{"id":19883,"date":"2013-09-06T22:16:26","date_gmt":"2013-09-07T01:16:26","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=19883"},"modified":"2025-03-11T20:39:30","modified_gmt":"2025-03-11T23:39:30","slug":"filmografia-comentada-francois-truffaut","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/06\/filmografia-comentada-francois-truffaut\/","title":{"rendered":"Filmografia comentada: Todos os filmes de Fran\u00e7ois Truffaut"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascido em 1932 em Paris, Fran\u00e7ois Roland Truffaut praticamente fez do in\u00edcio de sua vida, seu primeiro filme. Assim como Antoine Doinel em \u201cOs Incompreendidos\u201d, Truffaut foi adotado pelo padrasto, teve um adolesc\u00eancia complicada, com pequenos furtos e pris\u00f5es, at\u00e9 o per\u00edodo em que se alistou no ex\u00e9rcito, e foi preso por tentar desertar. Entra em cena Andr\u00e9 Bazin, que atuar\u00e1 com um guardi\u00e3o de Fran\u00e7ois, retirando-o da pris\u00e3o militar e colocando-o na reda\u00e7\u00e3o de sua revista, a m\u00edtica Cahiers du Cin\u00e9ma, local em que Truffaut come\u00e7aria como cr\u00edtico (brutal e implac\u00e1vel) e depois passaria a editor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu primeiro filme, o curta-metragem \u201cA Visita\u201d (1955), nunca foi exibido oficialmente, e consta que, hoje em dia, nem a fam\u00edlia tem uma c\u00f3pia dos fotogramas \u2013 embora, em 1982, Truffaut tenha reimpresso o curta em 35 mil\u00edmetros para exibir em sua casa para alguns poucos eleitos. Para efeito de estreia, \u201cOs Pivetes\u201d, curta de 1958, \u00e9 tomado como o primeiro filme do cineasta franc\u00eas e um dos precursores da Nouvelle Vague junto a \u201cAll the Boys Are Called Patrick\u201d, curta de 21 minutos dirigido por <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/04\/17\/os-10-primeiros-filmes-de-godard\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Godard<\/a> em 1957. Truffaut ainda produziria outro curta, \u201cA Hist\u00f3ria da \u00c1gua\u201d, em parceria com Godard, antes de sua estreia em longas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre \u201cOs Incompreendidos\u201d (1959) e \u201cDe Repente Domingo\u201d (1983), Truffaut assinaria a dire\u00e7\u00e3o de 21 longas metragens, um curta e uma co-dire\u00e7\u00e3o (em \u201cTire-au-flanc 62\u201d, de Claude Givray), sem contar \u201cAcossado\u201d, dire\u00e7\u00e3o de Godard sobre um argumento de Truffaut e Claude Chabrol, e se transformaria em um dos mestres da Nouvelle Vague francesa, movimento cinematogr\u00e1fico que pregava a experimenta\u00e7\u00e3o e uma montagem pouco casual que n\u00e3o abria concess\u00f5es \u00e0 linearidade narrativa valorizando a autonomia criativa. O resultado eram filmes mais pessoais e baratos em contraponto aos filmes car\u00edssimos encomendados por Hollywood.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os traumas de adolesc\u00eancia ir\u00e3o perseguir arduamente Fran\u00e7ois Truffaut em sua primeira d\u00e9cada, e v\u00e1rios momentos de misoginia podem ser encontrados em seus trabalhos dos anos 60, como se Truffaut usasse o cinema para se vingar de todas as mulheres, em geral, e de uma, sua pr\u00f3pria m\u00e3e, em particular \u2013 o auge dessa revolta acontece em \u201cA Sereia do Mississippi\u201d, de 1969. J\u00e1 a d\u00e9cada de 70 encontra um diretor maduro cinematograficamente e psicologicamente, expurgando seus fantasmas de forma explicita em duas obras tocantes: \u201cO Homem Que Amava as Mulheres\u201d (1977) e \u201cAmor em Fuga\u201d (1980).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A melhor forma de perceber a maturidade cinematogr\u00e1fica do cineasta \u00e9 acompanhando a trajet\u00f3ria de seu personagem alter-ego, Antoine Doinel (sempre Jean-Pierre L\u00e9aud), que ir\u00e1 estrelar quatro \u00f3timos longas e um curta-metragem, mas \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o recomendar obras intoc\u00e1veis como a declara\u00e7\u00e3o de amor ao cinema feita em \u201cA Noite Americana\u201d (1972), que lhe rendeu um Oscar, o tri\u00e2ngulo amoroso de \u201cJules e Jim\u201d (1962), o tocante manifesto pelos diretos da crian\u00e7a de \u201cA Idade da Inoc\u00eancia\u201d (1975) e a magnifica cr\u00edtica ao antissemitismo e, principalmente, a intoler\u00e2ncia de \u201cO \u00daltimo Metr\u00f4\u201d (1981).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos final dos anos 70 e come\u00e7o dos 80, Truffaut vivia um dos melhores per\u00edodos de sua carreira. Ele planejava lan\u00e7ar 30 filmes e depois se retirar para se dedicar a literatura, mas, um ano ap\u00f3s lan\u00e7ar seu 21\u00ba longa, \u201cDe Repente, Domingo\u201d (1983), Truffaut saia de cena, derrotado por um devastador tumor cerebral, aos 52 anos. Considerado um dos maiores diretores franceses de todos os tempos, Truffaut est\u00e1 enterrado no Cemit\u00e9rio de Montmartre, em Paris, e deixou uma obra admir\u00e1vel e tocante em sua simplicidade. Abaixo, os 25 filmes que ele dirigiu. Vale recomendar, ainda, o livro de entrevistas \u201cHitchcock \/ Truffaut\u201d, lan\u00e7ado no Brasil pela Companhia das Letras, uma aula de cinema de dois mestres.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: Les Mistons, 1958<br \/>\nTitulo nacional: Os Pivetes<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tido como primeiro trabalho oficial de Truffaut, o curta-metragem \u201cOs Pivetes\u201d (26 minutos na primeira vers\u00e3o, 17 na vers\u00e3o final) focaliza um grupo de garotos que se v\u00ea seduzido pela jovem Bernadette (Bernadette Lafont em inicio de carreira, lembrando Audrey Hepburn). Da rotina di\u00e1ria dos pivetes consta observar Bernadette pedalar sua bicicleta com uma saia esvoa\u00e7ante e v\u00ea-la jogando t\u00eanis com o namorado, o qual \u00e9 odiado pelos garotos. \u201cO que nos trazia aqui?\u201d, pergunta o moleque narrador atr\u00e1s de uma cerca da quadra de t\u00eanis: \u201cAmor ao jogo, \u00e0 saia curta ou as pernas descobertas de Bernadette?\u201d. Logo mais, o mesmo narrador ir\u00e1 concluir que, em sua inoc\u00eancia infantil, o grupo de pivetes apaixonado por Bernadette era jovem demais para entender o amor. \u201cPara as crian\u00e7as, entretanto, os assuntos do amor s\u00e3o desconhecidos, por\u00e9m ainda assim obsessivos\u201d. Os meninos n\u00e3o desistem e tentam transformar a vida do casal num inferno, como se Bernadette devesse ser culpada pela paix\u00e3o que eles sentem, embora n\u00e3o soubessem que sentimento estranho era esse. Quase uma introdu\u00e7\u00e3o para \u201cOs Incompreendidos\u201d e \u201cAntoine e Colette\u201d, o curta-metragem \u201cOs Pivetes\u201d define o estilo que Truffaut seguir\u00e1 em sua carreira. Curiosidade: Truffaut e Raimundos dividem uma pequena fic\u00e7\u00e3o por selins de bicicleta&#8230;<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru3.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: Une histoire d&#8217;eau, 1958<br \/>\nTitulo nacional: A Hist\u00f3ria da \u00c1gua<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Curta-metragem de 12 minutos dirigido e escrito em parceria por Godard e Truffaut, \u201cA Hist\u00f3ria da \u00c1gua\u201d flagra uma jovem (Caroline Dim) que, ao se preparar para ir \u00e0 escola, percebe que a regi\u00e3o est\u00e1 inundada, deixando-a ilhada em sua pr\u00f3pria casa. Ela vive em Villeneuve-Saint-Georges, a cerca de meia hora de Paris, e o alagamento aconteceu devido ao derretimento da neve nos Alpes. A garota coloca botas e parte para o ponto de \u00f4nibus, e descobre que eles n\u00e3o v\u00e3o circular devido ao alagamento. Ela decide, ent\u00e3o, pegar uma carona com um desconhecido (Jean-Claude Brialy), com quem vive um breve romance. \u201cEu irei provavelmente dormir em sua casa esta noite, pois a inunda\u00e7\u00e3o em Paris, para mim, \u00e9 motivo de felicidade\u201d, diz a mo\u00e7a. Truffaut havia escrito um pequeno romance, que Godard picotou na sala de edi\u00e7\u00e3o, acrescentou uma dublagem filos\u00f3fica (narrada por ele mesmo) e incluiu batuques e jazz na trilha sonora. Apresentado oficialmente apenas em 1961, \u201cA Hist\u00f3ria da \u00c1gua\u201d j\u00e1 traz alguns elementos da Nouvelle Vague, mas est\u00e1 mais para Godard do que da para Truffaut \u2013 principalmente na forma.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru4.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: Les Quatre Cents Coups, 1959<br \/>\nTitulo nacional: Os Incompreendidos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s tr\u00eas curtas, Truffaut chega ao seu primeiro filme, \u201cLes Quatre Cents Coups\u201d, express\u00e3o francesa semelhante a \u201cPintar o Sete\u201d ou \u201cCausar Muito\u201d \u2013 entre os nomes pensados para o filme, \u201cL&#8217;\u00c2ge Ingrat\u201d (\u201cA Idade Ingrata\u201d) soa mais representativo. \u201cLes Quatre Cents Coups\u201d conta a hist\u00f3ria de Antoine Doinel (Jean-Pierre L\u00e9aud), um jovem de 12 anos crescendo na Paris dos anos 50. A dificuldade de se concentrar na sala de aula (com professores r\u00edgidos e impacientes) e a inexperi\u00eancia dos pais em casa (ele \u00e9 filho de Gilberte, assumido pelo padrasto Julien) confundem a cabe\u00e7a do menino, que come\u00e7a a faltar \u00e0 aula, mentir e fazer pequenos roubos \u2013 entre sess\u00f5es de cinema. Sem saber o que fazer com o garoto, os pais decidem entrega-lo ao Estado, que o coloca em um reformat\u00f3rio juvenil. Escrito a quatro m\u00e3os por Truffaut e Marcel Moussy, \u201cLes Quatre Cents Coups\u201d \u00e9 um dos mais belos filmes feitos sobre a passagem da inf\u00e2ncia para a adolesc\u00eancia, lan\u00e7ando luz sobre a incompet\u00eancia de institui\u00e7\u00f5es como Fam\u00edlia e Escola. \u00c9, sobretudo, um filme sobre inoc\u00eancia, que muitos t\u00eam como uma autobiografia do pr\u00f3prio cineasta, que afirmou ter vivido v\u00e1rias das situa\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria. Filme preferido de Akira Kurosawa, \u201cLes Quatre Cents Coups\u201d deu a Truffaut o pr\u00eamio de Melhor Diretor em Cannes e a indica\u00e7\u00e3o na categoria Melhor Roteiro do Oscar de 1960. O personagem Antoine Doinel ir\u00e1 retornar algumas vezes na obra de Truffaut.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru5.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: Tirez sur le Pianiste, 1960<br \/>\nTitulo Nacional: Atirem no Pianista<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo longa-metragem da carreira de Fran\u00e7ois Truffaut, \u201cAtirem no Pianista\u201d conquistou a admira\u00e7\u00e3o de muitos \u2013 Paul Thomas Anderson incluso. Com roteiro novamente assinado por Truffaut e Marcel Moussy (baseado no romance \u201cDown There\u201d, de David Goodis), a hist\u00f3ria homenageia (com boa dose de humor) os filmes policiais B norte-americanos, mas a vers\u00e3o do cineasta franc\u00eas \u00e9 descontra\u00edda e centrada nos dramas e romances (e numa fixa\u00e7\u00e3o por entender as mulheres) dos personagens (sem abdicar de um leve suspense). O ator e cantor Charles Aznavour interpreta (muito bem) o papel de Eduard Saroyan, um pianista que recusa a fama ap\u00f3s ser \u201cabandonado\u201d pela esposa e passa seus dias tocando piano em uma espelunca de quinta categoria enquanto divide suas noites com a vizinha, a bela prostituta Clarisse (Mich\u00e8le Mercier) e o irm\u00e3o menor. A vidinha segue esse ritmo at\u00e9 o pianista se apaixonar pela gar\u00e7onete Lena (Marie Dubois), se envolver em uma briga com o dono da espelunca e ter de fugir de mafiosos que querem a pele de seu irm\u00e3o. Como trag\u00e9dia pouca \u00e9 bobagem e o amor \u00e9 sempre uma v\u00edtima po\u00e9tica, o trecho final de \u201cAtirem no Pianista\u201d \u2013 filmado na neve e em preto e branco \u2013 soa extremamente l\u00edrico (e triste). Financeiramente bem sucedido, o filme desagradou alguns cr\u00edticos, que esperavam uma obra a altura da estreia. Ela viria dois anos depois&#8230;<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru6.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: Tire-au-flanc 62, 1961<br \/>\nTitulo Nacional: n\u00e3o lan\u00e7ado no Brasil<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Adapta\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a de Andr\u00e9 Mou\u00ebzy-Eon e Andr\u00e9 Sylvane, que j\u00e1 havia rendido um filme de Jean Renoir em 1928, \u201cTire-au-flanc 62\u201d traz Fran\u00e7ois Truffaut na posi\u00e7\u00e3o de co-diretor, auxiliando o amigo Claude Givray, que assina a dire\u00e7\u00e3o e, futuramente, auxiliaria no roteiro de \u201cBeijos Proibidos\u201d (1968) e \u201cDomicilio Conjugal\u201d (1970). A trama \u00e9 praticamente um \u201cM.A.S.H.\u201d, de Robert Altman, vers\u00e3o Nouvelle Vague, focando comicamente em um grupo de rapazes que acaba de ser admitido em um quartel. O principal deles, Jean Lerat de la Grinoti\u00e8re (Christian de Tilli\u00e8re), \u00e9 filho de uma fam\u00edlia abastada de Paris, e o choque da cultura refinada do rapaz com o cotidiano hier\u00e1rquico e sacana do ex\u00e9rcito rende \u00f3timas gags, em uma \u00e9poca que permitia o bullying. Algumas das piadas funcionam, outras n\u00e3o, mas, para a \u00e9poca, \u201cTire-au-flanc 62\u201d soava um respiro de originalidade cinematogr\u00e1fica. H\u00e1 manipula\u00e7\u00e3o de tapes, invers\u00e3o de cenas, sobreposi\u00e7\u00e3o de fotogramas e pequenos toques de magia cinematogr\u00e1fica em um filme deliciosamente inocente. Um passatempo divertido (principalmente para aqueles que conhecem a rotina de um quartel militar).<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru7.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: Jules et Jim, 1962<br \/>\nTitulo Nacional: Jules e Jim \u2013 Uma Mulher Para Dois<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das obras primas da Nouvelle Vague, \u201cJules et Jim\u201d \u00e9 baseado no romance semi autobiogr\u00e1fico de Henri-Pierre Roch\u00e9 sobre sua rela\u00e7\u00e3o com o escritor Franz Hessel e sua esposa, Helen Grund. Esse rom\u00e2ntico e tr\u00e1gico m\u00e9nage \u00e0 trois n\u00e3o consumado (em nenhum momento, Jim\/Henri e Jules\/Franz se deitam ao mesmo tempo com Catharine\/Helen) ganhou for\u00e7a com um grupo espetacular de atores e uma inventiva forma de filmar conduzida por Truffaut (a cena das fotografias \u00e9, at\u00e9 hoje, admir\u00e1vel). A trama come\u00e7a em Paris pouco antes da Primeira Grande Guerra. O franc\u00eas Jim (Henri Serre) e o austr\u00edaco Jules (Oskar Werner) se aproximam devido ao gosto pela literatura (ambos s\u00e3o poetas) e pelas mulheres (embora Jules seja t\u00edmido, e n\u00e3o consiga acompanhar o n\u00famero de casos amorosos do amigo). A amizade dos dois \u00e9 colocada em teste quando surge em cena a encantadora Catherine (Jeanne Moreau), que conquista Jules (sob o olhar apaixonado do amigo). A amizade perpetua, o romance de Jules e Catharine, n\u00e3o, permitindo a Jim mostrar o seu amor (apoiado por Jules). O descompasso po\u00e9tico do primeiro mon\u00f3logo do filme (Voc\u00ea disse: &#8220;Eu te amo&#8221; \/ Eu disse: &#8220;Espere&#8221; \/ Eu quase disse: &#8220;Sou sua&#8221; \/ Voc\u00ea disse: &#8220;V\u00e1&#8221;) \u00e9 quase uma t\u00e1bua dos mandamentos do amor, que conquistou f\u00e3s pelo mundo (apesar de ser ignorado por festivais e pelo Oscar), mas muito pouca gente \u2013 atrav\u00e9s das d\u00e9cadas \u2013 prestou aten\u00e7\u00e3o ao seu doloroso recado (\u201c2046\u201d, de Wong Kar Wai, \u00e9 quase uma defesa apaixonada do mon\u00f3logo). Um cl\u00e1ssico.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru8.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: Antoine et Colette, 1962<br \/>\nTitulo Nacional: Antoine e Colette<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme \u201cL&#8217;Amour \u00e0 Vingt Ans\u201d (\u201cAmor aos 20 Anos\u201d) reunia cinco ent\u00e3o jovens diretores de cinco pa\u00edses e suas vis\u00f5es pessoais do amor em m\u00e9dias metragens: Fran\u00e7ois Truffaut (Fran\u00e7a), Renzo Rossellini (It\u00e1lia), Shintaro Ishihara (Jap\u00e3o), Marcel Oph\u00fcls (Alemanha) e Andrzej Wajda (Pol\u00f4nia). Os cinco filmes trazem fotos de Cartier-Bresson e o jazz de Georges Delerue na trilha sonora. \u201cAntoine et Colette\u201d abre a fita, e Truffaut recupera o personagem Antoine Doinel (Jean-Pierre L\u00e9aud), agora com 17 anos e vivendo uma vida independente em Paris ap\u00f3s cumprir pena em um r\u00edgido reformat\u00f3rio. Ele trabalha numa gravadora e continua se encontrando com Ren\u00e9 (Patrick Auffay), seu jovem parceiro de aventuras em \u201cLes Quatre Cents Coups\u201d. Doinel se apaixona por uma bela jovem, Colette, e confunde amizade com romance, enfrentando o descaso da garota. Truffaut exp\u00f5e a dificuldade de entender o sexo oposto e, por conseguinte, os relacionamentos, fixa\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 mais bem desenvolvida em filmes posteriores, e que soa por vezes mis\u00f3gina em suas primeiras obras, como no di\u00e1logo dos dois mafiosos ao sequestrarem Charles e Lena em \u201cAtirem no Pianista\u201d (1960) e, principalmente, na cena de \u201cJules e Jim\u201d em que Jim encontra um amigo num bar, e este apresenta sua nova namorada: \u201cEla \u00e9 muda. Oca. Tudo vazio aqui dentro\u201d, diz ao apontar pra cabe\u00e7a da jovem. \u201cMas \u00e9 bela\u201d, diz Jim. \u201cSim, linda. \u00c9 s\u00f3 sexo\u201d. Em \u201cAntoine et Colette\u201d, h\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de que Colette \u201cdeveria\u201d atender aos desejos de Antoine, como se seu pouco caso fosse um crime \u00e0 sua paix\u00e3o. Rom\u00e2ntico exagerado, o problema de Doinel \u00e9 ele mesmo. Mas ele ter\u00e1 tempo para aprender (Truffaut ir\u00e1 usar o personagem em mais tr\u00eas filmes). &#8220;Antoine e Colette&#8221; est\u00e1 dispon\u00edvel na vers\u00e3o em DVD de &#8220;Os Incompreendidos&#8221;, lan\u00e7ada pela Vers\u00e1til.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" style=\"border: 1px solid black;\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru9.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: La Peau Douce, 1964<br \/>\nTitulo Nacional: Um S\u00f3 Pecado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pierre Lachenay tem uma fam\u00edlia feliz, daquelas que todos sonham ter. Ele vive em Paris e \u00e9 um escritor de sucesso al\u00e9m de diretor de uma revista liter\u00e1ria. Por\u00e9m, em uma viagem para uma palestra em Lisboa, Lachenay se v\u00ea seduzido por uma aeromo\u00e7a (tipo \u201c<a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_xRLF-8XmbM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Belinda<\/a>\u201d, de Nick Hornby e Ben Folds, sabe? Mas sem champagne) e inicia um romance extraconjugal. Pierre come\u00e7a ent\u00e3o o decantado ciclo tortuoso de ter uma amante: quer, mas n\u00e3o pode estar com ela em p\u00fablico; a esposa come\u00e7a a desconfiar; e a pr\u00f3pria amante acredita que ele tem vergonha dela. Jean Desailly est\u00e1 \u00f3timo no papel principal e a irm\u00e3 de Catherine Deneuve, a t\u00e3o bela quanto Fran\u00e7oise Dorl\u00e9ac (no papel da aeromo\u00e7a Nicole), brilha no papel de femme fatale inocente. Truffaut parece mais maduro e s\u00e9rio no modo de filmar neste que \u00e9 seu quarto longa, dispensando invencionices (que, de certa forma, conferiram frescor aos filmes anteriores), mas o roteiro \u00f3bvio e moralista (assinado pelo pr\u00f3prio cineasta ao lado de Jean-Louis Richard) n\u00e3o ajuda: o homem trai e precisa lidar com a culpa. Como pr\u00eamio pela trai\u00e7\u00e3o \u00e9 abandonado pela amante e vingado pela esposa \u2013 em um tradicional final tr\u00e1gico como o de centenas de filmes franceses. Dois anos ap\u00f3s o imenso sucesso de \u201cJules e Jim\u201d, Truffaut fracassou nas bilheterias com um filme dram\u00e1tico e banal que trope\u00e7a na obviedade.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" style=\"border: 1px solid black;\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru10.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: Fahrenheit 451, 1966<br \/>\nTitulo Nacional: Fahrenheit 451<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mudan\u00e7a dupla na carreira de Truffaut, \u201cFahrenheit 451\u201d \u00e9 o \u00fanico filme em l\u00edngua inglesa de toda a carreira do diretor assim como o seu primeiro longa colorido e sua contribui\u00e7\u00e3o ao g\u00eanero futurista. Baseado no cl\u00e1ssico romance de mesmo nome assinado por Ray Bradbury em 1953, \u201cFahrenheit 451\u201d imagina uma sociedade futurista cuja governo opressor mant\u00e9m o controle da opini\u00e3o p\u00fablica atrav\u00e9s da televis\u00e3o enquanto a fun\u00e7\u00e3o dos bombeiros \u00e9 queimar livros, j\u00e1 que estes s\u00e3o proibidos, pois fazem as pessoas pensarem e as entristecem. Para ambientar a hist\u00f3ria, Truffaut recorreu a cen\u00e1rios modernistas como o do conjunto habitacional <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=23Ur0WFlzxo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alton Estate<\/a>, em Londres, e um bangal\u00f4 em Edgcumbe Park, em Berkshire, usado como casa do personagem principal, Montag, interpretado por Oskar Werner (o Jules de \u201cJules et Jim\u201d) \u2013 o monotrilho Safege fazia parte de uma pista de testes na Fran\u00e7a. A trama gira em torno de Montag, um bombeiro especializado em incinerar livros, que, provocado por uma professora, come\u00e7a a l\u00ea-los, despertando sua consci\u00eancia. Julie Christie interpreta dois papeis no filme (e n\u00e3o convence em nenhum dos dois), o da professora e o da esposa de Montag. Bel\u00edssima f\u00e1bula dram\u00e1tica, \u201cFahrenheit 451\u201d perde bastante em rela\u00e7\u00e3o ao livro, e em seu di\u00e1rio de filmagens, Truffaut o descreve como sua &#8220;mais triste e dif\u00edcil&#8221; produ\u00e7\u00e3o. A cr\u00edtica foi cruel definindo \u201cFahrenheit 451\u201d como \u201cchato, pretensioso e pedante\u201d, o que \u00e9 exagero. \u201cFahrenheit 451\u201d peca por falta de agilidade do roteiro, mas ainda assim tem seus momentos, como a bel\u00edssima cena final.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru11.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: La Mari\u00e9e \u00c9tait en Noir, 1967<br \/>\nTitulo Nacional: A Noiva Estava de Preto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se engane: voc\u00ea j\u00e1 assistiu essa hist\u00f3ria. \u00c9 mais ou menos assim: noiva v\u00ea seu futuro marido ser assassinado na porta da igreja, e com sede de vingan\u00e7a parte atr\u00e1s de todos os culpados \u2013 com um caderninho \u00e0 m\u00e3o \u2013 para fazer justi\u00e7a. Sim, \u00e9 a mesma hist\u00f3ria de \u201c<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/cinemadois\/killbill.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Kill Bill<\/a>\u201d s\u00f3 que filmada por Fran\u00e7ois Truffaut 35 anos antes (Quentin Tarantino insiste em dizer que n\u00e3o conhecia o filme de Truffaut quando fez seu elogio \u00e0 vingan\u00e7a \u2013 acredite quem quiser). O diretor franc\u00eas concentra seu foco no charme encantador de Jeanne Moreau e na trilha sonora (muitas vezes invasiva) de Bernard Hermann (de \u201cUm Corpo que Cai\u201d, 1958, de Hitchcock), e o resultado belisca a com\u00e9dia muito mais do que o suspense. Hitchcock \u00e9 influ\u00eancia direta, mas \u201cA Noiva Estava de Preto\u201d n\u00e3o consegue soar uma homenagem \u00e0 altura do mestre do suspense. Falta ritmo ao roteiro, que \u00e9 reverente em excesso e entrega ao espectador mais do que deveria impossibilitando o jogo apaixonado da decodifica\u00e7\u00e3o. A cr\u00edtica detonou, e Truffaut concordou com o achincalhe tanto que, em 1983, quando perguntado se havia algum filme que ele gostaria de refazer, apontou \u201cA Noiva Estava de Preto\u201d como o patinho feio de sua carreira \u2013 muito embora o filme tenha sido um enorme sucesso de bilheteria. Interessante, por\u00e9m, \u00e9 perceber aqui passagens de \u201cO Homem Que Amava as Mulheres\u201d&#8230; dez anos antes.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru12.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: Baisers Vol\u00e9s, 1968<br \/>\nTitulo Nacional: Beijos Proibidos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Terceiro volume da saga Antoine Doinel (sempre com Jean-Pierre L\u00e9aud no papel), \u201cBeijos Proibidos\u201d flagra o desajeitado anti-her\u00f3i no momento em que ele acaba de ser dispensado do quartel por indisciplina, e decide aproveitar a vida nos primeiros minutos em que deixa o ex\u00e9rcito: vai direto para um puteiro antes mesmo de procurar a garota que ama. Dali ele parte para os bra\u00e7os de sua amada, a violinista Christine Darbon (Claude Jade), enquanto pula de emprego em emprego tentando se acertar na vida. Trope\u00e7a na ex-paix\u00e3o Colette (Marie-France Pisier), agora m\u00e3e e acompanhada do marido, que reclama de seu sumi\u00e7o, e, contratado pelo dono de uma loja para ser um espi\u00e3o no ambiente do trabalho e descobrir o que os outros funcion\u00e1rios falam dele, se apaixona e seduz a esposa do patr\u00e3o (a bela Delphine Seyrig). Tratando com encantadora leveza as confus\u00f5es de Doinel, Truffaut (que assina o roteiro junto a Claude de Givray e Bernard Revon) cria uma obra delicada e encharcada de lirismo que ilumina a passagem da adolesc\u00eancia para a vida adulta. \u201cBeijos Proibidos\u201d \u00e9 absolutamente perfeito como recria\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o de \u201cOs Incompreendidos\u201d. Grande sucesso de bilheteria, o filme foi indicado ao Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, mas perdeu para o russo \u201cGuerra e Paz\u201d, adapta\u00e7\u00e3o da obra cl\u00e1ssica de Tolst\u00f3i dividida em quatro partes \u2013 totalizando 431 minutos de proje\u00e7\u00e3o. Sem problema, logo Truffaut ter\u00e1 sua estatueta&#8230;<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru13.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: La sir\u00e8ne du Mississippi, 1969<br \/>\nTitulo Nacional: A Sereia do Mississippi<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do mesmo escritor Cornell Woolrich, do qual Truffaut j\u00e1 havia adaptado \u201cA Noiva Estava de Preto\u201d dois anos antes, surge \u201cA Sereia do Mississippi\u201d, uma hist\u00f3ria que mistura suspense, trag\u00e9dia, romance, aventura e at\u00e9 com\u00e9dia \u2013 mas n\u00e3o fique t\u00e3o animado. A trama conta a hist\u00f3ria de Louis Mah\u00e9 (Jean-Paul Belmondo), um rico propriet\u00e1rio de planta\u00e7\u00f5es de tabaco em uma ilha do Oceano \u00cdndico. Ap\u00f3s perder o grande amor de sua vida, Mah\u00e9 n\u00e3o consegue se aproximar de outra mulher, e opta por tentar encontrar uma esposa em an\u00fancios de classificados. Ap\u00f3s longa troca de cartas com uma pretendente, o casamento \u00e9 marcado, por\u00e9m, quando encontra a noiva no porto, Julie Roussel (Catherine Deneuve) \u00e9 bem diferente do que aparenta nas fotos \u2013 e para melhor. Ainda assim, Louis segue em frente, casa-se com ela e&#8230; cai no golpe do ba\u00fa. Essa \u00e9 apenas a primeira de uma sequencia de reviravoltas surreais que tentam dar sentido a uma trama tola que desperdi\u00e7a dois \u00edcones do cinema. Novamente, a mulher \u00e9 a grande vil\u00e3 da hist\u00f3ria e Truffaut aproveitou o personagem de Deneuve, que n\u00e3o merece o belo corpinho que desfila, para despejar sua ira contra as garotas f\u00fateis: \u201cVoc\u00ea \u00e9 apenas uma numa crescente multid\u00e3o de garotas que s\u00e3o um tipo de parasita, s\u00e3o galinhas, tolas, com as cabe\u00e7as cheias de lixo ou ar\u201d. Algu\u00e9m partiu o cora\u00e7\u00e3o do cineasta e \u00e9 uma pena que esse trauma tenha rendido um filme t\u00e3o fraco, confuso, desleixado e pouco inspirado como \u201cA Sereia do Mississippi\u201d, que Truffaut dedicou a Jean Renoir. O mestre merecia coisa muito melhor.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru14.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: L&#8217;Enfant Sauvage, 1970<br \/>\nTitulo Nacional: O Garoto Selvagem<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Truffaut retorna ao delicado universo de crian\u00e7as frustradas de \u201cOs Incompreendidos\u201d em seu nono filme, \u201cO Garoto Selvagem\u201d, que conta a hist\u00f3ria real de um menino de Aveyron, cidade pr\u00f3xima a Toulouse, que foi encontrado em 1800 em uma floresta ap\u00f3s ter vivido grande parte de sua inf\u00e2ncia sozinho no meio da mata (a estimativa dos m\u00e9dicos \u00e9 que, quando foi encontrado, Victor, como ele viria a ser chamado, j\u00e1 tinha 11 ou 12 anos). O roteiro toma por base os relatos do di\u00e1rio do Dr. Jean Marc Gaspard Itard, que acompanhou o caso, e Truffaut decidiu assumir o papel do m\u00e9dico no filme. O ponto de partida da trama \u00e9 a captura de Victor na floresta, e sua transfer\u00eancia para uma escola de surdo-mudos em Paris. Sua dif\u00edcil adapta\u00e7\u00e3o faz com que Dr. Itard pe\u00e7a a cust\u00f3dia do menino, e o leve para sua casa come\u00e7ando um processo de educa\u00e7\u00e3o e acompanhamento minuciosamente detalhado. \u00c0 frente da c\u00e2mera, Truffaut deixa de lado invencionices e concentra-se na hist\u00f3ria (adaptada por ele pr\u00f3prio ao lado de Jean Gruault) resultando em um quase document\u00e1rio simulado sobre a pesquisa do Doutor Itar e a evolu\u00e7\u00e3o de Victor, o que, de certa forma, defende que a civiliza\u00e7\u00e3o do garoto selvagem \u00e9 melhor que sua vida na floresta \u2013 um pensamento contr\u00e1rio \u00e0 teoria do \u201cbom selvagem\u201d que decepcionou alguns f\u00e3s de Truffaut, que n\u00e3o entendiam como o garoto rebelde de \u201cOs Incompreendidos\u201d poderia se transformar no ser domesticado de \u201cO Garoto Selvagem\u201d. Imenso sucesso na Fran\u00e7a no ano de seu lan\u00e7amento, desde ent\u00e3o, o filme (e o caso) suscita(m) diversas discuss\u00f5es.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru15.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: Domicile Conjugal, 1970<br \/>\nTitulo Nacional: Domic\u00edlio Conjugal<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antoine Doinel est\u00e1 de volta. Dois anos se passaram desde \u201cBeijos Proibidos\u201d, e este quarto cap\u00edtulo da saga Doinel come\u00e7a com o anti-her\u00f3i casado com Christine Darbon. O casal vive em uma vilinha bastante particular em Paris (que remete a Fellini), daquelas que todos sabem um da vida do outro, e que destacam moradores ex\u00f3ticos (em momentos deliciosamente c\u00f4micos) como um cantor de \u00f3pera e sua esposa, um velho solit\u00e1rio, uma gar\u00e7onete apaixonada por Doinel e um homem misterioso que carrega o singelo apelido de &#8220;O Estrangulador&#8221;. Antoine \u201cpinta\u201d flores para a floricultura da esquina enquanto Christine leciona violino. Tudo corre bem, com a vida mon\u00f3tona da classe m\u00e9dia se desdobrando em passagens hil\u00e1rias entre quatro paredes, que se estendem pelo cotidiano da vizinhan\u00e7a, mas o eterno adolescente Doinel parece ainda n\u00e3o ter encontrado seu verdadeiro amor (ou n\u00e3o ter percebido que o encontrou, mesmo ele estando do outro lado da cama), embora Christine esteja prestes a dar a luz ao primeiro filho do casal. Como n\u00e3o poderia deixar de ser, Doinel muda novamente de profiss\u00e3o, e no novo emprego conhece Kyoko, uma bela japonesa com quem vive um (novo) romance. Apaixonado, Doinel trope\u00e7a no adult\u00e9rio e coloca toda sua vida futura a perder \u2013 de forma rom\u00e2ntica, claro. Respons\u00e1vel pelo roteiro ao lado de Claude de Givray e Bernard Revon, Truffaut parece \u00e0 vontade ao desenhar desventuras para seu personagem incorrig\u00edvel neste filme que mant\u00e9m a aura rom\u00e2ntica e moleque de Antoine Doinel.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" style=\"border: 1px solid black;\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru16.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: Les Deux Anglaises et le Continent, 1971<br \/>\nTitulo Nacional: Duas Inglesas e o Amor<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis um drama de costumes que elenca diferen\u00e7as pitorescas entre franceses e ingleses enquanto exprime a ess\u00eancia do cinema de Truffaut: da m\u00edstica do franc\u00eas que precisa amar todas as mulheres (em uma passagem impag\u00e1vel, a m\u00e3e do jovem rapaz fica enfurecida ao pensar que ele pode estar apaixonado apenas por uma das duas inglesas do t\u00edtulo, quando ele deveria estar apaixonado pelas duas), nos desencontros rom\u00e2nticos (s\u00e3o tantos em \u201cDuas Inglesas e o Amor\u201d que cora\u00e7\u00f5es fracos podem n\u00e3o resistir), na paix\u00e3o pela literatura (o filme \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o do livro \u201cLes Deux Anglaises Et le Continent\u201d, livro de 1956 de Henri-Pierre Roche, tamb\u00e9m autor do romance \u201cJulie et Jim\u201d) e pela confus\u00e3o que as mulheres podem fazer na vida de um homem. Em \u201cJulie et Jim\u201d, \u00e9 uma mulher dividida entre dois homens. Aqui temos um homem dividido entre duas belas mulheres\u2026 inglesas. E irm\u00e3s. Talvez muitos optassem por decidir na moedinha ou mesmo esquecessem-se da ruiva Muriel (Stacey Tendeter) e se dedicassem \u00e0 morena Ann (Kika Markham), mas Claude (Jean-Pierre L\u00e9aud, \u00f3timo) n\u00e3o v\u00ea as coisas de forma t\u00e3o simples. O roteiro (adaptado por Truffaut e Jean Gruault) brinca masoquistamente (ser\u00e1 assim o amor?) compondo um tri\u00e2ngulo amoroso entre os tr\u00eas personagens, que se apaixonam, sofrem, se deprimem e carregam a dor e a del\u00edcia do romance por quase 20 anos. Sofrer faz parte (mas precisa tanto?). Muitos franceses devem ter atravessado o Canal da Mancha a nado ap\u00f3s assistir \u201cDuas Inglesas e o Amor\u201d&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ps. Tanto as cenas no Pa\u00eds de Gales quando no Museu Rodin s\u00e3o bel\u00edssimas&#8230;<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru17.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: Une belle fille comme moi, 1972<br \/>\nTitulo Nacional: Uma Jovem T\u00e3o Bela Como Eu<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apontado por muitos como o filme mais descompromissado de Truffaut, \u201cUma Jovem T\u00e3o Bela Como Eu\u201d \u00e9 uma com\u00e9dia leve repleta de ironia e farsa que narra a hist\u00f3ria de um soci\u00f3logo inocente (Andr\u00e9 Dussollier) que pretende escrever uma tese sobre mulheres criminosas e, para isso, entrevista uma presidi\u00e1ria (Bernadette Lafont, de &#8220;Os Pivetes&#8221;) esperta e maliciosa. Mais uma vez o sexo feminino \u00e9 desenhado de forma mis\u00f3gina por Truffaut, ainda que com uma dose de humor extra, como na hora que o soci\u00f3logo Stanislas Pr\u00e9vine chega a penitenciaria e diz que quer come\u00e7ar o estudo pela prostituta Camilla Bliss: \u201cMas ela \u00e9 uma putinha desinteressante, Sr. Previne\u201d, avisa a delegada de plant\u00e3o. \u201cAqui temos casos muito interessantes como a assassina que viajou 450 quil\u00f4metros para matar um homem, outra que cortava homens com uma serra el\u00e9trica e uma gigante que estrangulou o marido com a m\u00e3o esquerda, porque era canhota\u201d. Ah, sempre as mulheres. Ainda assim, o encontro de duas personalidades t\u00e3o distintas permite a Truffaut brincar com a imagina\u00e7\u00e3o do espectador. Camille, a presidi\u00e1ria, conta uma hist\u00f3ria em off para Stanilas Previne, o soci\u00f3logo, mas as imagens em flashback mostram outra situa\u00e7\u00e3o \u2013 com muito humor. Inspirado no livro \u201cSuch a Gorgeous Kid Like Me\u201d, de Henry Farrell, \u201cUma Jovem T\u00e3o Bela Como Eu\u201d pode ser um dos filmes mais despretensiosos de Truffaut, mas merece uma espiadela. Vai que algu\u00e9m encontre uma Bernadette Lafont pelo caminho.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" style=\"border: 1px solid black;\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru18.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: La Nuit Am\u00e9ricaine, 1973<br \/>\nTitulo Nacional: A Noite Americana<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quiseram os deuses da s\u00e9tima arte que a obra prima de Fran\u00e7ois Truffaut fosse justamente uma declara\u00e7\u00e3o de amor ao cinema. \u201cLa Nuit Am\u00e9ricaine\u201d (nome dado ao efeito que diretores usam para filmar cenas noturnas durante o dia) conta a hist\u00f3ria metalingu\u00edstica de uma equipe de cinema trabalhando na produ\u00e7\u00e3o de um filme, \u201cA Chegada de Pamela\u201d, e o espectador \u00e9 apresentado a todos os percal\u00e7os que movem uma grande filmagem. Truffaut convida o p\u00fablico a conhecer a artificialidade do cinema ao mesmo tempo em que faz declara\u00e7\u00f5es comoventes sobre a s\u00e9tima arte, como em uma cena recorrente que exibe um sonho do diretor Ferrand (interpretado pelo pr\u00f3prio Truffaut) que se v\u00ea ainda menino roubando fotos de \u201cCidad\u00e3o Kane\u201d, ou ent\u00e3o outra em que a assistente Joelle (Nathalie Baye em come\u00e7o de carreira), ao descobrir que uma integrante da equipe tinha fugido com um dubl\u00ea, desabafa: \u201cEu abandonaria um cara por um filme, mas nunca abandonaria um filme por um cara\u201d. As cenas antol\u00f3gicas s\u00e3o tantas que se acumulam em 115 minutos absolutamente l\u00edricos. Deslumbrante, a norte-americana Jacqueline Bisset aceitou o papel por um sal\u00e1rio menor (a produ\u00e7\u00e3o era modesta) apenas para estrelar um filme de Truffaut e arrebata com seu personagem tanto quanto Valentina Cortese (magnifica como Severine), Jean-Pierre Aumont (Alexandre) e Jean-Pierre L\u00e9aud (Alphonse). \u201cA Noite Americana\u201d \u00e9 daqueles filmes para ver, rever e assistir todos os anos. Filme de maior sucesso de Truffaut na Am\u00e9rica, \u201cA Noite Americana\u201d ganhou o Oscar de Filme Estrangeiro em 1974, sendo que Truffaut ainda foi indicado na categoria Diretor (perdeu para Francis Coppola, por \u201cO Poderoso Chef\u00e3o 2\u201d) e Roteirista (Valentina foi indicada em Atriz Coadjuvante). De quebra, Truffaut acerta a m\u00e3o em sua quest\u00e3o sobre misoginia: \u201cTodo mundo (homens e mulheres) e (ao mesmo tempo) ningu\u00e9m \u00e9 m\u00e1gico\u201d. Cl\u00e1ssico.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" style=\"border: 1px solid black;\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru19.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: L&#8217;Histoire d&#8217;Ad\u00e8le H., 1975<br \/>\nTitulo Nacional: A Hist\u00f3ria de Ad\u00e8le H.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois anos ap\u00f3s arrebatar um Oscar, Truffaut, inspirado pela facilidade que encontrou ao filmar a hist\u00f3ria ver\u00eddica do menino de Aveyron em \u201cO Garoto Selvagem\u201d (1970), retoma o modelo em \u201cA Hist\u00f3ria de Ad\u00e8le H.\u201d, trama baseada no di\u00e1rio de Ad\u00e8le Hugo, uma das filhas do lend\u00e1rio escritor e ativista franc\u00eas Victor Hugo, sobre sua paix\u00e3o avassaladora por um oficial brit\u00e2nico. O roteiro, escrito a oito m\u00e3os, transforma o personagem de Ad\u00e8le em uma insuport\u00e1vel garota mimada, entregue a um amor doentio e n\u00e3o correspondido, e fecha o cerco na autodestrui\u00e7\u00e3o de Ad\u00e8le, que abandona a fam\u00edlia na Europa em 1864 e atravessa o oceano em dire\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos atr\u00e1s daquele que julga ser o homem de sua vida entrando numa espiral de paix\u00e3o n\u00e3o correspondida e neurose. Truffaut investiga a loucura que a paix\u00e3o pode proporcionar a uma pessoa (Ad\u00e8le) ao mesmo tempo em que exibe o descaso da outra (o oficial), numa proposta que remete ao livro de Milan Kundera, \u201cA Insustent\u00e1vel Leveza do Ser\u201d. Isabelle Adjani, ent\u00e3o com 20 anos, foi indicada ao Oscar por sua atua\u00e7\u00e3o, perfeita, mas o resultado est\u00e1 longe do brilho do Truffaut anterior. O filme e a absoluta loucura do personagem cansam, mas ainda assim \u00e9 poss\u00edvel sentir compaix\u00e3o por Ad\u00e8le (ainda que entre bocejos). Funciona como retrato de \u00e9poca (o amor por dote, a virgindade como honra) e vale ressaltar a grande atua\u00e7\u00e3o de Isabelle Adjani, mas (ainda que intenso e perfeito como retrato autodestrutivo do amor) \u00e9 uma obra menor do cineasta.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru20.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: L\u2019argent de Poche, 1975<br \/>\nTitulo Nacional: Na Idade da Inoc\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pequena cidade de Thiers, no interior da Fran\u00e7a, abriga um filme delicado centrado em pequenas hist\u00f3rias infantis que Fran\u00e7ois Truffaut recortava de jornais (o roteiro \u00e9 escrito pelo diretor e sua fiel colaboradora Suzanne Schiffman). Entram em cena tamb\u00e9m mem\u00f3rias do cineasta compondo um tocante painel infantil recheado de passagens l\u00edricas que encontram paralelo em filmes de Fellini (\u201cAmarcord\u201d, 1973) e Woody Allen (\u201cA Era do R\u00e1dio\u201d, 1987) \u2013 e do pr\u00f3prio Truffaut (\u201cOs Incompreendidos\u201d, 1959). Aqui est\u00e3o presentes as desventuras de garotos (o elenco \u00e9 composto quase que por apenas atores n\u00e3o profissionais) que olham uma bela professora tomar banho (\u201cEles se masturbam no fundo da sala\u201d, ela reclama para outro professor. \u201cIsso \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o\u201d, responde ele, despistando: \u201cTamb\u00e9m fazem isso na minha aula\u201d), o drama do primeiro beijo, o garoto pobre que apanha em um lar abusivo, a paix\u00e3o pela bela m\u00e3e do amigo e, claro, pelo cinema (a hist\u00f3ria de Oscar Doinel \u2013 veja s\u00f3 \u2013 filho de uma francesa com um ingl\u00eas, \u00e9 divertid\u00edssima). \u201cAs crian\u00e7as s\u00e3o mais fortes que os adultos\u201d, diz um personagem em certo momento, mas para Truffaut elas ainda estavam sozinhas sem ter leis que as amparassem. O trecho final do filme merecia ser exibido em escolas. Ou melhor: em casamentos\u2026 afinal, tudo come\u00e7a em casa. Imenso sucesso na Fran\u00e7a, \u201cNa Idade da Inoc\u00eancia\u201d \u00e9 um filme m\u00e1gico, po\u00e9tico e delicadamente surpreendente.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru21.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: L&#8217;Homme qui Aimait les Femmes, 1977<br \/>\nTitulo Nacional: O Homem Que Amava as Mulheres<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bertrand tem 41 anos e nenhum amigo homem. \u00c0s 18h, quando deixa o trabalho, dedica sua vida somente \u00e0 admira\u00e7\u00e3o das mulheres. Nos primeiros 30 minutos, \u201cO Homem Que Amava as Mulheres\u201d carrega um q de com\u00e9dia leve, po\u00e9tica, sobre a paix\u00e3o do masculino pelo feminino. Por\u00e9m, Truffaut aprofunda seu personagem conquistador (que chega a dormir com seis mulheres em doze dias) com tanta intensidade que consegue tocar v\u00e1rias faces do amor. Eis um filme mais did\u00e1tico e sombrio sobre relacionamentos que todas as com\u00e9dias rom\u00e2nticas americanas juntas (Woody Allen incluso). Ap\u00f3s um come\u00e7o de carreira que carregava tons de misoginia, Truffaut finalmente consegue entender as mulheres (e a si mesmo): \u201cA verdade \u00e9 que elas querem o mesmo que eu: amor\u201d, diz seu personagem. E amor, todos sabemos (inclusive Bertrand), \u00e9 um jogo. Bertrand concorda, mas s\u00f3 pede que o jogo da conquista n\u00e3o se transforme em um jogo por poder. \u201cO Homem Que Amava as Mulheres\u201d soa um acerto de contas familiar (no filme, as lembran\u00e7as de Bertrand exibem uma m\u00e3e que despeda\u00e7a cora\u00e7\u00f5es fr\u00e1geis) que culpa a separa\u00e7\u00e3o dos pais pelos traumas. Personagem interessant\u00edssimo, Bertrand ama todas as mulheres (e como n\u00e3o amar?), mas n\u00e3o consegue se apaixonar deixando um rastro de cora\u00e7\u00f5es partidos pelo caminho \u2013 adaptando Exup\u00e9ry: voc\u00ea se torna respons\u00e1vel por quem voc\u00ea fez sofrer \u2013 at\u00e9 o final inesperado. E brilhante.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru22.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: La Chambre Verte, 1978<br \/>\nTitulo Nacional: O Quarto Verde<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Adapta\u00e7\u00e3o m\u00f3rbida da obra \u201cO Altar dos Mortos\u201d, de Henry James (e outros dois contos: &#8220;The Beast in the Jungle&#8221; e &#8220;The Way It Came&#8221;), \u201cO Quarto Verde\u201d \u00e9 um dos filmes mais densos da carreira de Truffaut. Ele come\u00e7ou a trabalhar no roteiro em 1970, ap\u00f3s um rompimento dram\u00e1tico com Catherine Deneuve, e passou anos pensando fixamente na hist\u00f3ria chegando a visitar a casa de Henry James em Boston, nos Estados Unidos. O pr\u00f3prio diretor atua como personagem principal, Julien Davenne, um redator de obitu\u00e1rios de um jornaleco interiorano que, assim que sua esposa morre, cria um altar em casa para continuar a adorando. O altar pega fogo e (mesmo sendo ateu \u2013 h\u00e1 uma discuss\u00e3o exemplar com um padre no come\u00e7o do filme) ele consegue uma capela em um cemit\u00e9rio, onde passa a louvar n\u00e3o s\u00f3 a esposa, mas tamb\u00e9m amigos e \u00eddolos mortos. A apari\u00e7\u00e3o de uma nova mulher (Nathalie Baye) chega a dar uma chacoalhada no cora\u00e7\u00e3o de Julien, mas nada que os fantasmas \u2013 t\u00e3o queridos por Julien \u2013 n\u00e3o consigam domar. \u201cO Quarto Verde\u201d \u00e9 uma ode \u00e0 morbidez, uma cr\u00edtica pesada \u00e0queles que se esquecem dos seus. Assim que o filme ficou pronto, Truffaut mostrou a amigos pr\u00f3ximos. Isabelle Adjani chorou na sess\u00e3o, emocionada. Alain Delon elogiou e \u00c9ric Rohmer o achou comovente. A cr\u00edtica seguiu o tom elogioso dado pelos amigos, mas n\u00e3o \u00e9 surpresa que um tema t\u00e3o nebuloso tenha tornado \u201cO Quarto Verde\u201d o maior fracasso financeiro da carreira de Truffaut, levando-o a romper com a United Artists, com quem trabalhara nos \u00faltimos 10 anos, e buscar uma maneira r\u00e1pida de recuperar o dinheiro perdido. A solu\u00e7\u00e3o: reviver Doinel.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru23.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: L&#8217;amour en Fuite, 1979<br \/>\nTitulo Nacional: Amor em Fuga<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Truffaut, a saga de Antoine Doinel j\u00e1 havia sido encerrada em \u201cDomicilio Conjugal\u201d (1970), mas ap\u00f3s o fracasso de \u201cO Quarto Verde\u201d, o cineasta decidiu ressuscitar o alter-ego para levantar um grana rapidamente, o que rendeu este bel\u00edssimo fechamento, com dezenas de cenas em flashback que pescam momentos dos quatro filmes anteriores buscando atualizar o espectador e contextualizar a hist\u00f3ria. \u201cAmor em Fuga\u201d flagra Doinel no momento em que ele assina o div\u00f3rcio de Christine, e a letra da can\u00e7\u00e3o tema do filme, usada na abertura e no encerramento, d\u00e1 o mote: \u201cToda minha vida \u00e9 correr atr\u00e1s de coisas que me escapam: jovens perfumadas, buques de rosas, l\u00e1grimas\u201d. Antoine est\u00e1 novamente apaixonado (embora n\u00e3o desista das prostitutas), agora pela linda Sabine (Doroth\u00e9e), mas Colette (Marie-France Pisier) novamente cruza o seu caminho, e bagun\u00e7a tudo, refor\u00e7ando a certeza de que, assim que um casal se casa, tudo \u00e9 \u201cdecep\u00e7\u00e3o, desilus\u00e3o, separa\u00e7\u00e3o\u201d. Entre destro\u00e7os \u00e9 poss\u00edvel vislumbrar o amadurecimento psicol\u00f3gico de Truffaut, que refor\u00e7a a certeza de que o problema em sua vida sempre foi materno (o que, de certa forma, resultou na misoginia inicial), a ponto de um dos amantes de Gilberte Doinel em \u201cOs Incompreendidos\u201d reencontra-lo em \u201cAmor em Fuga\u201d e dizer: \u201cVoc\u00ea \u00e9 muito parecido com sua m\u00e3e\u201d (enquanto repete uma cena reveladora de \u201cO Homem Que Amava as Mulheres\u201d). Doinel, por influ\u00eancia familiar (o trauma da separa\u00e7\u00e3o, a conviv\u00eancia com os amantes da m\u00e3e, o abandono), parece condenado a viver os primeiros dias de um romance, e jogar o futuro pela janela, mas Truffaut ainda lhe d\u00e1 uma \u00faltima chance de felicidade neste bel\u00edssimo encerramento.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" style=\"border: 1px solid black;\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru24.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: Le Dernier M\u00e9tro, 1980<br \/>\nTitulo Nacional: O \u00daltimo Metro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amadurecido cinematograficamente e psicologicamente, Fran\u00e7ois Truffaut chega aos anos 80 vivendo um dos melhores momentos de sua carreira como diretor \u2013 e o fracasso comercial de \u201cO Quarto Verde\u201d n\u00e3o tira os grandes m\u00e9ritos do filme. \u201cO \u00daltimo Metr\u00f4\u201d, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (perdeu para o russo \u201cMoscou N\u00e3o Acredita em L\u00e1grimas\u201d) e vencedor em 10 das 12 categorias a que fora indicado ao Cesar, \u00e9 talvez uma de suas obras mais tocantes e mais bem acabadas. O come\u00e7o \u00e9 de um lirismo \u00fanico e Truffaut, ao lado de Suzanne Schiffman e Jean-Claude Grumberg, cria um roteiro cuidadoso e profundo, que respeita os personagens enquanto vai revelando cuidadosamente o conte\u00fado do filme. Assim como \u201cNoite Americana\u201d \u00e9 uma ode ao cinema, \u201cO \u00daltimo Metr\u00f4\u201d \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o de amor ao teatro, que impressiona nos m\u00ednimos detalhes. A hist\u00f3ria se passa em 1942, e Paris est\u00e1 ocupada pelos alem\u00e3es, que instauraram em metade da cidade um toque de recolher, o que faz com que os parisienses valorizem o \u00faltimo metr\u00f4. Marion Steiner (Catherine Deneuve) \u00e9 a esposa de um diretor\/dono de teatro, que mant\u00e9m um espa\u00e7o em Montmartre e que precisou fugir por ser judeu. Seu auxiliar dirige a pe\u00e7a que ele deixou enquanto a revolu\u00e7\u00e3o ecoa em cada esquina da cidade. Truffaut faz uma cr\u00edtica severa ao antissemitismo e, principalmente, a intoler\u00e2ncia numa obra que mostra a evolu\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica de Deneuve ao mesmo tempo em que revela um G\u00e9rard Depardieu perfeito em um dos papeis principais. Destaque para o lindo fechamento em um daqueles filmes absolutamente perfeitos e impec\u00e1veis.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru25.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: La Femme d&#8217;\u00e0 Cot\u00e9, 1981<br \/>\nTitulo nacional: A Mulher do Lado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Das armadilhas do destino. Bernard (G\u00e9rard Depardieu, excelente) \u00e9 casado com Arlette (Mich\u00e8le Baumgartner) e pai do pequeno Thomas. A fam\u00edlia feliz vive numa vilazinha afastada do centro de Grenoble, cidade universit\u00e1ria localizada no sop\u00e9 dos Alpes franceses. A casa da frente, que estava vazia, recebe novos inquilinos, e a vida de Bernard ir\u00e1 mudar radicalmente assim que ele descobrir que o novo casal vizinho \u2013 Mathilde (Fanny Ardant) e seu marido Philippe (Henri Garcin) \u2013 marcara seu reencontro com uma antiga paix\u00e3o mal resolvida. Paralelamente, a trama apresenta Madame Odile Jouve (V\u00e9ronique Prata), uma senhora que, 20 anos antes, se atirou do s\u00e9timo andar quando soube que seu amante iria se casar com outra. \u201cOs homens n\u00e3o sabem nada do amor: N\u00f3s somos amadores\u201d, assume um personagem em certo momento desse drama rom\u00e2ntico com requintes de suspense, mas o que Truffaut exibe \u00e9 que nem mulheres, nem homens, sabem algo do amor. O cineasta (que assina o roteiro novamente com Jean Aurel e Suzanne Schiffman) compara: \u201cOu\u00e7a os gatos\u201d, diz Arlette. \u201cEst\u00e3o brigando\u201d, responde Bernard. \u201cN\u00e3o. Est\u00e3o fazendo amor. T\u00e3o selvagem\u201d. Para Truffaut, o amor torna o ser-humano selvagem, incapaz de coordenar as ideias, de agir sensatamente. Desta vez, o cineasta n\u00e3o diferencia sexo nem culpa a mulher, pois todos somos \u201cculpados\u201d, com apoio da m\u00fasica pop. Mathilde resume: \u201cAs can\u00e7\u00f5es dizem: \u2018Voc\u00ea n\u00e3o deve me deixar \/ Sem voc\u00ea n\u00e3o tenho vida\u2019 ou \u2018Sem amor n\u00e3o somos nada\u2019\u201d, quase citando Rob Fleming, que certa vez filosofou: \u201cOuvimos m\u00fasica pop porque somos tristes ou somos tristes porque ouvimos m\u00fasica pop?\u201d. \u201cA Mulher do Lado\u201d ilumina o lado escuro do amor, e o que se v\u00ea quando as luzes se acendem pode ser entendido tanto como amor quanto doen\u00e7a. Outro grande filme da fase madura de Truffaut, que aproveita para valorizar as morenas em detrimentos das loiras (s\u00edmbolos sexys na obra de seu cineasta predileto, Hitchcock).<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru26.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: Vivement Dimanche!, 1983<br \/>\nTitulo Nacional: De Repente, num Domingo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu \u00faltimo filme, lan\u00e7ado em outubro de 1983 (o cineasta viria a morrer em decorr\u00eancia de um c\u00e2ncer cerebral em outubro do ano seguinte), Truffaut realiza sua melhor declara\u00e7\u00e3o de amor ao cinema de Hitchcock num filme que fica abaixo dos predecessores, mas acima de outras obras de suspense presentes em sua filmografia (principalmente as do final da d\u00e9cada de 60). O roteiro assinado novamente por Jean Aurel, Suzanne Schiffman e pelo pr\u00f3prio cineasta tem como base o livro \u201cThe Long Saturday Night\u201d, de Charles Williams, e conta a hist\u00f3ria do dono de uma imobili\u00e1ria que \u00e9 acusado de assassinar o amante de sua esposa e, depois, a pr\u00f3pria esposa. Julien Vercel (Jean-Louis Trintignant) tenta provar sua inoc\u00eancia, e recebe a ajuda de sua secretaria, a qual acabara de demitir, Barbara Becker (Fanny Ardant). O roteiro, engenhoso, brinca de colocar v\u00e1rias pe\u00e7as e personagens em uma sala repleta de espelhos, contando com a cumplicidade do espectador, que vai montando o quebra-cabe\u00e7a acreditando no que os olhos pensam ver. H\u00e1 certo descaso em particular com o personagem de Fanny Ardant, principalmente na primeira parte, o que torna dif\u00edcil aceitar as a\u00e7\u00f5es que se desenrolam na segunda metade. A impress\u00e3o \u00e9 a de que a dire\u00e7\u00e3o de atores foi prejudicada em prol da valoriza\u00e7\u00e3o do tom farsesco da trama, o que faz parecer for\u00e7ado o encaixe de algumas pe\u00e7as no decorrer da hist\u00f3ria. Interessante a provoca\u00e7\u00e3o de Truffaut para com o mestre na escolha de uma morena para o papel principal (e brincar com a escolha em alguns di\u00e1logos) e a escolha pelo PB ap\u00f3s 13 anos filmando em cores. Funciona como passatempo.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru27.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"418\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Fran\u00e7ois Truffaut, de 01 a 25, por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p>01) A Noite Americana, 1973<br \/>\n02) O \u00daltimo Metr\u00f4, 1980<br \/>\n03) Amor em Fuga, 1978<br \/>\n04) O Homem que Amava as Mulheres, 1977<br \/>\n05) Na Idade da Inoc\u00eancia, 1976<br \/>\n06) Os Incompreendidos, 1959<br \/>\n07) Jules e Jim, 1962<br \/>\n08) Beijos Proibidos, 1968<br \/>\n09) Domic\u00edlio Conjugal, 1970<br \/>\n10) Duas Inglesas e o Amor, 1971<br \/>\n11) Atirem no Pianista, 1960<br \/>\n12) A Mulher do Lado, 1981<br \/>\n13) Uma Jovem T\u00e3o Bela Como Eu, 1972<br \/>\n14) O Quarto Verde, 1978<br \/>\n15) Os Pivetes, 1958<br \/>\n16) De Repente, Num Domingo 1983<br \/>\n17) Antoine e Colette, 1962<br \/>\n18) O Garoto Selvagem, 1970<br \/>\n19) Tire-au-flanc 62, 1961<br \/>\n20) A Noiva Estava de Preto, 1967<br \/>\n21) Fahrenheit 451, 1966<br \/>\n22) Um S\u00f3 Pecado, 1964<br \/>\n23) A Hist\u00f3ria de Ad\u00e8le H., 1975<br \/>\n24) A Hist\u00f3ria da \u00c1gua, 1958<br \/>\n25) Sereia do Mississippi, 1969<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/tru28.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"313\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Anna Karina com Godard: \u201cUma Mulher \u00e9 Uma Mulher\u201d, \u201cViver a Vida\u201d e \u201cBande \u00e0 Part\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/24\/tres-filmes-anna-karina-e-godard\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Tr\u00eas filmes: &#8220;Acossado&#8221;, &#8220;Ascensor para o Cadafalso&#8221; e &#8220;O Joelho de Claire&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/12\/10\/tres-filmes-malle-godard-e-rohmer\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Filmografia comentada: os 26 filmes de Billy Wilder (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/06\/filmografia-comentada-francois-truffaut\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Tr\u00eas filmes de Jean Renoir: \u201cA Grande Ilus\u00e3o\u201d, \u201cA Marselhesa\u201d e \u201cA Regra do Jogo\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/13\/cinema-jean-renoir-1937-1938-1939\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um dos maiores mestres da Nouvelle Vague francesa, Truffaut assinou 21 longas, 3 curtas e uma co-dire\u00e7\u00e3o. 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