{"id":19377,"date":"2013-08-14T11:41:51","date_gmt":"2013-08-14T14:41:51","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=19377"},"modified":"2013-09-05T15:02:06","modified_gmt":"2013-09-05T18:02:06","slug":"de-sao-leopoldo-sileste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/14\/de-sao-leopoldo-sileste\/","title":{"rendered":"De S\u00e3o Leopoldo, Sil\u00e9ste"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19378\" title=\"sileste\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/sileste.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/cristianobastos\" target=\"_blank\">Cristiano Bastos<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um momento da m\u00fasica rock em que \u2013 praticamente \u2013 todas as bandas sonham soar ridiculamente como se fossem filhotes de Los Hermanos (criando um tal &#8220;Truste dos Fofinhos&#8221;), a banda Sil\u00e9ste, radicada em S\u00e3o Leopoldo, regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre, nos restituiu uma perdida fra\u00e7\u00e3o da selvageria rock.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rock anda meio que virado num ursinho de pel\u00facia, bem diferente do bagaceiro \u201cTed\u201d, aquele do filme. E rock sem bagac\u00earice tem outro nome: chatice. Especialmente na regi\u00e3o Sul do Brasil, Porto Alegre, onde, tirando o popular nativismo, o rock \u00e9 o ritmo juvenil por excel\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma hist\u00f3ria calcada e desbravada em guitarras eletrificadas que o Rio Grande do Sul vem empunhando h\u00e1 mais de 60 anos e que, atualmente, tem sido suplantada por bandos de brandos viol\u00f5es, letras chorosas (\u201cAi, meu amor, voc\u00ea \u00e9 o sol que n\u00e3o brilha mais no meu quintal. Eu sou a estrela que vai iluminar a sua alma\u201d: essas cantilenas) e cora\u00e7\u00f5es irremediavelmente melanc\u00f3licos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ningu\u00e9m mais fala de putaria. Logo a putaria, sem a qual a humanidade n\u00e3o existiria, literalmente. Certo ou errado? Se todos esses \u201celementos\u201d \u2013 que tamb\u00e9m, oras, integram o repert\u00f3rio daquilo que conhecemos por \u201crock\u201d \u2013 fossem devidamente revestidos por camadas e camadas e camadas de guitarras e mais guitarras, o papo, ent\u00e3o, seria outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o \u00e9 o caso, salvo exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 o que a Sil\u00e9ste consegue realizar em seu primeiro e rec\u00e9m-lan\u00e7ado \u00e1lbum, gravado de forma independente e produzido com a excel\u00eancia de Andrio Maquenzi, \u201cher\u00f3i\u201d da finada Superguidis e atual frontman da Medialunas. A frontwoman \u00e9 a sua esposa, Liege Milk. Os dois bastam-se muito bem, ali\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascida das cinzas da po\u00e9tica-terroristicamente barulhenta Viana Moog, a Sil\u00e9ste sai-se agora com seu primeiro filho. Trata-se de um disco de oito m\u00fasicas que levam a verve l\u00edrica-suja-embriagada de conhaque vagabundo regurgitada pelo vocalista e poeta Everton Cidade, o Cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/50nkws3kt2s\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/50nkws3kt2s\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As influ\u00eancias v\u00e3o de Oswald de Andrade, cut-up dada\u00edsta, William Burroughs at\u00e9, claro, no autor capil\u00e9 Viana Moog, que dava nome \u00e0 banda, respons\u00e1vel pelo famoso ensaio liter\u00e1rio de nome mais do que apropriado: \u201cHer\u00f3is da Decad\u00eancia\u201d (1939). \u00c0 guisa de explica\u00e7\u00e3o, quem nasce em S\u00e3o Leopoldo, informalmente, \u00e9 chamado \u201ccapil\u00e9\u201d. Isso por causa de um refrigerante barato que ali era fabricado nos anos 1940, o qual, por sua vez, fazia men\u00e7\u00e3o \u00e0 tribo ind\u00edgena que naquelas terras habitaram por mil\u00eanios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, h\u00e1 por ali somente arianos-protestantes [quase puros], mas, sim, verdadeiramente trabalhadores. S\u00e3o Leopoldo \u00e9 um dos grandes p\u00f3los-cal\u00e7adistas brasileiro \u2013 ao lado de Novo Hamburgo, munic\u00edpio vizinho, apelidada pelos loucos dali de \u201cN\u00f3ia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, tudo louco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Retornando \u00e0 Sil\u00e9ste, as m\u00fasicas desse \u00e1lbum, diz Cidade, foram todas compostas regadas a muito conhaque, seu combust\u00edvel predileto. Hoje, ele diz que as refer\u00eancias e alus\u00f5es aumentaram: cinema marginal e poesia concreta, ele acrescenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSimplificando tudo, eu andava num \u2018lance Walter Franco\u2019, ouvindo os discos \u2018Ara\u00e7\u00e1 Azul\u2019 e \u2018Joia\u2019, do Caetano. Eu queria chegar em um ponto em que a palavra fosse m\u00ednima, como respirar sem esfor\u00e7o. Todavia, todo palavreado requer esfor\u00e7o\u201d,  teoriza o compositor, que tamb\u00e9m junta ao combo l\u00edrico o poeta portugu\u00eas Mello de Castro \u2013 que, conforme Cidade, \u201co ligou\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cidade, ali\u00e1s, \u00e9 autor do livro \u201cSanto P\u00f3\/P\u201d (MAKBO), tamb\u00e9m rec\u00e9m sa\u00eddo da prensa. Procure nas melhores bancas, que n\u00e3o \u00e9 nada-convencional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A bateria minimalista que se ouve, a la Moe Tucker, fica a cargo de M\u00e1dger Barte. As guitarras, que apitam, destilam, corroem, tonitroam acordes distorcidos, s\u00e3o dedilhadas por Cristiano Spaniol e Leonardo Serafini.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/bHyy1faFPpc\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/bHyy1faFPpc\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEsse disco surgiu ap\u00f3s a minha entrada na Viana Moog. A banda [a Viana] travou. N\u00e3o consegu\u00edamos mais compor e, ent\u00e3o, optamos por fazer essa nova banda. O Cidade j\u00e1 andava desiludido com a m\u00fasica. Tava largando tudo de m\u00e3o. A vida, tudo, enfim. Quando come\u00e7amos a tocar juntos \u2013 eu, ele e o Cris [o outro guitarrista que era da Viana Moog, com pinta de \u00edndio Apache] \u2013, tanto a Sil\u00e9ste como as novas m\u00fasicas flu\u00edram de cara\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No come\u00e7o, a Sil\u00e9ste tentou soar como The Fall. N\u00e3o havia baixo, diz Serafine, ent\u00e3o ficaram s\u00f3 as guitarras: \u201c\u00c9 m\u00fasica de guitarra\u201d, define. O nome \u201cSil\u00e9ste\u201d, ele explica, saiu de uma can\u00e7\u00e3o da banda noise-psicod\u00e9lica brit\u00e2nica The Telescopes, chamada \u201cCeleste\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E como \u00e9 ter (e sobreviver de) uma banda em S\u00e3o Leopoldo, Cidade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTer uma banda em S\u00e3o L\u00e9o, ou \u2018S\u00e3o Hell\u2019, como chamamos ardilosamente, \u00e9 como golpear o pr\u00f3prio ventre e disso fazer um \u2018of\u00edcio-objetivo\u2019: expandir, transcender farreando, colocar no ch\u00e3o os p\u00e9s rachados de colonos que somos \u2013 em todo ch\u00e3o que possa ser pisado\u201d, filosofa o marginal poeta.<br \/>\nJoy Division, Jesus and Mary Chain, The Fall, Cocteau Twins, Stooges, Echo and the Bunyman, Guided by Voices, Nick Cave, Ride, Slowdive, Sonic Youth, manchesterismo em geral, Wry, Raveonettes, New York Dolls, Johnny Thunders, Dead Boys e at\u00e9 certas \u201cbichices legais\u201d \u2013 aceit\u00e1veis \u2013, como Morrisey, infundem-se na, por vezes, mui ca\u00f3tica sonoridade da Sil\u00e9ste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 grandes momentos de estouro noise no disco \u2013 alguns ensurdecedores, que soam como um \u201cestouro de boiada\u201d. Ou melhor, de guitarras. Os nomes da m\u00fasicas tamb\u00e9m instigam \u2013 o que sempre \u00e9 importante para uma banda [o que existe de banda cujo os nomes das m\u00fasicas d\u00e3o um d\u00f3 n\u00e3o t\u00e1 no gibi&#8230; \u00c9 triste]. E o que isso denota? Falta de leitura. Banda que n\u00e3o l\u00ea pode at\u00e9 fazer sucesso, como muitas por a\u00ed, mas duvido que arrebate cora\u00e7\u00f5es inteligentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Saca alguns nomes da can\u00e7\u00f5es: \u201cDeus do Dia\u201d, \u201cTr\u00eantula\u201d, \u201cJesus Genet\u201d, \u201cTristerela\u201d, \u201cAgulhas de Carnaval\u201d. Como pr\u00f3prio Cidade diz \u201cA grandiosidade \u00e9 amiga da mediocridade\u201d. E uma deliciosa mediocridade. A faixa \u201cAnz\u00f3is\u201d resume esse palavreado todo. E o disco voc\u00ea pode baixar <a href=\"http:\/\/www.mediafire.com\/download\/36d2asjtzgazzht\/Sile%CC%81ste+%282012%29.zip\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/QoZGx1CGxaw\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/QoZGx1CGxaw\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Cristiano Bastos (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/cristianobastos\" target=\"_blank\">@cRISTIANObASTOS<\/a>) \u00e9 jornalista e autor do livro &#8220;Gauleses Irredut\u00edveis&#8221;. Escreve no blog Nova Carne, n&#8217;O Esquema: <a href=\"http:\/\/oesquema.com.br\/novacarne\/\" target=\"_blank\">http:\/\/oesquema.com.br\/novacarne\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Cristiano Bastos\nPara combater a &#8220;Truste dos Fofinhos&#8221; p\u00f3s-Los Hermanos, conhe\u00e7a a Sil\u00e9ste, uma perdida fra\u00e7\u00e3o da selvageria rock\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/14\/de-sao-leopoldo-sileste\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[84],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19377"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19377"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19377\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19380,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19377\/revisions\/19380"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19377"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19377"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19377"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}