{"id":19653,"date":"2013-08-27T22:28:21","date_gmt":"2013-08-28T01:28:21","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=19653"},"modified":"2013-09-14T22:50:23","modified_gmt":"2013-09-15T01:50:23","slug":"cinema-flores-raras-bruno-barreto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/27\/cinema-flores-raras-bruno-barreto\/","title":{"rendered":"Cinema: Flores Raras, Bruno Barreto"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19654\" title=\"flores\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/flores.jpg\" alt=\"\" width=\"248\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/flores.jpg 248w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/flores-203x300.jpg 203w\" sizes=\"(max-width: 248px) 100vw, 248px\" \/><strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFlores Raras\u201d, 19\u00ba longa-metragem de Bruno Barreto, \u00e9 daqueles filmes que alguns v\u00e3o odiar admirar. Primeiro porque tem o padr\u00e3o Globo de cinema zona de conforto, ainda que a trama seja sobre o romance entre duas mulheres. Segundo porque Bruno Barreto, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por \u201cO Que \u00e9 Isso, Companheiro?\u201d (1997) e respons\u00e1vel pela maior bilheteria da hist\u00f3ria do cinema no Brasil, aproximadamente 12 milh\u00f5es de espectadores com \u201cDona Flor e Seus Dois Maridos\u201d (1976), n\u00e3o inspira confian\u00e7a cinematogr\u00e1fica (hoje em dia, muito pelo contr\u00e1rio).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, \u201cFlores Raras\u201d tem m\u00e9ritos. Esque\u00e7a a dire\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica, por vezes senil, de Barreto, que insiste em planos \u00f3bvios (em \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/14\/cinema-amor-pleno-terrence-malick\/\">Amor Pleno<\/a>\u201d, Terrence Malick mostra que \u00e9 poss\u00edvel filmar em um cart\u00e3o postal \u2013 no caso, Paris \u2013 sem ser dolorosamente \u00f3bvio) e concentre-se no roteiro (escrito a seis m\u00e3os: Carolina Kotscho, Julie Sayres \u2013 parceira de Barreto em outros filmes internacionais \u2013 e Matthew Chapman), que mesmo sem ser brilhante ou engenhoso, consegue criar uma atmosfera e dar material para que duas grandes atrizes brilhem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se h\u00e1 algo para ser admirado em \u201cFlores Raras\u201d, Gl\u00f3ria Pires e Miranda Otto merecem cr\u00e9dito, pois s\u00e3o elas que conseguem fazer com que o filme respire. Gl\u00f3ria assume o papel da decidida Lota de Macedo Soares, uma mulher forte, autorit\u00e1ria, que divide a cama com outra mulher no Rio de Janeiro dos anos 50 (a norte-americana Mary \u2013 Tracy Middendorf) assim como o ma\u00e7o de cigarros com os trabalhadores da obra que comanda em sua casa, em Petr\u00f3polis \u2013 mesmo sem ter frequentado universidade, Lota foi reconhecida como arquiteta autodidata e paisagista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao menos \u00e9 isso que o roteiro busca mostrar nos primeiros minutos do filme, enquanto outra hist\u00f3ria paralela se desenvolve: a chegada ao Brasil da poetisa norte-americana Elizabeth Bishop (Miranda Otto), que, amiga de Mary na faculdade em Nova York, se instala na casa de Lota e, em poucas horas, v\u00ea seu universo melanc\u00f3lico desabar frente ao jeitinho carinhoso do povo brasileiro, que abra\u00e7a, beija, pede poema na mesa do almo\u00e7o e fica constrangido se n\u00e3o \u00e9 atendido, painel batido, ainda que interessante, de um drama de costumes. Bishop chegou para passar duas semanas, e ficou 17 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19655\" title=\"flores2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/flores2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/flores2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/flores2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste pequeno fragmento de choque cultural (usado para refor\u00e7ar a disparidade da personalidade das duas mo\u00e7as) que reside boa parte do m\u00e9rito de \u201cFlores Raras\u201d: em uma cena, a poetisa recebe vinis de jazz e blues (Miles Davis em destaque) e abandona a bossa nova que, em per\u00edodo pr\u00e9-Golpe Militar, j\u00e1 n\u00e3o a representava tanto quanto n\u00e3o representava o pa\u00eds. Em outro momento questiona como algu\u00e9m pode ficar feliz ap\u00f3s um Golpe Militar: \u201cQuando Kennedy foi assassinato, n\u00f3s (o povo norte-americano) sofremos. Voc\u00eas tiveram um Golpe Militar, que lhes tirou a liberdade, e foram jogar futebol na praia. Eu vi da janela\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o dois momentos reluzentes em um filme bonitinho e ordin\u00e1rio, que coloca palet\u00f3 e gravata em um intenso relacionamento amoroso entre duas personalidades emblem\u00e1ticas. Em certo momento da trama, a fr\u00e1gil Bishop se apaga frente \u00e0 decidida Lota. Enquanto a poetisa enxuga garrafas de u\u00edsque, e escreve \u201cNorth &amp; South \u2014 A Cold Spring\u201d, livro com o qual seria agraciada com o pr\u00eamio Pulitzer, a arquiteta se envolve em um grande empreendimento, o projeto do Parque do Flamengo, que o roteiro mais confunde que explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia de se criar um grande parque na \u00e1rea do aterro do Flamengo \u00e9 atribu\u00edda \u00e0 Lota, amiga de Carlos Lacerda, antes mesmo de ele ser eleito governador do estado da Guanabara, mas o projeto paisag\u00edstico \u00e9 de um dos maiores nomes que j\u00e1 pisou a terra desta Rep\u00fablica cheia de \u00e1rvores e gente dizendo adeus, Roberto Burle Marx. O espectador desavisado  sair\u00e1 da sala de cinema acreditando que Lota \u00e9 a \u00fanica respons\u00e1vel pelo parque, tremendo desservi\u00e7o cultural a t\u00edtulo de dar mais \u00eanfase ao personagem de Gl\u00f3ria Pires, um pecado imperdo\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande sorte do roteiro \u00e9 que uma das duas personalidades flagradas no filme escreveu alguns dos melhores textos de todos os tempos em l\u00edngua inglesa, e \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o se emocionar ao ouvi-los na sala de cinema tanto quanto n\u00e3o se surpreender com o desfecho tr\u00e1gico do romance. Em seu quinto filme em l\u00edngua inglesa, Bruno Barreto consegue algo que tentou (e n\u00e3o conseguiu) em \u201cBossa Nova\u201d, de 2000: fazer cinema hollywoodiano no Brasil. \u201cFlores Raras\u201d tem todos os cacoetes do cinem\u00e3o norte-americano, para o bem e para o mal, e, apesar de seus deslizes, merece aten\u00e7\u00e3o por chocar duas personalidades interessant\u00edssimas. Est\u00e1 longe de ser o melhor filme do ano, mas \u00e9 digno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/dJIQWEKDT74\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/dJIQWEKDT74\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a><strong><\/strong><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Terrence Malick aposta demasiadamente na subjetividade em &#8220;Amor Pleno&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/14\/cinema-amor-pleno-terrence-malick\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nApesar de todos os cacoetes do cinem\u00e3o norte-americano, para o bem e para o mal, &#8220;Flores Raras&#8221; merece aten\u00e7\u00e3o\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/27\/cinema-flores-raras-bruno-barreto\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[128,733,129],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19653"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19653"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19653\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19657,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19653\/revisions\/19657"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19653"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19653"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19653"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}