{"id":19059,"date":"2013-07-27T01:37:49","date_gmt":"2013-07-27T04:37:49","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=19059"},"modified":"2025-03-11T20:43:23","modified_gmt":"2025-03-11T23:43:23","slug":"cinematografia-comentada-billy-wilder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/07\/27\/cinematografia-comentada-billy-wilder\/","title":{"rendered":"Filmografia comentada: Todos os filmes de Billy Wilder"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Billy Wilder \u00e9 um dos maiores diretores do per\u00edodo de ouro de Hollywood. Nascido em 1906 em Sucha Beskidzka, que ent\u00e3o pertencia ao reinado Austro-h\u00fangaro (hoje a cidade faz parte da Pol\u00f4nia), Wilder mudou-se para Berlim a fim de trabalhar como jornalista, e foi na capital alem\u00e3 que se envolveu com cinema, tendo trabalhado como roteirista em cerca de 20 produ\u00e7\u00f5es. Ap\u00f3s a ascens\u00e3o do partido nazista, Wilder, que era judeu, partiu para Paris, onde ele fez sua estreia na dire\u00e7\u00e3o, embora tenha partido para os Estados Unidos (e Hollywood) antes que o filme chegasse \u00e0s telas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Hollywood, Billy Wilder come\u00e7ou escrevendo roteiros e se destacou em duas parcerias com o diretor Ernst Lubitsch: \u201cA Oitava Esposa do Barba Azul\u201d (1938) e \u201cNinotchka\u201d (1939), que foi indicado ao Oscar na categoria de Melhor Roteiro \u2013 ele ainda seria indicado na categoria por \u201cA Porta de Ouro\u201d e tamb\u00e9m por \u201cBola de Fogo\u201d (ambos de 1941). Sua estreia oficial como diretor acontece no ano seguinte, quando \u201cA Incr\u00edvel Suzana\u201d chega aos cinemas, e faz um grande sucesso, fato que se repete com \u201cCinco Covas do Egito\u201d, que ainda recebe tr\u00eas indica\u00e7\u00f5es (em categorias t\u00e9cnicas) ao Oscar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Billy Wilder alcan\u00e7ou o auge em seu terceiro filme, a obra-prima \u201cPacto de Sangue\u201d (1944), que foi indicado a 7 Oscars, e foi atropelado por \u201cO Bom Pastor\u201d, de Leo McCarey, que dos 10 pr\u00eamios a que fora indicado, levou nada menos que 7. Sem problema, o Oscar de Melhor Filme e Diretor viria no ano seguinte, com \u201cFarrapo Humano\u201d (que ainda foi premiado nas categorias de Melhor Ator e Melhor Roteiro). \u201cO filme mereceu o Oscar\u201d, conta o diretor na autobiografia \u201cE o Resto \u00e9 Loucura\u201d, \u201cmas teriam me dado o pr\u00eamio de qualquer maneira \u2013 s\u00f3 por causa da culpa por terem me preterido em \u201cPacto de Sangue\u201d\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis uma fa\u00e7anha que se repete na carreira de Billy Wilder, que n\u00e3o ganhou pr\u00eamios por seus apontados melhores filmes \u2013 \u201cPacto de Sangue\u201d, \u201cCrep\u00fasculo dos Deuses\u201d e \u201cQuanto Mais Quente Melhor\u201d \u2013 mas por obras que o pr\u00f3prio diretor considera excelentes, mas ainda assim menores, como \u201cFarrapo Humano\u201d e \u201cSe Meu Apartamento Falasse\u201d (que derrotou \u201cPsicose\u201d, de Alfred Hitchcock, em 1961). Foram oito indica\u00e7\u00f5es como Melhor Diretor e doze como Melhor Roteirista (ganhou por \u201cFarrapo Humano\u201d, \u201cCrep\u00fasculo dos Deuses\u201d e \u201cUma Loura Por Um Milh\u00e3o\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falecido em 2002 aos 95 anos (sem filmar desde 1981), Wilder deixou uma cinematografia que, incluindo seu filme de estreia rodado em Paris, soma 26 obras, muitas delas impec\u00e1veis e v\u00e1rias contendo cenas que se tornariam cl\u00e1ssicas na hist\u00f3ria do cinema. Ele fez musicais, filmes de guerra, com\u00e9dias rom\u00e2nticas, aventuras, dramas e, no final da d\u00e9cada de 50, come\u00e7ou a provocar os Estados Unidos com filmes que desafiavam os costumes da sociedade, e que, de certa forma, foram respons\u00e1veis pelo decl\u00ednio da fama do diretor nos anos 60 e 70. Por\u00e9m, entre \u201cSemente do Mal\u201d (1934) a \u201cAmigos, Amigos, Neg\u00f3cios a Parte\u201d (1981), h\u00e1 muita coisa boa. Vamos a elas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19061\" title=\"billy_wilder2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy_wilder2.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cMauvaise Graine\u201d, 1934<br \/>\nTitulo nacional: \u201cSemente do Mal\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando chegou a Paris em 1933, fugindo do ex\u00e9rcito de Hitler que amea\u00e7ava invadir a \u00c1ustria, Billy Wilder j\u00e1 havia trabalhado no roteiro de mais de uma d\u00fazia de filmes na Europa, e \u201cSemente do Mal\u201d acabaria sendo sua estreia na posi\u00e7\u00e3o de diretor, dividida com o investidor Alexander Esway, que conseguiu a grana para bancar o filme, mas n\u00e3o apareceu nas filmagens. \u201cDirigi mais por necessidade e sem nenhuma experi\u00eancia\u201d, conta o diretor em sua autobiografia \u201cE o Resto \u00e9 Loucura\u201d. O roteiro, assinando a oito m\u00e3os (incluindo as de Wilder), foca em um grupo de ladr\u00f5es. \u201cH\u00e1 500 mil carros em Paris\u201d, diz o texto de abertura, e a gangue trata de se apossar de alguns, repinta-los, trocar a placa e coloca-los no mercado novamente. \u00c9 come\u00e7o dos anos 30, e o maior valor de \u201dMauvaise Graine\u201d \u00e9 mostrar como a sociedade pouco mudou de l\u00e1 pra c\u00e1: um filhinho tem seu carro tomado pelo pai, e, ao inv\u00e9s de trabalhar, se revolta, abandona a casa e cai no crime. \u00c9 o come\u00e7o do cinema, e \u00e9 tudo t\u00e3o 2013 que impressiona. S\u00f3 n\u00e3o necessitava de um final feliz (a realidade seria mais impactante), mas, ainda assim, \u00e9 uma boa estreia.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19062\" title=\"billy_wilder3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy_wilder3.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy_wilder3.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy_wilder3-300x125.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cThe Major and the Minor\u201d, 1942<br \/>\nTitulo nacional: \u201cA Incr\u00edvel Suzana\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estreia cinematogr\u00e1fica de Billy Wilder em Hollywood \u00e9 uma tradicional\u00edssima screwball comedy, em que uma mulher resoluta sofre uns bons bocados, mas conquista o homem que ama. Roteiro farsesco que relembra as com\u00e9dias de Shakespeare (principalmente \u201cCom\u00e9dia dos Erros\u201d, de 1623), \u201cA Incr\u00edvel Suzana\u201d flagra uma mulher que, ap\u00f3s anos tentando a sorte em Nova York, decide abandonar a cidade, mas sem o dinheiro todo para pagar o trem de volta para sua terra natal, veste-se como uma menina de 12 anos para pagar meia passagem, o que, claro, acaba causando um bom n\u00famero de situa\u00e7\u00f5es c\u00f4micas. No papel principal, Ginger Rogers brilha e fica dif\u00edcil saber se ela \u00e9 mais encantadora como menina de 12 anos, como mulher ou como senhora (outro de seus disfarces). O roteiro de Billy Wilder e Charles Brackett sacaneia (<a href=\"http:\/\/i6.photobucket.com\/albums\/y206\/lolawalser\/filmovi\/vlake.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em uma das piadas mais deliciosas do filme<\/a>) Veronica Lake e tamb\u00e9m Greta Garbo (para convencer os bilheteiros de que ela tem 12 anos, Suzana diz que \u00e9 alta porque \u00e9 de fam\u00edlia sueca. \u201cDiga algo em sueco ent\u00e3o?\u201d, eles pedem. E Ginger Rogers capricha na imita\u00e7\u00e3o: \u201c<a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=tojjWQvlPN8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">I vant to be alone<\/a>\u201d). Uma com\u00e9dia graciosa.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19064\" title=\"billy_wilder5\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy_wilder5.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cFive Graves to Cairo\u201d, 1942<br \/>\nTitulo nacional: \u201cCinco Covas no Egito\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo filme de Billy Wilder em Hollywood, \u201cCinco Covas no Egito\u201d \u00e9 uma atualiza\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a teatral \u201cSz\u00ednm\u00fc Negy Felvon\u00e1sban\u201d, de 1917, do escritor h\u00fangaro Lajos B\u00edr\u00f3, e se passa no deserto do norte da \u00c1frica \u2013 a fotografia dura e sublime, principalmente no trecho inicial do filme, recebeu uma indica\u00e7\u00e3o merecida ao Oscar \u2013 flagrando o soldado brit\u00e2nico John Bramble (Franchot Tone), que sobreviveu ao ataque violento do ex\u00e9rcito alem\u00e3o comandado pelo tem\u00edvel General Erwin Rommel, comandante admirado por seus soldados e pelos advers\u00e1rios (e que foi for\u00e7ado por Hitler a cometer suic\u00eddio em 1944) interpretado com for\u00e7a por Erich von Stroheim. Ap\u00f3s dias vagando pelo deserto, o soldado encontra um hotel, e \u00e9 acolhido pelo dono Farid (Akim Tamiroff), sob o olhar suspeito da camareira Mouche (Anne Baxter). Logo depois, o hotel \u00e9 tomado pelo ex\u00e9rcito alem\u00e3o, e o soldado se disfar\u00e7a de gar\u00e7om para tentar se aproximar do general. O clima de suspense de guerra move \u201cCinco Covas no Egito\u201d, e sob a penumbra Billy Wilder elogia a estrat\u00e9gia alem\u00e3 de guerrilha ao mesmo tempo em que desenha os oficiais nazistas como est\u00fapidos que podiam ser enganados facilmente (\u00e9 bom lembrar que o filme estreou no quarto ano da Segunda Grande Guerra, que acabaria com a derrota dos nazistas em 1945). Um filme denso, de \u00f3timo roteiro e fotografia impec\u00e1vel.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19063\" title=\"billy_wilder4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy_wilder4.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cDouble Indemnity\u201d, 1944<br \/>\nTitulo nacional: \u201cPacto de Sangue\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma obra prima. Baseado em uma hist\u00f3ria real acontecida em 1929, em que uma esposa planeja o assassinato do marido ap\u00f3s ter comprado uma ap\u00f3lice de seguro com cl\u00e1usula de indeniza\u00e7\u00e3o em dobro, Billy Wilder e Raymond Chandler escreveram um roteiro brilhante em que o vendedor de seguros Walter Neff (Fred MacMurray) se v\u00ea seduzido pela loura Phyllis Dietrichson (Barbara Stanwyck) e, por ela, decide cometer um crime. Um dos primeiros grandes filmes noir da hist\u00f3ria, e um dos melhores (n\u00e3o s\u00f3 noir, mas da hist\u00f3ria do cinema), \u201cPacto de Sangue\u201d distribui di\u00e1logos geniais (a cena do primeiro encontro entre Walter e Phyllis \u00e9 sensacional) e destaca algumas curiosidades como a cena em que Phyllis se esconde atr\u00e1s da porta da casa de Walter (uma porta que abre pra fora, truque esperto para aumentar a tens\u00e3o em uma passagem cl\u00e1ssica). Indicado a sete Oscars, Billy Wilder saiu de m\u00e3os abanando e foi atropelado por \u201cO Bom Pastor\u201d, de Leo McCarey, que dos 10 pr\u00eamios a que fora indicado, levou nada menos que 7. Em sua biografia, Billy Wilder relembra o primeiro encontro que teve com o escritor Raymond Chandler: \u201cFoi \u00f3dio \u00e0 primeira vista\u201d. O resultado improv\u00e1vel da parceria foi um dos melhores filmes da carreira de Billy Wilder.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19066\" title=\"billy_wilder_6\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy_wilder_6.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy_wilder_6.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy_wilder_6-300x125.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cThe Lost Weekend\u201d, 1945<br \/>\nTitulo nacional: \u201cFarrapo Humano\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Doze anos ap\u00f3s a revoga\u00e7\u00e3o da Lei Seca nos Estados Unidos, Billy Wilder provoca os chef\u00f5es de Hollywood ao querer filmar uma hist\u00f3ria em que um b\u00eabado n\u00e3o era apresentado com comicidade, pretendendo fazer a plateia rir. Muito pelo contr\u00e1rio. Don Birnam (Ray Milland, numa atua\u00e7\u00e3o consagradora que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator) \u00e9 um daqueles viciados que precisam manter o v\u00edcio a qualquer custo. Billy Wilder n\u00e3o sentimentaliza o pobre homem, que engana namorada e irm\u00e3o e passa um fim de semana aterrorizante em Nova York \u2013 sem dinheiro, ele desejar penhorar sua m\u00e1quina de escrever (Birnam \u00e9 escritor), mas todas as lojas est\u00e3o fechadas devido ao feriado judeu, o que faz nosso homem quase enlouquecer. As cenas na ala dos alco\u00f3latras do Belleuvue Hospital revoltaram a dire\u00e7\u00e3o do hospital, que esperava um olhar rom\u00e2ntico com enfermeiras sexys e m\u00e9dicos paternais, mas Wilder queria ser o mais veross\u00edmil poss\u00edvel, e consegue retratar o inferno do v\u00edcio de maneira exemplar. \u201cUm \u00fanico drinque \u00e9 demais, e cem n\u00e3o s\u00e3o suficientes\u201d, diz o personagem em certo momento. O final \u00e9 enigm\u00e1tico, ainda que esperan\u00e7oso. Rendeu a Billy Wilder o Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19067\" title=\"billy_wilder7\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy_wilder7.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy_wilder7.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy_wilder7-300x125.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cThe Emperor Waltz\u201d, 1948<br \/>\nTitulo nacional: \u201cA Valsa do Imperador\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sucesso de \u201cFarrapo Humano\u201d em 1945 fez com Billy Wilder planejasse com cuidado seu pr\u00f3ximo passo. A ideia inicial era filmar em Berlim uma hist\u00f3ria sobre os problemas enfrentados pelos militares norte-americanos ap\u00f3s o fim da Segunda Guerra, mas depois de visitar campos de concentra\u00e7\u00e3o, o diretor n\u00e3o se sentiu t\u00e3o \u00e0 vontade para tocar o projeto em frente, preferindo focar em um conto de fadas musical hollywoodiano chamado \u201cA Valsa do Imperador\u201d (\u201cA Mundana\u201d, o tal filme sobre Berlim, acabou saindo no mesmo ano), que recebeu mais aten\u00e7\u00e3o por ter Bing Crosby no papel principal do que Billy Wilder como diretor (e colaborador no roteiro, um dos seus pontos fortes). A hist\u00f3ria \u00e9 bonitinha (e s\u00f3 isso): um caixeiro viajante quer vender um gramofone para o Rei da \u00c1ustria, e acaba se apaixonando por uma condessa. N\u00e3o s\u00f3 ele, mas seu c\u00e3o tamb\u00e9m se apaixona pela cadela da Condessa, que est\u00e1 prometida (a cadela) para o c\u00e3o do Rei. Parece bocejante (e \u00e9 dif\u00edcil discordar nas partes cantadas), mas o roteiro cuidadoso consegue dar certo valor ao filme, que se n\u00e3o impressiona, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 uma total perda de tempo.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19068\" title=\"billy_wilder8\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy_wilder8.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy_wilder8.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy_wilder8-300x125.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cA Foreign Affair\u201d, 1948<br \/>\nTitulo nacional: \u201cA Mundana\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo como pano de fundo uma Berlim absolutamente devastada ap\u00f3s o fim da Segunda Guerra Mundial (boa parte das fortes cenas mostrando a cidade totalmente destru\u00edda foi filmada por Billy Wilder meses ap\u00f3s a vit\u00f3ria dos aliados), \u201cA Mundana\u201d n\u00e3o fez feliz nem aliados, muito menos alem\u00e3es, exatamente por ser um filme que pontua com s\u00e1bia ironia os deslizes da ocupa\u00e7\u00e3o aliada do territ\u00f3rio alem\u00e3o. A trama conta a hist\u00f3ria de um grupo de congressistas norte-americano que visita Berlim para conferir se a tropa est\u00e1 se portando corretamente. Phoebe Frost (a loirinha Jean Arthur), congressista do Iowa, se escandaliza (com raz\u00e3o) com o mercado negro pr\u00f3ximo \u00e0s ruinas do Reichstag, com soldados norte-americanos se aproveitando de jovens alem\u00e3s, e, principalmente, do caso de um alto oficial do ex\u00e9rcito dos Estados Unidos (John Lund) com uma dan\u00e7arina e cantora que frequentava o c\u00edrculo de amigos de Hitler (Marlene Dietrich, excepcional). H\u00e1 dezenas de subtextos na trama, e algumas frases antol\u00f3gicas, como uma que define a ajuda econ\u00f4mica dos EUA aos pa\u00edses europeus devastados pela guerra: \u201cQuando damos de comer a eles, isso \u00e9 democracia; Quando colocamos uma etiqueta em cima, \u00e9 imperialismo\u201d. A ironia afiada do tour comandado pelo coronel sobre as \u00e1reas devastadas de Berlim fica em segundo plano, debaixo de uma doce hist\u00f3ria de amor, exemplo de um filme de Billy Wilder que \u00e9 uma aula de cinema. Obrigat\u00f3rio.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19069\" title=\"billy_wilder9\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy_wilder9.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201c\u201cSunset Boulevard\u201d, 1950<br \/>\nTitulo nacional: \u201cCrep\u00fasculo dos Deuses\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A obra prima de Billy Wilder, \u201cCrep\u00fasculo dos Deuses\u201d \u00e9 um olhar macabro de um integrante da cidade dos sonhos sobre aquela que traz fama, mas pode cobrar um pre\u00e7o bastante caro \u2013 orgulho, honestidade e, quem sabe, a vida. Billy Wilder \u00e9 impiedoso em seu cruel retrato de Hollywood. A trama gira em torno de um roteirista falido, Joe Gills (William Holden), que n\u00e3o consegue cravar uma hist\u00f3ria, e est\u00e1 prestes a perder o carro por falta de pagamento. Ao tentar fugir de homens da financeira, ele acaba entrando numa mans\u00e3o que julgava abandonada, mas, na verdade, \u00e9 a casa de Norma Desmond (Gloria Swanson, espetacular), uma atriz que fora imensamente famosa na era do cinema mudo, mas que agora, mesmo milion\u00e1ria, vive reclusa e esquecida, e planeja uma volta. O envolvimento \u00e9 inevit\u00e1vel e os di\u00e1logos, mordazes. Tanto a abertura quanto a cena final est\u00e3o entre as melhores coisas que o cinema j\u00e1 produziu em cento e tantos anos, mas n\u00e3o pense, com isso, que o restante do filme \u00e9 menor: \u201cCrep\u00fasculo dos Deuses\u201d \u00e9 um daqueles filmes absolutamente impec\u00e1veis nos detalhes. Uma obra prima cr\u00edtica que, ainda hoje, \u00e9 atual\u00edssima. Por\u00e9m, de suas 11 indica\u00e7\u00f5es ao Oscar, o filme levou apenas tr\u00eas: Dire\u00e7\u00e3o de Arte, Trilha Sonora e Roteiro. Merecia muito mais.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19070\" title=\"billy10\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy10.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cAces in The Hole\u201d, 1951<br \/>\nTitulo nacional: \u201cA Montanha dos Sete Abutres\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1951, Billy Wilder j\u00e1 contava com um Oscar de Melhor Diretor e dois de Melhor Roteiro na prateleira, mas ainda tinha muito que mostrar para o p\u00fablico. Em qualquer lista poss\u00edvel, suceder uma obra-prima como \u201cCrep\u00fasculo dos Deuses\u201d \u00e9 uma tarefa bastante ingl\u00f3ria, mas Billy Wilder conseguiu surpreender com \u201cA Montanha dos Sete Abutres\u201d, uma f\u00e1bula intensa sobre jornalismo e \u00e9tica. Chuck Tatum (Kirk Douglas em atua\u00e7\u00e3o impec\u00e1vel) \u00e9 um jornalista que aprontou todas nos maiores jornais dos Estados Unidos, o que lhe custou seu emprego em todos eles. Para recome\u00e7ar a vida, Tatum acaba optando por um pequeno jornal da cidade de Albuquerque, no Novo M\u00e9xico, esperando que a grande reportagem bata \u00e0 sua porta. Demora cerca de um ano para que o \u201cbilhete premiado\u201d caia no colo do jornalista: um homem est\u00e1 preso em uma caverna prestes a desabar, em uma montanha, segundo o tal homem, assombrada pelo esp\u00edrito de velhos \u00edndios. Chuck Tatum arma um circo ao redor da montanha, e ganha a aten\u00e7\u00e3o de todo o pa\u00eds tentando estender o resgate ao m\u00e1ximo, para ter mais publicidade. O desfecho tr\u00e1gico diz muita sobre a profiss\u00e3o (principalmente hoje em dia) e \u00e9 uma enorme aula de cinema e jornalismo. Daqueles filmes obrigat\u00f3rios. E que cena final\u2026<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19071\" title=\"billy11\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy11.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy11.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy11-300x125.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cStalag 17\u201d, 1953<br \/>\nTitulo nacional: \u201cInferno 17\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois anos depois, l\u00e1 estava Billy Wider novamente com uma hist\u00f3ria densa, mas, neste caso, com pitadas c\u00f4micas que j\u00e1 antecipam o caminho que o diretor ir\u00e1 tomar nos filmes seguintes. Fruto das visitas de Wilder a campos de concentra\u00e7\u00e3o (e, tamb\u00e9m, de &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/13\/cinema-jean-renoir-1937-1938-1939\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Grande Ilus\u00e3o<\/a>&#8220;, cl\u00e1ssico de Jean Renoir), \u201cInferno 17\u201d conta a hist\u00f3ria de um campo de sargentos prisioneiros de guerra. O elenco traz o diretor Otto Preminger como o Coronel Von Scherbach e William Holden como Sefton, o malandro da turma, que aposta (e ganha) cigarros, os troca por alguns momentos com as prisioneiras russas, e todo mundo acredita ser um espi\u00e3o. Ali\u00e1s, o gancho do roteiro \u00e9 uma hist\u00f3ria de gato e rato. Em um dos quartos de prisioneiros h\u00e1 um informante que est\u00e1 delatando companheiros para os alem\u00e3es. \u201cUm americano entregando outro americano?\u201d, se perguntam os sargentos, mas a hist\u00f3ria se repete diversas vezes at\u00e9 que o grupo todo decide culpar o folgado Sefton, mas ser\u00e1 ele o dedo-duro? William Holden levou o Oscar de Melhor Ator por seu papel em \u201cInferno 17\u201d (Wilder foi indicado a Melhor Diretor, mas perdeu para Fred Zinnemann, por \u201cA Um Passo da Eternidade\u201d), um filme em que Billy Wilder dosa \u2013 com distinta sabedoria \u2013 tens\u00e3o e comicidade num roteiro simples e funcional.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19072\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"billy12\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy12.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"250\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cSabrina\u201d, 1954<br \/>\nTitulo nacional: \u201cSabrina\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A volta de Billy Wilder \u00e0s com\u00e9dias rom\u00e2nticas ap\u00f3s uma sequencia matadora de filmes tensos (\u201cA Mundana\u201d, \u201cCrep\u00fasculo dos Deuses\u201d, \u201cA Montanha dos Sete Abutres\u201d e \u201cInferno 17\u201d) n\u00e3o poderia ter sido melhor. E o motivo principal \u00e9 a escolha acertada da bela e segura Audrey Hepburn para o papel principal. A atriz tinha despertado a aten\u00e7\u00e3o em 1952 com seu primeiro papel principal, em \u201cMonte Carlo Baby\u201d, e no ano seguinte j\u00e1 colocava na estante um Oscar de Melhor Atriz por sua atua\u00e7\u00e3o em \u201cA Princesa e o Plebeu\u201d. Com \u201cSabrina\u201d, Audrey recebeu outra indica\u00e7\u00e3o ao Oscar, mas perdeu para Grace Kelly (em \u201cAmar \u00e9 Sofrer\u201d), o que n\u00e3o desmerece o fato de Hepburn carregar \u201cSabrina\u201d nas costas. No filme, Audrey faz o papel da filha do chofer de uma fam\u00edlia rica. Desde crian\u00e7a, Sabrina \u00e9 apaixonada por David (William Holden, hil\u00e1rio), mas, assim que retorna de uma temporada em Paris, tamb\u00e9m conquista o cora\u00e7\u00e3o do irm\u00e3o, Linus (Humphrey Bogart, n\u00e3o muito \u00e0 vontade no papel), o que resulta em dois irm\u00e3os apaixonados pela mesma garota. Audrey est\u00e1 absolutamente encantadora no papel principal, e o roteiro, de Billy Wilder e Ernest Lehman, fica em segundo plano, deixando a atriz brilhar. Outro cl\u00e1ssico.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19073\" title=\"billy13\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy13.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy13.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy13-300x125.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cThe Seven Year Itch\u201d, 1955<br \/>\nTitulo nacional: \u201cO Pecado Mora ao Lado\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra cena cl\u00e1ssica: a que Marilyn para sobre um t\u00fanel de vento do metr\u00f4 e seu vestido branco flutua. Se n\u00e3o fosse essa cena espetacular (que provavelmente custou seu casamento com Joe DiMaggio \u2013 ou foi a gota d\u2019agua), talvez \u201cO Pecado Mora ao Lado\u201d passasse despercebido frente a verve c\u00f4mica afiada dos filmes que Wilder iria escrever com I. A. L. Diamond na virada desta d\u00e9cada. N\u00e3o que o filme n\u00e3o tenha seu charme, mas a insist\u00eancia no recurso de Richard Sherman (Tom Ewell, perfeito) conversar\/confessar suas neuroses em voz alta o filme todo acaba cansando. E falta um pouco da sacanagem que Billy Wilder iria imprimir nos filmes posteriores (cujo auge, em \u201cKiss Me, Stupid\u201d, de 1964, lhe custaria um pouco da sanidade cinematogr\u00e1fica). O roteiro de George Axelrod e Billy Wilder defende a premissa de que, desde o come\u00e7o dos tempos, basta a esposa virar as costas para que o homem saia \u00e0 ca\u00e7a. Sherman \u00e9 o exemplo, mas o roteiro n\u00e3o concretiza a trai\u00e7\u00e3o, e termina, por fim, com nosso amigo deixando Marilyn (ou \u201cThe Girl\u201d) em casa (mesmo com ela dando em cima dele) e partindo para a esposa. N\u00e3o que todo homem deva trair, nem mesmo com Marilyn, mas o roteiro defende essa quest\u00e3o, e n\u00e3o a conclui, exibindo certa falta de coragem de desafiar a censura. Ainda assim, um filme \u00f3timo, mas menor.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19074\" title=\"billy14\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy14.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cLove in the Afternoon\u201d, 1957<br \/>\nTitulo nacional: \u201cAmor na Tarde\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas anos antes, em 1954, Billy Wilder havia feito \u201cSabrina\u201d com Audrey Hepburn, um filme que j\u00e1 antecipava a queda do diretor pela inoc\u00eancia da atriz (dividida, no filme, por dois gal\u00e3s, William Holden e Humphrey Bogart). Em \u201cAmor na Tarde\u201d, Wilder vai ainda mais longe em uma com\u00e9dia rom\u00e2ntica que s\u00f3 podia ter como pano de fundo\u2026 Paris. \u00c9 na capital rom\u00e2ntica do amor (os minutos iniciais s\u00e3o irresistivelmente deliciosos) que um milion\u00e1rio conquistador \u00e9 salvo de um marido ciumento por uma jovem violoncelista. Ariane (Audrey), a violoncelista, \u00e9 filha de um detetive, e fu\u00e7ando nas fichas de casos solucionados pelo pai, se interessa pelo \u2018Don Juan\u2019 Frank Flannagan (Gary Cooper), e arquiteta um plano para fisgar o homem \u2013 que \u00e9 bem mais velho que ela. Audrey \u00e9 a t\u00edpica hero\u00edna que valida v\u00e1rios temas de Billy Wilder: a esperteza do jovem contra a experi\u00eancia da idade; o amor que consegue vencer o v\u00edcio e a mulher (aparentemente inocente) que, usando de esperteza, conquista o homem. Outras duas cenas memor\u00e1veis: Audrey procurando sapato rastejando-se no ch\u00e3o, e a comovente cena final, na esta\u00e7\u00e3o de trem credenciam \u201cAmor na Tarde\u201d, uma com\u00e9dia rom\u00e2ntica menor, mas ainda assim muito boa. E tem \u201cFascina\u00e7\u00e3o\u201d na trilha (imposs\u00edvel esquecer a m\u00fasica no filme)\u2026<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19075\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"billy15\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy15.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy15.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy15-300x125.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cThe Spirit of St. Louis\u201d, 1957<br \/>\nTitulo nacional: \u201c\u00c1guia Solit\u00e1ria\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1927, um piloto que levava correspond\u00eancias do correio entrou para a hist\u00f3ria dos Estados Unidos ao se transformar no primeiro homem a atravessar o Atl\u00e2ntico em um avi\u00e3o num voo sem escalas. \u201c\u00c1guia Solit\u00e1ria\u201d \u00e9 a cinebiografia do piloto Charles Lindbergh, baseada na autobiografia de mesmo nome \u2013 \u201cThe Spirit of St. Louis\u201d \u2013, que, lan\u00e7ado em 1953, ganhou o Pr\u00eamio Pulitzer. Para o papel principal, por exig\u00eancia do est\u00fadio, Billy Wilder escalou James Stewart, que tinha 47 anos na \u00e9poca \u2013 22 anos mais velho do que Charles Lindbergh, que tinha 25 anos quando alcan\u00e7ou o feito) \u2013 e o ator consegue dar conta do papel, mas o filme n\u00e3o decola. O grande problema, na verdade, \u00e9 o roteiro, que n\u00e3o consegue aprofundar o personagem nem as situa\u00e7\u00f5es que ele vive. Movido por flashbacks, \u201c\u00c1guia Solit\u00e1ria\u201d \u00e9 correto, mas pouco \u00e1gil. Billy Wilder optou por um personagem s\u00e9rio, de piadas secas e pouco sedutor. A saga, por fim, acaba sendo mais interessante que Charles Lindbergh \u2013 o filme intercala cenas do passado enquanto o piloto est\u00e1 cumprindo seu voo de 30 horas \u2013, o que de certa forma explica o fracasso comercial do filme, que precisou do dobro de tempo para ser filmado, e ainda assim parece mal-acabado.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19076\" title=\"billy16\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy16.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy16.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy16-300x125.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cWitness for the Prosecution\u201d, 1957<br \/>\nTitulo nacional: \u201cTestemunha de Acusa\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ano mais frut\u00edfero da carreira de Billy Wilder assistiu a tr\u00eas estreias do diretor: o romance \u201cUm Amor na Tarde\u201d (com Audrey encantadora), o drama \u201c\u00c1guia Solit\u00e1ria\u201d e o filme de tribunal \u201cTestemunha de Acusa\u00e7\u00e3o\u201d, baseado em um conto de Agatha Christie, que lhe rendeu seis indica\u00e7\u00f5es ao Oscar (perdeu a estatueta de Melhor Diretor para David Lean, por \u201cA Ponte do Rio Kwai\u201d) e o elogio eterno dos f\u00e3s da escritora, que at\u00e9 hoje t\u00eam \u201cTestemunha de Acusa\u00e7\u00e3o\u201d como a melhor adapta\u00e7\u00e3o para o cinema de um texto de Agatha Christie. A curiosidade, por\u00e9m, \u00e9 que como se tratava de um conto, o trio de roteiristas precisou estender o texto, e todas as cenas de acento (deliciosamente) c\u00f4mico do advogado Sir Wilfrid Robarts (Charles Laughton, esplendido num papel que lhe valeu uma indica\u00e7\u00e3o ao Oscar) com a enfermeira Miss Plimsoll (Elsa Lanchester, tamb\u00e9m indicada), s\u00e3o responsabilidade e grande m\u00e9rito de Larry Marcus, Billy Wilder e Harry Kurnitz. A hist\u00f3ria sobre um crime \u00e9 a t\u00edpica sala repleta de espelhos desenhada por Agatha Christie, e, comandados por Laughton, o grupo de atores arrebata: Tyrone Power brilha no papel do acusado Leonard Vole, Francis Compton est\u00e1 hil\u00e1rio como juiz da corte brit\u00e2nica, e a beleza fria de Marlene Dietrich (que n\u00e3o sorri em nenhum segundo do filme) arrebata em outro grande filme de Billy Wilder, entre os melhores.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19077\" title=\"billy17\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy17.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cSome Like It Hot\u201d, 1959<br \/>\nTitulo nacional: \u201cQuanto Mais Quente Melhor\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos finais cl\u00e1ssicos de toda hist\u00f3ria do cinema, o de \u201cQuanto Mais Quente Melhor\u201d integra uma listinha top five eterna, da qual tamb\u00e9m faz parte os \u00faltimos segundos matadores de \u201cCasablanca\u201d. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso, claro. \u201cSome Like It Hot\u201d, que conta a hist\u00f3ria de dois m\u00fasicos que se disfar\u00e7am de mulheres para fugir de gangsteres, \u00e9 daqueles roteiros absolutamente perfeitos, t\u00e3o bem constru\u00eddos que mesmo as cenas avulsas s\u00e3o milimetricamente pensadas para compor o todo (algo cada vez mais raro na Hollywood dos dias de hoje). E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso! Jack Lemmon est\u00e1 absurdamente sensacional (o que \u00e9 a cena do tango???), Tony Curtis acompanha no mesmo n\u00edvel, e Marilyn Monroe, acima do peso, com a vida pessoal em cacos e tendo que refazer 40 vezes uma cena est\u00fapida, encanta pela fragilidade, pela sensualidade e simplesmente por ser Marilyn. O filme ficou fora da categoria principal no Oscar de 1960, vencido por \u201cBen Hur\u201d, mas recebeu seis indica\u00e7\u00f5es vencendo apenas em Melhor Figurino P&amp;B. Por\u00e9m, esque\u00e7a a Academia. Para o pr\u00f3prio Billy Wilder, \u201cSome Like It Hot\u201d \u00e9 sua obra prima. Ningu\u00e9m \u00e9 perfeito, muito menos a Academia.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19078\" title=\"billy18\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy18.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cThe Apartament\u201d, 1960<br \/>\nTitulo nacional: \u201cSe Meu Apartamento Falasse\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De todas as arid comedy de Billy Wilder, \u201cSe Meu Apartamento Falasse\u201d deve ser a menos c\u00f4mica e uma das mais \u00e1ridas. Um amigo sempre exemplificava \u201cThe Apartament\u201d como a vers\u00e3o cinema da \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/03\/29\/remexendo-textos-antigos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Teoria de Alison<\/a>\u201d. Outro comentou no Twitter: \u201c\u00c9 basicamente Mad Men, s\u00f3 que feito no tempo presente\u201d. Acho que soa um daqueles filmes inocentes, em que um personagem boboca que se d\u00e1 bem no final esconde uma hist\u00f3ria cr\u00edtica com uma baita profundidade. Deve ter causado uma enorme repercuss\u00e3o na \u00e9poca, com suas 10 indica\u00e7\u00f5es ao Oscar, e as 5 estatuetas que Billy Wilder levou pra casa (Filme, Diretor, Roteiro, Edi\u00e7\u00e3o e Dire\u00e7\u00e3o de Arte \u2013 Academia fazendo um mea-culpa por ter ignorado \u201cQuanto Mais Quente Melhor\u201d?) ao contar a hist\u00f3ria de um funcion\u00e1rio que emprestava seu apartamento para que os chefes tivessem casos extraconjugais. Em seu melhor momento da carreira, com tr\u00eas filmes sensacionais em sequencia, Billy Wilder faz de Jack Lemmon um daqueles patetas que a gente torce para que se de bem. O charme (e o drama) de Shirley MacLaine, com cabelo curtinho e apaixonada pelo homem (casado) errado \u00e9 um perfeito complemento para um grande filme, que esconde por tr\u00e1s das risadas uma tristeza com o mundo moderno. E isso em 1960\u2026<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19079\" title=\"billy19\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy19.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy19.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy19-300x125.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cOne, Two, Three\u201d, 1961<br \/>\nTitulo nacional: \u201cCupido N\u00e3o Tem Bandeira\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um ano ap\u00f3s ter levado cinco Oscars pra casa por \u201cThe Apartment\u201d, Billy Wilder conhecia certo fracasso comercial por um filme absolutamente genial, mas talvez provocativo demais para a \u00e9poca. Enquanto filmava \u201cCupido N\u00e3o Tem Bandeira\u201d em Berlim, um Muro subia e dividia a cidade, e era o mote para uma hist\u00f3ria que desmoralizava comunistas, capitalistas, nazistas, socialistas e outros istas. Isso 52 anos atr\u00e1s. O roteiro, que parece ter uma gag por minuto, n\u00e3o perdoa ningu\u00e9m, e \u00e9 absolutamente memor\u00e1vel. A trama apresenta um executivo da Coca-Cola (James Cagney absolutamente impressionante) trabalhando em Berlim Ocidental, e tendo como sonho colocar a marca mais capitalista da Am\u00e9rica em territ\u00f3rio socialista \u2013 a reuni\u00e3o do diretor com um trio inenarr\u00e1vel de russos \u00e9 hil\u00e1ria, destacando uma piada de charutos: \u201cCuba nos manda charutos em troca de m\u00edsseis\u201d. O executivo acaba encarregado de cuidar da filha do chef\u00e3o (e ela se apaixona por um comunista). Marca Wilder\/Diamond de qualidade em um dos melhores roteiros da dupla. A cena em que um comunista \u00e9 torturado com a audi\u00e7\u00e3o de \u201cItsy Bitsy Teeny Weenie Yellow Polkadot Bikini\u201d \u00e9 absolutamente impag\u00e1vel. Assista. Duas vezes.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19080\" title=\"billy20\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy20.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cIrma La Douce\u201d, 1961<br \/>\nTitulo nacional: \u201cIrma La Douce\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nove anos separam a inoc\u00eancia de Sabrina da provoca\u00e7\u00e3o de Irma, e muita coisa aconteceu entre um filme e outro, principalmente na virada da d\u00e9cada anterior, com \u201cSome Like It Hot\u201d (1959) e o premiad\u00edssimo \u201cThe Apartment\u201d (1960), dois filmes que come\u00e7am a balan\u00e7ar as estruturas da TFP existente em Hollywood. O auge da provoca\u00e7\u00e3o aconteceria em \u201cKiss Me, Idiot\u201d (1964), mas \u201cIrma La Douce\u201d (1963) j\u00e1 adianta um pouco da confus\u00e3o. A personagem principal \u00e9 uma prostituta parisiense chamada Irma (Shirley MacLaine, apaixonante) e o cen\u00e1rio \u00e9 uma rua ao lado do antigo Mercado Municipal de Paris (demolido em 1971). Billy Wilder \u00e9 t\u00e3o did\u00e1tico quanto Godard em \u201cViver a Vida\u201d (1962) ao explicar o que \u00e9 uma prostituta, um cafet\u00e3o e um policial corrupto. Por\u00e9m, certo dia, um policial honesto (Jack Lemmon) aparece na \u00e1rea, prende todo mundo e se apaixona por Irma. A hist\u00f3ria segue seu rumo \u00f3bvio at\u00e9 certo ponto, quando Billy Wilder e I.A.L. Diamond piram na batatinha, e psicodelizam quase meia hora de filme, o que valoriza o excelente papel coadjuvante de Lou Jacobi, o Senhor Bigode. Sucesso de bilheteria, \u201cIrma La Douce\u201d deu a Shirley MacLaine sua terceira indica\u00e7\u00e3o ao Oscar (a primeira foi em 1958 com \u201cDeus Sabe Quanto Amei\u201d e a segunda em 1960 com \u201cThe Apartment\u201d). Um filme leve, mas carola (a prostituta abandona a rua para se tornar esposa). Deve ter sido um ver\u00e3o em que as vendas de meias cal\u00e7as verdes fizeram sucesso\u2026<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19081\" title=\"billy21\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy21.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy21.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy21-300x125.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cKiss Me, Idiot\u201d, 1964<br \/>\nTitulo nacional: \u201cBeije-Me, Idiota\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cl\u00edmax da carreira de Billy Wilder aconteceu no come\u00e7o dos anos 1960, quando \u201cSe Meu Apartamento Falasse\u201d bateu \u201cPsicose\u201d, de Hitchcock, no Oscar saindo da cerim\u00f4nia com cinco estatuetas (um ano antes, \u00e9 bom lembrar, ele havia feito \u201cQuanto Mais Quente Melhor\u201d). \u201cIrma la Douce\u201d, de 1963, foi seu \u00faltimo grande sucesso, e as coisas come\u00e7am a complicar no ousado \u201cKiss Me, Stupid\u201d (1964), que envolve uma troca de casais em que a esposa se passa por prostituta, e vice-versa. Condenado pela Igreja, \u201cKiss Me, Stupid\u201d fracassou nos cinemas, mas n\u00e3o d\u00e1 para culpar apenas os padres \u2013 a maioria nem viu o filme. A trama \u00e9 esperta, mas falta agilidade: dois m\u00fasicos amadores tem a chance de mostrar suas composi\u00e7\u00f5es para um cantor de sucesso, Dino (Dean Martin), que tamb\u00e9m \u00e9 um conquistador voraz. Para proteger sua esposa, o m\u00fasico Orville (Ray Walston) for\u00e7a uma briga e manda a esposa para a casa da sogra. Com o ambiente livre, entra em cena a prostituta Polly, The Pistol (Kim Novak), que ir\u00e1 se passar pela esposa de Orville e tentar conquistar Dino fazendo com que ele compre alguma can\u00e7\u00e3o da dupla. A maioria das piadas n\u00e3o funciona a contento e Dean Martin parece desconfort\u00e1vel no papel. J\u00e1 a dupla Kim Novak e Felicia Farr brilham (principalmente a \u00faltima, esposa de Jack Lemmon de 1962 a 2001, quando o ator morreu) em um filme que parece longo demais e pouco inspirado, mas que carrega algum charme.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19082\" title=\"billy22\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy22.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy22.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy22-300x125.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cThe Fortune Cookie\u201d, 1966<br \/>\nTitulo nacional: \u201cUma Loura Por Um Milh\u00e3o\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um c\u00e2mera de TV que vai parar no hospital ap\u00f3s ser atropelado por um jogador de futebol americano em pleno jogo \u00e9 convencido por seu cunhado, um advogado sem escr\u00fapulos, a fingir ter les\u00f5es muito maiores, para assim dividirem uma rica indeniza\u00e7\u00e3o. O ponto de partida desta com\u00e9dia esperta estrelada por Jack Lemmon e Walter Matthau (Judi West, a loura do t\u00edtulo, apesar de bonita \u00e9 deixada de lado na trama tamanha a qu\u00edmica dos dois atores), que rendeu um Oscar (merecido) de ator coadjuvante para o segundo, \u00e9 uma an\u00e1lise s\u00e9ria da ind\u00fastria de charlat\u00f5es (ainda que apoiada na deliciosa verve c\u00f4mica da dupla de atores) tanto quanto uma valoriza\u00e7\u00e3o da amizade e da responsabilidade (na rela\u00e7\u00e3o do jogador Luther \u201cBoom Boom\u201d Jackson com Harry Hinkle, o personagem vivido por Lemmon). Com roteiro assinado por Billy Wilder em parceria com I.A.L. Diamond (os dois tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis por \u201cAmor na Tarde\u201d, \u201cSeu Meu Apartamento Falasse\u201d, \u201cQuanto Mais Quente Melhor\u201d e \u201cA Primeira P\u00e1gina\u201d), \u201cUma Loura Por Um Milh\u00e3o\u201d \u00e9 dividido em cap\u00edtulos e poderia ser um pouco mais \u00e1gil e curto (assim como \u201cUm Amor na Tarde\u201d, que tamb\u00e9m ultrapassa duas horas de dura\u00e7\u00e3o), mas ainda assim diverte.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19083\" title=\"billy23\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy23.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cThe Private Life of Sherlock Holmes\u201d, 1970<br \/>\nTitulo nacional: \u201cA Vida \u00cdntima de Sherlock Holmes\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s colocar a carreira nos eixos com \u201cUma Loura Por Um Milh\u00e3o\u201d (1966), Billy Wilder tirou f\u00e9rias. A ideia de filmar uma hist\u00f3ria sobre Sherlock Holmes, no entanto, o acompanhava desde as filmagens de \u201cIrma La Douce\u201d, em 1963, e o projeto s\u00f3 come\u00e7ou a tomar forma no final dos anos 60. O \u00f3timo roteiro de Wilder e I. A. L. Diamond brinca sabiamente e respeitosamente com os personagens cl\u00e1ssicos de Conan Doyle, imaginando um ba\u00fa contendo hist\u00f3rias secretas, assinadas pelo Dr. Watson, da vida do detetive (mas aberto 50 anos ap\u00f3s a morte do bra\u00e7o direito do Dr. Holmes). A trama, inclusive, foi filmada com a ideia de epis\u00f3dios, mas duas hist\u00f3rias e um flashback foram cortados da edi\u00e7\u00e3o final, que ainda assim chegou ao cinema com 125 minutos e centrava foco em um interessante suspense de espionagem (um destes trechos deletados foi recuperado e entrou como extra na reedi\u00e7\u00e3o norte-americana do filme em DVD). Billy Wilder lan\u00e7a um olhar carinhoso e rom\u00e2ntico sobre o personagem mostrando um detetive afeito \u00e0 coca\u00edna, esnobe com as mulheres e ciente de uma tentativa de homic\u00eddio: \u201cQuerem me matar, Watson\u201d, ele diz ao receber um par de convites. \u201c\u00c9 um plano para me matar de t\u00e9dio. Odeio ballet\u201d, completa. Subestimado, \u201cA Vida \u00cdntima de Sherlock Holmes\u201d \u00e9 um filme \u00f3timo que fracassou nos cinemas, mas merecia sorte maior.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19084\" title=\"billy24\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy24.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy24.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy24-300x125.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cAvanti\u201d, 1972<br \/>\nTitulo nacional: \u201cAvanti \u2013 Amantes \u00c0 Italiana\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois anos ap\u00f3s o fracasso de \u201cBeije-Me, Idiota\u201d, Billy Wilder conseguiu dar um Oscar de Ator Coadjuvante para Walter Matthau com o mediano \u201cUma Loura por um Milh\u00e3o\u201d (1966), mas \u201cA Vida \u00cdntima de Sherlock Holmes\u201d (1970) passou batido por todos. Foi ent\u00e3o que decidiu filmar sua pr\u00f3xima hist\u00f3ria na It\u00e1lia e, novamente, a trama se supera: o filho (Jack Lemmon) de um milion\u00e1rio precisa ir para a Costa Amalfitana, na It\u00e1lia, buscar o corpo do pai, que sofreu um acidente fatal de carro. O mesmo destino leva uma pobre garota inglesa, \u201cbaixinha e gordinha\u201d (embora Juliet Mills n\u00e3o fosse gordinha nem em um desfile da Victoria Secret), a ir enterrar a m\u00e3e. Billy Wilder e IAL Diamond desfilam um n\u00famero delicioso de piadas sobre costumes (a siesta italiana, o sol raro na Inglaterra) enquanto o fot\u00f3grafo Luigi Kuveiller enquadra bel\u00edssimas paisagens da baia de Sorrento, cidadezinha pr\u00f3xima a N\u00e1poles que serviu de loca\u00e7\u00e3o (embora a hist\u00f3ria seja situada na ilha de Ischia, poucas cenas, como a do necrot\u00e9rio, foram filmadas na ilha), mas 2h20 de filme soa um exagero para uma leve com\u00e9dia rom\u00e2ntica (mesmo de Billy Wilder). Com 40 minutos a menos (sem, por favor, cortar a cena de Juliet Mills na rocha), \u201cAvanti\u201d poderia ter tido melhor sorte, mas merece aten\u00e7\u00e3o pela brincadeira com sotaques (o ingl\u00eas americano de Lemmon, o brit\u00e2nico de Mills e o ingl\u00eas italiano de Clive Revill, excelente como o gerente de hotel Carlo Carlucci).<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19085\" title=\"billy25\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy25.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cThe Front Page\u201d, 1974<br \/>\nTitulo nacional: \u201cA Primeira P\u00e1gina\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois anos ap\u00f3s \u201cAvanti\u201d, Billy Wilder acatou uma sugest\u00e3o de seu produtor Paul Monash aceitando refilmar \u201cThe Front Page\u201d, uma antiga pe\u00e7a da Broadway que ganhou sua primeira vers\u00e3o para o cinema em 1931 atrav\u00e9s de Howard Hughes e depois foi recontada (de forma mais brilhante) por Howard Hawks em 1940 em \u201cHis Girl Friday\u201d (no Brasil, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/03\/25\/tres-filmes-hawks-1940-1952-e-1953\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jejum de Amor<\/a>\u201d). A grande sacada de Hawks foi transformar o personagem masculino Hildy, um jornalista, em Hildy, uma jornalista, e colocar pitadas de com\u00e9dia rom\u00e2ntica na hist\u00f3ria. Billy Wilder, no entanto, ignorou essa escolha e voltou \u00e0 trama original escalando dois atores brilhantes para o papel de Hildy (Jack Lemmon) e do diretor de jornal Walter Burns (Walter Matthau) e transformando a hist\u00f3ria em um retrato n\u00e3o muito lisonjeiro do jornalismo. Seguindo o caminho provocativo de seus filmes anteriores, Billy Wilder recheia a trama de palavr\u00f5es, re\u00fane em cena um casal gay e ataca pol\u00edticos e policiais sem aliviar para jornalistas e prostitutas. Ou seja, Wilder desfere socos de direita em praticamente todo mundo em uma com\u00e9dia que Woody Allen deve ter amado devido aos longos, mordazes e acelerados di\u00e1logos. A qu\u00edmica entre os atores \u00e9 excepcional, mas, ainda assim, \u201cThe Front Page\u201d escorrega na teatralidade excessiva (de atua\u00e7\u00e3o e cen\u00e1rio) e num certo exagero que, ainda assim, n\u00e3o p\u00f5e o filme a perder, mas o impede de brilhar ao lado dos melhores filmes do diretor.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19086\" title=\"billy26\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy26.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy26.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy26-300x125.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cFedora\u201d, 1978<br \/>\nTitulo nacional: \u201cFedora\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quase 30 anos ap\u00f3s filmar sua obra prima, \u201cCrep\u00fasculo dos Deuses\u201d (1950), Billy Wilder praticamente tenta produzir uma revis\u00e3o do filme a partir da hist\u00f3ria fantasiosa (e absolutamente poss\u00edvel \u2013 em Hollywood) de \u201cCrowned Heads\u201d (1976), de Tom Tryon. \u201cFedora\u201d \u00e9 um filme sobre envelhecer em Hollywood, onde \u00e9 proibido envelhecer. Para o papel principal, Wilder escalou novamente William Holden, que havia brilhado em \u201cCrep\u00fasculo dos Deuses\u201d, e aqui faz o papel de um produtor de Hollywood que parte at\u00e9 Corfu, na Gr\u00e9cia, para tentar convencer uma atriz que se retirou de cena a atuar em seu filme, uma adapta\u00e7\u00e3o de \u201cAnna Karenina\u201d. H\u00e1 mais na hist\u00f3ria que, de forma melodram\u00e1tica, tra\u00e7a um retrato macabro n\u00e3o s\u00f3 de Hollywood, mas de uma pr\u00f3pria sociedade ref\u00e9m da beleza e da juventude. O grande tema e uma dire\u00e7\u00e3o correta n\u00e3o impediram que o filme fracassasse nos cinemas, e Wilder enumera em sua autobiografia uma s\u00e9rie de fatores que levaram o filme ao fracasso, entre eles o fato de nenhuma atriz assumir o papel principal com a for\u00e7a de Gloria Swanson (Marlene Dietrich n\u00e3o s\u00f3 recusou o papel, como se sentiu ofendida em Wilder pensar nela como uma idosa em Hollywood). Ainda assim, \u201cFedora\u201d tem seu valor e merece ser visto. \u00c9 uma bela tentativa, que escorrega (principalmente no formato explicativo), mas tamb\u00e9m tem grandes momentos.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19087\" title=\"billy27\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy27.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy27.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy27-300x125.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: \u201cBuddy Buddy\u201d, 1981<br \/>\nTitulo nacional: \u201cAmigos, Amigos, Neg\u00f3cios a Parte\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA melhor coisa para mim sobre \u2018Amigos, Amigos, Neg\u00f3cios a Parte\u2019 \u00e9 que poucas pessoas o viram\u201d, comentou Billy Wilder posteriormente sobre aquele que seria a sua despedida da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica, um fracasso de p\u00fablico e cr\u00edtica. Em \u201cE o Resto \u00e9 Loucura\u201d, autobiografia assinada por Hellmuth Karasck, Billy Wilder diz que, talvez, I. A. L. Diamond n\u00e3o tenha sido o parceiro perfeito para o roteiro. \u201cEle estava acostumado a escrever no per\u00edodo da censura r\u00edgida, e n\u00e3o conseguiu desenvolver muito bem as falas sobre sexo e palavr\u00f5es neste filme\u201d, diz Wilder. Pode at\u00e9 ser, mas na verdade falta ritmo para \u201cAmigos, Amigos, Neg\u00f3cios a Parte\u201d, uma refilmagem proposta a Wilder pela MGM de um filme franco-italiano de 1973, \u201cL\u2019emmerdeur\u201d. Em sua vers\u00e3o, Billy Wilder inclui uma hil\u00e1ria clinica de sexo com um guru mais hil\u00e1rio ainda, mas a hist\u00f3ria do assassino de aluguel Trabucco (Walter Matthau, excelente) que \u00e9 atrapalhado por um suicida (Jack Lemmon, n\u00e3o t\u00e3o \u00e0 vontade) n\u00e3o deslancha, embora aqui e ali possamos encontrar a marca do cinema de Billy Wilder, o que definitivamente \u00e9 muito pouco para encerrar a carreira de um dos maiores diretores da hist\u00f3ria. Vale ver por completismo, ou seja, ap\u00f3s todos os cl\u00e1ssicos.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19090\" title=\"billy28\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy28.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Billy Wilder, de 01 a 26, por Marcelo Costa<\/h2>\n<p>01) Crep\u00fasculo dos Deuses, 1950<br \/>\n02) Pacto de Sangue, 1944<br \/>\n03) Quanto Mais Quente Melhor, 1959<br \/>\n04) Se Meu Apartamento Falasse, 1960<br \/>\n05) A Mundana, 1948<br \/>\n06) Testemunha de Acusa\u00e7\u00e3o, 1957<br \/>\n07) A Montanha dos Sete Abutres, 1951<br \/>\n08) Cupido N\u00e3o Tem Bandeira, 1961<br \/>\n09) Farrapo Humano, 1945<br \/>\n10) Inferno 17, 1953<br \/>\n11) Cinco Covas no Egito, 1943<br \/>\n12) Sabrina, 1954<br \/>\n13) Um Amor na Tarde, 1957<br \/>\n14) O Pecado Mora ao Lado, 1955<br \/>\n15) A Vida Secreta de Sherlock Holmes, 1970<br \/>\n16) A Primeira P\u00e1gina, 1974<br \/>\n17) Fedora, 1978<br \/>\n18) Beije Me, Idiota, 1964<br \/>\n19) A Incr\u00edvel Suzana, 1942<br \/>\n20) Irma La Douce, 1963<br \/>\n21) \u00c1guia Solit\u00e1ria, 1957<br \/>\n22) A Valsa do Imperador, 1948<br \/>\n23) Avanti!, 1972<br \/>\n24) Uma Loura Por Um Milh\u00e3o, 1966<br \/>\n25) Amigos, Amigos, Neg\u00f3cios a Parte, 1981<br \/>\n26) Semente do Mal, 1934<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19093\" title=\"billy29\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy29.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"473\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy29.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/billy29-300x236.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a Calmantes com Champagne<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; O (\u00faltimo) beijo hollywoodiano de Billy (Wilder), por Marco Antonio Bart, em 2002 (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/cinema\/billywider.html\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Uma estranha reuni\u00e3o de fantasmas, por Luis Bu\u00f1uel (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/10\/02\/uma-estranha-reuniao-de-fantasmas\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um dos maiores diretores do per\u00edodo de ouro de Hollywood, Billy Wilder escreveu e dirigiu filmes cl\u00e1ssicos e cenas hist\u00f3ricas\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/07\/27\/cinematografia-comentada-billy-wilder\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":88059,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[234,733],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19059"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19059"}],"version-history":[{"count":30,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19059\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":88060,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19059\/revisions\/88060"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/88059"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19059"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19059"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19059"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}