{"id":195,"date":"2008-08-26T00:18:19","date_gmt":"2008-08-26T02:18:19","guid":{"rendered":"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/2008\/08\/26\/disco-da-semana-jukebox-cat-power\/"},"modified":"2023-11-24T02:06:27","modified_gmt":"2023-11-24T05:06:27","slug":"disco-da-semana-jukebox-cat-power","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/08\/26\/disco-da-semana-jukebox-cat-power\/","title":{"rendered":"&#8220;Jukebox&#8221;: Cat Power precisou parar de beber para fazer m\u00fasica para b\u00eabados"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-33214  aligncenter\" title=\"catpower\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/catpower.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">por Marcelo Costa<\/span><\/strong><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Jukebox&#8221;, oitavo \u00e1lbum da carreira de Chan Marshall, chegou \u00e0s lojas no final de janeiro deste ano, mas n\u00e3o chamou a minha aten\u00e7\u00e3o. O segundo \u00e1lbum de covers da cantora &#8211; o primeiro, &#8220;The Covers Record&#8221;, foi lan\u00e7ado em 2000 &#8211; veio na esteira da beleza de &#8220;The Greatest&#8221;, de 2006, e por alguma conjun\u00e7\u00e3o c\u00f3smica passou pelo meu MP3 Player voando. Em Londres reencontrei o \u00e1lbum com capinha metalizada semelhante a dos vinis e um CD extra com cinco faixas b\u00f4nus. Foi ouvir novamente e? me apaixonei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tento rememorar os sentimentos de janeiro, mas poucas coisas daquelas audi\u00e7\u00f5es retornam a minha mem\u00f3ria castigada por aventuras e desventuras. Lembro que o disco soava calmo e elegante no come\u00e7o, momento em que Cat Power usava para ninar seu ouvinte preparando-o para o final, mais denso. N\u00e3o sei o que foi que me afastou do \u00e1lbum naquele per\u00edodo, mas devemos sempre testar o limite de nossas primeiras impress\u00f5es, para o bem e para o mal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A constru\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio de &#8220;Jukebox&#8221; lembra muito o de &#8220;The Covers Record&#8221;: nos dois discos temos can\u00e7\u00f5es de Bob Dylan (&#8220;Paths of Victory&#8221; em um, &#8220;I Believe in You&#8221; em outro), cl\u00e1ssicos incontestes em vers\u00f5es deliciosamente pessoais (&#8220;(I Can&#8217;t Get No) Satisfaction&#8221;, dos Stones em um; &#8220;New York, New York&#8221;, famosa com Frank Sinatra e Liza Minelli em outro) ou mesmo revis\u00f5es pr\u00f3prias (&#8220;In This Hole&#8221;, do \u00e1lbum &#8220;What Would the Community Think?&#8221; em um; &#8220;Metal Heart&#8221;, do &#8220;Moon Pix&#8221;, em outro).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, se o modo de escolher o repert\u00f3rio atrai semelhan\u00e7as, a forma com que Chan Marshall recria as can\u00e7\u00f5es \u00e9 totalmente diferente. Se &#8220;The Covers Record&#8221; era um trabalho mais intimista, centrado no viol\u00e3o da cantora, &#8220;Jukebox&#8221; \u00e9 um trabalho conjunto entre artista e banda, no caso a The Dirty Delta Blues Band (quarteto acrescido de mais cinco nomes em est\u00fadio), grupo que a acompanha desde as grava\u00e7\u00f5es de &#8220;The Greatest&#8221;, em Memphis, em 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A diferen\u00e7a do modus operandi faz com que o apelo indie dos primeiros \u00e1lbuns desapare\u00e7a cedendo lugar a uma sonoridade classuda que transpira charme, eleg\u00e2ncia, suingue e romance. &#8220;New York, New York&#8221;, &#8220;Lost Someome&#8221; (James Brown), &#8220;Aretha, Sing One for Me&#8221; (George Jackson), &#8220;Ramblin&#8217; (Wo)Man&#8221; (Hank Williams) e mesmo o blues tradicional &#8220;Lord, Help The Poor and Needy&#8221; s\u00e3o convites a dan\u00e7a (com uma pessoa qualquer, com o ar ou uma ta\u00e7a de seu alco\u00f3lico predileto).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Interessante: Cat Power precisou parar de beber para fazer m\u00fasica para b\u00eabados (de amor, desamor ou \u00e1lcool, quando n\u00e3o os tr\u00eas ao mesmo tempo). A cantora abandonou os palcos em 2006 com depress\u00e3o profunda e tend\u00eancias suicidas devido ao uso excessivo de narc\u00f3ticos e alco\u00f3licos. Retornou &#8220;limpa&#8221; e recuperada (ap\u00f3s rehab, psiquiatria e doses homeop\u00e1ticas de Billie Holiday e Joni Mitchell) com &#8220;The Greatest&#8221;, de longe seu melhor \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse lado lamacento tamb\u00e9m marca presen\u00e7a em &#8220;Jukebox&#8221; rendendo momentos memor\u00e1veis como a arrasadora &#8220;Metal Heart&#8221;, que faz a vers\u00e3o anterior soar como demotape; &#8220;Don&#8217;t Explain&#8221; (Billie Holiday), com um piano que parece querer cutucar feridas; como o clima country de &#8220;A Woman Left Lonely&#8221;, de Spooner Oldham que, inclusive, toca piano e \u00f3rg\u00e3o na can\u00e7\u00e3o que ficou famosa na voz de Janis Joplin; como o blues &#8220;Silver Stallion&#8221; (Lee Clayton) ou a densa vers\u00e3o de &#8220;Blue&#8221;, de Joni Mitchell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bob Dylan \u00e9 homenageado em dose dupla: com uma revis\u00e3o de &#8220;I Believe In You&#8221;, do \u00e1lbum &#8220;Slow Train Coming&#8221;, que surge amparada por uma guitarra limpa e marcante que contagia; e com &#8220;Song To Bobby&#8221;, \u00fanica faixa in\u00e9dita do disco, uma declara\u00e7\u00e3o de amor recheada de frases como &#8220;Eu tinha um passe para o camarim em minhas m\u00e3os \/ Te dar o meu cora\u00e7\u00e3o era o meu plano&#8221; ou &#8220;Minha chance \/ No meio do est\u00e1dio em Paris, Fran\u00e7a \/ Eu posso finalmente te pedir \/ Para voc\u00ea ser o meu homem \/ Abril em Paris, eu posso te ver? \/ Por favor, voc\u00ea pode ser meu homem?&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No disco b\u00f4nus, mais cinco vers\u00f5es: &#8220;I Feel&#8221;, do grupo de hip hop Hot Boys, surge densa ao piano; &#8220;Naked, If I Want To&#8221; (Jerry Miller ), aparece numa roupagem muito mais roqueira que a presente no \u00e1lbum &#8220;The Covers Record&#8221;; &#8220;Breathless&#8221;, de Nick Cave, ganha um caminhar blues com um guitarrinha apitando nos cinco belos minutos da can\u00e7\u00e3o; &#8220;Angelitos Negros&#8221;, famosa na voz de Roberta Flack, s\u00e3o sete minutos de dor de amor em castelhano; e &#8220;She&#8217;s Got You&#8221;, de Patsy Cline, encerra em clima de fim de noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Jukebox&#8221; bateu na 12\u00aa posi\u00e7\u00e3o da Billboard com 29 mil c\u00f3pias vendidas na semana do lan\u00e7amento nos Estados Unidos, totalizando mais de 100 mil exemplares vendidos em todo o mundo em duas semanas nas lojas. Quando escrevo &#8220;todo o mundo&#8221;, por favor, exclua o Brasil. &#8220;Jukebox&#8221; &#8211; assim como &#8220;The Greatest&#8221; &#8211; n\u00e3o ganhou edi\u00e7\u00e3o nacional (e os dois discos foram lan\u00e7ados na vizinha Argentina pelo \u00f3timo selo independente Ultrapop), e nem dever\u00e1 ganhar (vide a compet\u00eancia de nossas gravadoras). Uma pena. Esse \u00e9 daqueles discos que vale realmente a pena ouvir mais de uma vez.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jukebox\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_lTbLAvhiWtiVklzv5Rua12avN07bhqSl8\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nA constru\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio de \u201cJukebox\u201d lembra muito o de \u201cThe Covers Record\u201d: nos dois discos temos can\u00e7\u00f5es de Bob Dylan\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/08\/26\/disco-da-semana-jukebox-cat-power\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=195"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78202,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195\/revisions\/78202"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=195"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=195"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=195"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}