{"id":1943,"date":"2009-08-26T20:44:06","date_gmt":"2009-08-26T23:44:06","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=1943"},"modified":"2023-03-29T00:28:06","modified_gmt":"2023-03-29T03:28:06","slug":"apenas-o-fim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/08\/26\/apenas-o-fim\/","title":{"rendered":"Apenas o Fim"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-1942\" title=\"&quot;Apenas o Fim&quot;, cartaz do filme\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/08\/apenasofim.jpg\" alt=\"\" width=\"344\" height=\"546\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/08\/apenasofim.jpg 344w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/08\/apenasofim-189x300.jpg 189w\" sizes=\"(max-width: 344px) 100vw, 344px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Por Murilo Basso<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem certas coisas com os quais voc\u00ea nunca aprende a conviver. O fim de um relacionamento, por exemplo, \u00e9 uma delas. Nos deixa apreensivos, mas n\u00e3o podemos afirmar que seja uma tristeza, daquelas que ir\u00e3o nos acompanhar pelo resto de nossas vidas. \u00c9 algo mais pr\u00f3ximo da sensa\u00e7\u00e3o de que algo est\u00e1 faltando. Ou melhor, de que por um determinado per\u00edodo, algo vai come\u00e7ar a faltar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Adriana (\u00c9rika Mader) se aproxima de Ant\u00f4nio (Greg\u00f3rio Duvivier), n\u00e3o era preciso dizer nada; ambos j\u00e1 sabiam que acabou. At\u00e9 podem n\u00e3o querer acreditar ou aceitar, mas sabem. E \u201cApenas o Fim\u201d \u00e9 isso: a \u00faltima hora de um casalzinho pra l\u00e1 de clich\u00ea, a menina bonitinha que de repente decidiu sumir e o nerd f\u00e3 de Star Wars que fica sem saber o que fazer (a culpa n\u00e3o \u00e9 dele: quase ningu\u00e9m sabe).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como pano de fundo para a hist\u00f3ria mescle todos os elementos que julgar interessantes na cultura pop nos \u00faltimos dez anos, das Tartarugas Ninjas ao Super Nintendo, e tente dialogar com uma gera\u00e7\u00e3o que fora diretamente influenciada por toda essa cultura \u2013 porque, para grande parte dela, \u201cTransformers \u00e9 melhor que todos os filmes do Godard\u201d. Juntos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a tal \u00faltima hora segue com Pok\u00e9mons, Vov\u00f3 Malfada e Hobbits (ali\u00e1s, Peter Jackson certamente iria sorrir com a cita\u00e7\u00e3o), em meio a risos e l\u00e1grimas que a simplicidade das situa\u00e7\u00f5es vividas por Ant\u00f4nio e sua namorada proporcionam e, de algum modo, conseguem provocar pela maneira desavergonhada como s\u00e3o expostas, sem perder a leveza e usando o humor como disfarce para a profunda melancolia da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A forma como \u00e9 retratada uma hist\u00f3ria pra l\u00e1 de emotiva pode at\u00e9 parecer doce, ing\u00eanua ou at\u00e9 mesmo \u201cadolescente\u201d demais, mas todos que j\u00e1 viveram algum romance na vida sabem do que se trata e se sentem um pouco confortados; de l\u00e1 pra c\u00e1, muita coisa mudou (ou, dependendo do ponto de vista, praticamente nada) e agora voc\u00ea sabe que n\u00e3o est\u00e1 sozinho no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fruto de um projeto de alunos do curso de cinema da PUC-Rio com roteiro e dire\u00e7\u00e3o de Matheus Souza, de apenas 20 anos, e or\u00e7amento bastante limitado, \u201cApenas o Fim\u201d \u00e9 o t\u00edpico exemplo de algo que tinha tudo para dar errado (pelo pouco dinheiro, pela inexperi\u00eancia), mas deu certo \u2013 muito certo. A influ\u00eancia direta \u00e9 Woody Allen banhado em cultura pop, mas o filme tamb\u00e9m segue a linha inteligente da dobradinha \u201cAntes do Amanhecer \/ Antes do P\u00f4r-do-sol\u201d, de Richard Linklater.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O jovem diretor faz uma esp\u00e9cie de recorte da realidade, investindo em di\u00e1logos r\u00e1pidos e inteligentes, doses certas de bom humor e atua\u00e7\u00f5es seguras e competentes. Principalmente, Matheus Souza usa as limita\u00e7\u00f5es a favor da trama. A narrativa esbarra na pieguice em determinados momentos, mas acaba se justificando no discurso extremamente sincero dos personagens. E prova que pode sim existir vida inteligente na com\u00e9dia rom\u00e2ntica nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cApenas o Fim\u201d \u00e9 sobre quando somente amar n\u00e3o basta. \u00c9 sobre quando a vontade de fugir s\u00f3 \u00e9 maior que o medo de ficar. E, principalmente, sobre o amor e o fato dele andar lado a lado com as id\u00e9ias mais loucas. \u00c9 uma busca pelo futuro contido no presente. Nos faz pensar que algumas vezes, \u00e9 preciso continuar em frente e a grande ironia \u00e9 que muitas pessoas \u2013 eu, voc\u00ea e a maioria delas \u2013 n\u00e3o sabe seguir seu caminho. Afinal, j\u00e1 dizia Bob Dylan: \u201c\u00c9 imposs\u00edvel amar e ser esperto ao mesmo tempo\u201d. Concorda?\u00a0 Bem, concordando ou n\u00e3o, d\u00ea uma chance.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Murilo Basso, 20, n\u00e3o achava nada rid\u00edculo controlar uma dupla de encanadores fofinhos aos 12 anos e acredita que o amor parece mais com uma pizza&#8230; de chocolate!<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Murilo Basso\nExistem certas coisas com os quais voc\u00ea nunca aprende a conviver. 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