{"id":19390,"date":"2013-08-14T13:34:18","date_gmt":"2013-08-14T16:34:18","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=19390"},"modified":"2017-07-20T11:49:29","modified_gmt":"2017-07-20T14:49:29","slug":"cinema-amor-pleno-terrence-malick","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/14\/cinema-amor-pleno-terrence-malick\/","title":{"rendered":"Cinema: Amor Pleno, Terrence Malick"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19391\" title=\"terrence\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/terrence.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode um filme ser estilisticamente maravilhoso e, ao mesmo tempo, absolutamente tedioso? Chato? Sim. Principalmente se o cineasta em quest\u00e3o for Terrence Malick, norte-americano com uma carreira de mais de 40 anos marcada por uma obra personal que, em 2011, dividiu opini\u00f5es com \u201c\u00c1rvore da Vida\u201d: uns amaram (o filme saiu do Festival de Cannes com o Palma de Ouro); outros odiaram (pretens\u00e3o, a que me tens de regresso). \u00c9 quase imposs\u00edvel manter-se alheio ao cinema de Malick.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAmor Pleno\u201d (To the Wonder, 2012) \u00e9 mais 113 minutos de Malick em estado bruto. Desta vez, ele n\u00e3o quer contar a hist\u00f3ria da humanidade, apenas de um casal (e mais tr\u00eas ou quatro personagens) aparentemente perdido entre o amor carnal e o amor sacro. O tom, como era de se esperar, \u00e9 grandiloquente e pretensioso: \u201cAmor Pleno\u201d n\u00e3o traz di\u00e1logos, apenas uma narra\u00e7\u00e3o em off que busca pontuar as cenas, migalhinhas de p\u00e3o em meio a um estranho (e por vezes bonito) exerc\u00edcio de est\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19392\" title=\"amorpleno1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/amorpleno1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A trama gira em torno de Neil (Ben Affleck mudo parece um grande ator) e Marina (a ex-modelo ucraniana Olga Kurylenko, que j\u00e1 foi uma bond-girl e, em alguns momentos, lembra Fiona Apple). Neil \u00e9 um norte-americano viajando pela Europa que se apaixona pela lind\u00edssima francesa Marina, que \u00e9 m\u00e3e da pequena Tatiana. Os dois vivem um pequeno romance europeu (com direito a belas paisagens da Normandia) at\u00e9 que o rapaz a convida para ir morar com ele nos Estados Unidos, mais precisamente em Oklahoma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mudan\u00e7a de cen\u00e1rio \u00e9 quase um trauma. Os monumentos parisienses e os grandes parques d\u00e3o lugar para uma paisagem aparentemente rural de uma pequena cidade norte-americana em que nada, absolutamente nada acontece. A filha n\u00e3o consegue se enturmar na escola, o relacionamento degringola e s\u00f3 resta a Marina dan\u00e7ar, e ela faz isso praticamente o filme inteiro enquanto a c\u00e2mera, na contraluz, filma c\u00e9us, s\u00f3is, copas de \u00e1rvores (quando n\u00e3o est\u00e1 filmando lagos, riachos e oceanos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria ainda destaca, paralelamente, o interessante microcosmo do Padre Quintana (Javier Bardem), que come\u00e7a a ser corro\u00eddo pela d\u00favida da exist\u00eancia de Deus, e o reaparecimento de uma ex-namorada de Neil, Jane (Rachel McAdams), no momento em que ele vive uma crise com Marina, criando um interessante duelo de personalidades: de um lado a (loura) norte-americana que, mesmo com o cora\u00e7\u00e3o partido e a vida (falida) em cacos, transmite firmeza e seguran\u00e7a; do outro a (morena) francesa sonhadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nada \u00e9 t\u00e1til em \u201cAmor Pleno\u201d, e tudo se repete. Ap\u00f3s a primeira meia hora, em que o espectador est\u00e1 se acostumando \u00e0 narrativa e conhecendo a hist\u00f3ria, \u201cAmor Pleno\u201d flui. A segunda metade, por\u00e9m, nada acrescenta a primeira e torna o filme ma\u00e7ante e desnecess\u00e1rio ao ponto de tornar-se uma tarefa ingl\u00f3ria suportar os \u00faltimos 20 minutos. H\u00e1 pessoas que n\u00e3o se entediariam tanto em duas horas numa fila de banco, assistindo a um show do Kings of Leon ou ouvindo tr\u00eas vezes o disco da Clarice Falc\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19393\" title=\"amorpleno2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/amorpleno2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/amorpleno2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/amorpleno2-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, mesmo que algu\u00e9m saia do cinema odiando o filme, uma coisa \u00e9 imposs\u00edvel de negar: a fotografia \u00e9 esplendorosa (embora alguns fotogramas pare\u00e7am sobras descartadas de \u201c\u00c1rvore da Vida\u201d, n\u00e3o se preocupe, n\u00e3o h\u00e1 dinossauros, apenas b\u00fafalos) e consegue o m\u00e9rito de ser nada \u00f3bvia quando o personagem em cena \u00e9 uma das cidades mais fotografas e filmadas do mundo: dificilmente algum espectador ter\u00e1 visto em toda sua vida imagens t\u00e3o belas e impressionantes sobre Paris.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quase um power point pretensioso, \u201cAmor Pleno\u201d deixa a sensa\u00e7\u00e3o de que Terrence Malick aposta demasiadamente na subjetividade, no (usando um termo popularesco) \u201cjogar um verde\u201d, e esquece o aparente tema central de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, no caso, a degrada\u00e7\u00e3o (da f\u00e9, do romance, da natureza), e tudo se perde num vai e vem t\u00e3o po\u00e9tico quanto bocejante. H\u00e1 buracos na trama (Marina teve um segundo filho?), h\u00e1 imensos vazios preenchidos por belas imagens e, sobretudo, h\u00e1 falta de foco. E sobra t\u00e9dio. Zzzzzzzzzzzzz<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/a2BS4yo0FBQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quase um power point pretensioso, filme deixa a sensa\u00e7\u00e3o de que Terrence Malick aposta demasiadamente na subjetividade\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/14\/cinema-amor-pleno-terrence-malick\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[86,733,87],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19390"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19390"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19390\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43530,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19390\/revisions\/43530"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19390"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19390"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19390"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}