{"id":19685,"date":"2013-08-29T11:37:42","date_gmt":"2013-08-29T14:37:42","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=19685"},"modified":"2013-11-25T08:26:44","modified_gmt":"2013-11-25T11:26:44","slug":"disco-do-ano-carol-nogueira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/29\/disco-do-ano-carol-nogueira\/","title":{"rendered":"Disco do Ano: Carol Nogueira"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-19686  aligncenter\" title=\"davidbowie\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/davidbowie.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/davidbowie.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/davidbowie-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/davidbowie-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Discos do Ano #05<br \/>\n\u201cThe Next Day\u201d: Emocional<br \/>\npor <a href=\"https:\/\/twitter.com\/carolnogueira\" target=\"_blank\">Carol Nogueira<br \/>\n<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Artista &#8211; David Bowie<br \/>\n\u00c1lbum &#8211; \u201cThe Next Day\u201d<br \/>\nLan\u00e7amento &#8211; 08\/04\/2013<br \/>\nSelo &#8211; Iso\/Columbia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para quem cresceu nos anos 90, como eu, a imagem de David Bowie era algo t\u00e3o distante quanto qualquer artista antigo que tivesse morrido ou parado de produzir h\u00e1 d\u00e9cadas. N\u00e3o que esse fosse o caso dele. Pelo contr\u00e1rio, Bowie lan\u00e7ou seis \u00e1lbuns entre 1993 e 2003 &#8211; mal recebidos pela cr\u00edtica e com pouco sucesso comercial, portanto, sem apelo algum para mim na \u00e9poca. Mas, a medida em que passei a me interessar por m\u00fasica, na adolesc\u00eancia, comecei a entender a import\u00e2ncia de Bowie, e conheci o seu legado aos poucos. Ouvi &#8220;Heroes&#8221; em algum filme. Descobri &#8220;The Man Who Sold the World&#8221; pela vers\u00e3o do Nirvana. Escutei &#8220;Let\u2019s Dance&#8221; e &#8220;Rebel Rebel&#8221; nas pistas de dan\u00e7a. Li sobre &#8220;Ziggy Stardust&#8221;. Quanto mais eu conhecia e escutava suas m\u00fasicas, mais me surpreendia em encontrar, toda vez, um artista diferente em cada uma delas. Ainda assim, nada me havia feito criar tanta empatia por Bowie quanto o seu \u00faltimo disco, &#8220;The Next Day&#8221;, lan\u00e7ado em mar\u00e7o deste ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Novamente, o que mais me surpreendeu foi encontrar, no mesmo \u00e1lbum, v\u00e1rias sonoridades diferentes. Era Bowie referenciando quase tudo o que ele j\u00e1 havia produzido algum dia na carreira, quase como se este fosse o seu trabalho final (e pode ser, mesmo). Mas, desta vez, admirei tamb\u00e9m a coragem de Bowie em cantar sobre a velhice e os anos durante os quais ficou recluso, ap\u00f3s sofrer um princ\u00edpio de infarto enquanto fazia um show, em 2004. Em uma \u00e9poca em que se sabe tanto sobre a vida ensaiada das celebridades, \u00e9 preciso muita, mas muita coragem para se expor de verdade. E Bowie o fez pela sua \u00f3tica &#8211; muito mais interessante do que qualquer especula\u00e7\u00e3o. \u00c9 a opini\u00e3o dele mesmo sobre ter ficado \u00e0 beira da morte e, depois, esquecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira faixa do disco, tamb\u00e9m chamada &#8220;The Next Day&#8221;, fala sobre isso. &#8220;Here I am, not quite dying&#8221; (Aqui estou, n\u00e3o exatamente moribundo), canta Bowie. J\u00e1 &#8220;The Stars (Are Out Tonight)&#8221; traz uma provoca\u00e7\u00e3o sobre os anos de sumi\u00e7o. &#8220;Stars are never sleeping\/Dead ones and the living&#8221; (As estrelas nunca dormem\/Nem as mortas nem as vivas). &#8220;Love Is Lost&#8221;, que tem a melhor letra do \u00e1lbum, fala sobre o amadurecimento, o fim da ingenuidade e, finalmente, a dor de viver. &#8220;Say goodbye to the thrills of life\/ Where love was good, no love was bad\/ Wave goodbye to the life without pain&#8221; (Diga adeus \u00e0s alegrias da vida\/ Onde o amor era bom, nenhum amor era ruim\/ Diga adeus para uma vida sem dor), canta Bowie. Ele fecha o disco dizendo: &#8220;I don&#8217;t know who I am&#8221; (Eu n\u00e3o sei quem eu sou), em &#8220;Heat&#8221;. As refer\u00eancias a assuntos como morte e esquecimento est\u00e3o por todo o disco, emolduradas por belas melodias dark.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melodias que, ali\u00e1s, n\u00e3o deixam nada a desejar. Em &#8220;Dirty Boys&#8221;, por exemplo, uma das melhores do disco, Bowie convoca um clim\u00e3o de cabar\u00e9 que faz lembrar Tom Waits (mas a refer\u00eancia \u00e9 o compositor alem\u00e3o Kurt Weill, de quem ele \u00e9 f\u00e3). Em &#8220;Valentine&#8217;s Day&#8221;, consegue ser pop sem ser f\u00fatil, com uma can\u00e7\u00e3o bastante mel\u00f3dica, com coro de vozes femininas. Em &#8220;I&#8217;d Rather Be High&#8221;, \u00e9 psicod\u00e9lico. Em &#8220;(You Will) Set The World On Fire&#8221;, \u00e9 an\u00e1rquico. H\u00e1, tamb\u00e9m, muitas refer\u00eancias sonoras \u00e0s fases de sua carreira, especialmente os anos que passou em Berlim, entre 1976 e 1979. \u00c9 assim com faixas como &#8220;If You Can See Me&#8221; (a cara do produtor Brian Eno), &#8220;How Does the Grass Grow?&#8221; (que lembra &#8220;Boys Keep Swinging&#8221;) e &#8220;You Feel So Lonely You Could Die&#8221; (que termina com as mesmas batidas de &#8220;Five Years&#8221;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a\u00ed entra outra quest\u00e3o. O disco n\u00e3o traz nada muito diferente do que Bowie j\u00e1 fez na carreira. Ele sempre teve uma queda pelo drama. E, essencialmente, &#8220;The Next Day&#8221; foi feito pelas mesmas pessoas com quem ele sempre trabalhou &#8211; o produtor Tony Visconti, seu fiel escudeiro, com quem trabalha desde &#8220;Space Oddity&#8221; (1969), o guitarrista Gerry Leonard e o baterista Sterling Campbell. Ent\u00e3o, o que torna o \u00e1lbum especial? Para mim, \u00e9 o elemento que tamb\u00e9m est\u00e1 presente em &#8220;Random Access Memories&#8221;, do Daft Punk. As m\u00fasicas pop de hoje em dia, grosso modo, s\u00e3o t\u00e3o pasteurizadas, t\u00e3o sem alma, que o trunfo de Bowie foi exatamente conseguir construir algo que realmente emociona &#8211; que \u00e9, e sempre foi, a fun\u00e7\u00e3o primordial da m\u00fasica, e da arte, em geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em maio passado, estive no Victoria &amp; Albert Museum, em Londres, para ver a exposi\u00e7\u00e3o &#8220;David Bowie Is&#8221;, que vir\u00e1 ao Brasil no ano que vem. Verdade seja dita, a exposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 l\u00e1 t\u00e3o incr\u00edvel para quem conhece a hist\u00f3ria do m\u00fasico, a menos que voc\u00ea seja muito f\u00e3 e queira ver de perto as roupas usadas por ele e algumas composi\u00e7\u00f5es escritas em papel, na caligrafia dele. Mas uma parte dela me pegou. No fim, o visitante para em uma sala cheia de tel\u00f5es gigantes, que v\u00e3o do ch\u00e3o ao teto, e ficam passando v\u00eddeos de apresenta\u00e7\u00f5es antigas de Bowie, em fases diversas. Por tr\u00e1s dos tel\u00f5es, \u00e9 poss\u00edvel ver as silhuetas de alguns de seus figurinos de cada \u00e9poca, quase como se ele estivesse l\u00e1. \u00c9 de chorar. Porque, no fim, \u00e9 a isso que se resume a m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Carol Nogueira (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/carolnogueira\" target=\"_blank\">@carolnogueira<\/a>) e escreve sobre m\u00fasica, cinema e cultura pop na <a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/\" target=\"_blank\">Veja Online<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/gH7dMBcg-gE\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/gH7dMBcg-gE\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/S4R8HTIgHUU\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/S4R8HTIgHUU\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/F2nJHVNTHNw\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/F2nJHVNTHNw\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Semanalmente teremos um convidado no Scream &amp; Yell escrevendo sobre o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/discodoano\/\" target=\"_blank\">disco do ano<\/a><\/em><\/p>\n<p><strong>Especial Melhores de 2013:<\/strong><br \/>\n&#8211; Disco do Ano #1: \u201cFade\u201d, do Yo La Tengo, por Cristiano Castilho (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/07\/24\/disco-do-ano-cristiano-castilho\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Disco do Ano #2: \u201cRandom Access Memories\u201d, do Daft Punk, por Rodrigo Levino (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/07\/31\/disco-do-ano-rodrigo-levino\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Disco do Ano #3: \u201c\u2026Like Clockwork\u201d, do QOTSA, por Mariana Tramontina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/07\/disco-do-ano-mariana-tramontina\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Disco do Ano #4: \u201cShaking the Habitual\u201d, do The Knife, por Tiago Ferreira (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/14\/disco-do-ano-tiago-ferreira\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Disco do Ano #6: \u201cNocturama\u201d, de Nick Cave &amp; The Bad Seeds, por Gabriel Innocentini (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/23\/disco-do-ano-gabriel-innocentini\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Disco do Ano #7: \u201cDream River\u201d, de Bill Callahan, por Jo\u00e3o Vitor Medeiros (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/22\/disco-do-ano-joao-vitor-medeiros\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Disco do Ano #8: &#8220;Foi No M\u00eas Que Vem&#8221;, de Vitor Ramil, por Thiago Pereira (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/29\/disco-do-ano-thiago-pereira\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Disco do Ano #9: &#8220;Tooth &amp; Nail&#8221;, de Billy Bragg, por Giancarlo Rufatto (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/06\/disco-do-ano-giancarlo-rufatto\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Disco do Ano #10: \u201c13?, do Black Sabbath, por Marcos Bragatto (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/13\/disco-do-ano-marcos-bragatto\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Disco do Ano #11: &#8220;Estado de Nuvem&#8221;, de Bruno Souto, por Jos\u00e9 Fl\u00e1vio J\u00fanior (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/25\/disco-do-ano-jose-flavio-junior\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;O trunfo de David Bowie foi conseguir construir algo que realmente emociona&#8221;, diz Carol Nogueira, que escreve sobre m\u00fasica, cinema e cultura pop na Veja Online\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/29\/disco-do-ano-carol-nogueira\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[133,54,732],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19685"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19685"}],"version-history":[{"count":19,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19685\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21865,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19685\/revisions\/21865"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19685"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19685"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19685"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}