{"id":200,"date":"2008-09-16T09:14:04","date_gmt":"2008-09-16T11:14:04","guid":{"rendered":"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/2008\/09\/16\/disco-da-semana-japan-pop-show-curumin\/"},"modified":"2024-10-28T18:00:20","modified_gmt":"2024-10-28T21:00:20","slug":"disco-da-semana-japan-pop-show-curumin","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/09\/16\/disco-da-semana-japan-pop-show-curumin\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: &#8220;Japan Pop Show&#8221;, de Curumin, um disco adulto, classudo e extremamente bem produzido"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35061\" title=\"curumin1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/curumin1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/curumin1.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/curumin1-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/curumin1-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">por Marcelo Costa<\/span><\/strong><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 muito interessante observar o cambalear b\u00eabado do mundo ziguezagueando conforme o futuro torna-se presente. &#8220;Japan Pop Show&#8221;, segundo disco do multi-instrumentista Curumin, seria aclamado por toda a MPB e ignorado completamente pela ala rock caso fosse lan\u00e7ado vinte anos atr\u00e1s. Hoje em dia a MPB como a conhec\u00edamos \u2013 conceitualmente \u2013 n\u00e3o existe, e quem gostava de rock come\u00e7ou a abrir os ouvidos e expandir os horizontes musicais valorizando o samba e nossas ra\u00edzes afro-americanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro desse contexto, ontem ou hoje, &#8220;Japan Pop Show&#8221; \u00e9 Samba com S mai\u00fasculo. Sim, h\u00e1 aqui apropria\u00e7\u00f5es de sonoridades diversas que v\u00e3o fazer voc\u00ea se lembrar do reggae, do funk, da soul music, do rap, do hip, do hop, do bai\u00e3o, do dancehall, do r&amp;b e por ai vai, mas a ess\u00eancia, o cerne do neg\u00f3cio todo \u00e9 o samba malaco, esperto e provocativo que conhecemos t\u00e3o bem e aprendemos a admirar, mas revestidos de uma modernidade natural que conquista na primeira audi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Japan Pop Show&#8221; sucede &#8220;Achados e Perdidos&#8221;, estr\u00e9ia de Curumin em 2003 que lhe rendeu uma turn\u00ea por mais de vinte cidades dos Estados Unidos e a indica\u00e7\u00e3o da m\u00fasica &#8220;Tudo Bem, Malandro&#8221; para uma colet\u00e2nea do iTunes idealizada pela atriz Natalie Portman e um show no badalado South By Southwest, no Texas. Neste segundo disco, Curumin olha com nostalgia para seu passado ao mesmo tempo em que exerce critica social e d\u00e1 um salto (no v\u00e1cuo com joelhada) em termos de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nostalgia surge no t\u00edtulo do \u00e1lbum, que remete a inf\u00e2ncia do m\u00fasico, neto de japoneses que assistia ao programa de TV exibido nas manh\u00e3s de domingo nos anos de 1980, e tamb\u00e9m acompanhava as instigantes lutas de Savam\u00fa, lutador cujo golpe decisivo \u2013 &#8220;Salto no V\u00e1cuo com Joelhada&#8221; \u2013 d\u00e1 titulo a faixa instrumental que abre o \u00e1lbum suavemente como se um jazzista fizesse pequenos solos dentro de uma caixinha de bailarina, isso at\u00e9 os graves das programa\u00e7\u00f5es baterem pesadas no est\u00e9reo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-35062  aligncenter\" title=\"curumin2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/curumin2.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passada a introdu\u00e7\u00e3o, &#8220;Japan Pop Show&#8221; arremessa no colo do ouvinte um repert\u00f3rio de can\u00e7\u00f5es suingantes que n\u00e3o deixam ningu\u00e9m parado. Come\u00e7a com a suavidade de &#8220;Dan\u00e7ando no Escuro&#8221;, com o vocal charmoso de Marku Ribas discorrendo com suavidade a poesia caipiresca da letra: &#8220;De uma chuva que lavou \/ Muita po\u00e7a se formou \/ E pra num moi\u00e1 os p\u00e9 \/ Andava oiando pro ch\u00e3o&#8221;. O suingue chama o ouvinte para a ginga em &#8220;Compacto&#8221;, outra faixa carregada de nostalgia que presta homenagem aos bons e velhos vinis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A contagiante &#8220;Magrela Fever&#8221; faz uma ponte com a &#8220;Magrelinha&#8221; de Luiz Melodia n\u00e3o s\u00f3 no t\u00edtulo, mas em um trecho de teclados antes da entrada do refr\u00e3o que faz o cora\u00e7\u00e3o se aninhar na melodia. J\u00e1 &#8220;Kyoto&#8221; conta com o pessoal do Blackalicious e espeta os EUA, que n\u00e3o aceitaram assinar o protocolo na \u00e9poca. A faixa t\u00edtulo, cantada em ingl\u00eas, lembra o samba de Jorge Ben com guitarras de surf. O viol\u00e3o direciona &#8220;Mist\u00e9rio Stereo&#8221; com seu refr\u00e3o esperto enquanto a instrumental &#8220;Sa\u00edda Bangu&#8221; cita Jards Macal\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sensacional &#8220;Mal Estar Card&#8221; foca na Daslu enquanto Christopher Lover discursa no meio da can\u00e7\u00e3o: &#8220;Nunca vi algu\u00e9m ficar rico sem pisar na cabe\u00e7a dos outros&#8221;. Um dos pontos altos do \u00e1lbum \u00e9 &#8220;Caixa Preta&#8221;, com participa\u00e7\u00e3o de BNeg\u00e3o e Lucas Santtana, um funk poderoso que usa o acidente com o v\u00f4o 3054 da TAM que matou 199 pessoas para criticar a falta de transpar\u00eancia da imprensa e dos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o, muito mais dispostos a confundir do que explicar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Sambito&#8221; \u00e9 cantada em japon\u00eas e o refr\u00e3o, traduzido, \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o de amizade: &#8220;Sambito, Sambito, meu \u00fanico amigo, meu \u00fanico amigo&#8221;. J\u00e1 &#8220;Esperan\u00e7a&#8221;, pen\u00faltima m\u00fasica do \u00e1lbum, \u00e9 outra que lembra Jorge Ben \u2013 inclusive em sua tem\u00e1tica paz e amor t\u00e3o celebrada pelo Babulina \u2013 enquanto &#8220;Fumanchu&#8221;, instrumental que fecha o disco conta com a participa\u00e7\u00e3o de Daniel Ganjaman, destaca a bateria marcada de Curumin e o grave das programa\u00e7\u00f5es enquanto uma linha mel\u00f3dica serpenteia a can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Japan Pop Show&#8221; \u00e9 um disco adulto, classudo e extremamente bem produzido. Curumin inspira-se em nostalgia (mel\u00f3dica e tem\u00e1tica) para criar m\u00fasica moderna atenta ao mundo que a cerca, algo raro em tempos de reciclagem, dilui\u00e7\u00e3o e umbiguismo emo. \u00c9 bem prov\u00e1vel que seja descoberto \u2013 e valorizado \u2013 nos Estados Unidos antes do Brasil, atestado da situa\u00e7\u00e3o critica que vive a m\u00fasica (que um dia foi popular ) brasileira. N\u00e3o espere o referendo do New York Times. &#8220;Japan Pop Show&#8221; \u00e9 um dos grandes discos do ano. Descubra voc\u00ea mesmo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"JapanPopShow\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_m9dK1ISq3i3mEWDbxBwqILNxy-e9LTYrE\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\n\u201cJapan Pop Show\u201d \u00e9 um disco adulto, classudo e extremamente bem produzido. 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