{"id":189,"date":"2008-06-16T08:00:00","date_gmt":"2008-06-16T10:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/2008\/06\/16\/disco-da-semana-viva-la-vida-or-coldplay\/"},"modified":"2015-09-16T11:29:16","modified_gmt":"2015-09-16T14:29:16","slug":"disco-da-semana-viva-la-vida-or-coldplay","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/06\/16\/disco-da-semana-viva-la-vida-or-coldplay\/","title":{"rendered":"&#8220;Viva la Vida or Death and All His Friends&#8221;, Coldplay"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-28857  aligncenter\" title=\"coldplay4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/coldplay4.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/coldplay4.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/coldplay4-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/coldplay4-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">por Marcelo Costa<\/span><\/strong><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fragmentos de um texto antigo:<br \/>\n<em>\u201cX&amp;Y\u201d eleva a mil\u00e9sima pot\u00eancia a grandiloqu\u00eancia exibida em \u201cA Rush of Blood to the Head\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cA banda continua na \u00e1rdua caminhada para se transformar no novo U2?.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cCopiando o U2, o Coldplay est\u00e1 mais para um Simple Minds\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cO Coldplay pinta ser a grande banda da d\u00e9cada, por\u00e9m, ainda deve um grande \u00e1lbum aos cr\u00edticos\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cChris Martin precisa aprender a cantar sem chorar\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cAlgum produtor foda\u00e7o (como Daniel Lanois e Brian Eno) precisa mostrar para os m\u00fasicos que n\u00e3o existem apenas teclados, pianos e sintetizadores no mundo\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resenha de &#8220;X&amp;Y&#8221; datada de 13 de julho 2005 (a integra est\u00e1 <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/06\/13\/musica-xy-o-novo-disco-do-coldplay\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas anos se passaram desde o texto acima. Neste meio tempo, o Coldplay baixou na Am\u00e9rica latina para uma mini-turn\u00ea, o vocalista enfezadinho abandonou jornalistas em uma entrevista coletiva de imprensa em S\u00e3o Paulo e mais de 350 coment\u00e1rios superlotaram uma coluna que escrevi em mar\u00e7o de 2007 sarreando Chris Martin (incrivelmente, 50% querendo o meu pesco\u00e7o, 50% me elogiando &#8211; e eu achei que fosse ser linchado em pra\u00e7a p\u00fablica sem nenhum amigo para me dar a m\u00e3o). Ah, e o Coldplay chamou Brian Eno para produzir o seu novo disco&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Brian Eno dividiu os trabalhos com Markus Dravs &#8211; recomendado por Win Butler, do Arcade Fire, ap\u00f3s ter assinado a produ\u00e7\u00e3o do maravilhoso &#8220;Neon Bible&#8221; &#8211; e chegou chutando a porta da lojinha Coldplay no geral, e de Chris Martin em particular, falando tudo aquilo que a gente j\u00e1 sabia: &#8220;Suas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o longas demais. Voc\u00ea \u00e9 muito repetitivo, e usa excessivamente os mesmos truques &#8211; e coisas grandes n\u00e3o s\u00e3o necessariamente boas. Voc\u00ea recorre demais aos mesmos sons, e suas letras n\u00e3o s\u00e3o boas o suficiente&#8221; (contou o vocalista em entrevista a Rolling Stone norte-americana).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s uma estreia bonita e inocente, um segundo disco mediano e um terceiro \u00e1lbum grandiloq\u00fcente e decepcionante, o Coldplay chega ao quarto disco assumindo os pr\u00f3prios erros e com desejo de tra\u00e7ar caminhos novos. &#8220;Viva la Vida or Death and All His Friends&#8221;, resultado do encontro da banda com Eno e Dravs, chega a surpreender pela forma radical com que a banda nega o passado e se prepara para o futuro. Domados pelas m\u00e3os s\u00e1bias da dupla de produtores, o quarteto brit\u00e2nico coloca nas ruas o seu melhor disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de ser um comparativo de sucesso, o U2 passa agora a ser uma inspira\u00e7\u00e3o para Chris Martin, que gra\u00e7as aos c\u00e9us deixou de cantar em falsete (ele usa o expediente em poucos segundos da grava\u00e7\u00e3o), mas investe nos berros a la Bono. O som da guitarra que havia sido aposentado em &#8220;X&amp;Y&#8221; retorna forte e lembrando em muitos momentos os harm\u00f4nicos de The Edge. E at\u00e9 \u00f3rg\u00e3os de igreja entraram no \u00e1lbum (da mesma forma que entraram em &#8220;Joshua Tree&#8221;, segundo \u00e1lbum produzido por Eno &#8211; e Daniel Lanois &#8211; para o U2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A influ\u00eancia descarada, no entanto, n\u00e3o faz de &#8220;Viva la Vida&#8221; um pastiche, muito pela qualidade &#8211; tanto musical quanto tem\u00e1tica &#8211; do repert\u00f3rio. Chris Martin voltou no tempo e de l\u00e1 trouxe boas hist\u00f3rias para suas letras antes romanticamente &#8211; corretas e &#8211; monotem\u00e1ticas. &#8220;Cemeteries Of London&#8221; fala sobre cavaleiros que cavalgam at\u00e9 o amanhecer e enfrentam bruxas e fantasmas. &#8220;42&#8221; cita feiti\u00e7aria. &#8220;Yes&#8221; \u00e9 sobre ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o. Em &#8220;Viva La Vida&#8221;, o vocalista ouve os sinos de Jerusal\u00e9m e acredita que S\u00e3o Pedro ir\u00e1 chamar seu nome. &#8220;Violet Hill&#8221; relembra um tempo em que padres tamb\u00e9m seguravam rifles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Musicalmente, Brian Eno enxugou os arranjos e deu personalidade aos sons de teclados (que fizeram muito mal aos repert\u00f3rios de &#8220;A Rush of Blood to the Head&#8221; e, principalmente, &#8220;X&amp;Y&#8221;) criando uma sonoridade com um p\u00e9 no rock progressivo, mas sem cair na vala insuport\u00e1vel da grandiloqu\u00eancia. Outra boa nova \u00e9 o resgate do som da guitarra de Jon Buckland (que enriquece faixas como &#8220;Violet Hill&#8221;, &#8220;Cemeteries Of London&#8221; e &#8220;Strawberry Swing&#8221;). Boa parte do repert\u00f3rio de &#8220;Viva la Vida or Death and All His Friends&#8221; soa grandioso e delicadamente bonito como poucas vezes o Coldplay conseguiu ser em seus dez anos de carreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A instrumental &#8220;Life in Technicolor&#8221; abre o \u00e1lbum com som de \u00f3rg\u00e3o de igreja e \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o fazer um paralelo com &#8220;Where The Streets Have No Name&#8221;, faixa que abre &#8220;Joshua Tree&#8221;, do U2 (os vocais de Chris Martin ao fundo poderiam ser de Bono, se n\u00e3o forem &#8211; brincadeirinha). &#8220;Cemeteries Of London&#8221; traz Martin gastando voz sob uma cama de \u00f3rg\u00e3o, teclado, viol\u00e3o e guitarra. O \u00f3rg\u00e3o de igreja retorna no arranjo mantrico de &#8220;Lost&#8221; (uma das grandes letras do \u00e1lbum). &#8220;42&#8221;, a melhor m\u00fasica, mostra o quanto a banda cresceu melodicamente: come\u00e7a vagarosa e bonita a la Keane e depois se transforma em Radiohead. O arranjo de &#8220;Yes&#8221; tamb\u00e9m surpreende, com Martin cantando pausadamente sobre uma boa estrutura mel\u00f3dica que inclui cordas no meio da can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As guitarras d\u00e3o a cara de verdade em &#8220;Chinese Sleep Chant&#8221;, faixa escondida que come\u00e7a ao final de &#8220;Yes&#8221; e faz a cama para a bel\u00edssima melodia de &#8220;Viva La Vida&#8221;, com arranjo de cordas e sons de \u00f3rg\u00e3o e teclados vindos do c\u00e9u. &#8220;Eu costumava controlar o mundo \/ Os oceanos aumentavam quando eu dava a palavra \/ E agora pela manh\u00e3 eu me arrasto sozinho&#8221;, canta Chris no come\u00e7o da can\u00e7\u00e3o. &#8220;Violet Hill&#8221; \u00e9 o mais pr\u00f3ximo que o Coldplay j\u00e1 chegou dos Beatles (sonoramente e geograficamente: Violet Hill \u00e9 uma rua paralela a Abbey Road). &#8220;Strawberry Swing&#8221; tem clima cigano, e poderia ser o final conceitual do disco, j\u00e1 que &#8220;Death and All His Friends&#8221; e &#8220;The Escapist&#8221; (outra faixa escondida, esta com o mesmo \u00f3rg\u00e3o que abre o \u00e1lbum) s\u00e3o o mais pr\u00f3ximo que o velho Coldplay aproxima-se do novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que ser um grande disco, &#8220;Viva la Vida or Death and All His Friends&#8221; coloca em primeiro plano a fun\u00e7\u00e3o do produtor. O que o lan\u00e7amento sugere \u00e9 que qualquer bandeca mediana pode lan\u00e7ar um grande \u00e1lbum se estiver devidamente assessorada. \u00c9 quase isso, e n\u00e3o \u00e9 vergonha nem dem\u00e9rito. O que seriam dos Beatles sem George Martin? Possivelmente uma grande banda, mas ser\u00e1 que chegariam no lugar em que chegaram? Ok, n\u00e3o h\u00e1 como comparar Chris com Lennon e McCartney, mas &#8220;Viva la Vida&#8221; coloca definitivamente o Coldplay no rol das grandes bandas dos anos 00. Chris Martin continua sendo um mala de marca maior (os recentes casos de abandono de entrevista, de recusa a lan\u00e7ar uma m\u00fasica por ser sexy demais e o risco de cancelar a turn\u00ea por um acidente no ensaio &#8211; isso mesmo, ensaio &#8211; s\u00f3 confirmam sua postura coxinha), mas j\u00e1 pode dormir tranquilo: o Coldplay lan\u00e7ou um grande disco. Agora ele s\u00f3 precisa de um assessor para cuidar de sua vida pessoal, mas uma coisa de cada vez, n\u00e3o \u00e9 mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Viva la Vida or Death and All His Friends&#8221;, Coldplay<\/strong> (EMI)<br \/>\nPre\u00e7o em media: R$ 30<br \/>\nNota: 8,5<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/dvgZkm1xWPE\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/dvgZkm1xWPE\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Coldplay ao vivo em 2001: show provoca catarse, mas n\u00e3o surpreende  (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2001\/04\/30\/coldplay-ao-vivo-em-londres-2001\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Sete motivos para rir de Chris Martin, vocalista do Coldplay (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/03\/01\/sete-motivos-para-rir-de-chris-martin\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Coldplay, Travis e Starsailor pertencem ao grupo das bandas coxinhas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/outros\/macquatro.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cViva La Vida Special Edition\u201d, Coldplay: reedi\u00e7\u00e3o \u00e9 indicada para completistas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/08\/the-doors-coldplay-e-johnny-cash\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Em \u201cX&amp;Y\u201d, Coldplay alterna baladinhas, baladas e balad\u00f5es.  E d\u00e1 sono. (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/06\/13\/musica-xy-o-novo-disco-do-coldplay\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Os dois primeiros discos do Coldplay e a estreia do Starsailor (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/04\/22\/dois-discos-do-coldplay-e-um-do-starsailor\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/06\/16\/disco-da-semana-viva-la-vida-or-coldplay\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[410,732],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/189"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=189"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/189\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33624,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/189\/revisions\/33624"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=189"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=189"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=189"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}