionada com a habilidade t\u00e9cnica deles tocando. Eles s\u00e3o muito t\u00e9cnicos, cada um em seu instrumento, e a harmoniza\u00e7\u00e3o vocal deles ao vivo \u00e9 impressionante, chuta a bunda de qualquer grupo pop autotunado. E o p\u00fablico foi \u00f3timo, muito receptivo \u00e0 minha m\u00fasica, uma das melhores plateias para a qual j\u00e1 toquei.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20217\" title=\"gabi2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/gabi2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"605\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/gabi2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/gabi2-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/gabi2-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea dificilmente sa\u00eda do RS pra fazer shows. Porto alegre ainda \u00e9 longe demais das capitais?<\/strong><br \/>\nComo eu n\u00e3o tinha de fato uma banda ativa, n\u00e3o sa\u00eda para tocar em festivais em outros estados. \u00c9 muito dif\u00edcil receber uma proposta que sustente financeiramente voc\u00ea ter uma banda. At\u00e9 porque esse \u00e9 meu trabalho solo, n\u00e3o \u00e9 um grupo de amigos apostando em algo. Eu n\u00e3o teria como pagar m\u00fasicos para tocarem comigo, pelo menos nunca recebi propostas que sustentassem isso. Ent\u00e3o eu fazia o que podia em Porto Alegre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao mesmo tempo, o Rio Grande do Sul sempre pareceu, pelo menos aos olhos de quem cresceu em Santa Catarina, como eu, ter uma cena estadual forte, com lugares e p\u00fablico para as bandas m\u00e9dias locais tocarem em todo estado. Como isso se reflete no mercado independente? Ou n\u00e3o quer dizer nada?<\/strong><br \/>\nVejo algumas bandas que tocam bastante dentro do estado, mas todo mundo que eu conhe\u00e7o dessas bandas tem um trabalho di\u00e1rio, que n\u00e3o a banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O jornalista Marcelo Ferla fala no release que \u201cBad Plot\u201d lembra Video Hits. Eu consigo ouvir ecos de Wonkavision na mesma m\u00fasica. As duas bandas s\u00e3o de uma \u00e9poca, no come\u00e7o dos anos 2000, que parecia que o rock ga\u00facho \u2013 inclua a Bid\u00ea na conta \u2013 ia estourar nacionalmente. Quanto essas bandas te influenciaram ou foram importante para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o ouvi muito as bandas ga\u00fachas, exceto Graforreia Xilarm\u00f4nica, mas tem um conex\u00e3o at\u00e9 mais direta: a faixa \u201cFeel Like Running\u201d foi escrita em parceria com o Mike Vontobel, que era o batera e co-compositor da Video Hits e chegou a ser batera da Bid\u00ea ou Balde por um tempo. Tenho um dueto com o Frank Jorge, que pra mim \u00e9 o \u00edcone do rock ga\u00facho. E conheci a Grazi do Wonkavision por ela tamb\u00e9m ser f\u00e3 do Buffalo Tom. Ela est\u00e1 aqui em LA tamb\u00e9m e ontem fomos ao show do Ben Folds Five \ud83d\ude42<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 tinha lan\u00e7ado outro disco, \u201cKitchen Door\u201d, em 2009. O que mudou de l\u00e1 para o \u201cWelcome Sucker to Candyland\u201d? Musicalmente, pessoalmente e em termos de carreira.<\/strong><br \/>\nAcho que o \u201cKitchen Door\u201d era muito concentrado no rock alternativo dos anos 90, minha maior influ\u00eancia. Mas eu tamb\u00e9m tenho grandes influ\u00eancias fora dessa categoria, como Elvis Costello, Ben Folds Five, Aimee Mann, Neko Case, Hanson. E no \u201cWelcome\u201d eu tive a oportunidade de explorar mais essas influ\u00eancias e fazer um trabalho um pouco mais diversificado, com a ajuda da vis\u00e3o do John. E tamb\u00e9m porque ele tinha as ferramentas e o conhecimento pra me ajudar a chegar a resultados melhores. J\u00e1 fui me acostumando mais a gravar vocais, e tinha algu\u00e9m agora para me dirigir, ent\u00e3o acho que os vocais melhoraram bastante de um disco para o outro. E o disco foi acontecendo numa \u00e9poca que eu resolvi sair da minha cidade natal no interior e ir pra capital trabalhar com produ\u00e7\u00e3o musical, o que me adicionou mais experi\u00eancia e conhecimento, e tamb\u00e9m possibilitou que eu conhecesse as pessoas que fazem participa\u00e7\u00f5es no meu disco. Mesmo sem eu conhecer o Chris, do Buffalo Tom, pessoalmente, eu j\u00e1 tinha mais coragem de convidar ele para uma participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa \u00e9 meio clich\u00ea, mas bora l\u00e1: por que cantar em ingl\u00eas? Compor em portugu\u00eas \u00e9 mais dif\u00edcil?<\/strong><br \/>\nM\u00fasica \u00e9 m\u00fasica, e falar \u00e9 falar. Canto o que eu n\u00e3o consigo falar. E 90% da m\u00fasica que eu ou\u00e7o \u00e9 em ingl\u00eas, ent\u00e3o me acostumei com a estrutura da l\u00edngua pra me expressar musicalmente. O &#8220;certo&#8221; seria eu cantar em portugu\u00eas, mas pra mim seria errado, pois n\u00e3o \u00e9 o modo natural em que a &#8220;musa&#8221; se apresenta pra mim. Eu j\u00e1 penso a m\u00fasica em ingl\u00eas. E que diferen\u00e7a faz, se o povo consome tanta m\u00fasica norte-americana? Essa \u00e9 a minha m\u00fasica norte-americana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quanto tempo voc\u00ea fica em LA e o que \u00e9 esse curso que voc\u00ea foi fazer?<\/strong><br \/>\nFico aproximadamente um ano em LA estudando engenharia de \u00e1udio e som ao vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais os planos futuros de carreira?<\/strong><br \/>\nLancei o disco no Brasil&#8230; e fui embora. N\u00e3o tinha muita esperan\u00e7a em fazer shows, ent\u00e3o n\u00e3o fazia diferen\u00e7a ficar pra promover. N\u00e3o tenho planos, estou em LA pra ver o que acontece. Eu gravei as m\u00fasicas para que as pessoas pudessem escutar. Meu \u00fanico plano, que n\u00e3o depende de mim, \u00e9 que as pessoas ou\u00e7am. Adoro a Tracy Bonham, adoro a Imani Coppola, ou\u00e7o elas o tempo todo e nunca fui num show.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea se mudou de Pelotas depois do \u201cKitchen\u201d sair (certo?). Agora sai de Poa para LA logo depois do \u201cWelcome\u201d ser lan\u00e7ado. Mudan\u00e7as s\u00e3o um bom combust\u00edvel para a criatividade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Engra\u00e7ado, n\u00e3o tinha me dado conta disso. Sa\u00ed de Pelotas quando o \u201cKitchen Door\u201d foi lan\u00e7ado, porque uma produtora de \u00e1udio na \u00e9poca viu que eu tinha composto \/ produzido \/ gravado \/ tocado \/ mixado todo o disco e tinham recebido a indica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do fot\u00f3grafo Raul Krebs (que tamb\u00e9m \u00e9 m\u00fasico). Depois de um pouco mais de tr\u00eas anos trabalhando como produtora musical em Porto Alegre, optei por uma forma\u00e7\u00e3o profissional em produ\u00e7\u00e3o, e me programei pra vir pra LA. Mas como o disco j\u00e1 estava em processo adiantado de grava\u00e7\u00e3o, decidi lan\u00e7ar o disco antes de vir pra Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Explica o nome Gru. De onde surgiu?<\/strong><br \/>\nGru vem da personagem &#8220;Groo&#8221; do cartunista S\u00e9rgio Aragon\u00e9s. Gru \u00e9 um guerreiro que sempre enfia os p\u00e9s pelas m\u00e3os e&#8230; bem, eu ganhei esse apelido (risos), virou meu nickname na internet na \u00e9poca do mirc e ficou. Uma vez a Nina, filha do John e da Fernanda, perguntou: &#8220;Por que voc\u00eas \u00e0s vezes chamam a Gru de Gabi?!&#8221; Eu tive v\u00e1rias bandas, e em todas elas carregava minhas m\u00fasicas pr\u00f3prias, ent\u00e3o resolvi que, independente dos outros membros da banda, seria sempre Gru, porque eu e minhas m\u00fasicas \u00e9ramos o elemento constante. Tipo o Evan Dando e seu Lemonheads, ou o Nine Inch Nails do Trent Reznor. Posso estar com banda ou s\u00f3 com meu viol\u00e3o, continuo sendo Gru.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 tinha outro disco antes do \u201cKitchen Door\u201d?<\/strong><br \/>\nAntes do \u201cKitchen Door\u201d eu gravei um disco s\u00f3 de covers, chamado \u201cLoneliness Keeps Company\u201d, praticamente em uma semana, utilizando apenas o microfone embutido do iMac como fonte pra captar o som. Tinha brigado com o namorado na \u00e9poca, e decidi que ao inv\u00e9s de ficar chorando, ia fazer algo criativo. Acho que isso \u00e9 o que impulsiona 50% dos artistas. A outra metade \u00e9 da linha Paul McCartney, mas n\u00e3o eu. Arriscaria dizer que n\u00f3s, os agoniados, talvez sejamos a maioria. O pessoal feliz que faz m\u00fasica feliz raramente prende meu ouvido (por mais que seja pop e PARE\u00c7A feliz, eu presto aten\u00e7\u00e3o nas letras).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Gru - Bad Plot\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-SVNRScvYwU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Gru - Don&#039;t Wanna Know If You Are Lonely (H\u00fcsker D\u00fc cover)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TOweuaqrC20?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>Tiago Agostini (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/tiagoagostini\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@tiagoagostini<\/a>) \u00e9 jornalista e escreve para o Scream &amp; Yell desde 2006<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cWelcome Sucker to Candyland\u201d \u00e9, com muita probabilidade, o melhor disco lan\u00e7ado no Brasil em 2013 que voc\u00ea n\u00e3o ouviu&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/24\/entrevista-gru\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[202,201,203],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20211"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20211"}],"version-history":[{"count":22,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20211\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":81747,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20211\/revisions\/81747"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20211"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20211"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20211"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}