{"id":19621,"date":"2013-08-26T23:08:55","date_gmt":"2013-08-27T02:08:55","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=19621"},"modified":"2015-03-25T03:14:46","modified_gmt":"2015-03-25T06:14:46","slug":"entrevista-luiz-valente-vinyl-land","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/26\/entrevista-luiz-valente-vinyl-land\/","title":{"rendered":"Entrevista: Luiz Valente, Vinyl Land"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19622\" title=\"vinil1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/vinil1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"605\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/vinil1.jpg 612w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/vinil1-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/vinil1-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s ter sido considerado morto e at\u00e9 enterrado por alguns, principalmente entre o final dos anos 90 e a metade dos anos 00 no Brasil, o disco de vinil renasce retomando a paix\u00e3o dos consumidores de m\u00fasica, que nos \u00faltimos cinco anos voltaram a se dedicar ao bolach\u00e3o. Alguns, como o DJ mineiro Luiz Valente, foram al\u00e9m: como ele n\u00e3o encontrava em vinil as coisas que gostava, decidiu ele mesmo montar um selo e lan\u00e7ar os discos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim nascia em 2008 a Vinyl Land (<a href=\"http:\/\/www.vinyllandrecords.com\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.vinyllandrecords.com\/<\/a>), com sede baseada em Londres, e que j\u00e1 contabiliza cerca de 25 lan\u00e7amentos em vinil, entre compactos e \u00e1lbuns de 12 polegadas de gente como Tulipa Ruiz (\u201cEf\u00eamera\u201d), Karina Buhr (\u201cEu Menti Pra Voc\u00ea\u201d), Do Amor (o primeiro \u00e1lbum hom\u00f4nimo), Curumin (\u201cArocha\u201d), Fl\u00e1vio Renegado (\u201cMinha Tribo \u00e9 o Mundo\u201d), L\u00ea Almeida (\u201cMono Ma\u00e7\u00e3\u201d) e Apanhador S\u00f3 (\u201cParaquedas\u201d), entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apaixonado por m\u00fasica, Luiz Valente acompanha de perto a nova cena musical mineira, e foi dessa proximidade que surgiu \u201cCollectors Choice BH 2013\u201d, colet\u00e2nea dupla em vinil 180 polegadas que re\u00fane 21 novos nomes e radiografa com perfei\u00e7\u00e3o o excelente momento musical do Estado, de Transmissor a Iconili, de Constantina a Pequena Morte, de Graveola ao coletivo Fam\u00edlia de Rua, de Fl\u00e1vio Renegado a Dead Lovers Twisted Heart, e muitos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a m\u00fasica\u201d, avisa Luiz em entrevista ao Scream &amp; Yell. \u201cTem toda uma hist\u00f3ria acontecendo em BH, que a gente fica torcendo para que o resto do Brasil descubra\u201d. Ele cita o epis\u00f3dio da Praia da Esta\u00e7\u00e3o (<a href=\"http:\/\/pracalivrebh.wordpress.com\/2012\/03\/06\/praia-da-estacao-numa-esquina-da-piaui_66\/\" target=\"_blank\">vale muito ler esse texto,<\/a> de Nunno Mana), se anima com o ressurgimento do carnaval na cidade (<a href=\"http:\/\/variavel5.com.br\/blog\/caps-lock-carnaval\/\" target=\"_blank\">outro texto que merece ser lido<\/a>, de Guto Borges) enquanto faz planos de gastar o dinheiro que est\u00e1 conseguindo com os discos que vende no lan\u00e7amento de muitos outros discos. Abaixo, o bate papo na integra.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"450\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/playlists\/6827001&amp;color=ff5500&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Vinyl Land est\u00e1 lan\u00e7ando uma colet\u00e2nea em vinil com bandas mineiras. Voc\u00ea acompanha a cena?<\/strong><br \/>\nSim, sim! Sou de Juiz de Fora, mas moro em Belo Horizonte h\u00e1 muito tempo, e me sinto completamente ligado a esta gera\u00e7\u00e3o (de bandas mineiras) \u2013 desde o in\u00edcio do selo. Cinco anos atr\u00e1s, um dos primeiros lan\u00e7amentos da Vinyl Land foi o Dead Lover&#8217;s Twisted Heart, um compacto branco. Saiu junto com um compacto dos Autoramas. Era uma edi\u00e7\u00e3o bem limitada, de 200 c\u00f3pias. Depois chegamos a lan\u00e7ar Graveola, Fl\u00e1vio Renegado e Zymun, e est\u00e1 pra sair agora um vinil do Pequena Morte. Quero lan\u00e7ar um do Transmissor, mas ainda n\u00e3o rolou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como surgiu a ideia de registrar essa cena em vinil?<\/strong><br \/>\nDesde o inicio do selo tenho essa ideia de fazer uma colet\u00e2nea porque, para DJ e colecionador, \u00e9 um material sempre legal, um trunfo, porque voc\u00ea separa o disco e j\u00e1 tem um monte de coisa legal para discotecar. \u00c9 um recorte interessante. Claro, \u00e9 um pouco dif\u00edcil lan\u00e7ar porque \u00e9 preciso fazer contato com todas as bandas e raciocinar o corte para que n\u00e3o fique uma coisa muito dispare. \u00c9 um trampo. A primeira \u201cCollectors Choice\u201d que fiz foi a do Lucas Sant\u2019Anna, com m\u00fasicas retiradas dos quatro primeiros discos dele. Mantivemos o nome \u201cCollectors Choice\u201d agora porque tem essa pegada, \u00e9 algo para colecionador mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi o processo para chegar nessas 21 bandas, 21 m\u00fasicas?<\/strong><br \/>\nA ideia era ter 20 m\u00fasicas, mas consegui fazer uma m\u00e1gica de matem\u00e1tica trocando faixas de lado para aproveitar o espa\u00e7o de 20 minutos do vinil, e encaixar mais uma, que \u00e9 o MC Buru com a m\u00fasica \u201cPaz Pros Camel\u00f4s\u201d, que tem a participa\u00e7\u00e3o de uma galera \u2013 MC Yuri BH, MC Dodo, B\u00f3 De Catarina, v\u00e1rios DJs \u2013 e \u00e9 um funk de protesto que tem a ver com a hist\u00f3ria da movimenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica (que vem acontecendo em Belo Horizonte nos \u00faltimos anos), a Praia da Esta\u00e7\u00e3o, todo um contexto interessante. Al\u00e9m que \u00e9 importante mostrar algo al\u00e9m das bandas indies e alternativas, e escolhi o funk, o rap e o hip hop. Por exemplo, o Yuri BH, que \u00e9 um menino de 15 anos, \u00e9 um fen\u00f4meno no Youtube. Ele tem v\u00eddeos com mais de 5 milh\u00f5es de exibi\u00e7\u00f5es. \u00c9 uma cena muito maior do que a gente imagina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o, de certa forma, foi simples fechar as 21 m\u00fasicas?<\/strong><br \/>\nEm muitos casos foi mais dif\u00edcil escolher a m\u00fasica do que a banda. Costumo dizer que as primeiras 12 ou mesmo 15 foram f\u00e1ceis, porque s\u00e3o coisas que eu n\u00e3o podia deixar de fora, s\u00e3o m\u00fasicas que gosto, que eu ouvia h\u00e1 algum tempo. J\u00e1 as demais foram sendo encaixadas em torno desse primeiro recorte. Ent\u00e3o, algumas coisas que eram um pouco anteriores a essa gera\u00e7\u00e3o, acabaram ficando de fora. Da mesma forma, coisas muito novas, que chegaram para mim quando eu estava fazendo a sele\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00e3o entraram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 praticamente um mapeamento 2012\/2013&#8230;<\/strong><br \/>\nIsso. Acho que a mais antiga \u00e9 \u201cMeu Canto\u201d, do Fl\u00e1vio Renegado (que \u00e9 de 2008), porque como eu j\u00e1 tinha lan\u00e7ado o segundo LP dele, \u201cMinha Tribo \u00e9 o Mundo\u201d, escolhi uma m\u00fasica do primeiro disco. H\u00e1 essa regra oculta (risos) de n\u00e3o repetir lan\u00e7amentos, afinal, o espa\u00e7o no vinil \u00e9 t\u00e3o limitado que se \u00e9 pra colocar, que seja coisa in\u00e9dita (no formato).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De quanto costumam ser suas tiragens?<\/strong><br \/>\nNormalmente \u00e9 de 500 c\u00f3pias \u2013 e eu nunca reprensei nada, e a ideia \u00e9 n\u00e3o reprensar t\u00e3o cedo, caminhar pra frente. Esse \u201cCollectors Choice BH 2013\u201d tem uma tiragem especial de 1000 c\u00f3pias. \u00c9 um vinil duplo de 180 gramas, com capa gatefold (que se abre como um livro). Tivemos apoio da Lei de Incentivo da Cultura Municipal&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea n\u00e3o costuma prensar os vinis no Brasil, certo?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Esse \u201cCollectors Choice BH 2013\u201d foi o primeiro que fiz no Brasil porque o selo Vinyl Land \u00e9 baseado em Londres, os discos (fora esse feito aqui) est\u00e3o l\u00e1, no estoque. Algumas pessoas n\u00e3o entendem porque s\u00e3o duas lojas (<a href=\"http:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/pt\" target=\"_blank\">Brasil<\/a> e <a href=\"http:\/\/shopuk.vinyllandrecords.com\/pt\" target=\"_blank\">UK<\/a>), mas \u00e9 simples: a compra \u00e9 feita do mesmo jeito, chega pelo correio, normal, provavelmente pelo mesmo pre\u00e7o que seria pago no Brasil, mas os vinis v\u00eam da Europa. Por\u00e9m, como tive a oportunidade de ter o apoio da Lei de Incentivo para lan\u00e7ar esse \u201cCollectors Choice BH 2013\u201d, achei coerente que esse dinheiro ficasse no pa\u00eds, e tamb\u00e9m quis apoiar a Polysom. A f\u00e1brica est\u00e1 l\u00e1, pra gente usar, e eles j\u00e1 est\u00e3o com uma qualidade muito boa. Gostei demais do trabalho. O investimento para se fazer um disco no Brasil \u00e9 um pouquinho mais caro. Se a gente comparar o valor por c\u00f3pia, a diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande assim, mas a quantidade m\u00ednima faz com que a paulada inicial seja grande. Eu, como selo, fiz a op\u00e7\u00e3o nestes cinco anos de lan\u00e7ar mais discos em menores quantidades. Querendo ou n\u00e3o, o retorno acaba sendo mais lento, afinal os discos est\u00e3o na Europa e isso faz com que eles sejam mais dif\u00edceis de vender. Esse \u201cCollectors Choice BH 2013\u201d \u2013 <a href=\"http:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/pt\/products-page-2\/vinyl\/12-inch-lp\/collectors-choice-bh-2013\/\" target=\"_blank\">que est\u00e1 sendo vendido na loja brasileira da Vinyl Land<\/a> \u2013 faz com que a gente comece a cogitar (fazer mais coisas aqui no Brasil). S\u00f3 tem a Polysom, e eles s\u00e3o a \u00fanica f\u00e1brica da Am\u00e9rica do Sul. \u00c9 preciso buscar algum jeito de conseguir uma isen\u00e7\u00e3o especial para eles, quase um subsidio, para que isso facilite o pre\u00e7o, afinal eles tem concorr\u00eancia de fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19627\" title=\"vinil3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/vinil3.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"390\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/vinil3.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/vinil3-300x193.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 pensou em um Volume 2 desta Collectors Choice BH?<\/strong><br \/>\nDaria para fazer agora outra colet\u00e2nea com outras 20 bandas tranquilamente, s\u00f3 com m\u00fasica de boa qualidade, mas estou pensando em produzir uma colet\u00e2nea mais tem\u00e1tica, apenas com marchinhas de carnaval de Belo Horizonte. Minha ideia \u00e9 registrar esse momento de revival, isso que vem acontecendo dos \u00faltimos tr\u00eas anos pra c\u00e1, um movimento espont\u00e2neo que traz v\u00e1rias reflex\u00f5es. Algo semelhante ao \u201cCollectors Choice BH 2013\u201d. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a m\u00fasica, sabe. Tem toda uma hist\u00f3ria acontecendo em BH, que a gente fica torcendo para que o resto do Brasil descubra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Carnaval de blocos em S\u00e3o Paulo foi muito bacana neste ano, mas ainda assim n\u00e3o temos um campeonato de marchinhas como o que ocorre em Belo Horizonte&#8230;<\/strong><br \/>\nO Trof\u00e9u \u00e9 uma homenagem ao saudoso Mestre Jonas, sambista de Belo Horizonte falecido em 2011 que est\u00e1 representado na \u201cCollectors Choice BH 2013\u201d: a m\u00fasica \u201cSamba Mudo\u201d \u00e9 uma parceria do Tiago Delegado com o Mestre Jonas. Estou muito empolgado com BH.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E com o vinil, voc\u00ea est\u00e1 empolgado?<\/strong><br \/>\nDemais! A Vinyl Land est\u00e1 completando 5 anos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E no come\u00e7o voc\u00ea teve que desbravar&#8230;<\/strong><br \/>\nSim. A Polysom estava fechada na \u00e9poca, e teve aquela leva de compactos da Monstro Discos, que chegou ao mercado nesse hiato (entre 2002 e 2008). Comecei a Vinyl Land quando a Monstro parou. Lancei Dead Lover\u2019s, Autoramas, L\u00ea Almeida, Rock Rocket e Canastra. Depois vieram Graveola, Curumin, Lucas Sant\u2019Anna, Tulipa Ruiz&#8230; Estamos lan\u00e7ando agora o \u201cSintoniza L\u00e1\u201d, do B. Neg\u00e3o e os Seletores de Frequ\u00eancia. J\u00e1 s\u00e3o quase 25 discos no cat\u00e1logo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conhe\u00e7o lojistas que come\u00e7aram a trabalhar com m\u00fasica nos anos 80, e eles tinham vinil na loja. A coisa foi extinguindo at\u00e9 chegar um momento, no final dos anos 90, que era s\u00f3 CD. E at\u00e9 alguns anos atr\u00e1s era assim: voc\u00ea entrava numa loja e s\u00f3 tinha CD pra vender. Agora, 2013, muitas destas lojas n\u00e3o s\u00f3 voltaram a ter vinil, como tem mais vinil do que CD para vender&#8230;<\/strong><br \/>\nAcho que foi a ressaca causada pelo MP3, que acabou causando um movimento oposto formado por pessoas que valorizam o tempo, o sossego de chegar e colocar o vinil para tocar, olhar a capa&#8230; S\u00e3o pessoas que v\u00e3o a uma feirinha e, com R$ 50, compram tr\u00eas discos, e chegam a casa e v\u00e3o ouvir esses discos, n\u00e3o v\u00e3o fazer como com o MP3, que fica numa pasta esquecido. N\u00e3o v\u00e3o ouvir no meio do trabalho: essas pessoas criam um tempo para ouvir m\u00fasica. \u00c9 outra rela\u00e7\u00e3o. Claro, tamb\u00e9m h\u00e1 modismos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Guardian publicou uma reportagem em julho que, entre outras coisas, fazia uma compara\u00e7\u00e3o: no ano passado, a ind\u00fastria da m\u00fasica vendeu 12 milh\u00f5es de vinis, e esse n\u00famero vem quase todo das lojas pequenas. Porque a cada 250 vendas numa megastore, uma \u00e9 de vinil. Em lojas pequenas, a cada 7 vendas, uma \u00e9 de vinil. Pra mim, essa retomada tamb\u00e9m \u00e9 uma revaloriza\u00e7\u00e3o das pequenas lojas, da m\u00fasica como agregadora. A pessoa vai \u00e0 Feira de Vinis e fica l\u00e1 conversando. Tudo bem, n\u00e3o d\u00e1 para comparar o Brasil com o Reino Unido&#8230;<\/strong><br \/>\nA maneira como a ind\u00fastria brasileira acabou com as f\u00e1bricas de vinil foi muito cruel. Foi completamente intencional. Existiam v\u00e1rias f\u00e1bricas no Brasil com m\u00e1quinas de corte, m\u00e1quinas de prensa, e foi tudo sucateado de prop\u00f3sito. Pessoas dessa \u00e9poca contam v\u00e1rias hist\u00f3rias. Outro dia me contaram que teve gente (de gravadora) que jogou m\u00e1quina no mar! Isso sem contar \u00e0quelas pe\u00e7as que foram vendidas pelo pre\u00e7o do peso, para se livrar mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Visando impulsionar a fabrica\u00e7\u00e3o e prolifera\u00e7\u00e3o de CDs&#8230;<\/strong><br \/>\nPara que ningu\u00e9m usasse a tecnologia (e fizesse mais vinis)! Isso est\u00e1 acontecendo novamente, agora com a pel\u00edcula. Os projetores est\u00e3o sumindo! Voc\u00ea ouve falar de um cinema que agora est\u00e1 com projetor digital, e vai perguntar do outro projetor, o que aconteceu, e a pessoa n\u00e3o sabe dizer. Sumiu. Est\u00e3o sucateando tamb\u00e9m. Porque um projetor desses nas m\u00e3os do cara certo vira um cineclube, e tem gente que acha que \u00e9 concorr\u00eancia. No caso das f\u00e1bricas de vinil, eles queriam que a transi\u00e7\u00e3o para o CD fosse mais r\u00e1pida, e que o p\u00fablico come\u00e7asse a comprar tudo novamente. Ent\u00e3o se voc\u00ea tinha o \u201c\u00c1lbum Branco\u201d, dos Beatles, em vinil, ia ter que comprar novamente em CD.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>At\u00e9 porque os toca-discos pararam de ser fabricados! Havia muita gente que tinha o vinil, mas n\u00e3o podia ouvir, porque o aparelho quebrou, e era mais \u201cbarato\u201d comprar um aparelho de CD do que arrumar o toca-discos antigo.<\/strong><br \/>\nAconteceu em outros lugares do mundo tamb\u00e9m, mas n\u00e3o foi t\u00e3o cruel como aqui. As cenas dance e rap, por exemplo, nunca pararam de prensar vinil l\u00e1 fora. N\u00f3s, no entanto, perdemos o bonde da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas tem v\u00e1rios selos surgindo&#8230;<\/strong><br \/>\nDe dois anos para c\u00e1 a coisa melhorou muito. Tem muita gente lan\u00e7ando discos no Brasil, mas tamb\u00e9m h\u00e1 muita gente bobeando. O pessoal do M\u00f3veis Coloniais de Acaj\u00fa, por exemplo. Na banca deles tem chaveiro, camiseta, p\u00f4ster, CD, pendrive, mas n\u00e3o tem vinil. Se tivesse, eles venderiam f\u00e1cil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando ao \u201cCollectors Choice BH\u201d. Ser\u00e1 que rola uma vers\u00e3o 2014?<\/strong><br \/>\nSe dependesse de mim, eu fazia uma colet\u00e2nea por ano, todo ano. Mas \u00e9 preciso verba. No entanto, eu tenho vontade de fazer um \u201cCollectors Choice Brasil\u201d mesmo, um recorte da cena atual. H\u00e1 muita coisa boa. Gostei muito dos discos novos do Porcas Borboletas e do Gabriel Muzak. Queria lan\u00e7ar, por exemplo, um vinil do Wado! Ele j\u00e1 est\u00e1 no s\u00e9timo \u00e1lbum, \u00e9 talentoso, j\u00e1 cheguei a rascunhar uma colet\u00e2nea de can\u00e7\u00f5es dele, e teria que ser dupla para contemplar o melhor dos sete discos. Mas ficaria caro. (Trabalhar com discos no Brasil) \u00e9 uma coisa meio de guerrilha, e eu tor\u00e7o para que o cen\u00e1rio no Brasil melhore, seja sustent\u00e1vel, para que eu possa lan\u00e7ar cada vez mais discos. A ideia \u00e9 essa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19629\" title=\"vinil4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/vinil4.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"660\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/vinil4.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/vinil4-275x300.jpg 275w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p>&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Graveola: &#8220;Nascemos independentes e aut\u00f4nomos e assim morreremos&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/05\/entrevista-graveola-e-o-lixo-polifonico-2\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Destaques do Festival Sensacional 2013: o pr\u00e9-carnaval em Belo Horizonte (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/02\/05\/festival-sensacional-2013\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nRespons\u00e1vel pelo selo Vinyl Land, Luiz conta sobre o lan\u00e7amento da colet\u00e2nea \u201cCollectors Choice BH 2013\u201d e muito mais\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/26\/entrevista-luiz-valente-vinyl-land\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19621"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19621"}],"version-history":[{"count":21,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19621\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29900,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19621\/revisions\/29900"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19621"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19621"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19621"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}