{"id":19540,"date":"2013-08-16T12:59:25","date_gmt":"2013-08-16T15:59:25","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=19540"},"modified":"2017-08-16T00:50:51","modified_gmt":"2017-08-16T03:50:51","slug":"cinema-bling-ring-sofia-coppola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/16\/cinema-bling-ring-sofia-coppola\/","title":{"rendered":"Cinema: Bling Ring, Sofia Coppola"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19452\" title=\"blingring\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/blingring.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre 2008 e 2009, um grupo de jovens classe m\u00e9dia de cidades vizinhas a Los Angeles praticou uma s\u00e9rie de roubos incomuns: eles entravam na casa de famosos como Lindsay Lohan, Paris Hilton e Orlando Bloom para roubar&#8230; roupas. N\u00e3o roupas comuns, mas pe\u00e7as de grifes famosas que os artistas desfilavam em premia\u00e7\u00f5es e festas ao redor do mundo. Al\u00e9m de assaltar o closet dos famosos, a trupe juvenil levou rel\u00f3gios Rolex, bolsas Louis Vuitton, perfumes Chanel, joias, quadros e dinheiro causando um preju\u00edzo de cerca de 3 milh\u00f5es de d\u00f3lares nas contas de seus \u00eddolos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escalada para cobrir o caso para a revista Vanity Fair, a jornalista Nancy Jo Sales se viu frente a um estranho e cada vez mais recorrente fen\u00f4meno de obsess\u00e3o com a celebridade. Jovens n\u00e3o querem apenas admirar \u00eddolos, eles querem \u201cser\u201d iguais aos \u00eddolos. Conhecida como \u201cBling Ring\u201d, a gangue de Hollywood que assaltava famosos rendeu a reportagem \u201cOs Suspeitos Usavam Louboutin\u201d, que a diretora Sofia Coppola leu quando estava em um voo, e se empolgou em levar a hist\u00f3ria para o cinema \u2013 na sequencia, a reportagem virou livro (rec\u00e9m-lan\u00e7ado no Brasil pela Intrinseca).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro, Nancy Jo Sales tenta entender o que motivara sete jovens a assaltarem famosos, e acaba realizando um sensacional estudo de \u00e9poca. &#8220;Ap\u00f3s hippies e punks, nos anos 80 e 90, a cultura jovem n\u00e3o estava desafiando o status quo. Os jovens n\u00e3o queriam mudar o sistema \u2013 eles queriam dominar o sistema. Eles queriam dinheiro&#8221;, aposta a jornalista em determinado trecho. E queriam da maneira mais f\u00e1cil poss\u00edvel, que, por conseguinte, tamb\u00e9m lhes trouxesse fama (n\u00e3o \u00e0 toa, o grupo divulgava seus feitos para amigos no Facebook) &#8211; como se a sequencia de assaltos fosse um reality-show transmitido pela TV a cabo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19453\" title=\"sofia1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/sofia1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"402\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/sofia1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/sofia1-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPor que a reportagem interessou tanto a Sofia Coppola?\u201d, se perguntava a jornalista. Jo Sales reviu os filmes da filha de Francis e identificou temas paralelos como a arrog\u00e2ncia dos jovens ricos e o vazio que cerca a fama. Sofia sempre esteve tateando estes temas: \u201cAs Virgens Suicidas\u201d (1999) \u00e9 sobre o vazio de irm\u00e3s que se suicidam e ficam \u201cfamosas no bairro\u201d; \u201cEncontros e Desencontros\u201d (2003) \u00e9 sobre a superexposi\u00e7\u00e3o de Hollywood e a sensa\u00e7\u00e3o de vazio que surge disso; \u201cMaria Antonieta\u201d (2006), apesar de ser quase uma estrela do rock em seu tempo, tem uma vida vazia em um castelo enquanto \u201cUm Lugar Qualquer\u201d (2010) \u00e9 o mais direto sobre o tema: em todos eles, fama e vazio s\u00e3o objeto de estudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isso est\u00e1, de alguma forma, pontuado em \u201cBling Ring, A Gangue de Hollywood\u201d, quinto filme de Sofia Coppola. Por\u00e9m, se o livro \u00e9 o retrato de uma extensa pesquisa anal\u00edtica que busca entender a juventude do s\u00e9culo XXI enquanto a questiona, o filme tem tom acusat\u00f3rio. Sofia Coppola, de dedo em riste, parece ter montado \u201cBling Ring, A gangue de Hollywood\u201d, fotograma a fotograma, com a inten\u00e7\u00e3o de mostrar o qu\u00e3o rid\u00edculo s\u00e3o os atos praticados pelos jovens assaltantes interpretados por Emma Watson, Israel Broussard, Katie Chang, Taissa Farmiga e Claire Julian (e eles mesmos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cBling Ring, A Gangue de Hollywood\u201d soa como o \u201cGoodfellas\u201d (1990) do novo s\u00e9culo (para o bem e para o mal). Os dois filmes tratam de adolescentes em busca de fama, da vida f\u00e1cil, da fuga da escola e do mercado de trabalho. Neles, as gangues come\u00e7am a usar drogas e querem mais e mais (a turma de Hollywood entrou na casa de Paris Hilton cinco vezes), e trope\u00e7am exatamente no n\u00e3o saber parar. Por\u00e9m, e Jo Sales filosofa no livro, a quest\u00e3o n\u00e3o era parar, mas ser pego e se transformar em not\u00edcia, ser objeto de culto dos mesmos ve\u00edculos (sites e revistas) que falavam de famosos. E, ent\u00e3o, montar um grife, ou um reality show (o que, de certa forma, traz paralelo com outro grande filme de Scorsese, \u201cO Rei da Com\u00e9dia\u201d, de 1983).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19461\" title=\"sofia3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/sofia3.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/sofia3.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/sofia3-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A diferen\u00e7a b\u00e1sica entre \u201cGoodfellas\u201d e \u201cBling Ring, A Gangue de Hollywood\u201d \u00e9 que Martin Scorsese, saudoso de seus primeiros anos em Little Italy, desenha a m\u00e1fia com tamanho humor e camaradagem que, antes mesmo da metade da pel\u00edcula, o espectador deseja ser um mafioso \u2013 desejo que o trecho final do filme n\u00e3o diminui. Sofia Coppola, por sua vez, opta em criticar o que v\u00ea, e a escolha deixa seu filme arrastado, denso, incomodo. Ela n\u00e3o quer que o espectador admire os jovens que v\u00ea na tela. Ela n\u00e3o quer fazer o espectador rir (Scorsese, por sua vez, consegue isso at\u00e9 quando um dos personagens atira no p\u00e9 de outro).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partindo deste pressuposto, \u201cBling Ring, A Gangue de Hollywood\u201d \u00e9 um filme importante que dever\u00e1 soar como um balde de \u00e1gua fria tanto para a quantidade de jovens admiradores de moda e comportamento (que, inclusive, marcaram grande presen\u00e7a nas sess\u00f5es fechadas para imprensa) quanto para f\u00e3s da estrela da saga Harry Potter, Emma Watson, que ir\u00e3o ao cinema esperando ver seus anti-her\u00f3is vestidos com as melhores roupas que a falta de dinheiro, \u00e9tica e no\u00e7\u00e3o de valores pode roubar e dever\u00e3o deixar a sala se sentindo t\u00e3o culpados quanto os suspeitos que usavam Louboutin.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Retrato de uma \u00e9poca confusa, \u201cBling Ring, A Gangue de Hollywood\u201d \u00e9 tanto uma com\u00e9dia tr\u00e1gica quanto um manifesto. Em certo momento, Nicki (Emma Watson) diz a uma rep\u00f3rter que n\u00e3o participou dos crimes para, na cena seguinte, ser mostrada em um quarto com os amigos gritando: \u201cEu quero roubar\u201d. O personagem de sua m\u00e3e (Leslie Mann), uma massagista que educa as filhas em casa seguindo o m\u00e9todo do best-seller de autoajuda \u201cO Segredo\u201d, \u00e9 t\u00e3o engra\u00e7ado quanto rid\u00edculo. Na m\u00e3o de outro diretor, a hist\u00f3ria dos jovens assaltantes poderia render um filme acelerado e politicamente incorreto (tal qual \u201cTrainspotting\u201d), mas Sofia optou por ser ferozmente cr\u00edtica. Merece aplausos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Y-z7wuyrIzM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n&#8211; Trilha de \u201cEncontros e Desencontros\u201d \u00e9 rock\u2019n roll, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/musica.terra.com.br\/interna\/0,,OI261514-EI1267,00.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cMaria Antonieta\u201d: os franceses sabem que a Hist\u00f3ria \u00e9 diferente, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/cinemadois\/maria_antonieta.htm\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cUm Lugar Qualquer\u201d: Um filme 90% \u00f3timo \u00e9 bom ou ruim?, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/01\/31\/um-lugar-qualquer-sofia-coppola\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;As Virgens Su\u00edcidas&#8221;: para (Tentar) Entender as Mulheres, por Hugo (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/cinema\/virgens.html\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quinto filme de Sofia Coppola soa como o \u201cGoodfellas\u201d do novo s\u00e9culo (para o bem e para o mal). 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