{"id":18990,"date":"2013-07-23T11:23:14","date_gmt":"2013-07-23T14:23:14","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=18990"},"modified":"2016-08-31T03:37:40","modified_gmt":"2016-08-31T06:37:40","slug":"entrevista-deolinda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/07\/23\/entrevista-deolinda\/","title":{"rendered":"Entrevista: Deolinda (2013)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18991\" title=\"deolinda1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/deolinda1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"909\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/deolinda1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/deolinda1-199x300.jpg 199w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 duas maneiras de se entender quem \u00e9 o Deolinda, uma das maiores sensa\u00e7\u00f5es musicais de Portugal nos \u00faltimos cinco anos. A primeira \u00e9 atrav\u00e9s da uni\u00e3o da bela voz de Ana Bacalhau, que integra o distinto grupo de vocalistas que encantam, \u00e0s can\u00e7\u00f5es, ora doces, ora pol\u00edticas, do violonista Pedro da Silva Martins, escudada pelas cordas de Jos\u00e9 Pedro Leit\u00e3o (contrabaixo ac\u00fastico) e Lu\u00eds da Silva Martins (viol\u00e3o, viola braguesa e vocais).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda \u00e9 atrav\u00e9s da pr\u00f3pria Deolinda, uma personagem criada pelo grupo para dar vida \u00e0s suas m\u00fasicas, criadas com o desafio de saber at\u00e9 onde pode ir a m\u00fasica popular portuguesa hoje. \u201cEla \u00e9 uma mulher de Lisboa que conta, nas suas can\u00e7\u00f5es, hist\u00f3rias que v\u00ea atrav\u00e9s da sua janela. Fernando Pessoa tinha v\u00e1rios heter\u00f4nimos, n\u00e3o? No nosso caso, somos quatro pessoas que partilham um heter\u00f4nimo comum, que \u00e9 a Deolinda\u201d, explica Pedro da Silva Martins, em entrevista ao Scream &amp; Yell via discagem direta internacional, unindo os dois lados lus\u00f3fonos do Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gravado com o produtor Jerry Boys (Buena Vista Social Club, R.E.M., Billy Bragg), \u201cMundo Pequenino\u201d (2013), o novo disco, traz novidades no som com o acr\u00e9scimo de percuss\u00f5es ao j\u00e1 consagrado formato de quarteto. \u201cA verdade \u00e9 que est\u00e1 tudo muito pesado aqui em Portugal, e sentimos a necessidade de dar alguma leveza e ritmo \u00e0s coisas, para contrariar um pouco essa sensa\u00e7\u00e3o\u201d, explica Pedro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro ponto alto do disco \u00e9 o tratamento de temas universais e contempor\u00e2neos, como a individualidade (\u201cConcord\u00e2ncia\u201d), a luta entre o conformismo e a vontade (\u201cSeja Agora\u201d, \u201cH\u00e1 de Passar\u201d) e o culto ao corpo (\u201cDoidos\u201d), expandindo a janela da Deolinda para al\u00e9m da terra de Cam\u00f5es. \u201cSempre almejamos que as nossas can\u00e7\u00f5es n\u00e3o falassem apenas de coisas portuguesas, e parece que conseguimos isso agora\u201d, avalia o compositor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Longe de sua terra, o Deolinda costuma ser apresentado como dono de uma mistura fina entre fado e pop, ou rotulado como world music. Pedro da Silva Martins rejeita ambas as defini\u00e7\u00f5es. \u201cN\u00e3o se trata de um trabalho de alquimia a misturar uma dose de fado com um bocado de pop, e a m\u00fasica portuguesa n\u00e3o se limita ao fado. Bem como a world music, s\u00e3o classifica\u00e7\u00f5es que colocam tudo dentro do mesmo saco. Desse jeito, as coisas n\u00e3o se valorizam pelo conte\u00fado, mas sim pelo saco\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista a seguir, Pedro da Silva Martins conta mais sobre o caminho da banda at\u00e9 este \u201cMundo Pequenino\u201d, d\u00e1 detalhes sobre a produ\u00e7\u00e3o e algumas can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum e comenta sobre a situa\u00e7\u00e3o geral em Portugal nos dias que correm. \u201cHoje h\u00e1 um momento de crise social, mas de maneira alguma passamos por uma crise art\u00edstica\u201d, declara. Agora sim, vamos a isto!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/pjACOG_loM0\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/pjACOG_loM0\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes de tudo, para come\u00e7ar, vamos l\u00e1: quem \u00e9 o Deolinda?<\/strong><br \/>\nO Deolinda \u00e9 uma banda de Lisboa, formada em 2006 com a ideia de tentar responder \u00e0 quest\u00e3o do que \u00e9 a m\u00fasica popular portuguesa hoje. Essa foi a nossa primeira tarefa, com o desafio de fazer algo moderno, com os olhos postos no mundo que nos rodeia. Da\u00ed, tivemos a necessidade de criar essa personagem, a Deolinda. Ela \u00e9 uma mulher de Lisboa que conta, nas suas can\u00e7\u00f5es, as hist\u00f3rias que v\u00ea atrav\u00e9s da sua janela. \u00c9 tanto literal como po\u00e9tico: as nossas m\u00fasicas refletem o cotidiano e o Portugal que ela v\u00ea, embora esse horizonte tenha se alargado com o tempo. Com nossas viagens, o mundo tamb\u00e9m come\u00e7ou a fazer parte dessa vista. Fernando Pessoa tinha v\u00e1rios heter\u00f4nimos, n\u00e3o? N\u00f3s, por outro lado, somos quatro pessoas que dividem um heter\u00f4nimo comum, que \u00e9 esta mulher. Entretanto, deixo claro que Deolinda n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 imagem po\u00e9tica, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um tratamento l\u00edrico, mas \u00e9 todo um universo refletido em m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Comumente, a banda \u00e9 apresentada como dona de uma mistura entre fado e pop. \u00c9 isso mesmo \u2013 e apenas isso?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o (risos). N\u00f3s mesmos temos alguma dificuldade de explicar isto. N\u00e3o \u00e9 uma f\u00f3rmula, n\u00e3o fazemos um trabalho de alquimia buscando misturar uma dose de fado com um bocadinho de pop. \u00c9 tudo natural. As nossas refer\u00eancias musicais explicam melhor esta quest\u00e3o. Nascemos ouvindo fado, fomos embalados desde pequeninos com o fado, porque somos lisboetas, e isso faz parte da nossa gen\u00e9tica musical. Naturalmente, \u00e9 um g\u00eanero que tem uma presen\u00e7a muito forte, assim como o pop, o jazz e a m\u00fasica cl\u00e1ssica contempor\u00e2nea. Al\u00e9m disso, h\u00e1 ainda os nossos escritores de can\u00e7\u00f5es, homens como Zeca Afonso, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, S\u00e9rgio Godinho, refer\u00eancias fortes na m\u00fasica portuguesa. Querendo ou n\u00e3o, isso tudo entra na m\u00fasica final do Deolinda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como funciona a banda \u2013isto \u00e9: quem faz as can\u00e7\u00f5es e os arranjos?<\/strong><br \/>\nSou eu quem comp\u00f5e e escreve as letras. Todas as m\u00fasicas s\u00e3o de minha autoria, e depois as levo para a banda e, em conjunto, tentamos encontrar um caminho para o arranjo que melhor sirva \u00e0 can\u00e7\u00e3o. \u00c9 um processo lento, no qual ficam muitas coisas de fora, porque, apesar de serem boas, eventualmente elas n\u00e3o s\u00e3o Deolinda. \u00c9 muito dif\u00edcil de explicar o que \u00e9 e o que n\u00e3o \u00e9 Deolinda. V\u00e1 l\u00e1: eu diria que \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o, e entre n\u00f3s quatro isso \u00e9 claro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/rquECeJvLgA\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/rquECeJvLgA\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pensando sobre a trajet\u00f3ria da banda, tenho a impress\u00e3o de que &#8220;Can\u00e7\u00e3o ao Lado&#8221; (2008) \u00e9 um disco bastante direto, cheio de can\u00e7\u00f5es, enquanto o &#8220;Dois Selos e um Carimbo&#8221; (2010) me parece mais tradicional, et\u00e9reo e l\u00edrico. \u00c9 por a\u00ed?<\/strong><br \/>\nO primeiro disco exp\u00f5e de uma forma muito clara o que quer\u00edamos musicalmente. \u00c9 um disco que tamb\u00e9m marca um pouco o momento da m\u00fasica portuguesa. At\u00e9 &#8220;Can\u00e7\u00e3o ao Lado&#8221;, a m\u00fasica que passava nas r\u00e1dios (portuguesas) era, em ampla maioria, anglo-sax\u00f4nica. De 2008 pra c\u00e1, houve uma reviravolta, e o que \u00e9 feito em Portugal come\u00e7ou a receber outra aten\u00e7\u00e3o, porque apareceram imensos m\u00fasicos com um trabalho muito interessante. Mais tarde, com \u201cDois Selos e um Carimbo\u201d, sentimos a necessidade de afirmar outros pormenores da nossa m\u00fasica. Experimentamos outros caminhos, que o transformaram talvez num disco que n\u00e3o seja t\u00e3o evidente, mas que tem muitos detalhes. \u00c9 um trabalho que cresce a cada audi\u00e7\u00e3o. Eu mesmo vivo descobrindo coisas novas nelas, e \u00e9 um disco cheio de espa\u00e7o para interpreta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E &#8220;Mundo Pequenino&#8221;, o que \u00e9?<\/strong><br \/>\n\u00c9 outra experi\u00eancia, por assim dizer. Quisemos aprofundar nossa qualidade sonora, e trabalhamos com um produtor ingl\u00eas, Jerry Boys. Ele gravou com Buena Vista Social Club, Billy Bragg e uma s\u00e9rie de projetos de folk e world music. \u00c9 um velho veterano nessas andan\u00e7as. Achamos que ele era o homem certo para trabalhar conosco porque tinha a sensibilidade do nosso tipo de m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi trabalhar com ele? Apesar de n\u00e3o falar portugu\u00eas, ele conseguia compreender a mensagem que voc\u00eas queriam passar?<\/strong><br \/>\nTentamos, de in\u00edcio, focar na estrutura das can\u00e7\u00f5es. N\u00e3o colocamos as palavras de imediato porque quer\u00edamos que ele ouvisse as m\u00fasicas com ouvidos de uma pessoa estrangeira. A m\u00fasica deveria valer por ela pr\u00f3pria. Foi sem d\u00favida uma troca de ideias fant\u00e1stica. [Jerry tem] aquela sutileza do humor ingl\u00eas, que n\u00f3s apreciamos muito, e houve uma grande empatia ali no est\u00fadio, apesar da barreira da l\u00edngua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/uoSsLiPe6EU\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/uoSsLiPe6EU\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O novo trabalho parece ter uma voca\u00e7\u00e3o mais universal, musical e liricamente falando. Os arranjos saem do formato usual de quarteto, e as letras incorporam assuntos que, apesar de se encaixarem bem na realidade portuguesa dos dias de hoje, podem ser bem compreendidos em qualquer parte do globo. Foi proposital?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Acho que a \u00fanica necessidade que sentimos na prepara\u00e7\u00e3o desse disco foi uma necessidade minha como escritor. Est\u00e1 tudo muito pesado por aqui [em Portugal], e n\u00f3s sentimos a necessidade de dar ritmo e leveza \u00e0s coisas, para contrariar um pouco essa sensa\u00e7\u00e3o de peso. Para isso, alargamos a banda, com a chegada do percussionista S\u00e9rgio Nascimento. Claro, essa universalidade de que voc\u00ea fala \u00e9 uma coisa que n\u00f3s sempre almejamos \u2013 isto \u00e9, que as can\u00e7\u00f5es n\u00e3o ficassem sempre falando s\u00f3 de coisas portuguesas, e quem n\u00e3o sabe nada sobre Portugal tamb\u00e9m pudesse se identificar com as letras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gostaria agora de falar sobre algumas m\u00fasicas do disco novo em espec\u00edfico. A primeira delas \u00e9 \u201cMusiquinha\u201d, que tem um refr\u00e3o bem forte [\u201cP\u00f5e a musiquinha e abana essa anca\u201d]. Como ela surgiu?<\/strong><br \/>\n&#8220;Musiquinha&#8221; tem muito a ver com a necessidade de ritmo de que falei antes. J\u00e1 que \u201cisto j\u00e1 n\u00e3o anda\u201d, como diz a m\u00fasica, ao menos que se dance. Ningu\u00e9m tem tomado muita iniciativa em Portugal, e essa can\u00e7\u00e3o \u00e9 uma cr\u00edtica a essa postura de esperar as coisas passarem. \u00c9 preciso que as pessoas se movimentem, e melhor come\u00e7ar por dan\u00e7ar do que ficar de bra\u00e7os cruzados, vendo as lojas fechando e os empregos desaparecendo. \u00c9 um convite \u00e0 atitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso tamb\u00e9m acontece em \u201cSeja Agora\u201d, o primeiro single do disco. \u201cSe \u00e9 pra acontecer, que seja agora\u201d \u00e9 uma palavra de ordem, mas tamb\u00e9m um dos melhores refr\u00e3os de amor que voc\u00eas j\u00e1 fizeram.<\/strong><br \/>\nConcordo contigo. \u201cSeja Agora\u201d \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o de amor, mas \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o d\u00fabia. Gosto muito de fazer can\u00e7\u00f5es que d\u00e3o espa\u00e7os para as pessoas usarem-na como fun\u00e7\u00e3o, como ferramenta, sem impor uma leitura obrigat\u00f3ria. \u201cSeja Agora\u201d \u00e9 sobre a urg\u00eancia de amar, de estarmos com algu\u00e9m, de n\u00e3o adiarmos aquilo que desejamos por quest\u00f5es alheias. Quando escrevo que \u201cvai ser bonito descobrir que o que manda \u00e9 a vontade&#8221;, realmente quero dizer isso, porque muitas vezes, a vontade n\u00e3o manda em n\u00f3s, mas sim o conformismo. Muitas vezes n\u00e3o damos passos \u00e0 frente por medo, e essa m\u00fasica convida as pessoas a darem esses passos. \u00c9 para pedir algu\u00e9m em namoro ou em casamento, para avan\u00e7ar na profiss\u00e3o, para pedir um aumento de sal\u00e1rio&#8230; O \u201cSeja Agora\u201d serve para tudo isso, e fico muito feliz que ela esteja na boca das pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/0T43cfsASi0\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/0T43cfsASi0\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 que voc\u00ea falou sobre a for\u00e7a do medo, a pr\u00f3xima pergunta \u00e9 sobre \u201cMedo de Mim\u201d. Como ela nasceu?<br \/>\n<\/strong>Trata-se de uma hist\u00f3ria real, que aconteceu conosco em Johanesburgo, na \u00c1frica do Sul. Fomos proibidos de sair do hotel pela equipe, porque \u00e9 um lugar muito perigoso, e n\u00e3o nos deixavam passear pelas ruas. Entretanto, fizemos quest\u00e3o de ir ao centro da cidade. Acabamos indo num carro blindado, seguran\u00e7as armados, todo um aparato que para n\u00f3s era exagerado. Est\u00e1vamos em uma loja de tecidos, e, ao sair do lugar, algu\u00e9m vem atr\u00e1s de n\u00f3s e come\u00e7a a nos chamar, muito agitado. Os seguran\u00e7as se colocaram em alerta, e fez-se um clima de grande tens\u00e3o. Quando a pessoa se aproxima de n\u00f3s, com uma nota na m\u00e3o, nos diz: \u201cdeixaram cair isto\u201d. Foi quando percebi que o medo podia ter, naquele momento, causado uma grande injusti\u00e7a. Muitas vezes, o medo \u00e9 quem mais ordena na nossa sociedade, \u00e9 ele que faz com que as pessoas se recolham em condom\u00ednios fechados e tenham uma atitude de desconsci\u00eancia para com o outro. Quando digo que alargamos a janela da Deolinda, me refiro tamb\u00e9m a esta can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A \u00faltima can\u00e7\u00e3o que eu gostaria de lhe perguntar a inspira\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cConcord\u00e2ncia\u201d, que tem um trabalho com as palavras deveras interessante.<\/strong><br \/>\nHoje em dia, vivemos numa sociedade em que tudo \u00e9 categorizado, tudo tem um r\u00f3tulo, as pessoas pertencem a um grupo qualquer. A individualidade \u00e9 uma coisa muito rara, porque somos classificados como n\u00fameros ou meras palavras. Hoje, o mundo \u00e9 controlado por tabelas de Excel, n\u00e3o \u00e9? E n\u00f3s, onde \u00e9 que estamos nesse mundo? \u201cConcord\u00e2ncia\u201d \u00e9 sobre isso, de uma maneira bem-humorada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 que voc\u00ea falou em r\u00f3tulos, gostaria de saber como se sente toda vez que o Deolinda, quando fora de Portugal, \u00e9 denominado como \u201cworld music\u201d.<\/strong><br \/>\nAcredito que seja um r\u00f3tulo injusto. Cada vez mais, chego \u00e0 conclus\u00e3o que \u201cworld music\u201d denomina tudo aquilo que n\u00e3o \u00e9 cantado em ingl\u00eas. Ora, o que n\u00e3o \u00e9 cantado em ingl\u00eas pode ser qualquer coisa, pode ser tudo! N\u00e3o sou adepto dessa defini\u00e7\u00e3o, bem como acho que dizer que fazemos fado limita o universo da m\u00fasica portuguesa. O fado \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o urbana de Lisboa, e \u00e9 uma entre v\u00e1rias. Acho que esse tipo de classifica\u00e7\u00f5es costuma n\u00e3o ajudar a clarificar as coisas, colocando tudo dentro do mesmo saco. Desse jeito, as coisas n\u00e3o se valorizam pelo conte\u00fado, mas sim pelo saco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/n6-CDIuUObc\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/n6-CDIuUObc\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Deolinda j\u00e1 fez turn\u00eas pela \u00c1frica, nos Estados Unidos e em toda a Europa. Por que s\u00f3 agora vieram ao Brasil?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 chegamos a ter datas praticamente confirmadas por a\u00ed, mas na \u00faltima hora, por uma quest\u00e3o de vistos e hospedagem, acabamos por ter de cancelar. Felizmente, agora conseguimos. J\u00e1 estava dif\u00edcil para n\u00f3s explicar \u00e0s pessoas porque n\u00e3o t\u00ednhamos ido ainda. Temos muita expectativa para os tr\u00eas concertos, porque sentimos c\u00e1 que existe muita gente atenta ao nosso trabalho a\u00ed. Entretanto, vamos ao Brasil apenas com o quarteto, levando as can\u00e7\u00f5es na forma de sua g\u00eanese, porque seria invi\u00e1vel levar os m\u00fasicos de apoio conosco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um tema que n\u00e3o deve faltar nos shows por aqui \u00e9 a &#8220;Gar\u00e7onete da Casa de Fado&#8221;, uma brincadeira entre a m\u00fasica brasileira e a m\u00fasica portuguesa. Como \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o de voc\u00eas com a m\u00fasica brasileira?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s ouvimos muita m\u00fasica brasileira, porque \u00e9 de grande qualidade, e trata muito bem a l\u00edngua portuguesa. Para n\u00f3s \u00e9 muito bom conviver com isso, e as vossas can\u00e7\u00f5es trouxeram outras cores \u00e0 nossa identidade musical. A \u201cGar\u00e7onete\u201d \u00e9 uma brincadeira, mas ela mostra que o fado mudou com a m\u00fasica brasileira, \u00e9 um fado diferente. H\u00e1 artistas como o Ant\u00f3nio Zambujo, a Ana Moura ou a Mariza, que trazem muito do Brasil quando cantam fados. [A m\u00fasica brasileira] \u00e9 algo que n\u00e3o se pode ignorar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que acho peculiar \u00e9 que essa \u00e9 uma estrada de uma m\u00e3o s\u00f3 \u2013 isto \u00e9, n\u00f3s aqui sabemos muito pouco da m\u00fasica portuguesa.<\/strong><br \/>\nIsso tem a ver com a vossa produ\u00e7\u00e3o cultural. Aqui em Portugal assistimos a muitas novelas brasileiras, e elas s\u00e3o uma forma excelente de fazer a m\u00fasica chegar \u00e0s pessoas. N\u00f3s n\u00e3o temos essa for\u00e7a. Por exemplo, duvido muito que uma novela feita aqui seria vista no Brasil. Com a m\u00fasica \u00e9 o mesmo processo, mas sinto que h\u00e1 muita gente atenta com o que acontece por aqui. Tenho falado com muitos m\u00fasicos brasileiros recentemente, com o Marcelo Camelo, e eles percebem bem o que estamos fazendo. H\u00e1 tamb\u00e9m os artigos do Caetano Veloso no O Globo elogiando Ant\u00f3nio Zambujo e Carminho&#8230; N\u00e3o sei, mas sinto que h\u00e1 um namoro constante entre as duas culturas. N\u00f3s, o Deolinda, estamos trabalhando nisso tamb\u00e9m, e espero que com o tempo, mais e mais portugueses sejam conhecidos no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/us9dIcLjfKM\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/us9dIcLjfKM\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recentemente, o grupo brasileiro Do Amor fez uma vers\u00e3o para &#8220;Movimento Perp\u00e9tuo Associativo&#8221;, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/03\/03\/download-projeto-visto\/\" target=\"_blank\">disponibilizada pelo Scream &amp; Yell<\/a>. Voc\u00ea chegou a ouvi-la?<\/strong><br \/>\nAchei muita gira [muito legal]! \u00c9 uma leitura pop-rock do tema, e fiquei impressionado quando soube quem eram os m\u00fasicos que tinham feito a grava\u00e7\u00e3o. Adoro quando brasileiros fazem vers\u00f5es da nossa m\u00fasica \u2013 outro dia vi a Faf\u00e1 de Bel\u00e9m cantando \u201cPassou Por Mim e Sorriu\u201d, e fiquei entusiasmad\u00edssimo. \u00c9 algo que me enche de satisfa\u00e7\u00e3o e alegria. J\u00e1 escrevi para Ant\u00f3nio Zambujo, para Ana Moura e para Cristina Moura, e gostaria de escrever especialmente para alguns brasileiros. H\u00e1 muita gente por a\u00ed que admiro: Caetano Veloso, por exemplo, \u00e9 um monstro sagrado para mim, bem como Chico Buarque. Marcelo Camelo, por sua vez, \u00e9 um dos mais talentosos escritores de can\u00e7\u00f5es da atualidade. Voc\u00eas t\u00eam sorte de ter um grupo de m\u00fasicos, uma hist\u00f3ria musical fant\u00e1stica e \u00fanica no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apesar de ter nascido em 2006, o primeiro registro do Deolinda \u00e9 de 2008, ano em que se inicia a crise econ\u00f4mica que abate Portugal. Como \u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds influ\u00eancia voc\u00eas? O Deolinda seria uma banda diferente se Portugal estivesse em uma condi\u00e7\u00e3o melhor?<\/strong><br \/>\nSem d\u00favida. Em 2011, por exemplo, fizemos \u201cParva Que Sou\u201d, que \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o que reflete um problema da sociedade portuguesa. Os jovens t\u00eam, quase todos, forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, mas ningu\u00e9m consegue trabalhar. H\u00e1 uma massa de mestrados e doutorados trabalhando em caixas de supermercados, armaz\u00e9ns. \u00c9 claro que s\u00e3o trabalhos dignos, mas trata-se de um desperd\u00edcio social. \u00c9 uma quest\u00e3o grave, que continua desde ent\u00e3o e tem at\u00e9 piorado. Muitos amigos meus emigraram ou pensam em sair do pa\u00eds, e h\u00e1 muita gente sem trabalho, para n\u00e3o falar das m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es em Portugal. Perderam-se uma s\u00e9rie de direitos, como a sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o. Somos atentos e conscientes, e n\u00e3o podemos ignorar isso. A Deolinda acaba por refletir essas inquieta\u00e7\u00f5es, desde o nosso primeiro disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 algum tempo, \u201cMovimento Perp\u00e9tuo Associativo\u201d foi motivo de um movimento, ainda que pequeno, quase uma brincadeira, de uma peti\u00e7\u00e3o online que queria transform\u00e1-la no hino nacional portugu\u00eas. \u201cParva Que Sou\u201d, por sua vez, virou \u201chino de uma gera\u00e7\u00e3o\u201d quando foi lan\u00e7ada. Como voc\u00ea se sente com essas cita\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o s\u00e3o os m\u00fasicos quem fazem os hinos. \u00c9 o povo. Quando as pessoas tomam uma can\u00e7\u00e3o como um movimento, \u00e0s vezes n\u00f3s, m\u00fasicos, somos apanhados um pouco de surpresa. Com o &#8220;Movimento Perp\u00e9tuo Associativo&#8221;, claramente era uma brincadeira, mas que foi motivo de discuss\u00f5es nas r\u00e1dios e nos jornais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/_rgOFS7UZ2I\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/_rgOFS7UZ2I\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Era tanto uma brincadeira que seria imposs\u00edvel imaginar um hino nacional que fale do Benfica&#8230;<\/strong><br \/>\nExatamente, pronto, l\u00e1 est\u00e1! (risos). E o &#8220;agora n\u00e3o, que joga o Benfica&#8221; \u00e9 talvez o grito mais fraco de revolta que pode haver por parte de um povo. Isso nunca poderia ser um hino, \u00e9 um anti-hino.<br \/>\n\u201cParva Que Sou\u201d j\u00e1 foi diferente, porque ela chamou as pessoas para um problema real, levantando discuss\u00f5es em jornais, na TV, e n\u00e3o apenas em Portugal. H\u00e1 tradu\u00e7\u00f5es para ela em todas as l\u00ednguas na Internet, e grupos espanh\u00f3is e franceses j\u00e1 fizeram vers\u00f5es para ela. Fico feliz que isso tenha acontecido: um artista cumpre seu papel tamb\u00e9m quando traz um problema para cima da mesa e gera uma conversa, que pode resolver esse problema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois dos hinos, das can\u00e7\u00f5es de amor e do \u201cMundo Pequenino\u201d, para onde vai o Deolinda nos pr\u00f3ximos momentos?<\/strong><br \/>\nNesse momento, a m\u00fasica popular portuguesa est\u00e1 em um n\u00edvel muito alto, com muita gente a fazer \u00f3timas coisas. H\u00e1 entre n\u00f3s um momento de crise social, mas n\u00e3o de crise art\u00edstica. Nosso maior desejo era que a situa\u00e7\u00e3o em Portugal ficasse melhor, que nossos amigos e familiares estivessem bem. Artisticamente, gostar\u00edamos de continuar a desenvolver essa busca pela m\u00fasica popular portuguesa, procurando saber o que ela ainda pode ser. Escrevo can\u00e7\u00f5es todos os dias, e tento sempre responder a essa quest\u00e3o. Vamos ver aonde isso vai dar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/5gM3Z77lDdY\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/5gM3Z77lDdY\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/noacapelas\" target=\"_blank\">@noacapelas<\/a>) \u00e9 jornalista, escreve para o Scream &amp; Yell desde 2010 e assina o blog <a href=\"http:\/\/pergunteaopop.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\">Pergunte ao Pop<\/a>. Leia mais sobre bandas portuguesas no Scream &amp; Yell <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; \u00c9 dif\u00edcil botar algum reparo no repert\u00f3rio atual do Deolinda, por Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/05\/13\/deolinda-ao-vivo-em-lisboa\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Deolinda ao vivo em 2011: o triunfo do fado pop, por Pedro Salgado (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/01\/30\/deolinda-o-triunfo-do-fado-pop\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Download: Do Amor regrava m\u00fasica do Deolinda. Baixe o EP \u201cProjeto Visto\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/03\/03\/download-projeto-visto\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Bruno Capelas H\u00e1 duas maneiras de se entender quem \u00e9 o Deolinda, uma das maiores sensa\u00e7\u00f5es musicais de Portugal nos \u00faltimos cinco \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/07\/23\/entrevista-deolinda\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[65,732,47,29,738],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18990"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18990"}],"version-history":[{"count":21,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18990\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39649,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18990\/revisions\/39649"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18990"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18990"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18990"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}